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27/06/2016 às 02h50

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Sua Excelência, o "Video Tape"


Em 1956 dois cientistas a serviço da Ampex,Charles Ginsberg e Ray Dolby, revolucionaram o modo de fazer televisão com o invento do "videoteipe". Até aquela data a televisão no Brasil e no mundo era feita ao vivo. Com video tape criou-se a oportunidade de se editar os erros e as gafes tão comuns na programação . As produções  passariam a ter um melhor acabamento.

Mas não foi fácil chegar ao invento. A dificuldade estava em armazenar muito mais informações que o áudio. Se fosse utilizado o mesmo processo de gravação do som, haveria a necessidade de 35,5 metros de fita para armazenar informações de 01 segundo de imagem, e para 01 hora, 127.800 metros de fita, sem contar é lógico que a fita teria de passar na cabeça magnética a uma velocidade de mais ou menos 130 quilômetros por hora.

O que foi feito então? Manteve-se a mesma velocidade de fita que do gravador de som, ou seja, 38 centímetros por segundo (15 polegadas por segundo), mas para que a gravação ganhasse maior velocidade fizeram também com que a cabeça magnética também girasse.

Resumindo, o videoteipe inventado era assim: a fita teria de ser de 05 centímetros ou 02 polegadas de largura, tendo uma velocidade de 38 centímetros ou 15 polegadas por segundo, passando por um conjunto em forma cilíndrica de 04 cabeças dispostas a 90 graus cada uma que tanto gravavam quanto reproduziam e giravam a 240 rotações por segundo, e recebeu o nome de Quadruplex devido as cabeças se encontrarem em forma de quadrante.

O videoteipe foi usado pela primeira vez no Brasil em 1958, com a apresentação de "O Duelo", de Guimarães Rosa, pelo programa "TV de Vanguarda", da TV Tupi de São Paulo. O equipamento era utilizado de forma precária pois não havia possibilidade da edição (montagem). Walter George Durst, responsável pelo programa, dispunha de uma fita de apenas uma hora de duração e por isso as cenas tiveram de ser exaustivamente ensaiadas e cronometradas. Quando a fita terminou, ainda faltavam as cenas finais, que foram feitas "ao vivo" após a exibição da parte gravada.

Foi em 1959, na TV Continental do Rio de Janeiro , canal 9, que a "engenhoca" de Ginsberg e Dolby  estreou na televisão brasileira, com todos os recursos técnicos que o equipamento proporcionava. A emissora carioca cobriu  uma festa no Copacabana Palace. A primeira cena foi um close no relógio do repórter Carlos Pallut, marcando 15h. A matéria foi ao ar num programa  apresentado por Riva Blanche, Pallut e dirigido por Haroldo Costa  às 21h. Foi surpreendente! O diretor da emissora, Demirval Costa Lima, gritou  de emoção no estúdio quando assistiu à cena do relógio.

Muitos dizem que a primeira grande utilização oficial do videotape foi na inauguração de Brasília, onde a Record gravou através da TV Alvorada uma fita e mandou-a o mais rápido possível para São Paulo, sendo que a noite, depois do primeiro grande link aéreo que a Tupi havia inventado, a mesma exibiu um resumo de suas atividades. 

Uma inovadora e fantástica utilização do VT  em 1961 ocorreu no programa Chico Anysio Show, da TV Rio, Canal 13, onde Chico contracenava com ele mesmo, fazendo diversos papéis. Segundo o próprio Chico a fita era cortada com gilete e colada com durex para "forjar" as cenas. Também em 1961 as novelas entraram na era do vt com "Gabriela, Cravo e Canela", exibida pela da TV Tupi, Canal 6 do Rio de Janeiro, totalmente gravada.

A revolução era percebida em todas as áreas de produção; a reportagem poderia ir ao ar, sem precisar levar o filme para ser revelado em laboratório, os erros eram consertados antes da exibição. Nas transmissões esportivas  surgia também o recurso do "replay" . Já era possível ver novamente um gol, ver se o jogador estava impedido, enfim o video tape era uma explosão de novidade tecnologica que mudaria para sempre a maneira de se pensar e fazer televisão.


Era uma vez ... na TV por Redação

Histórias e curiosidades sobre o passado da TV brasileira

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