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Menos sabujice no jornalismo, por favor

25.06.2017 às 00:01


Semana passada, duas postagens sobre comunicação nas redes sociais me chamaram positivamente a atenção. A primeira, do jornalista Marcelo Firmino: “Na comunicação, quando o assessor se confunde com o assessorado mete os pés pelas mãos. Pra vestir a camisa não precisa se comportar com dubiedade”. A segunda, da jornalista Tânia Fusco: “O profissional não pode ser sabujo – nem do dono do jornal, nem de seus medos, nem de seu credo pessoal”.


No debate sobre assessoria de comunicação, o que mais tenho visto nos últimos tempos é assessor vestindo a carapuça do assessorado. Lamentável quem tem se prestado a isso. E ainda, quem venha defendendo essa postura como a correta. Assessor não é cão de guarda, não parte para a briga em nome de seu assessorado, não ataca quem critica, não se expõe a ponto de perder credibilidade dentro e fora da assessoria.


Ainda mais, assessor de pessoas públicas.


Dizem que, quem está na chuva é pra se molhar.


Então, quem está na vida pública é sujeito a críticas, sim. Sobretudo na política partidária e, mais ainda, no atual cenário político nacional.


Não cabe ao assessor buscar a unanimidade em torno de seu assessorado no grito. Na marra. Na ameaça. Como se jornalista tivesse que ser capacho de ideologias de esquerda ou de direita, de grupos, de patrulhas.


É papel do assessor, entre outras coisas, fomentar e divulgar a agenda positiva, reagir com dados, histórias e fatos a possíveis críticas infundadas, viabilizar o bom entendimento entre assessorado e imprensa, e cobrar, com ética, a ética que por ventura falte a alguns profissionais jornalistas.


Sem esquecer, obviamente, que o contraditório na mídia é para se debater e não para instigar a crucificação de quem ousa, nas divergências, se expor.


Acerca do jornalismo, é vergonhoso ver que parece ter se tornado regra o Fla X Flu entre colunistas e blogueiros. Uns atacam, outros defendem, e viram, em veículos de Comunicação, sabujos ou de seus chefes ou de seus próprios credos pessoais.


Uma lástima.


De modo que, leio com gratidão, no facebook de Tânia Fusco, relato sobre ensinamento de um velho colega de jornalismo dela:

“Repórter descreve a verdade visível – o que ele viu, como ele viu, onde ele viu, quem ele viu. Repórter relata e não especula. Só pode especular com aspas. Ou seja, no máximo, relatando o que outros especularam e dando nomes aos bois. Quem marca posição – isso eu aprovo, isso não, defendo isso ou aquilo - é o dono do jornal, da TV, da rádio, o empresário, que tem por obrigação definir credo e linha de atuação da sua empresa”.


Em tempo: há boas exceções, tanto no jornalismo como nas assessorias. 

Postado por Em Pauta

A intolerância contra a imprensa, o caminho para regular a mídia?

18.06.2017 às 00:01
Reprodução Globo/Reprodução Globo News - Montagem:Painel

Sobre as agressões aos jornalistas Alexandre Garcia e Míriam Leitão, eu vejo o quanto vulneráveis estamos todos nós que fazemos jornalismo no Brasil. Sobretudo, jornalistas que trabalham com opinião.

Penso de que forma podemos nos blindar às manifestações de ódio e de intolerância política e a resposta sempre vem em forma de liberdade de expressão, conquistada em um regime democrático de direito que respeita o contraditório. E questiono-me se há mesmo na democracia de hoje o direito de sermos livres para nos expressarmos, pessoalmente e sobretudo como profissionais de comunicação, sobre quaisquer assuntos, entre eles os governos petistas.

Em um país onde se dissemina ódio em um clima de “nós” e “eles”, ser jornalista e expor sua opinião, já virou um risco, mesmo ainda vivendo em um regime democrático. E isso independente da empresa onde se trabalhe, embora, por certo, ser jornalista da Rede Globo e não tratar o impeachment da ex-presidente Dilma como “golpe”, torna-se mais perigoso.

Então, o que se fazer?

Como podemos nos proteger?

Será que pensar “diferente” da cartilha lulista é suficiente para sofrermos perseguições, sermos acusados de “disseminar ódio” e até de fazermos mal ao “convívio democrático”?

