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Sobre Cleiton Xavier, pássaros vermelhos e pássaros azuis

15.05.2018 às 11:18


Há alguns dias, o estado de Alagoas anoiteceu com a confirmação de uma lera que, pelo menos uma semana antes, já era objeto central das rodas de discussão em todo e qualquer barzinho, sala de aula, repartição pública, ponto de ônibus e carrinho de acarajé da capital alagoana: Cleiton Xavier, talvez o mais ilustre filho do Mutange no terceiro milênio, voltava à nossa terra para pelejar mais uns tantos chutes e passes.

Cria do Centro Sportivo Alagoano no início dos anos 2000, Cleiton construiu uma carreira sólida no futebol ─ principalmente em sua primeira passagem pelo Palmeiras, em 2009, e na dourada meia-década que passou na Ucrânia, sendo capitão, camisa 10 e poderoso chefão do Metalist, mas infelizmente longe dos nossos olhos.

Apesar de não ter conquistado títulos expressivos na Europa, Cleiton, nascido em São José da Tapera, conduziu o Metalist, no extremo-leste Europeu, um time de muito menor expressão quando comparado ao Shaktar e ao Dínamo, em boas campanhas na Uefa Europa League e no campeonato ucraniano. Durante esse período, enquanto passava as férias em Alagoas, criou o costume de fazer a pré-temporada no CSA.

Ano passado, ao ver o CSA conquistar o título da Série C do Campeonato Brasileiro, comemorou a volta do clube marujo à elite do nosso futebol. Disse, certa feita, ao jornalista Dayvidson Soares, do Globo Esporte, que uma de suas metas era voltar ao Mutange para pendurar as chuteiras.

Mas, é... apesar de Cleiton estar de volta à terra de Graciliano Ramos e Hermeto Pascoal, não vestirá azul nesta temporada: vestirá vermelho. Acredito que foi Emerson Júnior, figura importante da nossa crônica esportiva, que primeiro anunciou a contratação de Cleiton Xavier pelo Clube de Regatas Brasil. E acredito que também foi dele a informação de que o meia procurou, assim que as coisas deram uma preteada lá no Vitória da Bahia, onde ele jogava, o CSA. Entretanto, a possibilidade não animou muito o técnico Marcelo Cabo, que barrou a contratação junto ao departamento de futebol.

Eu poderia aqui dizer que o Cleiton procurou o CRB para se vingar do Azulão, mas não é do meu feitio. E não o faço, principalmente, porque acredito que não tenha sido bem assim. Precisamos partir do pressuposto de que a atitude de Marcelo Cabo foi absolutamente responsável e demonstra o quão comprometido com o projeto azulino ele está. É muito fácil trazer um ídolo para o elenco, mas especialmente difícil lidar com os problemas que esse negócio poderia trazer.

Cleiton Xavier, aos 35 anos, tornou-se fiel frequentador do departamento médico já há algum tempo. Sua bola não se questiona. Ele joga ─ e joga muito! Mas não tem rendido o suficiente e a maior prova disso é a sua saída do Vitória pela porta dos fundos. Além do seu salário em cifras muito altas, que poderiam até ser pagas pelo CSA (que vai muito bem, obrigado), mas só se acertado num planejamento de temporada em seu início.

Se por um lado Cleiton venderia camisas e levaria gente ao estádio, provavelmente complicaria o CSA em campo. Cleiton seria, fora do campo, uma certeza, mas dentro dele uma simples aposta. E Marcelo Cabo deve ter coçado a barba, olhado prum lado, pro outro e avistado o centroavante Walter, outra aposta das maiores, e percebido que o clube marujo já tem incertezas demais. O próprio Daniel Costa, o camisa 10 do Azulão, vem enfrentando alguns problemas de ritmo de jogo na Série B do Brasileirão e isto tende a piorar quando a loucura dos jogos terça-e-sábado começar. Ele precisa, sim, de um reserva à altura na bola, mas que aguente ficar mais tempo em campo ─ e não ainda menos.

E Cleiton, no fim das contas, é um atleta profissional de futebol. Deve ter ficado chateado, é claro. Mas não procurou o CRB para se vingar. Procurou porque era a opção possível que se apresentava. Com sua idade e com seu histórico, o mercado não está lá estas maravilhas todas pro meia, e a possibilidade de estar perto de casa, da sua família no sertão alagoano, e ainda assim estar numa liga competitiva não pode ser descartada.

Por isso, não estou gostando de ver os azulinos massacrando Cleiton nas redes sociais. Não estou gostando, mas compreendo. Ser torcedor é exatamente isso: o sangue subindo ao cérebro, maluquice saindo pela boca. Cleiton não agiu com malícia, em hipótese alguma. Talvez fosse possível dizer que o CRB, sim, tenha agido. Pelas cifras de Cleiton, pelas suas lesões recentes... há quem diga por aí que o Galo da Praia só acertou a contratação para provocar o rival, mas eu discordo dessa teoria.

