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09/11/2017 às 11h10

Política

Para onde nos leva a juventude partidária?

Cibele Moura e Juliana Ivo, representantes partidárias deste segmento, dizem a que se destina o voto da juventude

Arquivo Pessoal - Montagem: Painel Alagoas

Em 2016, o número de jovens eleitores, entre 16 e 29 anos de idade, representava 27% do eleitorado nacional, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nesse mesmo ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tinha 51 milhões de jovens de 15 a 29 anos, o que correspondia a um quarto da população do país. Ainda pelos números do IBGE no ano passado, jovens entre 25 e 29 anos significavam 10,83% do eleitorado; de 21 a 24 anos, 8,71% e de 16 a 20 anos, 7,45%.

É evidente que em pouco mais de 12 meses, esses indicadores não sofreram maiores mudanças e que essa população tem poder de definir a eleição do próximo ano. Mas o que pensa e o que quer o jovem brasileiro da política e dos políticos? O Painel Alagoas conversou com Cibele Moura, 20 anos, estudante de Direito, presidente da Juventude do PSDB da Barra de Santo Antônio e Secretária de Formação Política do PSDB Jovem de Alagoas, e com Juliana Ivo, 28 anos, acadêmica de Gestão Pública e Ciências Políticas, membro da Executiva da Juventude do PMDB Alagoas e da Executiva da Juventude do PMDB Nacional. Ambas concordam que o jovem precisa, ele próprio, participar e se representar na política.

Cibele Moura:

“O Jovem clama por mudança”

Painel Alagoas – Aos 20 anos de idade, como é presidir a juventude de um partido político em Barra de Santo Antônio e comandar a secretaria de formação política do PSDB Jovem estadual? Você acha que nesse momento de descrédito geral na política, o jovem ainda se interessa em discutir e assumir posições políticas no Brasil?

Cibele Moura - Comandar uma juventude tão ativa quanto a da Barra de Santo Antonio e compor a juventude estadual, é muito gratificante. O jovem de todo o estado clama por mudança e está disposto a lutar por tal. Com as manifestações de 2013 o jovem se deu conta que o lugar dele é à frente da política, discutindo, cobrando e pondo seu nome à disposição. É nítida a evolução do engajamento da juventude em todo o processo eleitoral. Nas eleições de 2016 a juventude parou de ser encarada como massa de manobra e passou a ser tratada como prioridade por muitos dos candidatos, dada à sua força. É necessário que enxerguemos isso, que o jovem perceba que seu lugar é de protagonismo.

PA – O país vive hoje um clima de confronto entre direita e esquerda, onde o deputado Bolsonaro e o Movimento Brasil Livre (MBL) representam a direita, e Lula e o PT a esquerda. Como você vê essa questão? Você acha isso relevante para a Nação? Lula e o PT ainda simbolizam alguma esperança para os brasileiros? Bolsonaro é o Salvador da Pátria? Onde você se enquadra nessa discussão?

CM- É necessário que enxerguemos além dessa polarização de direita versus esquerda. Muito me preocupa o crescimento de todo e qualquer extremo. Todos os lados possuem pontos bons e ruins e não é odiando um e amando outro que chegaremos a um lugar bom. Todo extremismo deve ser evitado. Afinal, sociedade como a Alemanha Nazista, ou Cuba, que vemos hoje, surgiram porque aceitaram lados extremos. Tanto quanto da polarização, nós devemos fugir dos Messias, pessoas que se colocam como os salvadores da pátria. A verdade é que não é uma única pessoa que irá colocar o Brasil no eixo, o sistema não permite e isso é bom. É importante colocarmos pessoas boas em todas as esferas da administração pública. Para que, assim, possamos evoluir de fato.

PA – O PSDB está no Governo Temer, sob a justificativa da governabilidade. Mas isso é razão suficiente para o partido concordar em “adiar” as investigações contra o presidente? Como a Juventude tucana enxerga a participação do partido em um governo no mínimo suspeito de corrupção?

CM - Vivemos um momento muito conturbado politicamente, disso ninguém tem dúvidas. Aceitar a denuncia contra Temer é sinônimo de aumentar uma crise que já está gigantesca e que atormenta todos os cidadãos brasileiros. Temer tá longe de ser um candidato que a juventude tucana defenderia, eu principalmente, mas é o que temos. Inclusive, nós como juventude, defendemos o desembarque do governo. Acredito que ninguém defenda que ele não seja denunciado e não responda por todos seus atos, mas a pergunta é se o Brasil está preparado para mais um governo provisório. Ao meu ver, não está, 2018 está chegando onde elegeremos um governo realmente legítimo e Temer poderá, finalmente, responder por tudo de errado que cometeu.

