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Manaus me habita

13.08.2017 às 00:01
Encontro ds águas dos rios Negro e Solimões - Reprodução

Encantou-me, sobremaneira, a imensidão daquele rio de cor negra. Quanto mais o navio aproximava-se de suas águas, mais eu me sentia parte do cenário.

O sol forte fazia brilhar gotas de prata por todo lado, e o verde da mata nas margens tinha em seu todo um tom forte, uma imponência sem igual. Tomei meu filho pequeno nos braços, nossos olhos brilhavam de expectativa.

Era, de fato, mais do que um lugar novo. Sentíamos, ambos, que era um mundo novo, um novo tempo em nossas vidas. Estávamos chegando, pela primeira vez, ao Amazonas, em julho de 1985.

Já avistávamos, de forma tênue, a terra à frente. Era o cais do porto de Manaus.

Pisei em terra firme, olhei ao horizonte, enxerguei uma paz indescritível.

Depois de praticamente seis dias navegando por vários rios amazônicos, podia sentir claramente o chão sob os meus pés. Mas, o mais importante, era o sentimento que me tomava, um sentimento de reconhecimento a um lugar onde nunca estive, nem em sonhos. Era como se eu fosse dali, tivesse nascido ali, e estivesse, simplesmente, de volta.

Havia, sim, um pertencimento desde o início de que, o Amazonas, era, igualmente a Alagoas, a minha Pátria.

Não precisei de muito tempo para tornar meu, dentro de mim, verso de Anibal Beça, poeta e escritor amazonense, sobre Manaus:

"Toda cidade se habita 
como lugar de viver. 
Só Manaus é diferente 
pois em vez de habitá-la 
é ela quem me habita". 

Percorri, em minha estadia em Manaus, várias histórias dessa cidade e do Amazonas fazendo jornalismo. Lá, enfrentei medos pessoais e profissionais e descobri paixão e coragem na minha pauta profissional.

Cresci como pessoa e como jornalista, mas, sobretudo, aprendi a ser no coração e na alma uma amazonense de fé, uma “mana” dos tantos amigos e colegas que me acolheram.

Essa postagem é, sim, um agradecimento ao Amazonas por tudo e por tanto que vivi, aprendi e senti por lá. E costumo me dizer, sempre, que no jornalismo que faço, é em Manaus dos anos 80 que busco as melhores referências de um tempo onde ser jornalista era ter compromisso com a informação, era ter honestidade na notícia, era ter lisura e caráter na opinião.

Em tempo: minhas reverências a grandes jornalistas alagoanos que sempre me incentivaram na ética, na ousadia e no amor ao jornalismo.

Postado por Em Pauta

Vamos usar media training?

06.08.2017 às 10:45


Penso que media training é uma ferramenta importante em qualquer assessoria de imprensa.

Lembro-me bem que certa feita, ao sugerir a um assessorado a convocação de uma coletiva à imprensa, ele me confessou que não se sentia preparado para encarar ao vivo jornalistas, câmeras e perguntas de toda ordem, vindas praticamente numa mesma velocidade. Apesar de eu o ter tranquilizado de que ele não seria jogado aos leões, que seria bem preparado e as peguntas organizadas, ainda assim a fala dele nesse caso saiu através de nota oficial.

Não basta o assessorado dominar o assunto e esse é o preceito básico para qualquer contato com a mídia, mas, sobretudo, além do conhecimento, ele deve apresentar segurança pessoal e convencimento dos argumentos expostos. Numa entrevista a uma emissora de televisão, principalmente ao vivo, deve-se levar em conta respostas curtas, objetivas, claras e satisfatórias aos questionamentos.

Há quem diga que numa entrevista ao vivo, o entrevistado pode dizer o que quer, ignorar a pergunta e fazer seu discurso. Não é verdade, passa arrogância, desagrada ao jornalista e não responde à pauta. Essa tática de enrolar o público não deixa ninguém confortável, muito menos o entrevistado, por isso que o assessorado deve ser treinado para falar com a imprensa apenas por profissionais de comunicação.