Toma-me a apreensão de que o alvo é mesmo o controle da mídia.

Uma lástima.

Estaremos sós?

Ou melhor, continuamos sós?

Em tempo: a minha total solidariedade ao jornalismo sem medo.

Postado por Em Pauta

A cara do TSE, para o bem e para o mal

11.06.2017 às 00:01
Fotos:ReproduçãoTV Justiça Montagem:Painel

Julgamento da chapa Dilma-Temer.  Assunto em toda imprensa no Brasil e fora dele e aqui, no meu blog, penso que alguns fatos se notabilizaram para o bem e para o mal, durante os quatro dias de debate no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 Um deles, no primeiro caso, a postura e a relatoria do fato pelo ministro Herman Benjamin, com frases que marcarão para sempre a sua história e a própria história do judiciário brasileiro:

"Eu, como juiz, recuso o papel coveiro de prova viva. Posso até participar do velório, mas não carrego o caixão".

No segundo caso, o voto e a palhaçada protagonizados pelo ministro Napoleão Nunes Maia Filho, citado na Lava Jato pela delação da JBS. Sobre a posição do ministro no caso, a favor da absolvição, o que argumentou:

"A ação foi proposta por chapa que perdeu, pedindo para ser diplomada. Pedir para mudar resultado no "tapetão" não é democrático. Democrático é respeitar quem ganhou as eleições".

Não faz nem 20 dias que o próprio Napoleão, numa decisão monocrática, cassou o mandato de um deputado eleito e, antes mesmo de o acórdão ser publicado, determinou a posse imediata do suplente derrotado no voto e autor da ação que chegou às mãos do ministro no TSE.

Contradição à parte, ministro Napoleão resolveu encenar em outro capítulo um desabafo pessoal, ataques à imprensa e um gesto islâmico, significando no momento sua ira com quem lhe contesta (veja vídeo ).

Cada juiz, uma cabeça, uma sentença.

No judiciário brasileiro, pelo menos quatro dessas sentenças, mostraram exatamente que excesso de provas não condena, ao contrário, absolve.

Virará jurisprudência?

Postado por Em Pauta

Somos todos Duda Rangel?

04.06.2017 às 00:01
Anderson e Emerson, criadores do Duda Rangel

Sabe, assim, as dificuldades de todo dia de um jornalista?

Desde a criação ao cumprimento de uma pauta, a elaboração de um texto, o melhor ângulo da foto, o ‘pega-pra-capar ‘ numa coletiva disputada, as matérias especiais, o jornalismo investigativo... E a adrenalina de um furo, estampado numa Capa de jornal, site ou revista, ou mesmo numa chamada para telejornais ou programas jornalísticos de rádio?

E a pauta que caiu?

E o evento o qual o repórter chega atrasado porque estava em uma entrevista, ou porque o trânsito não ajudou, ou porque teve de dividir o carro da reportagem com outro colega...

E a felicidade quando se vê o resultado do trabalho redondinho, pronto para ir ao ar ou à gráfica? E nas redações dos impressos, a diagramação, a preparação da primeira página, a escolha das fotos, a manchete do dia, ou se tem muitas opções ou não se tem nenhuma...

E quando se ganha um prêmio pelo trabalho exposto, então, é a glória...

Um jornalista como personagem, vivenciando tudo isso e muito mais, foi criado entre 2008 e 2009, como uma brincadeira dos irmãos Anderson e Emerson Couto, paulistas, formados em jornalismo, que deram vida, espaço e futuro a Duda Rangel em blog, facebook e twitter. Virou até livro e está também no youtube.

As histórias de Duda são tão reais e tão próximas de muitos jornalistas que ele existe sim, na Bahia, no Rio de Janeiro, no Amazonas, no Pará, e até em Portugal, na Espanha e na Argentina. Em toda parte, há quem se identifique com ele!

“Duda é um anti-herói. O cara meio torto. Adoramos este tipo de cara e queríamos que o narrador do blog fosse assim. Gente muito certinha soa falso. Este é o perfil central do Duda. E as pessoas curtem o Duda assim, se identificam com seus problemas. E isso é muito legal. Duda é um pouco de mim, do Anderson, de amigos, de amigos dos amigos, de histórias que ouvimos por aí”, revelou Emerson Couto, em uma das tantas entrevistas que já deu sobre o personagem.

