Dólar com. R$ 3,849
IBovespa +2,02%
17 de julho de 2018
min. 19º máx. 29º Maceió
chuva rápida
Agora no Painel Operação da PF cumpre 173 mandados em Alagoas e mais cinco estados
18/06/2018 às 12h06

Blogs

Painel na Copa #1: Islândia, México, Brasil


Amigo, o meio de Junho chegou e agora a brincadeira acabou de começar. Desde a final da última Copa do Mundo, no Maracanã,  , muita coisa aconteceu. Na vida pessoal de todos nós, no dia a dia do nosso país, no dia a dia do planeta. Donald Trump e Kim Jong Un, que não há muitos meses brigavam pra ver quem tinha o maior botão disparador de mísseis, andaram apertandos as mãos por aí. O mundo não é mais o mesmo ─ e até o futebol, inclusive, anda bem diferente.

O tal do VAR, o árbitro de vídeo, já mostrou que representa para o futebol o mesmo que François Villon representou para a poesia: depois de sua passagem, nada permanecerá igual. Quando Andrés Cunha, o árbitro uruguaio que apitou o duelo entre França e Austrália, lentamente retirou-se do meio das quatro linhas e foi ao canto do campo conferir o lance na televisão, me senti assistindo a outro esporte. O VAR talvez seja, portanto, a mais importante revolução do universo futebolístico desde o carrossel holandês de 1974. E é, para mim, essencial ao desenvolvimento do esporte.

Parte da comunidade do futebol é contra a inovação, apegando-se a um suposto charme que há nos erros de arbitragem e dizendo que, assim, dispara-se um tiro de morte na emoção que há no esporte. Concordo que, de fato, o futebol é movido pela emoção. Mas me pergunto se quem diz que o VAR acaba com ela assistiu ao confronto entre México e Alemanha. Quando a bola beijou a grama nessa partida, nem o mais otimista mexicano do mundo poderia prever o que estaria acontecendo dali a noventa minutos.

O México não só abriu e segurou o placar até o fim, mas também bagunçou a cabeça do time alemão, que, desequilibrado, apresentou um time frágil e claramente inferior ao da Copa passada: Kimmich não faz nem sombra ao saudoso Lahm, que é talvez o grande lateral-direito do futebol moderno. Schweinsteiger faz falta à meia, que já não transiciona tão bem quanto antes.

Os nossos irmãos, porquem somos irmãos todos os subdesenvolvidos, fecharam bem os europeus e saíram com força nos contra-ataques. Quando o juiz apitou o fim do jogo, estava montado o milagre: o futebol é um presente. Com o futebol, nós podemos mostrar ao mundo civilizado, ao primeiro mundo, que nós existimos. Nem que seja só por noventa minutos. Nem que seja só com a bola nos pés.

Bola nos pés que não bastou à Argentina para derrotar a Islândia. Mesmo com o domínio absoluto da posse de bola, os hermanos encontraram pela frente onze jogadores que pareciam praticar não o futebol, mas outro esporte: a intensidade do time islandês, alinhada à sua força física, ao seu tamanho e à sua velocidade, fez com que os vikings engolissem os argentinos sempre que tinham a bola consigo. É vero que eles pouco a tinham, mas quando tinham, estraçalhavam. À maneira dos times africanos, mas sabendo recompor e jogando com o cérebro. Futebol é, cada vez mais, inteligência. Inteligência e intensidade.

Intensidade esta que a Seleção (com S, maiúsculo, que só a brasileira tem) não conseguiu apresentar no chocho empate em um a um com os suíços. Apesar do golaço de Coutinho e da atuação sólida de Casemiro, não foi apresentado o futebol necessário para estrear com vitória. Tenho visto muita gente desesperada e já raivosa com o Neymar, com o time, com o Tite. Mas eu lhes peço calma, caros corneteiros, e acredito que posso explicar os problemas e garantir que há solução. Em poucas linhas, na verdade. Então respira fundo e vamos devagarzinho.

