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Breve histórico do telejornalismo na tv brasileira

15.04.2017 às 23:02

O formato do telejornal que é visto hoje nem sempre foi assim, no inicio ele não tinha a mínima expressão e força. O rádio era a potência da época e era ele quem dava as notícias em primeira mão.

As notícias eram, geralmente, apresentadas como no rádio, lidas por um locutor eram longas e detalhadas, as reportagens exibidas eram narradas de acordo com o acontecimento e em grande parte ao vivo. Isto fez com que grandes programas de rádio virassem sucesso na TV.


A história do telejornalismo brasileiro pode ser confundida com a história da TV, pois o primeiro telejornal a ser vinculado pela televisão brasileira foi “Imagens do Dia” em 19 de setembro de 1950. Nasceu junto com o início da TV Tupi e durou três anos. Algumas notas tinham imagens feitas em filme preto e branco e sem som.


O primeiro jornalista a falar na TV Tupi/SP, Maurício Loureiro Gama, conta que os jornalistas que foram convidados para trabalhar na emissora, em meio ao desespero, procuravam por literaturas sobre o assunto, que na época não existia. O Telejornal, “Imagens do Dia”, durava o tempo que fosse necessário para exibir imagens brutas, ao vivo, de acontecimentos do dia.


A enorme semelhança com o rádio fez com que grandes programas desse meio de comunicação também virassem sucesso na TV, como foi o caso do “Repórter Esso”. Transmitida a sua primeira edição em 1º de abril de 1952, um dos mais famosos telejornais brasileiros, levava o nome de seu patrocinador, a Esso. Ele foi adaptado pela Tupi Rio de um radiojornal de grande sucesso transmitido pela United Press International (UPI), sob a responsabilidade de uma agência de publicidade, que entregava o programa pronto. “A TV Tupi limitava-se a colocá-lo no ar. A agência usava muito mais material internacional, filmes importados da UPI e da CBS (agências fornecedoras de serviços de filmes), do que material nacional” – Armando Nogueira. Com uma expressiva sonoplastia, o apresentador anunciava: “Aqui fala o seu Repórter Esso, testemunha ocular da história”. Esta frase ficou consagrada na voz do gaúcho Heron Domingues, um dos precursores deste noticiário. O “Repórter Esso” ficou no ar, diariamente sempre às oito horas da noite até 31 de dezembro de 1970, época em que os anunciantes passaram a comprar espaço entre os programas em vez de patrocinar o programa como um todo.


Em 1962 foi ao ar o “Jornal de Vanguarda”, idealizado por Fernando Barbosa Lima, que se constitui em outro marco significativo na história do telejornalismo brasileiro. Ele foi inovador por ter instituído a participação de jornalistas, a exemplo de Vilas Boas Corrêa, Newton Carlos e Cid Moreira, em programas televisivos. Na época, Cid Moreira era chamado de “Sombrinha”, porque juntamente com Célio Moreira e Luiz Jatobá, fazia a leitura em off de notícias veiculadas no programa.


O “Jornal de Vanguarda” foi premiado na Espanha como um dos melhores jornais de informação do mundo, contudo ele não conseguiu sobreviver após o golpe de 1964, quando foi retirado do ar. Seu modelo, contudo, foi copiado por várias outras emissoras.


Em 1977, a Globo São Paulo colocou no ar um jornal de serviço: “Bom Dia São Paulo”, que até hoje vai ao ar, às 7h da manhã. Também incorporou novas tecnologias: foi o primeiro a usa a UPJ ( Unidade Portátil de Jornalismo ) com repórteres entrando ao vivo de vários pontos da cidade, transmitindo informações de serviço como tempo, trânsito, movimentação da cidade, aeroporto, etc. São características que permanecem até hoje. O sucesso deu origem ao “Bom Dia Brasil”, em 1983, que vai ao ar logo após o “Bom Dia” de cada praça, com o noticiário político gerado em Brasília.


A partir de 1983 com a decadência da Ditadura e a abertura da imprensa, os telejornais foram ganhando força e reforço tecnológico, a TV já superara no país a audiência do rádio e se consolidava.


Iniciava-se o período nas grandes coberturas jornalísticas na TV principalmente pelas facilidades da comunicação via satélite, a TV Globo com sua hegemonia e liderança na audiência torna-se a pioneira em telejornalismo, trazendo linguagem própria e criando um padrão para os seus telejornais e apresentando mais de 3 horas de telejornalismo diariamente.


A história do jornalismo brasileiro destaca também o “TJ Brasil”, lançado em 04 de setembro de 1988, no Sistema Brasileiro de Televisão – SBT. Também se inspirou no formato americano ao inovar com a emblemática figura do âncora Bóris Casoy, que saiu do jornal impresso e logo se acertou com a TV, conquistando seu espaço e seu público.


Em 1990 começam a surgir o conceito de jornalismo local, com os jornais locais que tinham boa parte de suas notícias reaproveitadas nos telejornais de rede das emissoras, também nasce o conceito de jornalismo investigativo e policial. O primeiro do gênero policial foi o “Aqui Agora”, inicialmente na TV Tupi em 1960, porém com um formato mais ameno e com destino incerto que durou poucos meses foi resgatado em 1991 pelo SBT, apresentado por Ivo Morganti e Patrícia Godoy, era o telejornal que mostrava a vida como ela é com uma linguagem forte e sensacionalista que foi marcada principalmente pelo repórter Gil Gomes. O “Aqui Agora”, permaneceu no ar por sete anos de 1991 até 1997.


