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13/08/2017 às 00h01

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Manaus me habita

Encontro ds águas dos rios Negro e Solimões - Reprodução

Encantou-me, sobremaneira, a imensidão daquele rio de cor negra. Quanto mais o navio aproximava-se de suas águas, mais eu me sentia parte do cenário.

O sol forte fazia brilhar gotas de prata por todo lado, e o verde da mata nas margens tinha em seu todo um tom forte, uma imponência sem igual. Tomei meu filho pequeno nos braços, nossos olhos brilhavam de expectativa.

Era, de fato, mais do que um lugar novo. Sentíamos, ambos, que era um mundo novo, um novo tempo em nossas vidas. Estávamos chegando, pela primeira vez, ao Amazonas, em julho de 1985.

Já avistávamos, de forma tênue, a terra à frente. Era o cais do porto de Manaus.

Pisei em terra firme, olhei ao horizonte, enxerguei uma paz indescritível.

Depois de praticamente seis dias navegando por vários rios amazônicos, podia sentir claramente o chão sob os meus pés. Mas, o mais importante, era o sentimento que me tomava, um sentimento de reconhecimento a um lugar onde nunca estive, nem em sonhos. Era como se eu fosse dali, tivesse nascido ali, e estivesse, simplesmente, de volta.

Havia, sim, um pertencimento desde o início de que, o Amazonas, era, igualmente a Alagoas, a minha Pátria.

Não precisei de muito tempo para tornar meu, dentro de mim, verso de Anibal Beça, poeta e escritor amazonense, sobre Manaus:

"Toda cidade se habita 
como lugar de viver. 
Só Manaus é diferente 
pois em vez de habitá-la 
é ela quem me habita". 

Percorri, em minha estadia em Manaus, várias histórias dessa cidade e do Amazonas fazendo jornalismo. Lá, enfrentei medos pessoais e profissionais e descobri paixão e coragem na minha pauta profissional.

Cresci como pessoa e como jornalista, mas, sobretudo, aprendi a ser no coração e na alma uma amazonense de fé, uma “mana” dos tantos amigos e colegas que me acolheram.

Essa postagem é, sim, um agradecimento ao Amazonas por tudo e por tanto que vivi, aprendi e senti por lá. E costumo me dizer, sempre, que no jornalismo que faço, é em Manaus dos anos 80 que busco as melhores referências de um tempo onde ser jornalista era ter compromisso com a informação, era ter honestidade na notícia, era ter lisura e caráter na opinião.

Em tempo: minhas reverências a grandes jornalistas alagoanos que sempre me incentivaram na ética, na ousadia e no amor ao jornalismo.


Em Pauta por Eliane Aquino

Jornalista, com formação em Direito, já passou por redações de várias empresas de Comunicação em Alagoas e em outros estados brasileiros, onde ocupou cargos de repórter à editora geral e funções públicas; especializou-se (no batente) em jornalismo político e tem prestado assessoria e consultoria na área de comunicação.É editora geral do jornal Painel Alagoas.

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