Na prática, uma coisa é a tese de que todo mundo entende um pouco de comunicação, outra, é que só profissionais de comunicação entendem de imprensa.

Mas, enfim, vamos detalhar o que é media training.

Para se relacionar com a mídia é imprescindível conhecer e entender como ela funciona, a dinâmica de produção e os aspectos inerentes ao jornalismo. Nem sempre esse contato é fácil ou o assessorado ou seu porta-voz estão preparados para lidar com a imprensa. Mais do que dominar o assunto a ser falado, o entrevistado deve saber técnicas para uma entrevista e o dia a dia da imprensa para facilitar o seu contato com a mídia.

O primeiro passo para entender essa técnica é observar que não é qualquer pessoa que pode responder em nome do assessorado, seja em entrevistas rotineiras e, ainda pior, em momentos de crise. É preciso selecionar previamente porta-vozes para representá-lo e prepará-los igualmente para o relacionamento com a imprensa. E esta preparação só se faz com o treinamento prévio, que engloba vários aspectos da comunicação e oferece maior conhecimento de como funciona o jornalismo, as artimanhas dos repórteres, as características de cada veículo, as técnicas para conceder uma boa entrevista.

Há aqui em Alagoas várias empresas de comunicação que oferecem com qualidade esse serviço e é bom que as assessorias de imprensa o levem em consideração. Afinal, o desempenho na mídia de um assessorado mostra muito de sua assessoria. 

Em tempo: o meu assessorado que temia o contato com a imprensa vive hoje em rádio, TV e redes sociais, falando com muita competência e conhecimento de causa, no estado dele onde exerce mandato político, depois que conheceu media training e tomou gosto pelo uso do jornalismo na hora certa. 

Uma semana de bem para todos nós.

Postado por Em Pauta

Na pauta da imprensa, as eleições de 2018

Tudo como dantes no Quartel de Abrantes?

30.07.2017 às 01:36
Reprodução

Com um país cambaleante politicamente, a proximidade da disputa eleitoral de 2018 é a pauta que mais movimenta a imprensa nesse momento. As pesquisas de opinião pública, as especulações, as avaliações e até os passos aqui e acolá de partidos e prováveis candidatos fomentam os debates mais acirrados nas redes sociais e no jornalismo.

Não é diferente do cenário geral do país, o que vemos na mídia alagoana.

Pesquisas de intenções de votos pipocam aqui em todas as regiões do estado e já mostram nomes na preferência popular para o governo de Alagoas, senado e as proporcionais para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal.

O que nos chama a atenção?

A população, de uma forma geral, tem rejeitado a corrupção e, claro, políticos corruptos. Uns foram às ruas exigir o impeachment de Dilma, outros estão nas ruas pelo “fora Temer”, muitos condenam as reformas do trabalho e da previdência, assim como o aumento de impostos enfiados goela abaixo do brasileiro, mas, no frigir dos ovos, em geral aparecem como favoritos para a próxima eleição, os mesmos envolvidos e responsáveis pelo mar de lama que envolve o país.

Pela primeira vez na história do País temos um pré-candidato a presidente, Lula, já condenado pela Justiça em primeira instância, por corrupção passiva, assim como temos na presidência da Nação um investigado igualmente por crime de corrupção, Michel Temer (PMDB).

E, sim, Lula tem a preferência das intenções de votos do povo brasileiro e, em Alagoas, para onde vem agora em agosto, deverá receber da universidade estadual o título de Doutor Honoris Causa.

Em nosso estado, dois senadores que provavelmente disputarão a renovação do mandato, Renan Calheiros (PMDB) e Benedito de Lira (PP) respondem inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), também por corrupção.

E ambos pontuam bem na eleição de 2018.