Dentro da história do telejornalismo brasileiro, o “Jornal Nacional”, da Rede Globo e líder de audiência há mais de 30 anos, pode ser considerado um ícone na televisão. Criado na época pelo diretor da Central Globo de Jornalismo, Armando Nogueira, estreou em 1º de setembro de 1969,  tornou-se referência da imprensa nacional. Foi o primeiro a apresentar reportagens em cores, reportagens internacionais via satélite no instante em que os fatos ocorriam. Inovador, ele criou, por exemplo, o desfecho com um simples “boa noite”, deixando no ar a esperança e boas expectativas para o próximo dia. Hoje o cumprimento – pronunciado pelo casal William Bonner e Fátima Bernardes – é considerado uma das principais marcas do Jornal Nacional.


O telejornalismo brasileiro, desde seu início, tomou seu espaço frente ao rádio. Vimos, então, seu crescimento e disseminação nas diversas emissoras que foram surgindo ao longo dos anos.


A força da imagem, da informação visual, dá ao telejornalismo uma credibilidade muito grande frente ao público. Nesse sentido, o telejornal é visto como um espelho da realidade. Isso pode ser comprovado quando alguém lê alguma notícia no jornal escrito, ou ouve pelo rádio e logo após liga a televisão para confirmar os fatos.



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Os primórdios da propaganda na televisão brasileira

12.12.2016 às 12:12
Reprodução

A propaganda é uma atividade humana que já existe desde a Grécia antiga. O termo se originou (acredite se quiser!) de “Sacra congregatio christiano nomini propaganda” (Sagrada Congregação Católica Romana para a Propagação da Fé), o departamento da Igreja Católica para divulgação do Catolicismo em vários países, com os missionários.

As primeiras técnicas de propaganda foram criadas no início do século XX, pelo jornalista Walter Lippman e pelo psicólogo Edward Bernays (sobrinho de Freud).

A propaganda é uma ferramenta de persuasão muito forte, influenciando extremamente a opinião das pessoas, sendo também muito usada durante guerras. Na Primeira Guerra Mundial, por exemplo, Lippman e Bernays foram contratados pelo presidente dos Estados Unidos para influenciar a opinião pública a favor do país. Bernays utilizava termos como “mente coletiva” e “consenso fabricado”.

Com o desenvolvimento da tecnologia, surgiram os primeiros aparelhos de televisão e, com eles, as propagandas voltadas aos telespectadores, os comerciais de TV.

A primeira emissora brasileira, a TV Tupi, foi inaugurada em 1950, na cidade de São Paulo, tendo sido idealizada por Assis Chateaubriant. Vale lembrar que, no mesmo ano, os EUA já implantavam a tecnlogia de televisões em cores.

Por se tratar de uma área nova, sentia-se muita falta de profissionais experientes. As agências McCann Erikson e J.W. Thompson criaram o “know-how”, a fim de criar, redirigir e produzir programas e comerciais. Nessa época,surgiram as “garotas demonstradoras”, ou “garotas propaganda”, que anunciavam produtos.

Em 1951, fundou-se, também em São Paulo, a primeira Escola Superior de Propaganda, visto que a área começava a prosperar.
A empresa também estava evoluindo muito, principalmente indústrias automobilísticas e de eletrodomésticos, com marcas como Volkswagen, Ford, Jeep, Chevrolet, GE e Walita, que necessitavam de pessoas criativas para valorizar sua empresa e seu marketing, e vencer a forte concorrência.

A propaganda na televisão brasileira iniciou-se em 1951, com comerciais de 30 segundos custando 120 cruzeiros, sendo que os primeiros a serem veiculados foram os da Casa Clô e das Persianas Columbia.
Vale lembrar que, nessa época, o Brasil ainda não produzia aparelhos de TV, o que tornava-os acessíveis somente a pessoas com alto poder aquisitivo.


Chateaubriand era um homem determinado e de muita visão.Começou a vender espaço publicitário de televisão para empresas grandes, como Sul América Seguros, Antarctica e Moinho Santista. Também foi o criador do primeiro departamento de propaganda de um jornal no Brasil, e conduziu a campanha para a construção do MASP – Museu de Artes de São Paulo.

Comparando os comerciais antigo e atual, percebe-se uma diferença gritante, desde a embalagem à identidade visual.
No mais antigo, o produto era destinado a todos os públicos (“Toddy contém tudo o que os homens, mulheres e crianças necessitam para ter novas forças”), e não apenas aos jovens e crianças, como se vê hoje em dia. Faz-se, também, uma relação do jovem a esportes radicais, a fim de vender a idéia de um produto saudável e que dá energia para quem o ingere.
Os comerciais de hoje contam com muito maior poder de persuasão, e com identidades visuais muito mais marcantes.








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"Ao vivo e em cores" - As primeiras transmissões em cores da tv brasileira

10.07.2016 às 13:38
Em 19 de fevereiro de 1972 a TV Difusora de Porto Alegre – RS, entrou para a história quando fez a primeira transmissão de TV em cores do Brasil. O evento transmitido foi a Festa da Uva realizada em Caxias do Sul, RS

A TV em cores no Brasil foi introduzida após a opção por um dos vários sistemas de transmissão da informação de cor. Os Estados Unidos desenvolveram um sistema chamado NTSC. O sistema americano foi desenvolvido e instalado rapidamente no país de origem e passou a partir daí a ser proposto para outros países, inclusive o Brasil.

