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17/06/2017 às 13h53

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Em entrevista, Joesley Batista acusa Temer de "chefiar organização criminosa"

Danilo Verpa/Folhapress


Entrevista bombástica

A revista Época divulgou ontem (16) uma entrevista com o Joesley Batista, um dos proprietários do grupo J&F, controladora da JBS. Na entrevista Joesley  revela com detalhes a “relação” do executivo com as propinas. Para Joesley, Michel Temer é “o chefe da maior e mais perigosa organização criminosa” do país.


Relação “institucional”

Joesley Batista detalha como foi o início de sua relação com Temer  em 2009/2010, quando se conheceram por meio do ex-ministro da Agricultura Pecuária e Abastecimento Wagner Rossi,durante os governos de Lula e Dilma. Segundo o empresário, nunca houve um laço de amizade, e sim “institucional”.


“Dinheiro desde o início”

Segundo Joesley, o presidente o via como um empresário que “poderia financiar suas campanhas e fazer esquemas que renderiam propina”. Mesmo sem muita “intimidade e afeto”, o executivo da JBS afirmou que sempre teve total acesso a Temer, os dois sempre se conectaram diretamente para conversar ou marcar encontros..

O executivo também afirmou que, desde o início da “relação” Temer pede dinheiro. “Há políticos que acreditam que pelo simples fato do cargo que ele está ocupando já o habilita a você ficar devendo favores a ele. Já o habilita a pedir algo a você de maneira que seja quase uma obrigação você fazer. Temer é assim”, afirmou.


Pedidos diversos

Segundo o dono da J&F, o presidente o fez diversos pedidos. Alguns  para financiar sua campanha, oferecendo algo em troca.  Em outras ocasiões os pedidos vinham sem nenhuma explicação e sem oferta de favores por parte de Temer.

Joesley cita o caso do jatinho da JBS, emprestado ao peemedebista. “Eu preciso viajar, você tem um avião, me empresta aí”, contou ele, se referindo a maneira como Temer se referia a ele.


Atendendo ao PT

Joesley  confirmou a briga por dinheiro dentro do PMDB na campanha de 2014, revelada por Ricardo Saud, executivo da JBS o que também colabora com a Polícia Federal nas delações  da Operação Lava Jato.

“O PT mandou dar um dinheiro para os senadores do PMDB. Acho que R$ 35 milhões. O Temer e o Eduardo descobriram e deu uma briga danada”, declarou.

Após a descoberta, Cunha e Temer pediram R$ 15 milhões a Joesley e foram atendidos.. Foi nessa época que Temer, afastado, voltou à presidência do partido.


Cunha “subordinado” a Temer

Joesley revelou que a relação do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha com Michel Temer foi sempre de subordinado. “Funcionava assim: primeiro vinha o Lúcio (o operador Lúcio Funaro). O que ele não conseguia resolver pedia para o Eduardo. Se o Eduardo não conseguia resolver, envolvia o Michel”, disse ele.

 Muitas doações, segundo Joesley, eram tratadas diretamente com Temer, geralmente as relacionadas a disputas internas e favores pessoais, mas outras eram acertavas com Funaro e Cunha.


Temor ao “achaque”

O fato do trio estar envolvido “no FI-FGTS, na Caixa, na Agricultura, todos os órgãos onde tínhamos interesses” preocupava o empresário. “Eu morria de medo de eles encamparem o Ministério da Agricultura. Eu sabia que o achaque ia ser grande. Eles tentaram. Graças a Deus, mudou o governo e eles saíram.”


Organização Criminosa

Ao afirmar que Temer era o “chefe da quadrilha”, Joesley reforça que os peemedebistas Eduardo Cunha, Eduardo Henrique Alves, Geddel Vieira Lima, Padilha e Moreira Franco eram os membros da “organização criminosa”.

“Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles. Nunca tive coragem de brigar com eles. Por outro lado, se você baixar a guarda, eles não têm limites. Então meu convívio com eles foi sempre mantendo à meia distância: nem deixando eles aproximarem demais nem deixando eles longe demais”, declarou.


Refém

Durante sua delação a PF, Joesley confirmou que pagou pelo silêncio de Cunha e Funaro enquanto os dois estavam presos.  “Virei refém de dois presidiários. Combinei quando já estava claro que eles seriam presos, no ano passado”.

Cunha , alegando uma dívida de Joesley,  pediu R$ 5 milhões, “Não devia, mas como ia brigar com ele?”. A verba foi paga ao longo de 2016, para um mensageiro de Cunha, Altair Alves Pinto. Com Funaro a relação foi parecida, assim que o doleiro foi preso, Joesley pagava o dinheiro para os irmãos dele.

Cunha e Funaro sempre diziam que estariam juntos de Joesley. Que não iriam delatá-lo nunca. “Sempre me mandando recados: ‘Você está cumprindo tudo direitinho. Não vão te delatar. Podem delatar todo mundo menos você’. Mas não era sustentável. Não tinha fim. E toda hora o mensageiro do presidente me procurando para garantir que eu estava mantendo esse sistema”. O mensageiro era Geddel, que de 15 em 15 dias o procurava.


Depoimento

Na última sexta-feira (16), Joesley prestou um novo depoimento à Polícia Federal, que colabora com as investigações que acusam Temer de corrupção passiva, obstrução de Justiça e organização criminosa.

Conforme decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, o caso deverá ser concluído até a próxima segunda-feira (19). Com o resultado do inquérito, que utilizará os depoimentos de Joesley Batista e outros executivos da JBS, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot irá apresentar sua denúncia contra Temer.


*Com informações da revista Época


Painel Político por Redação

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