Dólar com. R$ 3,178
IBovespa -0,23%
27 de abril de 2017
min. 24º máx. 31º Maceió
chuva rápida
Agora no Painel Interrogatório de Lula em Curitiba é adiado por Moro a pedido da Polícia Federal

Blogs

Certas "coincidências” de pautas no jornalismo alagoano...

23.04.2017 às 00:01

Pelo menos três jornais semanários trouxeram nesse final de semana a mesma pauta, com destaque de Capa com a mesma foto.

O assunto estava em voga?

Não, mas é evidente que o tema daria uma boa matéria investigativa, onde estivesse lá não só a avaliação da apuração do repórter, como também a versão de quem estava sendo acusado. Isso é praxe.

Agora, três jornais – que só saem em um dia da semana - pensarem na mesma pauta, darem o mesmo direcionamento político a ela, e ainda publicarem a mesma foto na Capa, é de se questionar a seriedade de como alguns veículos de comunicação ainda fazem jornalismo aqui em Alagoas.

Em tempo: não, não tinha a versão do acusado; não, não foi uma reportagem investigativa, não havia contextualização do fato; não, o objetivo não foi questionar ou mesmo denunciar em cima de números e opiniões de especialistas sobre o tema, em nenhum dos três semanários.

Ou seja, não passou de um release para servir a algum interesse escuso.

Porque, se fosse sério, quem “plantou” o assunto nesses jornais deveria mostrar a cara e questionar, o próprio, na condição de fonte, o que suspeita ser “ilegal”. Ou então, ser de fato uma matéria com começo, meio e fim.

Caso contrário, é a velha política de se usar o mau jornalismo para tentar desgastar a imagem de alguém.

 Pena que ainda exista quem se proponha a isso.

Em todo caso, há quem acredite em “mera coincidência”. Não ouso contestar. Cada qual com sua consciência e suas conveniências.

Ah, o "assunto" também está em um site de notícias, na Editoria de Política. Lá,  trocou-se a foto, mas a abordagem é idêntica aos impressos, longe de ter qualquer versão do acusado.

Postado por Em Pauta

Publica-se uma acusação sem ouvir o acusado? É legítimo?

16.04.2017 às 00:01


Tenho lido muito na imprensa de Alagoas e de outros estados, textos jornalísticos envolvendo denúncias contra empresas e pessoas, apenas com a versão da acusação. Sequer se coloca no rodapé da matéria a célebre frase, “fulano não foi localizado”.  Tem jornalista que depois de publicada a acusação, com direito a manchete de Capa e divulgação pelas redes sociais, “cobra” uma posição do denunciado.

Ora, então por que não o procurou para dar sua versão no texto onde houve a acusação? Má fé? Ignorância? Despreparo? Preguiça (!!!!!!)?

Vejamos o que eu aprendi no jornalismo:

1 – Há uma denúncia.

2 – Checa-se a fonte e a acusação.

3 - Ouve-se a fonte e até investiga-se outros pontos do fato e, se necessário, ouvindo também outras pessoas que possam confirmar a denúncia ou instâncias que afirmem que os indícios podem levar a investigações, punições administrativas ou legais, etc.

4 – E o denunciado é ouvido.

5 – O acusado não sendo localizado, deve-se colocar na matéria as tentativas que foram feitas para ouvi-lo.

Até mesmo em textos opinativos, como blogs, artigos em impressos e colunas, coloca-se o fato, se dá as versões e então se opina. É evidente que nesses casos a ordem pode ser modificada, mas é imprescindível que sejam esses os caminhos, sob pena de a opinião se fragilizar por falta de elementos que possam dar ao leitor a melhor visualização do caso.

Uma lástima que muitos se esqueçam de fazer o básico do jornalismo honesto.

Em tempo: isso também vale para os telejornais. Em programas de rádio, ao vivo, mesmo sem ser procurado, o denunciado pode entrar no ar e se defender. Mas também deve ser regra o apresentador, na mesma hora, tentar localizar o alvo da acusação.

No mais, um domingo de reflexão para todos nós nesta Páscoa.

Postado por Em Pauta

A imparcialidade no jornalismo. É possível?

09.04.2017 às 10:28
O Correio da Bahia, em 1992: manchete destaca “aplausos” a ACM

Imparcialidade no jornalismo, existe?

Essa é a pergunta que mais me fazem em palestras ou debates sobre comunicação.

Trabalhei em muitos jornais em vários estados do Brasil, em um tempo sem internet, sem canal fechado de TV e onde os impressos tinham peso grande na formação da opinião popular. Praticamente 95% dos programas jornalísticos de rádios seguiam a pauta dos jornais impressos e eles acabavam também pautando os telejornais.

As manchetes dos jornais eram vitrines certas em bancas de revistas, onde muita gente parava apenas para ver o que estava na mídia naquele dia.