A França procurou desenvolver um sistema próprio, chamado Secam. O sistema Secam se beneficiou por ser um desenvolvimento posterior ao NTSC e pôde corrigir alguns defeitos que este apresentou. A Alemanha, por sua vez, desenvolveu um sistema chamado PAL, igual ao sistema americano, exceto por um detalhe. Esse sistema corrigiu uma deficiência do sistema NTSC, evitando que desvios de cor ocorressem no processo de transmissão e recepção.

As cores derivavam e quando isso ocorria os resultados para o telespectador podiam ser realmente muito desagradáveis, especialmente para cores fáceis de reconhecer, como cor da pele humana. Pode-se aceitar uma paisagem um pouco mais azulada, mas dificilmente se aceita uma cor verde ou azul. O sistema PAL explorava uma espécie da barganha: as variações de fase ocorridas no processo de transmissão e recepção, que resultavam em variação de cor no NTSC, no sistema PAL, só implicavam redução de saturação e a cor era preservada.

O efeito de cores absurdas como a pele verde já mencionada e outros efeitos desagradáveis eram evitados. Tolera-se muito mais uma redução na saturação do que uma mudança de cor. O sistema Secam também não apresenta esse fenômeno de deriva das cores, mas é um sistema tecnologicamente muito complexo. Essas questões foram estudadas no Brasil sob contrato pelo Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel), órgão competente para assumir esse tipo de decisão, com a Escola Politécnica, em 1965.

Na área da eletrônica, foi o primeiro contrato de prestação de serviços que se firmou na Escola. O relatório do grupo encarregado do trabalho foi aprovado e a recomendação pelo sistema PAL foi, finalmente, decisão do Contel. Implantou-se esse sistema em todo o Brasil. Nesse caso, houve um conflito de interesses. A França tinha um interesse político na adoção do sistema Secam.

Para os americanos, a adoção do NTSC no Brasil permitiria a exportação de aparelhos televisores prontos, sem nenhuma modificação para uso. Os alemães poderiam explorar as patentes do PAL. Entretanto, na negociação da comissão contratada pelo Contel na Escola Politécnica, os proprietários das patentes relacionadas com sistema PAL abriram mão de todos os seus direitos sobre essas patentes.

O Brasil finalmente pôde adotar esse sistema sem nenhuma despesa adicional em função da propriedade industrial das patentes envolvidas. Havia uma outra pequena diferença no sistema PAL adotado no Brasil, decorrente do fato de ele usar seus parâmetros dimensionados para uma rede de distribuição de energia elétrica em 50 Hz. Como os televisores deveriam funcionar no Brasil numa rede de 60 Hz, alguns parâmetros tiveram de ser modificados, o que foi feito pela mesma comissão, dando origem à versão PAL-M.

Dessa maneira, instalou-se uma barreira não alfandegária para televisores importados, seja dos Estados Unidos, seja da Europa, aproveitada pela indústria brasileira, que rapidamente se tornou a única fornecedora no mercado nacional. O mercado era realmente muito grande o que propiciou o desenvolvimento de indústrias, muitas de capital nacional, e a geração de grande número de empregos.

Em 1970, aconteceu a primeira transmissão de TV em cores no Brasil (Copa do Mundo do México) , pela EMBRATEL, em caráter experimental e fechado, para um público seleto, iniciando uma nova divisão social entre os que podiam trocar seu velho aparelho pelo colorido e os que tiveram que manter a relíquia em preto-e-branco.

Em 1971 o governo baixou uma lei determinando o corte da concessão das emissoras que não transmitirem uma porcentagem mínima de programas em cores. O sistema oficial passa a ser o PAL-M, que é uma mistura do padrão M do sistema NTSC e das cores do sistema PAL Europeu. O Objetivo era criar uma indústria totalmente nacional com seu sistema próprio.

Em 19 de fevereiro de 1972 a TV Difusora de Porto Alegre – RS, entrou para a história quando fez a primeira transmissão de TV em cores do Brasil. A emissora  transmitiu a Festa da Uva realizada em Caxias do Sul, evento bienal gaúcho, em celebração à colheita das vitivinícolas do Estado.

O primeiro teste público de transmissão de imagens coloridas pela televisão mostrou neste dia o desfile de carros alegóricos da Festa da Uva. Em 31 de março de 1972, inaugura-se oficialmente a televisão em cores no Brasil.



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Transmissões de futebol internacional eram "raridades" nas telas da tv brasileira

03.07.2016 às 15:07
O lendário time do Ajax , campeão da Copa dos Campeões em 1973

Com a "exportação maciça" de craques brasileiros para o exterior, com a diversificação da programação de novos canais de tv a cabo especializados e intensa divulgação na mídia, o cardápio de transmissões de futebol internacional tornou-se vasto e variável, mas nem sempre foi assim...


Em tempos de cardápio variado de futebol internacional na televisão brasileira nos canais fechados especializados em esportes, sem falar no que rola fora da tela e nas inúmeras opções de streaming pela internet, vale lembrar de um tempo em que esse papel de trazer o jogo de além das fronteiras brasileiras era feito (ou não era feito, em alguns casos) pela TV aberta.  Um jogo das Eliminatórias europeias ou uma final da Liga dos Campeões tinha que abrir espaço na grade de programação entre uma atração infantil e uma reprise de novela.