Quem não conhece Duda Rangel, tá na hora de se apresentar a ele. Quem já conhece, vamos rir com o mais novo episódio do seu “Jornalismo com bom humor – Como eu começo essa porra?”.


Postado por Em Pauta

Quem teve Teotônio, o Menestrel, como fonte?

28.05.2017 às 00:01
Reprodução

Pois, então.

No jornalismo, há fontes que enriquecem as informações com dados primorosos. Por onde eu andei pelo Brasil a fora, na maioria da vezes fazendo reportagens políticas, me vali de muita gente com histórias surpreendentes, com dados exclusivos, com declarações capazes, até, de derrubar poderosos. É fato que uma boa fonte é luxo raríssimo e por isso mesmo tem que ser guardada sob sigilo total.

Penso que o velho Senador Teotônio Vilela, o Menestrel das Alagoas, havia de ser uma dessas excelentes fontes na República dos militares. Ainda hoje, surpreendo-me ao ouvir ou ler fatos protagonizados por ele na política, sobretudo no período em que se largou em peregrinação em defesa de uma Pátria livre e justa.

Os jornalistas mais antigos que eu na profissão, e que conviveram com ele, certamente beberam muito dessa fonte.

E creio que, com Teotônio, nem precisava ter sigilo sobre essa relação.

É que ele, altivo, em tempo de muito cochicho, dizia:

“Só falo em voz alta. Não conspiro. Sou um homem de rua”.

Nas tantas entrevistas dadas por Teotônio e lidas por mim, percebi que perguntas e respostas fluíam com facilidade, como se estivesse ali acontecendo apenas uma conversa franca, entre dois brasileiros. A pauta era apaixonante e Teotônio construía o cenário de esperança em suas palavras, coragem e enfrentamento.

Neste domingo, 28 de maio, celebra-se o centenário de nascimento de Teotônio. Haverá, a partir das 16 horas, na Fundação Teotônio Vilela, em Jaraguá, o lançamento do livro “Senhor República”, da Editora Record, que traz uma biografia política do Menestrel, escrita pelo jornalista Carlos Marchi.

Os Correios também homenageiam o Menestrel com a obliteração de um selo, e o Governo do Estado incluiu a data na programação dos 200 anos de emancipação política de Alagoas.

E, assim, ainda há muito que se ler e o que se saber sobre o Menestrel.

Nesse tempo de obscuridade política nacional, ouso tirar do grito pacífico de Teotônio, a esperança de todos nós:

“De pé, pelo Brasil”.

Postado por Em Pauta

O dilema e a reação de Lauro Jardim à delação que abalou o país

21.05.2017 às 04:25

Caiu no colo do jornalista Lauro Jardim a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da empresa JBS, que atingiu gravemente o presidente Temer e o senador Aécio Neves. Há, também, farta munição contra Lula, Dilma e mais 1.800 políticos e 20 partidos, numa generosa distribuição de propinas que chegou ao valor de R$ 600 milhões.

O material não estava completo, o jornalista recebera a transcrição dos diálogos envolvendo Temer e Aécio, mas não as gravações. Não tinha como checar que havia de fato aqueles áudios. Mas era pegar ou largar, divulgar, ou perder a ocasião.

Na velocidade da internet, o profissional de imprensa tem que ter raciocínio rápido nesse tipo de decisão.

Lauro Jardim confiou na fonte que lhe entregou o material.

Apostou, e deu certo.

Para quem vazou, estava valendo o bom senso e a credibilidade do jornalista e a importância do espaço do veículo de comunicação, no caso O Globo, onde Jardim mantém seu blog. A notícia foi dada crua, para depois se ir temperando a cada fato novo que surgia, a cada confirmação do Ministério Público Federal e do próprio Supremo Tribunal Federal (STF), a cada reação dos citados.

O assunto agora independe da primeira postagem.

Ganhou vida própria, já afastou um senador da República do mandato, prendeu um procurador federal e colocou a República de Temer de cabeça pra baixo, entre outras consequências.

A Datena, na Rádio Bandeirantes, Jardim revelou seu sentimento no primeiro contato com o material: “fiquei aparvalhado, impressionado, estarrecido”.