Para a Assembleia Legislativa ou para a Câmara Federal, os prováveis votos para o ano que vem devem reeleger a maioria deles.

Em resumo, pelo andar da carruagem, 2018 será tudo como dantes no quartel de Abrantes, a diferenciar apenas que, agora, o eleitor terá a consciência sobre quem está dando seu voto.

Isso, para o bem e para o mal.

Já a imprensa, tomara que, pelo menos onde se faz jornalismo com honestidade, ela continue a resistir na indignação para, quem sabe, num futuro próximo, a pauta seja de fato a faxina ética na política brasileira.

Postado por Em Pauta

O jornalismo, como fiel da balança. Será?

23.07.2017 às 00:01


O fato de um jornalista ser partidário de uma causa, não deve torná-lo adversário de outras. Não profissionalmente. É disso que falo quando defendo a honestidade no jornalismo, ou seja, a publicação de todas ou da maioria das versões de um fato e até mesmo o uso delas na avaliação para a expressão opinativa.

Em tempos de redes sociais e de um país dividido pela intolerância e, por vezes, pelo ódio preconceituoso, seja referente à política, raça, cor, religião, orientação sexual e outras questões que expõem publicamente na polêmica os lados  de quem são a favor ou não, a imprensa deveria ser o diferencial na informação.

É certo que a linha editorial da grande maioria da mídia brasileira sempre levou gosto e dinheiro na proteção de alguns lados, sobretudo no que se refere ao poder político. Mas, nós, jornalistas, que já sofremos censura nas redações, que vimos tantas e tantas vezes nossa pauta morrer antes mesmo de nascer, devemos seguir esse rumo?

Hoje, muitos de nós temos blogs, sites e até impressos, e nossa opinião no mundo virtual segue em igual importância.

Devemos nos comportar como jornalistas que somos ou como militantes, de quais causas sejam? Ou como alguns dos nossos patrões de ontem, cuja régua que media o jornalismo era  a mesma que media as peças publicitárias que chegavam ao comercial, ou seus interesses pessoais junto ao poder político?

Claro que essa régua e patrões assim ainda existem.

Mas esse deve ser o nosso exemplo quando conquistamos a soberania de fazer jornalismo?

Lembro que em 1989, na eleição presidencial, participei em Brasília de uma coletiva à imprensa de Fernando Collor, candidato já no segundo turno com Lula. No local havia muitos jornalistas, a grande maioria ostentando no peito a estrela do PT. Foram entrevistar Collor como eleitores de Lula e não como profissionais de comunicação.

O constrangimento foi geral para quem estava ali como profissional do jornalismo e não como militante, e para o candidato, evidentemente.

Lamentei lá atrás e lamento hoje, quando vejo gente da imprensa postando em suas mídias sociais agressões a quem elegeu como adversário, seja na política ou não, compartilhando falsas informações, desde que beneficie quem está em seu palanque ou prejudique quem está fora dele. E, aí, penso: quando esse profissional vai entrevistar essa pessoa a qual qualifica em suas redes de “bandido”, “irresponsável”, “ladrão”, e por aí vai, tem capacidade para lidar com isso e ser jornalista honestamente?

A intolerância exposta por esses profissionais em suas redes sociais é capaz de não interferir quando o entrevistado for exatamente o alvo desses ataques?

Há quem diga que sim, não duvido até que possa.

Mas, para mim, perde credibilidade o entrevistador, perde força a entrevista.

Todo caso, essa é apenas uma reflexão pessoal para esse domingo. Há entre nós jornalistas, no país inteiro, quem ouse, serenamente, responsavelmente, tomar partido, defender bandeira, e não comprometer sua trajetória profissional, seu nome e sua ética no jornalismo.

Os que se perdem no ódio, não são a regra, graças a Deus.

