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29/10/2014 às 22h44

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A culpa é dos nordestinos?

 
 
*Letícia Leal
 
No último domingo, dia 26 de outubro de 2014, ocorreu a eleição de 2º turno para presidência do Brasil; como o voto é obrigatório, todos os brasileiros – excluindo os que iriam justificar ou os que não são obrigados por lei a votar – tiveram de sair de suas casas para ir até as urnas tomar a decisão de quem governaria a República pelos próximos quatro anos.
 
Durante toda a campanha eleitoral, o Brasil se mostrou bem dividido; foi, de fato, uma eleição extremamente disputada, como se provou ao sair o resultado. Foi uma campanha, atrevo-me a dizer, bastante violenta. Os debates foram intensos, propostas foram mostradas e “ataques” foram feitos através dos meios de comunicação, em todo o Brasil. Foi, sim, uma eleição que não é tão comum e muito acirrada.
 
Pois bem, os resultados saíram e nossa atual presidente do Brasil, Dilma Rousseff (PT), foi reeleita por mais quatro anos. Como citado anteriormente, o resultado da eleição mostrou que o Brasil se mostrou muito dividido, e a diferença dos votos foi muito pequena: segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 51,64% de brasileiros votaram em Dilma e 48,36% votaram em Aécio Neves (PSDB). Na maioria dos estados, foi também bastante acirrado, apesar de alguns estados terem mais votos do que outros, como se mostrou na maioria do Nordeste.
 
Isso gerou certo incomodo para parte das pessoas que moram na região Sudeste, principalmente, fazendo-as mostrar seu transtorno, por exemplo, nas redes sociais, xingando os nordestinos de termos impróprios e não civilizados, já que, na visão deles, a única razão para se votar na Dilma nesta região é a existência do programa social “Bolsa Família”.
 
O Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza em todo o país. É um programa que, infelizmente, ainda é necessário e que atende um público de, mais ou menos, 46 milhões de pessoas, distribuídas por todo o país.
 
A maioria das pessoas atendidas por ele concentra-se no Nordeste, apesar de Minas Gerais estar em segundo lugar referente ao número de usuários, e como ele é visto por muitos como um programa que “sustenta vagabundos” e não como um programa de inclusão social das pessoas que vivem em pobreza extrema e que precisam de auxílio governamental para não – literalmente – morrerem de fome, nossos amigos do Sudeste/Sul do Brasil acham que essas pessoas levaram o país à “ruína” por ter reeleito a Dilma (o programa vigorou muito durante seu governo).
 
Então, começou uma onda de raiva dessas pessoas para com os nordestinos. “A culpa é deles!” e muitas coisas mais. Será que, numa votação democrática, alguém realmente devia ter culpa de alguma coisa?
 
Ora, não é segredo para ninguém que o preconceito dessas regiões para com o Nordeste existe, e há muito tempo. Infelizmente, o nosso processo histórico os levaram a isso, sendo – inclusive – um problema social não solucionado pelo nosso Estado. E, volta e meia, arruma-se motivos aleatórios a fim de insultar a região com mais estados no país.
 
Não vim aqui para falar do resultado das eleições, nem o que seria melhor ou pior para o Brasil. Não vim tentar discutir sobre as políticas que serão adotadas pela presidente e as que poderiam ser. Vim falar justamente do preconceito de parte das pessoas do Sudeste/Sul para com as regiões Norte/Nordeste. Este preconceito ocorre sempre, por diversos pretextos arrumados por essas pessoas, mas que acontece há muito e muito tempo.
 
Não há culpa de ninguém nessas eleições. Cada eleitor teve sua escolha, seu voto e sua chance de escolher entre dois candidatos. Foi uma eleição acirradíssima, com uma diferença de votos muito pequena para um nível nacional, mostrando que o país realmente estava muito dividido. A história de que a culpa, como se fosse de fato uma culpa, da reeleição de Dilma Rousseff é do Nordeste porque, teoricamente, os nordestinos só votaram nela por conta do Bolsa Família. Essa história de “vou embora do Brasil pra não aguentar mais quatro anos de Dilma já que esses paraíbas são burros e não tenho nada a ver com isso” é, realmente, indignante, até porque o Nordeste tem nove estados, e a Paraíba é apenas um deles.
 
Numa democracia, a maioria vence. Decerto que, como o voto no Brasil é obrigatório, há muita coisa que poderia ser discutida, mas o meu ponto não é esse. A mudança no Brasil não tem que começar por quem assume a presidência da república: tem que começar pelo brasileiro. Já que o Brasil é composto de cinco regiões, estas cinco regiões possuem os mesmos direitos e são brasileiras igualmente. Ter esse preconceito antigo que não tem serventia para nada e só cria caos e desordem não tem ponto nenhum. Querer jogar a culpa no próximo, isso é coisa de Homer Simpson, senhoras e senhores; como ele já dizia, “a culpa é minha e eu jogo em quem eu quiser”. Se você quer mesmo mudar o país, comece mudando por você. A discussão desta eleição é só mais um dos pretextos arrumados por algumas pessoas do Sudeste, mais uma vez, para mostrar que ainda existe esse preconceito para com os nordestinos.
 
Quer mesmo ver uma mudança no país? Comece virando brasileiro, e tentando mudar essa opinião tão sem fundamento; afinal, como se muda um país continental com um pensamento tão pequeno e fechado como esse?
 
Moro no Nordeste há 15 anos, apesar de ser carioca, e posso afirmar veementemente que o Nordeste é, sim, tão brasileiro quanto todo o resto do Brasil. Os números foram acirrados, o país inteiro estava dividido, mas não são os números da eleição que provam a mudança – quem faz isso é o cidadão brasileiro.
 
 
*Estudante de Economia da Ufal


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