Nos anos 70, por exemplo, mesmo o futebol nacional era mostrado com parcimônia, na maioria das vezes em videotapes no começo da madrugada, horas depois de realizadas as partidas, ou mesmo nas manhãs seguintes. O que vinha de fora então era mais raro ainda de ser exibido, mas nem sempre por empecilhos técnicos. Alguns casos são anedóticos.

Em maio de 1973, época da final da Copa dos Campeões, o jornal O Globo publicou, logo abaixo de sua matéria sobre a decisão, uma nota que hoje parece inacreditável: “Brasil, Colômbia, Peru e México são os países latino-americanos que receberão a imagem da decisão de hoje, em Belgrado, entre Ajax e Juventus. Entretanto, os torcedores brasileiros não assistirão ao jogo, pois nenhuma televisão nacional solicitou à Embratel a transmissão da partida”.

Pois é: para as emissoras daqui, não havia nenhum interesse por parte do público em acompanhar futebol estrangeiro, especialmente onde não houvesse brasileiro em campo – o que era então o caso de praticamente todo o resto do mundo pré-globalização.  Se hoje em dia os canais abertos e fechados disputam a tapa os direitos de transmissão dos torneios europeus com propostas fabulosas, houve um tempo em que o sinal esteve disponível sem necessidade de grandes aportes financeiros e foi oferecido para todas as estações, mas nenhuma delas achou que valeria a pena.

A grande explosão da atração pelo futebol internacional no Brasil se dá no começo dos anos 80, num contexto de êxodo em massa de craques daqui, especialmente para os clubes europeus, e que acabou se estendendo não só para a liga italiana – onde a maioria destes astros atuavam – como também para outros campeonatos de clubes e de seleções. O público fazia questão de acompanhar os grandes craques mesmo que eles não desfilassem mais semanalmente em nossos gramados.

Além das transmissões “obrigatórias” de Copas do Mundo, Jogos Olímpicos, Copas América, amistosos da Seleção Brasileira, partidas de clubes brasileiros contra adversários internacionais e da Taça Independência, organizada aqui pela CBD em 1972 e que contou com ampla cobertura televisiva, confira o que mais a TV aberta brasileira e de alcance mais ou menos nacional já mostrou, até o começo da popularização dos canais pagos, em meados dos anos 90.

Eurocopa

O torneio europeu de seleções teve três edições transmitidas (quase sempre) ao vivo pela TV Globo: a de 1980, na Itália, vencida pelos alemães ocidentais; a de 1988, na Alemanha Ocidental, conquistada pela Holanda de Gullit e Van Basten; e a de 1992, na Suécia, quando a Dinamarca surpreendeu e levou a taça.

Na primeira edição, a emissora levou ao ar todos os jogos da Azzurra dona da casa (sendo que a partida contra a Inglaterra foi transmitida em compacto noturno) e três partidas da campeã Alemanha, contra Holanda e Tchecoslováquia na primeira fase e contra a Bélgica na decisão. Os horários variavam entre 12h45 e 15h30 de Brasília.

Em 1988, foram nove os jogos transmitidos, todos eles ao vivo: Alemanha x Itália, Dinamarca x Espanha, Itália x Espanha e Alemanha x Espanha pelo Grupo A; Inglaterra x Irlanda e Irlanda x Holanda pelo Grupo B; mais as duas semifinais (a épica vitória holandesa de virada sobre a Alemanha em Hamburgo e o triunfo de uma forte URSS sobre a Itália), além da grande decisão (que teve narração de Galvão Bueno). Desta vez, as partidas eram exibidas às 10h30 e 15h15 de Brasília.

Na última vez em que transmitiu o torneio, a Globo mostrou apenas seis partidas, sendo quatro pela primeira fase, uma semifinal (a dramática vitória da Dinamarca nos pênaltis sobre a Holanda) e a decisão, com o triunfo dinamarquês sobre a Alemanha.

Em 1996, a Bandeirantes – que já vinha exibindo as Eliminatórias do torneio há alguns anos – assumiu a transmissão exclusiva e quase integral dos jogos da fase final, mostrando o caminho que levou a Alemanha ao tricampeonato em gramados ingleses.

Copas europeias de clubes

Em 1977, no domingo anterior à decisão da Copa dos Campeões entre Liverpool e Borussia Mönchengladbach, o Jornal do Brasil chegou a anunciar que a TV Globo transmitiria a partida ao vivo. Mas na data exata não há sinal de exibição na grade global, nem sequer menção do fato na matéria do jornal O Globo sobre a final.

Sendo assim, a primazia das transmissões de copas europeias (ou pelo menos de suas decisões) no Brasil cabe, surpreendentemente, a Silvio Santos (!), que, em maio de 1979, exibiu em sua TV Studio (depois TVS, atual SBT), às 19h30 de Brasília e em meio a uma grade preenchida majoritariamente por desenhos animados, o videotape da partida entre Nottingham Forest e Malmö, realizada mais cedo naquele mesmo dia.

Somente em 1984 – um ano inacreditável, para os padrões atuais, da TV Globo em termos de transmissões futebolísticas, como veremos – a emissora do Jardim Botânico enfim transmitiu sua primeira final de Copa dos Campeões, quando mostrou ao vivo, a partir das 15h de Brasília, a derrota nos pênaltis da Roma de Falcão e Cerezo para o Liverpool no campo “neutro” do Estádio Olímpico da capital italiana.

