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26/04/2017 às 18h09

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Por que o Vestibular não cumpre seu papel?

Danieli Scapin*

Tudo neste mundo tem prazo de validade, até mesmo grandes ideias e modelos que, por muito tempo foram sinônimos de sucesso. E o principal motivo diz respeito aos usos e costumes que, aliados ao tempo, são os grandes responsáveis pela transformação do pensamento, das atitudes, dos conceitos, das ideias, da razão, enfim, de toda a visão de uma sociedade e da forma como ela se organiza.

Não poderia ser diferente com os modelos educacionais e seus respectivos processos de avaliação. Neste artigo irei me ater à principal porta de ingresso ao ensino superior: o vestibular. Nascido em 1911, ano em que se tornou obrigatório, o Vestibular vem de “vestíbulo”, “ ante-sala” . E, apesar de não ter mudado de nome com o decorrer do tempo, passou por diversos formatos. O que está vigente hoje, foi instituído pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no ano de 1996, que permitiu que cada escola optasse por critérios próprios de avaliação, que devem estar previstos em seus editais.

Mas apesar de muitas remodelações deste método ao longo de pouco mais de um século, o Vestibular está muito longe de ser um processo avaliativo eficaz e seguro. E o principal motivo é que, na maioria das vezes, ele não consegue cumprir sua finalidade primordial: a de selecionar os melhores alunos para ingresso no ensino superior. Porém quando tentamos analisar os porquês da falência do Vestibular, percebemos que o problema é muito mais complexo do que imaginávamos, pois está diretamente ligado ao método de ensino e aprendizagem e principalmente à enorme quantidade de conteúdo programático obrigatório ministrado nos anos que antecedem ao ensino superior e que são aleatoriamente escolhidos e cobrados no Vestibular.

E é aí que percebemos a enormidade de conteúdo desnecessário ministrado nas escolas. Isso faz com que, ao invés de o aluno ter profundo conhecimento de conteúdos necessários e que farão diferença em sua futura profissão, ele acabe por ter raso conhecimento de um todo desnecessário e que, em grande parte, jamais será aplicado seja em sua vida profissional seja no dia a dia.

O que deve ser ministrado em sala de aula, são conteúdos que, após uma profunda análise feita por especialistas educacionais, sejam considerados determinantes para a formação do aluno, porque é humanamente impossível ter vasto conhecimento de uma área específica, quando tantos conteúdos são igualmente cobrados nos Vestibulares.Da forma como ocorre nos dias atuais o Vestibular se tornou uma loteria. Obtém sucesso nos exames o gênio ou o sortudo que sabia um pouco mais daquele conhecimento específico, que aleatoriamente caiu na prova, e que, na maioria das vezes, não será aproveitado em sua futura profissão.

Por isso, em minha opinião, se torna tão necessária uma reforma educacional em praticamente todos os níveis. Inclusive e principalmente nos conteúdos programáticos dos ensinos fundamental e médio. Após esta revisão, que determinaria quais conteúdos seriam ministrados e em que séries, limitando-os por grau de importância, passaríamos a uma nova remodelação do Vestibular que, para ser mais eficaz, deveria ser por área de formação e conhecimento.

Dessa forma, teríamos alunos com profundo conhecimento em áreas específicas e correlatas ao curso superior e, como consequência, futuros profissionais mais competentes, com formação humana, comprometidos, engajados na sociedade e realizados. Quando atingir este nível, o Vestibular terá cumprido seu papel de selecionar os melhores.


*Advogada e empresária. Fundadora da ex- Faculdade Seama. Palestrante da Insperiência, onde aborda sobre o tema e o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.



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