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28/10/2016 às 13h06

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Dois pontos sobre a vaquejada

Foto/Ilustração: Prefeitura do Cantá/Divulgação

No meu dia de Servidora Pública (sem nada a comemorar, mas com a consciência tranquila das duras lutas travadas) recebo centenas de mensagens me cobrando posições sobre as Vaquejadas... tema muito polêmico, pois divide paixões, né?! Assim sendo vamos lá!

(1). Sobre a posição da atriz Alexia Dechamps – não estava lá, não ouvi, mas acaso tenha se referido de forma preconceituosa contra o Nordeste merece todo repúdio e sobre o tal do bolsa família mostraria também desconhecimento técnico, afinal São Paulo e Minas juntos disputam a liderança de acesso a esse benefício (tão vergonhosamente manipulado politicamente) com a nossa região. Sobre ela ser chamada de “vadia” por um Deputado Estadual aqui em Alagoas (e essa terminologia desprezível ser aplaudida, inclusive por mulheres) é tão repugnante e nauseante que apenas fortalece a vergonhosa imagem dos machistas idiotas que ainda reinam por aqui. Dupla vergonha, portanto!!

(2). Sobre o tema em si... que nada tem a ver com a beleza dos vaqueiros de gibão correndo na caatinga procurando seu gado perdido! ISSO É OUTRA COISA! Vamos falar da Vaquejada como diversão, pois é isso que está sendo debatido. É um nicho de exploração comercial que envolve muitas pessoas simples sim, mas é especialmente um gigantesco negócio que envolve bilhões e como em toda sociedade capitalista dinamiza a economia, gera lucros, empregos, etc e tal e no caso específico explora animais.

Reflete também o modelo como a sociedade aceita a diversão – como tantas outras, tipo tourada, circo com animais, farra do boi, briga de galo e tantas outras mais que nem devem ser citadas pra não aumentar a polêmica - e que podem ser tradição aqui e alhures, mas nem por isso representam o que muitos pensam de processos civilizatórios melhores.

Deixo claro que respeito posições divergentes, tenho primos e amigos muito queridos que participam de Vaquejadas e conheço bem as regras do Regulamento Geral, mas é sim exploração dolorosa de animais para diversão humana. É fato que animais são mortos todos os dias, inclusive por outros animais na luta pela sobrevivência na natureza ou nos abatedouros para alimentar humanos que comem carne e para gerar óbvio mais acumulação capitalista, pois uns humanos morrem de fome, outros se empanturram de comer, outros congelam toneladas de carne pra acumular mais dinheiro.

É fato também, que a Vaquejada é diversão humana com exploração de animais (especialmente bois), pois não cabe na cabeça de ninguém (nem nas leis da física) que um boi seja derrubado em velocidade e fique de boa... não quebre ossos, rompa vísceras e óbvio acabe no matadouro, pois foi mutilado pra diversão de alguém! Assim sendo, como eu não gostaria de ser usada pra diversão de outros – tipo eu saio correndo e alguém em alta velocidade puxa meu cabelo preso, me derruba e eu cairia e seria arrastada com todo impacto que as leis da física mostram... certamente sairia direto pra o hospital ou IML, né?! Portanto, existem formas mais belas de convivência e diversão com animais em que eles não precisem ser feridos e explorados para nossa alegria, afinal juntos somos apenas partículas neste Universo e a supremacia dos humanos é apenas ridícula e cínica vaidade!


Heloisa Helena por Heloisa Helena

Heloísa Helena Lima de Moraes Carvalho, nasceu em Pão de Açúcar, interior de Alagoas. É enfermeira, professora e política brasileira. 

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