Dez anos depois da desistência global quanto à transmissão de Liverpool x Borussia Mönchengladbach, a nanica emissora carioca TV Copacabana (depois rebatizada TV Corcovado) chegou a anunciar nos jornais que mostraria ao vivo a final daquele ano, entre Porto e Bayern de Munique. Mas também ficou na promessa. A final europeia só voltaria à televisão brasileira no ano seguinte, quando a Globo iniciou uma certa tradição em exibir as finais.

Entre 1988 e 1995, foram vistas ao vivo na tela da emissora carioca todas as finais da Copa dos Campeões do período, mais as decisões da Recopa europeia em 1989, 1991, 1992 e 1993 e os jogos de ida e volta que decidiram o título da Copa da Uefa em 1991, 1992 a 1993.

Eliminatórias da Copa do Mundo

Além dos jogos do Brasil, as emissoras também já mostraram várias partidas de outras seleções válidas pela fase de classificação dos Mundiais. Em fevereiro de 1974, Espanha e Iugoslávia decidiram, com um jogo extra em Frankfurt, a vaga do Grupo 7 europeu, cujo vencedor já estava definido no sorteio como o primeiro adversário do Brasil na fase de grupos da Copa do Mundo da Alemanha Ocidental.

As TVs Globo e Tupi exibiram a partida ao vivo e em cores (a última inclusive reexibiu o jogo em compacto no fim da noite). Para a transmissão, a Globo destacou sua dupla “titular” da época, com os mestres Geraldo José de Almeida (“olha lá, olha lá, olha lá!”) na narração e João Saldanha nos comentários.

Porém, a grande oferta mesmo só veio nas Eliminatórias da Copa de 82. A Globo, já com Luciano do Valle na narração e Ciro José nos comentários, mostrou jogos bem interessantes, como Itália x Dinamarca, Itália x Iugoslávia, Holanda x França, Bélgica x França e URSS x Tchecoslováquia.

Galvão Bueno, na época narrador da Bandeirantes, comandou a transmissão da emissora paulista para um histórico Peru x Uruguai, quando a equipe treinada pelo brasileiro Tim acabou com as chances da Celeste de ir ao Mundial. Ao lado de Galvão, Márcio Guedes fazia os comentários e José Roberto Tedesco era o repórter de campo.

A curiosidade ficou mais uma vez por conta de Silvio Santos e sua TVS, que transmitiu nada menos que os confrontos entre México, EUA e Canadá pela fase inicial das Eliminatórias da Concacaf, ao vivo, em videotape ou compactos, entre outubro e novembro de 1980.

Amistosos internacionais

Em alguns casos, a cobertura das seleções estrangeiras não ficou restrita às fases eliminatórias e finais dos grandes torneios. Alguns grandes confrontos amistosos entre forças do futebol internacional também deram o ar da graça na telinha por aqui.

Os futuros adversários do Brasil em Copas do Mundo, por exemplo, puderam ser observados várias vezes em seus jogos preparatórios pela Globo (Suécia x Alemanha Oriental em abril de 1978; Escócia contra Espanha e Inglaterra em fevereiro e maio de 1982, respectivamente; Suécia x País de Gales em abril de 1990) e Bandeirantes (Espanha x Polônia com VT completo em março de 1986).

Campeonato Italiano

Para quem se acostumou, a partir do fim dos anos 80, a acompanhar o calcio nas manhãs e tardes de domingo na Bandeirantes, com os comentários de Silvio Lancelotti dentro do Show do Esporte, pode ser surreal imaginar que a TV Globo já transmitiu uma temporada inteira da Série A italiana. Mas realmente aconteceu, e justamente uma das mais espetaculares daquela década, a de 1984-85, que consagrou o Verona como surpreendente campeão.

A emissora carioca transmitiu, sempre nas manhãs de domingo, uma partida de 28 das 30 rodadas da liga da bota – incluindo as três últimas do campeão Verona, contra Como, Atalanta (o jogo do título) e Avellino. As exceções foram o fim de semana de abertura e o dia 21 de abril, quando o horário dos jogos coincidiu com o do GP de Portugal de Fórmula 1 – a primeira vitória de Ayrton Senna na categoria.

E a coisa era feita no capricho: nos domingos em que não havia rodada, devido aos jogos da Azzurra, a Globo levava ao ar o Panorama do Campeonato, um programa curto, de cinco minutos de duração, com um balanço da competição até ali.

Um pouco antes disso, nas últimas rodadas da temporada 1982/83, a Bandeirantes chegou a exibir os jogos da Roma de Falcão, que se sagraria campeã. Na equipe de transmissão, um jovem jornalista chamado Antero Greco fazia sua estreia como comentarista de televisão, ao lado dos já veteranos Edgard de Mello Filho e Pedro Luiz Paoliello.

Campeonato Espanhol

Antes de incorporar definitivamente La Liga às suas tardes, no começo dos anos 90, a Bandeirantes transmitiu, lá em junho de 1983, a decisão da Copa do Rei entre Real Madrid e Barcelona. O Superclássico também foi mostrado ao vivo uma única vez na tela da TV Manchete, em abril de 1989.