Postado por Em Pauta

O 17 de Julho, contado 20 anos depois

16.07.2017 às 00:01
Foto: Adailson Calheiros

Com 221 páginas, 16 capítulos e 160 personagens, o jornalista Joaldo Cavalcante reconstitui em seu livro “17 de julho – a gameleira, as lembranças e a história decidida à bala”, um dos dias mais significativos para o jornalismo político alagoano desde 1997.

Na época, eu era editora-geral do jornal Tribuna de Alagoas e lembro que, desde o dia anterior, 16, os jornalistas acompanhavam, apreensivos, a tensão na Assembleia Legislativa e no Palácio do Governo. O diretor de redação, Gabriel Mousinho, e eu, decidimos manter uma equipe dia e noite dentro da Casa Tavares Bastos.

Era previsível que toda a pressão de salários atrasados há meses no estado, falência de gestão e acuamento do próprio  governador Divaldo Suruagy, fosse estourar a qualquer momento.

Estourou exatamente em 17 de julho.

Tiroteio, parlamentares sitiados no Poder Legislativo, praça tomada pelo povo, medo, correria, e um governador obrigado a deixar seu mandato à força dos acontecimentos.

Na redação da Tribuna de Alagoas, deslocamos os repórteres de outras editorias para a cobertura geral desse momento. Montamos um QG dentro de um dos nossos carros o mais perto que podíamos chegar da Assembleia Legislativa no auge da confusão. De lá, por comunicação de rádio, orientávamos o nosso pessoal e tínhamos a informação mais próxima do que acontecia do lado de fora.

Lá dentro, já havia uma equipe junto aos deputados.

Dia 18, a Tribuna de Alagoas foi às ruas com uma das melhores coberturas do caso, fotos inéditas, bastidores de dentro da Assembleia e do Palácio do Governo. Praticamente viramos a noite nesta edição.

Um dia inesquecível para os jornalistas que tiveram esse dia como pauta.

O autor da obra não fugiu à regra, esteve, também, como outros atores de sua história, vivenciando esse momento. Ele conseguiu fugir do tiroteio e refugiou-se no tronco de uma gameleira, na praça em frente à Assembleia Legislativa.

E para contar tal enredo, Joaldo, com seu brilhante texto e mente aguçada de repórter investigativo, mergulhou nos arquivos antigos de jornais e na gravação de depoimentos de pessoas que vivenciaram os acontecimentos que culminaram no fogo cruzado entre policiais civis e militares do Estado e os recrutas do Exército. Revela o autor: "Foram quase quinze horas de gravação e algumas centenas de páginas, entre recortes de jornais, textos transcritos de áudios e documentos, como  o IPM do Exército".

Quem já leu outras obras de Joaldo Cavalcante, sabe que nesta nos espera uma reportagem bem contada, com dados e versões bem detalhadas. Que o diga o jornalista Vannildo Mendes, que a prefaciou.

A obra será lançada amanhã, dia 17, a partir das 19 horas, no restaurante Anamá, na Ponta Verde.

Postado por Em Pauta

Tribuna Independente, dez anos de resistência

09.07.2017 às 00:01
Divulgação

A comunicação virtual avança e só os impressos com sustentação histórica e financeira se mantêm no mercado. Os jornais diários, por exemplo, estariam perdidos no espaço ou têm cacife enquanto instrumento de informação para se manter e competir com o noticiário online? O que está no diário do dia seguinte não seria a notícia já lida, rebuscada e repercutida nos sites no dia anterior?

Enquanto se faz o debate do presente e do futuro, os impressos, em especial os diários,  continuam a ocupar as prateleiras das bancas de revistas e jornais, as mesas de café da manhã, e a leitura nas repartições públicas e outros locais.

Temos aqui em Alagoas a Tribuna Independente, um impresso diário, alternativo, que insiste nessa sobrevivência e que há dez anos constrói uma história significativa com o jornalismo local. Nasceu de uma cooperativa de jornalistas e gráficos e é feito e comandado por patrões que são, ao mesmo tempo, os trabalhadores.  