Fui repórter e editora em jornais com características apenas comerciais e em outros tantos onde o lado político era o norte das pautas. No Correio da Bahia, em Salvador, jornal de ACM, fui repórter das editorias de Política e de Cidades. Em ano eleitoral, 1986, não se podia falar em imparcialidade por lá. Mas e nós, jornalistas, qual era o nosso sentimento? Qual era a nossa reação? O que nos cabia exatamente fazer?

Perguntei isso certa vez a uns alunos de Comunicação, em tempos de hoje, e eles me responderam, sem pestanejar: “pedir demissão”.

Não, não é essa a resposta correta e nem foi isso que fizemos.

Naqueles tempos de linha dura na redação do Correio da Bahia, os repórteres driblavam o jornalismo político direcionado da empresa com textos honestos, com apurações rigorosas, independente de que elas servissem ao todo-poderoso ACM ou aos adversários deles. Quando a matéria, honestamente apurada e escrita, com as versões de todos os lados, chegava à mesa da editoria, só tinha dois caminhos: ou ia para o lixo, ou era publicada. Mas não, não nos cabia, como profissionais, fazer o jogo do mau jornalismo em nome da política do patrão.

Se o texto era mexido, modificado, triturado?

Sim, alguns foram, inclusive alguns textos meus. Saiam sem assinatura, sem força, sem credibilidade, com gritos e queixas solidárias na redação, porque todos estavam juntos na mesma luta. A maioria dos editores fazia verdadeiros malabarismos para que valesse o que vinha das ruas e não o que era determinado pela direção da empresa. Nessa guerra, durante os nove meses em que trabalhei lá, não posso dizer que houve vitoriosos ou derrotados. Houve sim, um exército de profissionais valentes, ousados, criativos e determinados a fazer o que tínhamos como princípio de vida e regra do jornalismo: trabalhar com honestidade. E isso virou referência em outros veículos de comunicação em Salvador.

Para a pergunta se existe imparcialidade no jornalismo, a minha experiência diz que sim para o jornalismo feito com retidão, com honestidade, cumprindo regras éticas da profissão, e asseguro que, dessa forma, será difícil para qualquer veículo, por mais parcial que seja para esse ou aquele lado, trocar o bom, pelo mau jornalismo, e ter credibilidade. E isso valia lá no passado, e vale para hoje, no presente.

A história nos comprova isso.

Mas para se fazer o bom jornalismo, é preciso que mais do que regras didáticas, se tenha valores pessoais. São eles que nos ditam o que é, de fato, regra e exceção na ética profissional.

Em tempo: em 1986, pela primeira vez na Bahia, ACM, o poderoso Antônio Carlos Magalhães, perdeu a eleição majoritária no estado. O seu candidato ao governo, jurista Josaphat Marinho, foi derrotado por Waldir Pires.  

Postado por Em Pauta

Jornalismo, pode falar ou dá censura?

02.04.2017 às 09:22

Penso que o exercício do jornalismo em 37 anos me dá a ousadia exata para escrever sobre o assunto. Daí, que começo hoje um blog, aqui no Painel Notícias, sobre comunicação.

Não será um blog didático, não tenho cátedra para tanto, mas serão palavras a traduzir experiências vividas e vistas, a transcrever opiniões minhas e de colegas de profissão sobre algum tema em pauta, e até curtas entrevistas com professores e mestres nesta área.

 Por ora, sobre a celeuma da censura a jornalistas e até a um veículo de comunicação no estado, entendo que não devemos recuar em cada palavra dita e escrita, em cada imagem feita, que denuncie quaisquer escalabros que atentem contra a dignidade pública e contra a liberdade de expressão.

 É claro que falo da imprensa feita com responsabilidade, com jornalismo.

Ao longo da minha trajetória como jornalista, vi vários casos, e eu própria fui vítima, de censura a matérias que denunciavam poderosos. A interferência dos “denunciados” era direta junto aos donos, diretores e até editores (!!!!) das empresas por onde passei por esse país a fora, mas nunca tinha visto o Poder Judiciário intervir contra a democracia até  o mês passado, aqui em Alagoas,com a censura “legal” ao jornalismo dos colegas Davi Soares e Odilon Rios.

Não que a censura vinda da direção dos veículos de comunicação nos deixe mais leves como profissionais, mas vindo diretamente da Justiça nos deixa desacreditados no sistema como um todo.

Infelizmente.

Até mesmo na ditadura militar, essa interferência veio do poder executivo através de decreto.

Mas me dou ao direito de, a partir de hoje, aos domingos, escrever sobre jornalismo, com um norte a me guiar: abaixo a censura!

Postado por Em Pauta


Em Pauta por Eliane Aquino

Eliane Aquino é jornalista, tem formação em Direito, já passou por redações de várias empresas de Comunicação em Alagoas e em outros estados brasileiros, onde ocupou cargos de repórter à editora geral e funções públicas; especializou-se (no batente) em jornalismo político e tem prestado assessoria e consultoria na área de comunicação.

Todos os direitos reservados
- 2009-2017 Press Comunicações S/S