Se a ausência de Daniel Alves prejudicasse apenas a lateral-direita, estaríamos bem demais. O problema é que afeta o lado esquerdo, o miolo do campo e o esquema tático em geral. A grande função de Willian em campo consistia em dar amplitude a ele: expandia o campo e, ao ver Daniel avançando às suas costas, lhe passava a bola, para que ele entrasse na área e construísse a jogada com Paulinho ou com Gabriel Jesus. Agora, com a presença de Danilo, perdemos muito. Porque, é óbvio, Danilo não joga à maneira de Daniel: o que, no esquema, acabou matando o lado direito e do Brasil e, por tabela, sobrecarregando o lado esquerdo.

Como o time adversário não precisa dar tanta atenção à direita, fica mais fácil pra dobrar a marcação do outro lado. E marcado por um, e com dois, e às vezes três na sobra, nem Pelé, nem Maradona, nem Messi e nem Cristiano Ronaldo fariam muita coisa. E o Neymar não foge à regra. Mas o negócio é o seguinte: sem chororô, sem frescura, mais do que nunca precisamos fazer o feijão-com-arroz com o que temos. O negócio tem solução.

Danilo não pode ser jogado no lixo porque joga diferente do Daniel, mas o Tite, se não conseguir adaptar o esquema do time à nossa nova realidade, pode. Danilo não joga à maneira de Daniel, mas pode ser muito útil num time com um meio mais robusto afunilando para o meio, cobrindo o meia que avança pela direita e dando ainda mais liberdade às ferozes subidas de Paulinho, que funcionaram no início do primeiro tempo. Na minha visão, sai o Willian, que está sem função com a ausência de Daniel Alves e, no novo esquema, funcionaria melhor como alternativa pro segundo tempo.

E quem entra, pra mim, é o Fred, que tem muita mais mobilidade, pulmão e é muito mais agudo que Renato Augusto. Com ele, ganharíamos poder na composição do meio-campo e não perderíamos a velocidade pela ponta-direita. Ele é o meia que falei lá em cima: o que deve trocar de posição com Danilo, quando este for compor as subidas do time ao ataque.

Mas enfim, o Tite não vai jogar assim. Vai entrar com o Renato. Vamos sofrer, mas acredito que continuamos com grandes chances. Se encaixarmos o contra-ataque, amigo, ninguém segura.

Sobre o VAR: apesar de ter achado falta no Miranda, o que mais me incomodou foi a disposição da defensiva brasileira no lance. Não só a inocência de Miranda, que cometeu erro infantil ao marcar só a bola pra tentar antecipar a jogada, mas também o relapso Thiago Silva e a falta de noção no posicionamento defensivo do Menino Jesus contribuíram pro gol. Alisson, mesmo com tantos brasileiros na área, poderia ter saído no soco e evitado o pior. Afinal, na pequena área quem manda é o goleiro e ele não podia ter ficado debaixo dos paus.

Mas o VAR, aí sim, tem culpa no pênalti não marcado sobre o nosso camisa nove. Foi pênalti, mas muito pênalti!

O próximo adversário é a Costa Rica, que demonstrou um futebol muito abaixo do que apresentou na Copa passada. Ganhar é muito mais que necessário. Se o VAR não nos ajudar, que pelo menos não nos atrapalhe. E a nossa disposição tática, e principalmente ela, também.


Painel Esportivo por Mateus Magalhães

Maceioense, 20 anos, cursando o sexto período do curso de Comunicação Social  na UFAL. É apaixonado pelo futebol, pela cultura e, principalmente, pela união das duas forças. Acredita que o futebol explica o mundo, os povos e os seus costumes. Atuou como repórter especial da Rádio CBN Maceió durante a Copa do Mundo de 2014 e foi fundador e colunista do extinto portal Toca e Passa, um dos mais importantes do jornalismo esportivo independente do Brasil, durante o seu período de atuação. Premiado duas vezes pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos, lançou os livros “Quem tabelar com Toni ganha um Fusca”, de crônicas futebolísticas, e “Malu e a bagaceira”, de poesia. 

Todos os direitos reservados
- 2009-2018 Press Comunicações S/S
Tel: (82) 3313-7566
[email protected]