Uma relação que tem como norte o jornalismo ético, me diz Ricardo Castro, secretário executivo da Jorgraf – Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos de Alagoas, e editor-geral do jornal que amanhã, 10, registra seu décimo aniversário de circulação pela primeira vez no estado.

Sobre a cooperativa, o interessante é que ela foi criada exatamente para dar vida ao jornal.

O fechamento da Tribuna de Alagoas, o desemprego de cerca de 130 pessoas entre administrativo, gráficos e jornalistas, a falta de vaga no mercado e a sugestão do então presidente da CUT de Alagoas, Isaac Jackson, para o cooperativismo, incentivaram a fundação da Jorgraf em 18 de junho de 2007.

Menos de um mês depois, a Tribuna Independente estava nas ruas.

São dez anos de desafios, de dificuldades, de medos e de superação, também de garra e disposição desse grupo de 56 cooperados. A perspectiva de futuro para o projeto é promissora, garante Ricardo, que não vê possibilidade de o jornal ficar para trás no avanço do jornalismo online.  De 2007 para cá, a Tribuna Independente já ganhou um parceiro de redação, o portal de notícias Tribuna Hoje, e recebeu inúmeros prêmios jornalísticos em fotografia, reportagem e designer gráfico.

Fruto exatamente do esforço de cada um desses cooperados e dos parceiros que vão sendo conquistados. 

Há coisa nova chegando por aí, entusiasma-se Ricardo Castro, mas, claro, por ora ainda está nos cueiros, ou seja, sendo construída.

De toda forma, sei que é produto bom para a comunicação alagoana, porque esse pessoal tem o jornalismo na veia.

Vida longa e muito sucesso à Tribuna Independente!

Em tempo: minha reverência ao jornalista Antônio Pereira, nosso Toinho, um dos grandes defensores da Tribuna Independente e um dos maiores responsáveis pelo reconhecimento do impresso junto à sociedade alagoana. Também meu abraço para Gabriel dos Santos, Marilene Canuto e todos os que fazem desse jornal um exemplo de resistência na comunicação alagoana.

Postado por Em Pauta

Quando o fotojornalismo ganha a pauta

02.07.2017 às 00:01
Reprodução


Vamos falar sobre fotojornalismo?

Semana passada, conversando com jovens que farão este ano o Enem, um assunto na pauta da comunicação ganhou fôlego no debate: a  imagem no jornalismo.

“Afinal, a foto na edição de uma reportagem é um enfeite ou uma informação”, queria saber a maioria deles.  “Existe foto que dispensa legenda?”, indagava outra parte. “Quando o fotógrafo sabe que aquela é a foto maneira?”, questionavam alguns.

Respondi com base na minha experiência de quase 38 anos de jornalismo, mas prometi a eles a palavra de especialistas no tema.

Fiz o resumo de alguns dos questionamentos e ousei encaminhá-los a dois excelentes profissionais, Beto Macário, professor no Centro Universitário Tiradentes e fotojornalista do UOL, e Pei Fon, fotógrafa na Secretaria de Comunicação de Maceió, com currículo de fotojornalismo na área de esportes e outras.

Obrigada a ambos por aceitarem o desafio.

Aí está a promessa cumprida.


O que representa a imagem no jornalismo?

Beto Macário - A fotografia para o jornalismo é o caminho mais curto e democrático para o acesso à informação. Por ser considerada um exponencial da comunicação não verbal, ela tem o poder de inserir o leitor no ambiente em que está sendo descrito, sem o distanciamento natural que o texto possui (aspecto janela). Isso faz com o que o leitor, independente de sua escolaridade, tenha acesso à informação e possa compreender, de forma muito particular, o assunto que está sendo abordado.

Pei Fon - A imagem no jornalismo é a certificação de que, aquilo que está sendo dito, realmente aconteceu. O consumidor de notícias não pode ficar apenas imaginando como foi que aconteceu. O jornalismo não deixa de ser uma “contação de história”, porém vem amarrado de imagens para dar mais veracidade ao que fora dito.