PA – Lideranças do PSDB no estado citam seu nome como provável candidata a deputada estadual. Você tem pretensão de disputar um mandato ano que vem? Acha que está preparada para representar o povo no parlamento?

CM - De fato, essa vontade existe sim, é importante que o povo alagoano tenha em suas mãos um leque de opções para que possa escolher as melhores, e é onde quero estar. Sim, sinto-me preparada. Tenho o desejo e a coragem de ir buscar essa vaga para poder representar os jovens e principalmente, as mulheres jovens na ALE. Afinal, quem melhor que o próprio jovem para lutar por nosso futuro?

PA – Você vem de uma família política, seu bisavô, seus pais... A experiência deles inspira você a entrar na política? Você não teme críticas de que esteja na política “empurrada” pela família? O que a leva a gostar de política?

CM - Mais que a experiência, o trabalho deles me inspira. Tenho em casa dois exemplos de prefeitos engajados e comprometidos com seu povo. Meu pai, Abrahão Moura, e minha mãe, Emanuella Moura, me ensinaram muito do que sei e do que acredito, principalmente quando o assunto é trabalho. Muito me orgulha ver a mudança que Paripueira teve em oito anos de gestão e agora a Barra de Santo Antônio, que vem tendo com a que administração de minha mãe. Muitos me perguntam se são meus pais que me colocaram neste "mundo" politico (risos). Mas não é por eles que tô aqui e que participo da vida pública, é pelo povo, é pelo meu desejo de mudança. Apesar de receber todo apoio, eles são, inclusive, críticos a essa jornada, pois sabem as dificuldades e turbulências que esse caminho requer. Então, pode ter certeza que a vontade é minha! Gosto de política pois a vejo como o melhor caminho de mudarmos nossa sociedade, é através dela que temos a oportunidade de transformar o mudo. Longe da política é difícil que ocorra qualquer mudança.

PA - Você acredita que o novo na política apontado em pesquisas de intenção de voto como o “desejo de consumo” do eleitor, é o novo na idade?

CM - A política clama pelo novo e eu acredito que ser novo em relação a pouca idade é mais um beneficio. Afinal, chegamos sem os vícios da velha política, podemos construir a tão falada nova forma de fazer política, junto do povo. Eu, apesar da pouca idade, tenho a experiência de acompanhar os governos de meu pai em Paripueira e de minha mae na Barra, podendo dar dicas e ideias para que juntos possamos mudar a vida daquelas populações.  Então, mesmo com pouca idade, podemos ter sim experiência e contribuir no processo, com uma nova visão e novas praticas. Esse é o novo. 

PA – A pauta da política geral hoje no país é corrupção, como você acha que se combate isso na política?

CM - A Lava Jato e as demais operações vem fazendo um grande favor ao povo brasileiro, mostrando como funciona o lobby politico. Agora, é necessário que o povo brasileiro analise os candidatos, dando oportunidade a quem é novo. Afinal, ser honesto não é característica para político se vangloriar e sim obrigação! A principal arma para combater a corrupção é a atenção dos eleitores para com seus representantes e isso está nas nossas mãos.

PA – Na possibilidade de você disputar e vencer a eleição para a Assembleia Legislativa, o que pretende levar para o seu mandato?

CM - Muito trabalho e transparência, duas coisas simples, mas que faltam a muitos de nossos políticos.  Sofremos com representantes que não representam os anseios de nossa população, algo que precisa ser alterado urgentemente. É importante que tenhamos representatividade. Em uma sociedade onde somos maioria, por que  temos apenas 2 mulheres nas 27 vagas da Assembleia Legislativa de Alagoas? Tenho o desejo e a força necessária para lutar muito, para fazer da ALE um lugar onde o cidadão alagoano tenha seus desejos representados, um local que de fato lute por nossa população. A população alagoana e principalmente os jovens doe nosso estado, podem ter certeza de que chegando lá, caso eu venha a disputar, nosso mandato vai ser pautado na luta e defesa de nosso povo.