Outras ligas

Lembram quando dissemos aí em cima que 1984 foi um ano inacreditável – para os padrões atuais – em termos de transmissões futebolísticas na Globo? Pois bem: além de mostrar pela primeira vez em sua história uma final de Copa dos Campeões e cobrir toda uma temporada do Campeonato Italiano, a emissora carioca exibiu ao vivo, na manhã de sábado, 19 de maio, nada menos que a final da FA Cup, entre Everton e Watford, direto de Wembley. Talvez o principal fator de atração fosse o fato de o então emergente clube londrino ter o astro pop Elton John como presidente.

Além dessa única experiência global, o futebol inglês na TV aberta brasileira também foi mostrado por pouco tempo na Bandeirantes nas noites de sábado e em compactos exibidos pela TV Educativa (TVE) nas noites de domingo, junto com os gols da rodada da Série A italiana. Em ambas as emissoras, durante outubro de 1991 – antes da Premier League, portanto. E pelo visto não teve grande repercussão, já que durou apenas aquele mês. A TVE substituiu a liga da terra da Rainha por VTs de partidas do Campeonato Alemão.

Quem também transmitiu a Bundesliga foi a TV Cultura paulista, com comentários de Gerd Wenzel nas manhãs de domingo, a partir da mesma época até por volta de 1995. A emissora também mostrou em 1993 e 1994 o Campeonato Japonês, passando a bola da J-League para a TV Manchete no ano seguinte. Outra liga europeia que teve esporádicas aparições em canal aberto brasileiro do período foi o Campeonato Português, do qual a Bandeirantes chegou a mostrar alguns jogos aos domingos, dentro do Show do Esporte.


Outros torneios internacionais

Em maio de 1976, a Globo transmitiu o Torneio Bicentenário da Independência dos EUA, que reuniu Brasil, Itália, Inglaterra e um combinado da liga norte-americana (NASL). E não ficou só nos jogos da Seleção Brasileira, à época dirigida por Osvaldo Brandão: exibiu ao vivo e na íntegra os confrontos da Azzurra contra a equipe da NASL e o English Team. Por fim, dez anos depois, a Bandeirantes mostrou ao vivo para todo o país a decisão do Mundial Interclubes (ou Copa Intercontinental, como preferir), entre River Plate e Steaua Bucareste, em Tóquio.



* Texto extraído daqui 

Postado por Era uma vez ... na TV

Sua Excelência, o "Video Tape"

27.06.2016 às 02:50


Em 1956 dois cientistas a serviço da Ampex,Charles Ginsberg e Ray Dolby, revolucionaram o modo de fazer televisão com o invento do "videoteipe". Até aquela data a televisão no Brasil e no mundo era feita ao vivo. Com video tape criou-se a oportunidade de se editar os erros e as gafes tão comuns na programação . As produções  passariam a ter um melhor acabamento.

Mas não foi fácil chegar ao invento. A dificuldade estava em armazenar muito mais informações que o áudio. Se fosse utilizado o mesmo processo de gravação do som, haveria a necessidade de 35,5 metros de fita para armazenar informações de 01 segundo de imagem, e para 01 hora, 127.800 metros de fita, sem contar é lógico que a fita teria de passar na cabeça magnética a uma velocidade de mais ou menos 130 quilômetros por hora.

O que foi feito então? Manteve-se a mesma velocidade de fita que do gravador de som, ou seja, 38 centímetros por segundo (15 polegadas por segundo), mas para que a gravação ganhasse maior velocidade fizeram também com que a cabeça magnética também girasse.

Resumindo, o videoteipe inventado era assim: a fita teria de ser de 05 centímetros ou 02 polegadas de largura, tendo uma velocidade de 38 centímetros ou 15 polegadas por segundo, passando por um conjunto em forma cilíndrica de 04 cabeças dispostas a 90 graus cada uma que tanto gravavam quanto reproduziam e giravam a 240 rotações por segundo, e recebeu o nome de Quadruplex devido as cabeças se encontrarem em forma de quadrante.

O videoteipe foi usado pela primeira vez no Brasil em 1958, com a apresentação de "O Duelo", de Guimarães Rosa, pelo programa "TV de Vanguarda", da TV Tupi de São Paulo. O equipamento era utilizado de forma precária pois não havia possibilidade da edição (montagem). Walter George Durst, responsável pelo programa, dispunha de uma fita de apenas uma hora de duração e por isso as cenas tiveram de ser exaustivamente ensaiadas e cronometradas. Quando a fita terminou, ainda faltavam as cenas finais, que foram feitas "ao vivo" após a exibição da parte gravada.

Foi em 1959, na TV Continental do Rio de Janeiro , canal 9, que a "engenhoca" de Ginsberg e Dolby  estreou na televisão brasileira, com todos os recursos técnicos que o equipamento proporcionava. A emissora carioca cobriu  uma festa no Copacabana Palace. A primeira cena foi um close no relógio do repórter Carlos Pallut, marcando 15h. A matéria foi ao ar num programa  apresentado por Riva Blanche, Pallut e dirigido por Haroldo Costa  às 21h. Foi surpreendente! O diretor da emissora, Demirval Costa Lima, gritou  de emoção no estúdio quando assistiu à cena do relógio.

Muitos dizem que a primeira grande utilização oficial do videotape foi na inauguração de Brasília, onde a Record gravou através da TV Alvorada uma fita e mandou-a o mais rápido possível para São Paulo, sendo que a noite, depois do primeiro grande link aéreo que a Tupi havia inventado, a mesma exibiu um resumo de suas atividades. 