Como achar o melhor ângulo da notícia para a fotografia?

Beto Macário - Acredito que o melhor ângulo da notícia é sempre o do fotojornalista... Rsrsrs.. Afinal, por se tratar a fotografia como um exemplo máximo da comunicação não-verbal, o codificador - no nosso caso, o fotógrafo - empresta muito de si, muito da sua experiência de mundo, para codificar uma mensagem, expressar aquilo que está acontecendo naquele momento... Cabe ao profissional perceber que aquela informação que ele está produzindo tem que ser recebida com clareza, seja emocionando, denunciando, ou simplesmente registrando o fato acontecido e que não pode passar em branco.

Pei Fon – Não existe uma regra sobre os ângulos. Depende bastante do assunto a ser fotografado. Uma reunião, por exemplo, mostra-se as pessoas envolvidas, o público, um foco nas personas importantes. Mas imagine uma manifestação. O melhor ângulo será aquele que captar a essência do ato, geralmente coberto de expressões faciais, multidão.


Quando cabe uma foto sem legenda?

Beto Macário - Se tratando de Jornalismo, a fotografia - por si só - não consegue responder a todas as perguntas que o lead necessita, por exemplo.. a partir deste preceito, se faz necessária a legenda o texto vinculado a todas elas.. eu acredito que para que a informação possa ser passada como muito mais eficácia, é preciso que isso seja respeitado.. Afinal, estamos falando de imagens que naturalmente são consideradas abertas., imagina, por exemplo, se deixássemos ao leitor a responsabilidade de decodificar aquela informação, sem nenhum indicativo textual, do caminho que ele deve seguir.. cada um poderia interpretar os fatos de acordo com suas impressões subjetivas e visões de mundo particulares na qual se restringiria a um simples 'gostar ou não' daquilo que está diante de seus olhos.

Pei Fon - A foto sem legenda é aquela que fala por si só. Vou usar o futebol como exemplo. Sabemos que é uma paixão avassaladora. Seja para o bem ou para o mau. No entanto, quando captura a imagem da torcida, seja a expressão de alegria ou tristeza, o torcedor se reconhece naquela atitude porque ele também se sente parte. Fazendo uso do ditado popular: “uma foto vale mais do que mil palavras”.


O que é arte e o que é jornalismo numa foto? 

Beto Macário - Já com relação a arte na fotografia.. Sinceramente, por conta da minha formação, não consigo estabelecer nenhuma conexão da arte com as imagens feitas pela 'máquina de pintar'.. Quando alguns autores dizem que a máquina fotográfica surgiu em um ambiente extremamente positivista como o instrumento mais perfeito de reprodução do real, ela passa a ser 'condenada' a reproduzir algo que já exista.. É como se ela codificasse aquilo que está diante de suas lentes, iluminado.. É o exercício diário de registrar o mundo a uma linguagem, com suas limitações de formato.. A arte, por si só, é algo muito mais amplo.. Com uma representatividade muito diferente das imagens.. Eu acredito que as fotografias, se tratando do universo comunicativo, nunca deixem de ser cultura de massa...

Pei Fon - Arte e jornalismo andam numa linha tênue, acredito assim. Ambas contam história, a diferença está na sua distribuição. A arte é segmentada. O jornalismo massificado. A forma de como ambas chegam até o seu receptor é distinta. O alcance do jornalismo é maior e não requer muito entendimento para ser compreendido. A fotografia é uma arte e por meio dela que o jornalismo consegue chegar onde não se imagina. Andam juntas e uma precisa da outra.


Quando a foto deve ir para a capa de um site ou impresso?