Juliana Ivo

“Não vejo 2018 como divisor de águas, como muitos esperam”

Painel Alagoas - No cenário político-partidário de hoje, como os jovens vêem a política, os partidos e especialmente os políticos? O que a juventude pode esperar das eleições de 2018?

Juliana Ivo - O Brasil vive seu bônus demográfico de jovens. Nunca na história teve tanto jovens, somos mais de 50 milhões de jovens na faixa de 15 a 29 anos. Ainda acredito que a participação efetiva dos jovens brasileiros na Política é tímida e se limita apenas às redes sociais, o que, por sua vez, se torna um instrumento de difusão de notícias. Todavia encontramos muitas informações incorretas e até mentirosas, isso faz com que nossos jovens fiquem cada vez mais desacreditados na política e nos políticos. Não vejo 2018 como divisor de águas, como muitos esperam! A reforma política aprovada recentemente, a meu ver, dificulta que novos nomes briguem de igual para igual no pleito. 2018 será diferente na defesa pelas bandeiras, hoje as características e ideologias políticas estão mais aparentes, é o famoso “escolha um lado!

PA - Ainda há vida nas legendas partidárias?

JI - Sim! Existe vida nas legendas partidárias, pelo menos os núcleos do PMDB têm trabalhado pra serem vistos, ouvidos e compreendidos nas novas discussões, foi assim na construção do texto “ Ponte para o Futuro”, e continuamos na construção.

PA- O novo na política, que tanto se fala, significa o que?  Que se deve votar em quem nunca fez política, em quem é jovem? Como mensurar a expectativa da juventude e da população em geral para os candidatos no próximo ano?

JI - Novo na política é nas ideias e nos atos! Na forma de dialogar e entender os anseios da população, temos exemplos claros de senhores com ideais e modo de trabalhar novos, com ferramenta de diálogo, de acesso, de trabalho. Como também temos jovens de idade, com antigas e decepcionantes atitudes no trato político. Temos que entender que política não é uma ciência exata e que o povo brasileiro não vota por partido, ele vota pela pessoa, pelo candidato. Quer votar em um candidato novo? Veja as ideias dele! Gestão, tecnologia e contato permanente com a população é crucial.

PA -Em sua opinião, qual seria o candidato perfeito na eleição do ano que vem, independente do mandato que dispute? É possível traçar um perfil do candidato ideal, daquele que una gregos e troianos?

JI - Se nem Jesus agradou a todos, imagine um candidato! Rs. Mas, para mim, o perfil seria de quem tenha a capacidade de unir Juventude em atitudes e pensamentos alinhados aos anseios da população, e que seja sensível às causas sociais e econômicas, esse seria o ideal! Ouvir e entender o que as ruas dizem é fundamental! Conchavos políticos, negociatas não é bem visto pela população!

PA- A Juventude do PMDB tem se preparado para enfrentar a campanha eleitoral no próximo ano? O partido vai lançar candidatura própria à presidência da República, já há um nome, alianças em vista? Há possibilidade de o PMDB apoiar a candidatura do ex-presidente Lula?

JI - juventude do PMDB historicamente é determinada pela sua garra e força! E atualmente não é diferente, estamos prontos pra ir pro front se for necessário! Sonhamos e ansiamos poder colocar 15 na urna, mas tudo pode acontecer!

PA- Como a Juventude do PMDB analisa o Governo Temer? O que causa a impopularidade dele é a própria gestão, são as denúncias que pesam sobre ele e parte de seus ministros, ou o “carimbo” de “golpistas” que a esquerda lhe conferiu no impeachment da presidente Dilma?

JI - Não posso falar da Juventude do PMDB como um todo, até por que, muitos pensam diferente de mim e será na convenção que alinharemos. Mas ao meu ver, impopularidade do Presidente vem da divulgação e da manipulação de notícias falsas. Posso não concordar com uma parte das posições do governo, mas não posso deixar de acompanhar os avanços econômicos que o Brasil vem fazendo. O terrorismo midiático, a insistência de uma crise política faz com que a figura do Presidente se enfraqueça. Eu costumo dizer que o Governo Federal acerta na equipe econômica, mas erra na equipe de articulação!  Política é uma ciência não exata! Ela é constante,estar antenado e saber interpretar é fundamental! Temos jovens já eleitos em vários partidos que honram a juventude Brasileira, mas podemos ter mais! Basta a juventude se engajar, se capacitar!


Fonte: Painel Alagoas

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