Uma inovadora e fantástica utilização do VT  em 1961 ocorreu no programa Chico Anysio Show, da TV Rio, Canal 13, onde Chico contracenava com ele mesmo, fazendo diversos papéis. Segundo o próprio Chico a fita era cortada com gilete e colada com durex para "forjar" as cenas. Também em 1961 as novelas entraram na era do vt com "Gabriela, Cravo e Canela", exibida pela da TV Tupi, Canal 6 do Rio de Janeiro, totalmente gravada.

A revolução era percebida em todas as áreas de produção; a reportagem poderia ir ao ar, sem precisar levar o filme para ser revelado em laboratório, os erros eram consertados antes da exibição. Nas transmissões esportivas  surgia também o recurso do "replay" . Já era possível ver novamente um gol, ver se o jogador estava impedido, enfim o video tape era uma explosão de novidade tecnologica que mudaria para sempre a maneira de se pensar e fazer televisão.

Postado por Era uma vez ... na TV

Pela teimosia de um ousado paraibano, a televisão chega ao Brasil

19.06.2016 às 21:18
Chateaubriand discursando durante a solenidade de inauguração da PRF-3-TV Tupy-Difusora - canal 3 de São Paulo

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, o “Chatô”, resolveu trazer a televisão para o Brasil, porque foi desafiado e afrontado


A Televisão no Brasil nasceu da idéia de um homem que não teve medo de ousar; seu nome era Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, o “Chatô”, advogado, jornalista, nascido no interior da Paraíba e criado em Pernambuco. Era presidente da maior cadeia de jornais e rádios do hemisfério Sul.  Foi um dos maiores empresários de comunicação do país . Seu império chegou a compreender quase 100 empresas, sendo 33 jornais, 25 emissoras de rádio, 22 emissoras de televisão, uma editora, 28 revistas, duas agências de notícias, três empresas de serviços, uma de representação, uma agência de publicidade, duas fazendas, três gráficas e duas gravadoras.

Em depoimento, Rubens Furtado (ex-diretor da Rede Tupi) conta-nos que Chatô  resolveu fazer TV, porque foi desafiado e afrontado.

A General Eletric e a RCA foram as primeiras empresas americanas a construir transmissores e aparelhagens de televisão. Como ele tinha comprado transmissores para suas rádios, conhecia muito o general Sarnoff presidente da RCA.

Um belo dia ao visitar o general, ele deparou com um transmissor de televisão e perguntou:

- “Como é que se faz isso? - Dito. 

- Quero comprar um negócio desse e montar uma televisão no Brasil!”.

O general Sarnoff achou aquilo um absurdo e disse para Chateaubriand:

- "Televisão é um negócio só para países desenvolvidos e para empresas que tenham capacidade econômica. Como sua empresa não tem porte para isso e o Brasil é um país subdesenvolvido não há condições de ter televisão nas próximas décadas".

Isso irritou profundamente Chateaubriand, que imediatamente comprou dois transmissores para montar duas estações de TV no Brasil.

Sarnoff, que conhecia bem as maluquices de Chatô, disse:

- “Aqui nos Estados unidos, o número de receptores ainda é muito pequeno e a rentabilidade da televisão muito baixa. No Brasil não existe nem fábrica de televisores, como você vai montar transmissores de um negócio que nem receptores tem?”.

Chatô fez-se de surdo trouxe o primeiro transmissor de seis quilowatts para São Paulo e outro para o Rio de Janeiro montando duas estações de TV. A novidade chega ao Brasil no anonimato, pois as agências de propaganda não conheciam o negócio e também não haviam televisores aqui. A apenas um mês da inauguração da TV, Chatô é alertado por Walter Obermüller, diretor da NBC-TV, e se dá conta que vai fazer TV para ninguém assistir, pois não havia receptores no país. Com seu jeitinho brasileiro, Chateaubriand decidiu importar 200 televisores dos Estados Unidos, mas, ao descobrir que a alfândega atrasaria seus planos em 30 dias, não teve dúvidas:

“Então traga de contrabando. Eu me responsabilizo.

O primeiro receptor que desembarcar eu mando entregar no Palácio do Catete, como presente meu para o presidente Dutra.”

Ele importou também trezentos aparelhos televisores dos EUA, que foram colocadas a venda pelas lojas Cássio Muniz.

Para financiar seu empreendimento, Chateaubriant conseguira em 1947, contratos com a Seguradora Sul América, a Antártica, a laminação dos Pignatari e o Moinho Santista.

Essas empresas pagaram adiantado um ano de publicidade a cadeia dos associados, fornecendo parte dos 16 milhões de cruzeiros pagos a RCA Victor norte americana pela compra de uma estação de TV.

No dia 18 de Setembro de 1950, é inaugurada a 1ª TV Brasileira, e segunda da América, a primeira da  América Latina e também do Hemisfério Sul, a quarta do Mundo (depois de EUA, Inglaterra e França), a PRF-3-TV Tupy-Difusora - canal 3.