Beto Macário -  A Simonetta [Persichetti] anunciou que o fotojornalismo no Brasil está morto desde a década de 90.. eu concordo, em parte, com ela.. até porque nós vemos um movimento de alguns profissionais, hoje em dia, de privilegiar fotografias plasticamente belas.. em detrimento de fotografias informativas.. hoje nós vivenciamos a popularização das fotografias, afinal, todos conseguem ter acesso e produzir imagens em seus smartphones, câmeras digitais.. parafraseando a Simonetta.. é preciso lembrar que todos podem fotografar, mas, nem todos são fotógrafos.. "eu sei escrever, nem por isso me considero Machado de Assis".

Pei fon - Foto é capa quando o motivo é impactar. Chamar atenção. Cobrar respostas. Impressionar. Esse é o objetivo. O jornalismo é a ponte das pessoas com o judiciário, legislativo ou executivo. É a voz de uma minoria esquecida, dos inconformados. A foto não é a salvação dos problemas. Mas também não serve apenas para mostrar as coisas ruins, pelo contrário. A fotografia deve mostrar os bons exemplos sim. A fotografia é um recorte do nosso cotidiano.

Postado por Em Pauta

Menos sabujice no jornalismo, por favor

25.06.2017 às 00:01


Semana passada, duas postagens sobre comunicação nas redes sociais me chamaram positivamente a atenção. A primeira, do jornalista Marcelo Firmino: “Na comunicação, quando o assessor se confunde com o assessorado mete os pés pelas mãos. Pra vestir a camisa não precisa se comportar com dubiedade”. A segunda, da jornalista Tânia Fusco: “O profissional não pode ser sabujo – nem do dono do jornal, nem de seus medos, nem de seu credo pessoal”.


No debate sobre assessoria de comunicação, o que mais tenho visto nos últimos tempos é assessor vestindo a carapuça do assessorado. Lamentável quem tem se prestado a isso. E ainda, quem venha defendendo essa postura como a correta. Assessor não é cão de guarda, não parte para a briga em nome de seu assessorado, não ataca quem critica, não se expõe a ponto de perder credibilidade dentro e fora da assessoria.


Ainda mais, assessor de pessoas públicas.


Dizem que, quem está na chuva é pra se molhar.


Então, quem está na vida pública é sujeito a críticas, sim. Sobretudo na política partidária e, mais ainda, no atual cenário político nacional.


Não cabe ao assessor buscar a unanimidade em torno de seu assessorado no grito. Na marra. Na ameaça. Como se jornalista tivesse que ser capacho de ideologias de esquerda ou de direita, de grupos, de patrulhas.


É papel do assessor, entre outras coisas, fomentar e divulgar a agenda positiva, reagir com dados, histórias e fatos a possíveis críticas infundadas, viabilizar o bom entendimento entre assessorado e imprensa, e cobrar, com ética, a ética que por ventura falte a alguns profissionais jornalistas.


Sem esquecer, obviamente, que o contraditório na mídia é para se debater e não para instigar a crucificação de quem ousa, nas divergências, se expor.


Acerca do jornalismo, é vergonhoso ver que parece ter se tornado regra o Fla X Flu entre colunistas e blogueiros. Uns atacam, outros defendem, e viram, em veículos de Comunicação, sabujos ou de seus chefes ou de seus próprios credos pessoais.


Uma lástima.


De modo que, leio com gratidão, no facebook de Tânia Fusco, relato sobre ensinamento de um velho colega de jornalismo dela:

“Repórter descreve a verdade visível – o que ele viu, como ele viu, onde ele viu, quem ele viu. Repórter relata e não especula. Só pode especular com aspas. Ou seja, no máximo, relatando o que outros especularam e dando nomes aos bois. Quem marca posição – isso eu aprovo, isso não, defendo isso ou aquilo - é o dono do jornal, da TV, da rádio, o empresário, que tem por obrigação definir credo e linha de atuação da sua empresa”.


Em tempo: há boas exceções, tanto no jornalismo como nas assessorias. 

