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16/04/2017 às 00h01

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Publica-se uma acusação sem ouvir o acusado? É legítimo?


Tenho lido muito na imprensa de Alagoas e de outros estados, textos jornalísticos envolvendo denúncias contra empresas e pessoas, apenas com a versão da acusação. Sequer se coloca no rodapé da matéria a célebre frase, “fulano não foi localizado”.  Tem jornalista que depois de publicada a acusação, com direito a manchete de Capa e divulgação pelas redes sociais, “cobra” uma posição do denunciado.

Ora, então por que não o procurou para dar sua versão no texto onde houve a acusação? Má fé? Ignorância? Despreparo? Preguiça (!!!!!!)?

Vejamos o que eu aprendi no jornalismo:

1 – Há uma denúncia.

2 – Checa-se a fonte e a acusação.

3 - Ouve-se a fonte e até investiga-se outros pontos do fato e, se necessário, ouvindo também outras pessoas que possam confirmar a denúncia ou instâncias que afirmem que os indícios podem levar a investigações, punições administrativas ou legais, etc.

4 – E o denunciado é ouvido.

5 – O acusado não sendo localizado, deve-se colocar na matéria as tentativas que foram feitas para ouvi-lo.

Até mesmo em textos opinativos, como blogs, artigos em impressos e colunas, coloca-se o fato, se dá as versões e então se opina. É evidente que nesses casos a ordem pode ser modificada, mas é imprescindível que sejam esses os caminhos, sob pena de a opinião se fragilizar por falta de elementos que possam dar ao leitor a melhor visualização do caso.

Uma lástima que muitos se esqueçam de fazer o básico do jornalismo honesto.

Em tempo: isso também vale para os telejornais. Em programas de rádio, ao vivo, mesmo sem ser procurado, o denunciado pode entrar no ar e se defender. Mas também deve ser regra o apresentador, na mesma hora, tentar localizar o alvo da acusação.

No mais, um domingo de reflexão para todos nós nesta Páscoa.



Em Pauta por Eliane Aquino

Eliane Aquino é jornalista, tem formação em Direito, já passou por redações de várias empresas de Comunicação em Alagoas e em outros estados brasileiros, onde ocupou cargos de repórter à editora geral e funções públicas; especializou-se (no batente) em jornalismo político e tem prestado assessoria e consultoria na área de comunicação.

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