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"Tele Catch" - No ringue/picadeiro, memoráveis "performances circenses"

14.06.2016 às 05:21

Criado na extinta TV Excelsior Canal 2 do Rio de Janeiro, o "Tele Catch" era dedicado a exibição de combates de luta-livre que tinham como ponto forte performances de encenação teatral

Com a extinção do Palácio de Alumínio (uma cúpula de alumínio dedicada à exibição de combates corpo a corpo), um dos protagonistas da rede de lojas Imperatriz das Sedas (cuja sede era vizinha ao palácio montado no terreno do extinto tesouro nacional - doado aos comerciários) e um dos sócios da empresa, "Sr Rafick", resolveu promover um programa de lutas livres (via televisão) e cuja modalidade era o Tele-catch. Durante os anos 60 alcançou o auge do sucesso, criando vários heróis, como Ted Boy Marino, Tigre Paraguaio, Verdugo( que lutava fantasiado e usava máscara) Rasputin ( o barba vermelha) e outros.

Inicialmente chamado Telecatch Vulcan devido a uma ligação com a casa da borracha dos Cassini (Esportes Náuticos) e Imperatriz das Sedas (dos sócios César Murane e Rafick), a TV Excelsior televisou dos anos de 1965 a 1966.

Antes do embate começar, os lutadores (alguns fantasiados) eram pomposamente chamados ao ringue pelo mestre de cerimônia. Passavam por um corredor no meio do público. Enquanto o "bonzinho" era aplaudido e recebia carinhos, o vilão recebia sonora vaia e levava, de quebra, alguns sopapos dos mais entusiasmados.

Os telespectadores mais ingênuos, que formavam uma enorme legião, acreditavam piamente que as lutas eram pra valer! Enquanto os outros se divertiam e torciam normalmente, esses ficavam genuinamente revoltados com as "maldades" (golpes baixos) que os feiosos "maus" faziam contra os "bonzinhos" (geralmente simpáticos e bem-apessoados). E o pior: o juiz, "vendido" fingia nada ver. Mas era só uma questão de tempo. Decorridos alguns minutos de "massacre", chegava a hora do êxtase quando o herói (todo "arrebentado") reagia e dava uma "surra" memorável no lutador "sujo". Era o máximo (acreditasse ou não)! Uma alegria total! O Bem vencia (quase) sempre o Mal!

Em 1967 o "Tele Catch Montilla"(mudou de nome em função de mudança do patrocinador) passou a ser exibido pela TV Globo Canal 4 do Rio de Janeiro.


*Na foto(de 1966) o "malvado" Rasputin castiga e puxa pelos cabelos o "herói" Ted Boy Marino

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Os bastidores da primeira telenovela diária da televisão brasileira

09.06.2016 às 21:13

 Adaptada de um folhetim argentino por Dulce Santucci e dirigida por Tito de Miglio, estreava em julho de 1963, na TV Excelsior Canal 9(SP),”2-5499 Ocupado”

“Perdoe-me, foi engano!”
Larry desliga o telefone mas apaixona-se pela voz que acabara de ouvir do outro lado da linha.Sem saber que a ligação caiu,por engano,num presídio feminino e que a voz que tanto o atraiu era de uma telefonista presidiária, Larry(Tarcísio Meira)toma coragem e volta a ligar para o mesmo número a fim de ouvir novamente a voz de Gloria(Gloria Menezes)que,também envolvida, faz de tudo para esconder a sua condição.
 
Adaptada de um folhetim argentino por Dulce Santucci e dirigida por Tito de Miglio estreava em julho de 1963, na TV Excelsior Canal 9(SP) ,no horário das 19 horas ,2-5499 Ocupado,a primeira telenovela diária da televisão brasileira.Criava-se nesse instante o que viria a ser o maior "fenômeno de massa " do Brasil.
 
Apesar de sua curta permanência no ar(pouco mais de dois meses)o folhetim agradou tanto o patrocinador(Colgate-Palmolive)que a direção da Excelsior resolveu importar novos textos da Argentina.
 
A trama(comparada as atuais)era simples:elenco pequeno, curta duração(media de 50 a 60 capítulos),sempre focada em crises amorosas de um casal central e sem enredos paralelos.Entretanto isso era uma novidade em termos de veiculação.Até então os dramalhões importados eram exibidos apenas de duas a três vezes por semana.
 
O recém criado vídeo tape também contribuiria, de forma fundamental, para uma melhor qualidade e acabamento nas produções, intensificando inclusive a captação de imagens externas o que antes quase não acontecia.
 
Com significativos avanços tecnológicos e sensibilidade dos diretores de TV a telenovela diária mudaria radicalmente os hábitos dos nossos telespectadores que passaram a ficar presos na frente da telinha todas as noites em determinado horário.
 
Em pouco tempo a telenovela diária modificaria definitivamente a grade das principais emissoras da época.A TV Tupi(SP)já lançaria no início de 1964 Alma Cigana, no horário das 20 horas e, curiosamente,emissoras com menos recursos técnicos também se lançaram na produção de folhetins diários ao vivo, pois ainda não tinham equipamento de vídeo tape suficiente para tal empreitada,como a TV Paulista Canal 5(adquirida posteriormente pela Rede Globo) e a TV Cultura Canal 2(nessa época um segundo canal paulista dos Diários Associados).
 
Isso foi só o inicio da metamorfose nos hábitos da população.Anos depois a produção de nossas novelas deixaria de sofrer influência dos dramalhões importados(principalmente os argentinos e cubanos) e se transformaria num produto “made in Brazil” sendo exportado para os quatro cantos do Planeta,mas isso é uma outra história e fica para ser contada numa próxima oportunidade.


RL(Atualizado e republicado)

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Era uma vez ... na TV por Redação

Histórias e curiosidades sobre o passado da TV brasileira

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