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13/02/2018 às 11h00

Geral

Amor na adolescência: As consequências do 'coração partido'

O primeiro grande amor fica sempre na memória, mas o ponto final pode trazer sérias consequências para a saúde

É na adolescência que as emoções andam sempre à flor da pele. A oscilação hormonal constante é um trampolim para estados emocionais extremos e para a chegada daquele que é o primeiro amor, um sentimento que tende a ficar na memória, mas que pode trazer sérias consequências.

“Sabe-se que a adolescência traz com ela vários desafios do desenvolvimento individual e psicossocial, onde se inclui o processamento de emoções intensas, em particular as desencadeadas pelos ‘primeiros amores’. A capacidade de se apaixonar e de se envolver numa relação amorosa é um importante marcador do desenvolvimento, quer identitário, quer da intimidade com o outro”, começa por nos explicar Maria Laureano, pedopsiquiatra da Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra, em Portugal, em um artigo de opinião enviado à redação.

É nesta fase de desenvolvimento que os pais começam a centrar as atenções nos alertas para o perigo do sexo desprotegido, contudo, “a verdade é que as consequências emocionais podem ser igualmente perigosas”.

“É importante educarmos para os afetos. São estes que nos ligam ao outro, o que sustenta o mundo de relação. As primeiras relações amorosas permitem o início da aprendizagem e treino do que implica e necessita uma relação de intimidade com o outro. Contudo, o tempo de vida do ‘primeiro amor’ é habitualmente limitado e o seu fim quase sempre desencadeia momentos críticos, na vida do adolescente”, destaca, frisando que “o fim de uma relação amorosa nunca é fácil, nem simples diria, independentemente da idade”.

“Os adolescentes, em particular na segunda etapa da adolescência (entre os 13-15 anos), tendem a equiparar os relacionamentos afetivos românticos com a aceitação social no grupo de pares. Assumem que quem tem relações afetivas românticas são indivíduos com maior maturidade e mais desejáveis do ponto de vista social. Não é incomum observar, que quando um adolescente termina uma relação amorosa se sente socialmente excluído. Em parte, porque muitas vezes houve um grande investimento no par amoroso, levando a um afastamento do grupo de amigos, ou por procurarem ativamente evitar determinados momentos sociais onde têm receio de reencontrar o ex-par amoroso”, observa a especialista.

E que consequências isso pode ter? Muitas, na verdade. Além do afastamento social durante o namoro e depois do fim do compromisso, os adolescentes “experienciam estados emocionais intensos, por vezes, pautados por sentimentos de fracasso, rejeição e abandono. Associadamente podem surgir sintomas físicos de diminuição de energia, apatia, dificuldade em retomar atividades rotineiras, alteração do apetite e do padrão de sono”, alerta.

De acordo com a especialista, “estes sintomas e dificuldades vivenciadas podem apenas constituir reações de ajustamento transitórias ou podem assumir contornos patológicos, com o surgimento de Perturbações do Sono, Perturbação de Ansiedade, Episódios Depressivos (pontualmente associados a alteração do pensamento com conteúdos delirantes ou alteração da percepção da realidade) ou Comportamentos Autolesivos. São momentos críticos vividos pela família, em que alguns pais lidam com o difícil sentimento de impotência em proteger os filhos”.

Quando o jovem adolescente fica de ‘coração partido’, cabe aos pais e profissionais médicos “ouvir de forma empática, sem críticas ou julgamentos é o melhor que podemos fazer por eles”. A ajuda especializada pode ser também uma alternativa válida, sendo importante procurar ajuda na área da saúde mental, em que os profissionais “saberão fazer a distinção entre situações normativas e patológicas, e destas as que beneficiam com intervenção psicoterapêutica”.


Fonte: Notícias ao Minuto

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