Assim é o jornalismo, um dia atrás do outro. E muita adrenalina no meio.

Postado por Em Pauta

Assessor de comunicação controla a pauta?

14.05.2017 às 00:01

Estar numa assessoria de comunicação não significa dizer que o jornalista controla a informação do órgão ou da pessoa com quem trabalha. Informação vaza, voa, muitas vezes nem chega inteira, ou chega distorcida no colo de algum repórter. É o bastante para que a pauta se crie a partir daí, sem nenhuma interferência da assessoria.

O resultado? Só Jesus na causa.

Aprendi que para o bem ou para o mal, a informação de interesse do assessorado deve ser dada por ele à imprensa, e não o contrário. É evidente que da forma correta, com estratégia, visando o melhor canal para isso.

Lembro que, em 1992, quando o delegado federal Wilson Perpétuo era o secretário de segurança de Alagoas, no governo Geraldo Bulhões, eu tive a informação de que havia uma investigação contra ele na Polícia Federal do Paraná. A acusação era contrabando e descaminho de café na época em que ele comandava a PF de Foz de Iguaçu.

Eu era repórter do jornal O Diário, do jornalista e fazedor de jornais Nilton Oliveira.

Fui atrás da história, confirmei, e ao ouvir o governo, soube que o secretário já tinha comunicado a Geraldo Bulhões o fato. Mas o estado manteve silêncio, apostou que a distância não traria a informação até Alagoas.

Claro que foi manchete de capa do jornal, com matérias por pelo menos os próximos cinco ou seis dias, além de ter virado pauta de outros veículos locais e de correspondentes da imprensa nacional. E se o governo tivesse, ele próprio, dado a informação? Com sua versão, seus argumentos, seu tempo e sua história? Teria havido menos danos à imagem do governo e do próprio secretário? 

Cabe ao assessor convencer o assessorado a antecipar o caso à imprensa, estudar qual a melhor forma de comunicar o fato, estar pronto para trabalhar a repercussão e garantir que a agenda negativa se evapore a partir de tal ação. Na agenda positiva, a depender da boa notícia, também cabe ao assessorado ser dele o mérito da informação.

Sobre Wilson Perpétuo, ele e o  Governo passaram dias se justificando à mídia.

Em tempo: Perpétuo foi secretário de Segurança de Alagoas entre agosto de 1991 e junho de 1993. Segundo a imprensa, por indicação de Cláudio Vieira, secretário especial do então presidente Fernando Collor (1990-1992). Acabou condenado e preso por essas e outras acusações pela Justiça Federal, e pelo TCU por desvio de verbas públicas de quando foi secretário de Segurança de Alagoas. 

Postado por Em Pauta

Jornalistas entre os que menos usam Lei de Acesso à Informação

07.05.2017 às 13:08

Segundo dados apresentados pelo ministro Torquato Jardim, do Ministério da Transparência  (CGU), somente 1,2% de demandas por informações públicas feitas nos últimos cinco anos vieram de jornalistas.

Setenta e cinco por cento dos pedidos feitos entre maio de 2012 e 2017 foram deferidos. Em 2012, foram 55 mil pedidos; em 2016, 112 mil; e, até o início de maio deste ano, 41 mil. Destes, 95% vieram de pessoas físicas, 15% de empregados privados e 1,2% de jornalistas, apresentou o ministro, semana passada, no 9º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia, realizado em Brasília.

Ou a imprensa caminha mesmo devagar nesse quesito, ou confia mais em suas fontes do que em números oficiais.

Na segunda opção, o risco está apenas na confiabilidade das fontes, mas é sempre bom checar ou, pelo menos, confrontar as informações conseguidas no paralelo com as que estão divulgadas oficialmente.

Melhor pecar pelo excesso do que pela omissão.

Isso me faz lembrar um fato, quando eu estava na Secretaria de Comunicação do Estado de Alagoas, no governo Teotonio Vilela.

Um repórter me procurou me pedindo uns dados. Eu disse a ele que esses números estavam no Portal da Transparência. Ele me pediu o link e eu passei. Duas horas depois, me ligou e disse que não encontrou o que queria. Eu abri o portal, procurei o que ele me pedira e, por email, passei o link direto para a área solicitada pelo jornalista. Meia hora depois, outra ligação dele.