Cleiton joga numa posição muito carente no CRB, mas tão carente ao ponto de justificar a aposta. Ele no Regatas, de fato, faz bem mais sentido do que no CSA.

Este humilde cronista que vos fala só tem medo de uma coisa ─ a chance de Cleiton perder o lugar que mereceria no hall da fama do futebol alagoano ao se aposentar é grande. A torcida azulina dificilmente perdoará a sua virada de casaca, por mais justificável que ela tenha sido. E ele precisará suar bastante para deixar no CRB a mesma marca de talento e classe que deixou no Azulão do Mutange no início da década passada.

Como alagoano e como sertanejo, afinal a minha Jacaré dos Homens é bem pertinho da sua São João da Tapera, não posso negar que torço para Cleiton, um dos grandes embaixadores do nosso futebol nesse século. Torço por ele ─ mas vai ser muito estranho vê-lo de vermelho.

Postado por Painel Esportivo

Sobre o futebol, sobre a vida: o Painel Esportivo nasceu

07.05.2018 às 14:40
Estádio Rei Pelé( Trapichão)


Sempre, ao escrever um texto, eu me imagino no túnel de acesso ao gramado de qualquer estádio do mundo. Digo qualquer porque, à vera, todos os estádios do mundo são iguais. Bom, me explico: podem ser diferentes em tamanho, capacidade de público, em sua arquitetura. Mas, em essência, são todos iguais. Em todos há traves, travessões, linhas de cal marcando o chão. Há sempre uma arquibancada.

Sempre onze de um lado e onze do outro. Sempre juiz, bandeirinhas, quarto árbitro. Sempre torcedores em êxtase, gritando na arquibancada, como que enfeitiçados. Em resumo, todos os estádios são um corredor imenso de grama cercado de arquibancadas cheias de gente. Costumo pensar assim, e talvez por isso eu não enxergue lá tanta diferença do Santiago Bernabéu pro Trapichão, por exemplo.

Escrever é, sempre, muito parecido com jogar futebol. É preciso pensar rápido, ter a manha e a ginga. Escrever, apesar disso, sempre é muito difícil – exatamente como o futebol. E sempre que é sofrido, é muito melhor.

Talvez prefira, ainda por isso, o Trapichão mesmo.

O Trapichão, o Estádio Rei Pelé, é onde vivi algumas das maiores emoções da minha vida. E esse lugar, este nome, está, ao lado do CSA e do CRB, entranhando na minha alma e, principalmente, nas minhas memórias. É possível crescer em Maceió e não ter toda a sua juventudade inundada nessa névoa densa, azul e vermelha, que é o futebol de Alagoas? É possível ir, pela primeira vez, ao Trapichão e sobreviver a isso?

É quase uma experiência religiosa – e eu nunca esqueço da minha primeira.   É possível estar no meio daquele povo todo, cantando a plenos pulmões, dançando com a charanga, dando dois reais ao pipoqueiro, e não ter a sua vida mudada por completo? Talvez seja, mas comigo não foi. Desde que fui atingido pelo vírus do futebol alagoano, não me recuperei. E ele me atingiu de tal forma que a minha vida profissiona também foi afetada: a minha escolha de seguir o caminho do jornalismo se deu muito em função dessa doença.

O Painel Esportivo é, portanto, a nova parada deste caminho. É a próxima fase do mata-mata. Aqui, eu vou falar, principalmente do futebol alagoano e dos nossos clubes. De suas vitórias, mas também dos seus problemas técnicos, táticos, políticos. Quem já me leu conhece a minha perspectiva: eu acho que o futebol explica o mundo e a vida – seja ela dos “grandes” ou dos “pequenos” homens.

Vale lembrar que a Copa do Mundo está se aproximando e isso dará um argumento a mais para este humilde blog de um humilde autor. Também me dedico à ficção, lancei um livro de ficções com futebol há três anos, e não se surpreenda se, vez por outra, algo meio estranho aparecer por aqui. Mas sempre faz sentido no final – e isto é uma promessa.

Escrever sobre futebol sempre foi o que mais gostei de fazer e eu fico feliz de poder fazê-lo agora num portal tão competente e importante quanto o Painel Notícias. Então, sem mais delongas, o juiz apita. Nosso jogo começou – e eu espero que estes noventa minutos demorem bastante.

Postado por Painel Esportivo


Painel Esportivo por Mateus Magalhães

Maceioense, 20 anos, cursando o sexto período do curso de Comunicação Social  na UFAL. É apaixonado pelo futebol, pela cultura e, principalmente, pela união das duas forças. Acredita que o futebol explica o mundo, os povos e os seus costumes. Atuou como repórter especial da Rádio CBN Maceió durante a Copa do Mundo de 2014 e foi fundador e colunista do extinto portal Toca e Passa, um dos mais importantes do jornalismo esportivo independente do Brasil, durante o seu período de atuação. Premiado duas vezes pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, lançou os livros “Quem tabelar com Toni ganha um Fusca”, de crônicas futebolísticas, e “Malu e a bagaceira”, de poesia. 

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