Postado por Em Pauta

A intolerância contra a imprensa, o caminho para regular a mídia?

18.06.2017 às 00:01
Reprodução Globo/Reprodução Globo News - Montagem:Painel

Sobre as agressões aos jornalistas Alexandre Garcia e Míriam Leitão, eu vejo o quanto vulneráveis estamos todos nós que fazemos jornalismo no Brasil. Sobretudo, jornalistas que trabalham com opinião.

Penso de que forma podemos nos blindar às manifestações de ódio e de intolerância política e a resposta sempre vem em forma de liberdade de expressão, conquistada em um regime democrático de direito que respeita o contraditório. E questiono-me se há mesmo na democracia de hoje o direito de sermos livres para nos expressarmos, pessoalmente e sobretudo como profissionais de comunicação, sobre quaisquer assuntos, entre eles os governos petistas.

Em um país onde se dissemina ódio em um clima de “nós” e “eles”, ser jornalista e expor sua opinião, já virou um risco, mesmo ainda vivendo em um regime democrático. E isso independente da empresa onde se trabalhe, embora, por certo, ser jornalista da Rede Globo e não tratar o impeachment da ex-presidente Dilma como “golpe”, torna-se mais perigoso.

Então, o que se fazer?

Como podemos nos proteger?

Será que pensar “diferente” da cartilha lulista é suficiente para sofrermos perseguições, sermos acusados de “disseminar ódio” e até de fazermos mal ao “convívio democrático”?

Toma-me a apreensão de que o alvo é mesmo o controle da mídia.

Uma lástima.

Estaremos sós?

Ou melhor, continuamos sós?

Em tempo: a minha total solidariedade ao jornalismo sem medo.

Postado por Em Pauta

A cara do TSE, para o bem e para o mal

11.06.2017 às 00:01
Fotos:ReproduçãoTV Justiça Montagem:Painel

Julgamento da chapa Dilma-Temer.  Assunto em toda imprensa no Brasil e fora dele e aqui, no meu blog, penso que alguns fatos se notabilizaram para o bem e para o mal, durante os quatro dias de debate no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 Um deles, no primeiro caso, a postura e a relatoria do fato pelo ministro Herman Benjamin, com frases que marcarão para sempre a sua história e a própria história do judiciário brasileiro:

"Eu, como juiz, recuso o papel coveiro de prova viva. Posso até participar do velório, mas não carrego o caixão".

No segundo caso, o voto e a palhaçada protagonizados pelo ministro Napoleão Nunes Maia Filho, citado na Lava Jato pela delação da JBS. Sobre a posição do ministro no caso, a favor da absolvição, o que argumentou:

"A ação foi proposta por chapa que perdeu, pedindo para ser diplomada. Pedir para mudar resultado no "tapetão" não é democrático. Democrático é respeitar quem ganhou as eleições".

Não faz nem 20 dias que o próprio Napoleão, numa decisão monocrática, cassou o mandato de um deputado eleito e, antes mesmo de o acórdão ser publicado, determinou a posse imediata do suplente derrotado no voto e autor da ação que chegou às mãos do ministro no TSE.

Contradição à parte, ministro Napoleão resolveu encenar em outro capítulo um desabafo pessoal, ataques à imprensa e um gesto islâmico, significando no momento sua ira com quem lhe contesta (veja vídeo ).

Cada juiz, uma cabeça, uma sentença.

No judiciário brasileiro, pelo menos quatro dessas sentenças, mostraram exatamente que excesso de provas não condena, ao contrário, absolve.

Virará jurisprudência?

Postado por Em Pauta


Em Pauta por Eliane Aquino

Eliane Aquino é jornalista, tem formação em Direito, já passou por redações de várias empresas de Comunicação em Alagoas e em outros estados brasileiros, onde ocupou cargos de repórter à editora geral e funções públicas; especializou-se (no batente) em jornalismo político e tem prestado assessoria e consultoria na área de comunicação.

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