- Eliane, tô lendo aqui e não estou conseguindo entender. Dá pra você me mandar só os valores que te pedi?

É claro que eu mandei “tudo mastigado”, como se costuma dizer na gíria jornalística, mas matutei, por horas, na frente do portal, aberto no meu computador, qual teria sido a dificuldade do jornalista.

Uma semana de paz&bem para todos nós.

Postado por Em Pauta

Jornalistas, fontes e assessores

30.04.2017 às 00:01

Sobre jornalismo, fontes e assessorias, o que aprendi:

O jornalista não pode confundir fonte com amigo e vice-versa, que não existe off acima da notícia, que assessores devem orientar os seus assessorados que jornalista não é meio, é fim; que o repórter deve preservar a fonte, mas fonte mesmo é aquela em que temos 100% de confiança; que troca de informações entre assessores e jornalistas é um risco que nem sempre vale a pena correr; que repórter deve avaliar bem a informação vinda dos assessores e que assessores devem medir bem a confiabilidade ao passar a informação em off.

Outro dia, entrevistei um político por telefone.

Não nos conhecíamos pessoalmente, tive uma informação sobre ele e fui checar, como manda o bom jornalismo.

 Mesmo sem me conhecer, o homem se danou a falar um monte de asneiras, todas divulgadas entre aspas em minha matéria. Evidente que ele não gostou e, também por telefone, me cobrou “consideração” e queixou-se do que eu escrevi.

 Perguntei se ele contestava as “informações”, ele me respondeu que não, mas que eu o tinha deixado em uma situação “comprometedora” ao revelar o que ele tinha me "confidenciado". E eu lhe disse, com a delicadeza que me é própria (apesar da fúria dele), o que aprendi, tanto como repórter, quanto como assessora:

- Não se fala para um jornalista o que não se quer ver publicado.

E não, ele não me pediu off, mas se tivesse me pedido eu lhe diria que publicaria cada palavra que me foi dita, porque todas eram relevantes para a minha pauta. Teria evitado o telefonema desagradável para nós dois.

Uma boa semana para todos.

Postado por Em Pauta

Certas "coincidências” de pautas no jornalismo alagoano...

23.04.2017 às 00:01

Pelo menos três jornais semanários trouxeram nesse final de semana a mesma pauta, com destaque de Capa com a mesma foto.

O assunto estava em voga?

Não, mas é evidente que o tema daria uma boa matéria investigativa, onde estivesse lá não só a avaliação da apuração do repórter, como também a versão de quem estava sendo acusado. Isso é praxe.

Agora, três jornais – que só saem em um dia da semana - pensarem na mesma pauta, darem o mesmo direcionamento político a ela, e ainda publicarem a mesma foto na Capa, é de se questionar a seriedade de como alguns veículos de comunicação ainda fazem jornalismo aqui em Alagoas.

Em tempo: não, não tinha a versão do acusado; não, não foi uma reportagem investigativa, não havia contextualização do fato; não, o objetivo não foi questionar ou mesmo denunciar em cima de números e opiniões de especialistas sobre o tema, em nenhum dos três semanários.

Ou seja, não passou de um release para servir a algum interesse escuso.

Porque, se fosse sério, quem “plantou” o assunto nesses jornais deveria mostrar a cara e questionar, o próprio, na condição de fonte, o que suspeita ser “ilegal”. Ou então, ser de fato uma matéria com começo, meio e fim.

Caso contrário, é a velha política de se usar o mau jornalismo para tentar desgastar a imagem de alguém.

 Pena que ainda exista quem se proponha a isso.

Em todo caso, há quem acredite em “mera coincidência”. Não ouso contestar. Cada qual com sua consciência e suas conveniências.

Ah, o "assunto" também está em um site de notícias, na Editoria de Política. Lá,  trocou-se a foto, mas a abordagem é idêntica aos impressos, longe de ter qualquer versão do acusado.

Postado por Em Pauta


Em Pauta por Eliane Aquino

Eliane Aquino é jornalista, tem formação em Direito, já passou por redações de várias empresas de Comunicação em Alagoas e em outros estados brasileiros, onde ocupou cargos de repórter à editora geral e funções públicas; especializou-se (no batente) em jornalismo político e tem prestado assessoria e consultoria na área de comunicação.

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