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13/02/2018 às 15h30

Geral

É possível tratar o AVC? Confira cinco mitos e verdades sobre a doença

Médico neurologista explica as principais dúvidas sobre o Acidente Vascular Cerebral (AVC), que figura como a segunda causa de morte mais comum no mundo

 Atingindo a marca de 400 mil casos todos os anos no Brasil3, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) está na lista das principais causas de morte no país4-5, tendo feito, apenas em 2015, cerca de 100 mil vítimas6. Mesmo com números tão alarmantes, muitos mitos cercam a doença: é possível preveni-la? Há tratamento? Todo paciente sofrerá com sequelas? O Dr. João José Carvalho, neurologista e diretor do Programa de AVC do Hospital Geral de Fortaleza, uma referência nacional no atendimento ao AVC, explica as principais dúvidas quanto à doença.

• Existe mais de um tipo de AVC. VERDADE.

O AVC pode acontecer de duas formas: isquêmica e hemorrágica. Responsável por cerca de 80% dos casos, a isquêmica se caracteriza pela obstrução de um vaso sanguíneo no cérebro, bloqueando a passagem de sangue para os neurônios, como são chamadas as células locais7. Nesse tipo de AVC, estima-se que um paciente não tratado perde, aproximadamente, 1.9 milhão de neurônios a cada minuto8.

Já os outros 20% são referentes à forma hemorrágica, em que um vaso sanguíneo se rompe no cérebro, ocasionando sangramento e aumento da pressão dentro do crânio7.

• O AVC acomete apenas pessoas idosas. MITO.

Apesar de o envelhecimento figurar como fator de risco não-modificável para o AVC, sendo que após os 50 anos o percentual de casos dobra a cada década de vida, o AVC pode acontecer em qualquer pessoa e em qualquer idade9. Segundo informações do Ministério da Saúde, por exemplo, foram registradas cerca de 27 mil internações no SUS pela doença na faixa etária de 15 a 39 anos, entre 2014 e abril de 201710.

"Estima-se que 90% dos casos de AVC possam ser evitados. Por isso, é importante prestar atenção aos outros fatores de risco, como hipertensão arterial, colesterol elevado, uso abusivo de bebidas alcoólicas, diabetes, estresse crônico e arritmias cardíacas – tal como a fibrilação atrial", afirma o Dr. João José Carvalho.

• Na maioria dos casos, os sintomas do AVC são típicos, facilitando a identificação da doença. VERDADE.

O AVC se manifesta por um ou mais dos seguintes sintomas: perda de força ou sensibilidade de um dos lados do corpo, dificuldade para compreender o que se fala ou falar, perda visual súbita (sobretudo de um dos olhos), tontura ou vertigem súbitas ou uma dor de cabeça súbita, intensa e sem causa conhecida, segundo o especialista. "Diante de alguém que apresenta um ou mais desses sintomas, é fundamental agir rápido, ligar para o SAMU (192), que irá encaminhar o paciente para o hospital capacitado para o tratamento de AVC mais próximo", orienta o médico.

A fim de conscientizar a população sobre essa ideia, foi desenvolvida pela Rede Brasil AVC e pela Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, com o apoio da Boehringer Ingelheim, a campanha "A Vida Conta – Cada minuto faz diferença". A iniciativa está acontecendo na fanpage da Rede Brasil AVC no Facebook, com materiais educativos sobre a doença.

• Todo AVC deixará sequelas no paciente. MITO.

O Acidente Vascular Cerebral figura como a principal causa de incapacidade global11, entretanto, nem todos os casos deixam sequelas no paciente. "O AVC é uma doença tempo-dependente, por isso, o atendimento rápido ao paciente é fundamental para evitar danos permanentes ao tecido cerebral e, consequentemente, as sequelas", salienta o Dr. Carvalho.

Isso porque há tratamento para o AVC. De acordo com o especialista, para o tipo isquêmico, o mais comum, existe a medicação trombolítica, que atua desobstruindo o vaso sanguíneo entupido e restaurando o fluxo de sangue com oxigênio e nutrientes para os neurônios, podendo ser aplicada em ambiente hospitalar por equipe multidisciplinar treinada em até 4h30 após o início dos sintomas. Já para o AVC hemorrágico, o tratamento inclui medicamentos e até procedimentos cirúrgicos, a depender do tamanho e localização da lesão.

• Nem todo hospital está capacitado para tratar pacientes que sofreram um AVC. VERDADE.

"Infelizmente, nem todos os hospitais estão preparados para receber e tratar pacientes com a doença. A falta de equipe multidisciplinar treinada - composta por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, etc -, de exames de imagem - como a tomografia computadorizada -, além da falta de medicação trombolítica, são obstáculos para o tratamento apropriado dos casos isquêmicos", esclarece o Dr. Carvalho.

Mas o cenário está mudando: desde 2015 existe a iniciativa Angels, idealizada pela Boehringer Ingelheim, cujo objetivo é aumentar o número de centros capacitados para o atendimento do AVC, além de otimizar a qualidade de atendimento das unidades já existentes, por meio de treinamentos especializados. A expectativa é fazer com que os esses pacientes recebam, em qualquer parte do país, o mesmo nível de tratamento. No Brasil, em 2017, cerca de 80 hospitais participaram do projeto.

"Por isso, o ideal é identificar rapidamente o AVC e ligar para o SAMU (192), que irá encaminhar o paciente para o hospital preparado o mais rápido possível", finaliza o médico.


Fonte: Weber Shandwick - Assessoria

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