É quase inacreditável que Beatles, Rolling Stones, Mutantes, Deep Purple, Jethro Tull, Yes, Rick Wakeman, Monkees e outros, continuem lançando discos e fazendo turnês mundiais até hoje. Parece até que voltamos ao século passado, mas em pleno 2026, ainda estamos consumindo e prestigiando artistas, já idosos, que fazem parte do nosso imaginário, desde os anos 50/60.
Há quem chame simplesmente de "revival" ou "saudosimo", e sim, faz sentido, mas levando em conta a atual expectativa de vida e os excessos que este pessoal cometeu em décadas passadas, eu acredito que para alguns, seja mais um momento de "despedida", do que um padrão automático de comportamento (grava, lança, viaja). O famoso guitarrista Ritchie Blackmore, fez questão de subir no palco com sua ex-banda, o Deep Purple, recentemente, num ato explícito de despedida, pois enfrenta graves problemas de saúde.
Bandas como o Yes, por exemplo, não tem mais nenhum membro fundador na atual formação. Isto levanta uma série de questionamentos. Em tempos de IA, de streamings com robôs alavancando artistas com fazendas virtuais de visualizações, curtidas e outros, como fica o nosso relacionamento com a música?
Não é fácil organizar tudo isso num breve texto, provavelmente seria material para um livro, mas vamos tentar: por um lado, existe um grande público disposto a consumir os velhos ídolos por qualquer preço, compram discos, boxes especiais, ingressos caríssimos, camisetas, e qualquer coisa que traga de volta os sentimentos da juventude, e a banda nem precisa ter integrantes originais, é como um time de futebol que renova seus jogadores. Por outro lado temos uma nova geração que só consome streamings e redes sociais, que até redescobrem artistas clássicos, mas de maneira bem diferente, como uma moda passageira, uma curiosidade, e isso preocupa muitos.
Por exemplo, a Apple, dos Beatles acaba de fazer uma fusão com a Universal, para lançar 4 filmes sobre cada Beatle, até 2028, e estão criando um museu em Londres, e abrindo uma loja virtual para roupas e merchandising em geral. Obviamente estão de olho nas novas gerações, mantendo viva a "galinha dos ovos de ouro" das famílias (The Beatles).
Já outras bandas preferem ficar mais na estrada, como o Deep Purple, Os Mutantes e o Jethro Tull, e a maioria até lança discos novos, buscando uma longevidade produtiva. Os ex-Beatles Paul McCartney e Ringo Starr também preferem ficar ativos, inclusive os dois lançaram excelentes discos há pouco, além das turnês mundiais. Claro que poucos conseguem recriar a magia de antigamente.
Qualquer banda, inclusive a minha ex-banda, o DeFalla, em menor escala, também passa por este processo, "vai e volta", conforme os altos e baixos do mercado e do interesse popular, e busca um novo público, mais jovem, coisa que nem sempre é fácil. Aqui no Brasil temos várias bandas e artistas que resistem à passagem do tempo, como Roberto Carlos, Paralamas do Sucesso, Blitz, Roupa Nova, Caetano Veloso, Ney Matogrosso e etc...
Falando em longevidade, agora em meados de Agosto, saiu o novo álbum da cultuada banda alagoana, Living In The Shit, "Corais", no qual trabalhei como produtor musical. Faziam quase 30 anos que a banda não lançava um novo disco, e isto ilustra perfeitamente a questão aqui: música não tem idade nem prazo de validade. Enquanto os artistas puderem compor e gravar, a música existirá.
Enfim, a caravana segue, e nos resta aproveitar enquanto podemos, pois a gente nunca sabe quando será o último show do nosso artista predileto, e, no meu caso, qual será a última vez que subirei num palco.
Long Live Rock and Roll!
Castor Daudt Blog
por Castor Daudt
CASTOR DAUDT é gaúcho portoalegrense, jornalista, publicitário, músico, produtor, designer e diretor de arte. Mais conhecido por participar da cultuada banda gaúcha DEFALLA. Atualmente reside em Maceió, mas viaja pelo país, produzindo e participando de shows, eventos, filmagens, gravações e produções em áreas culturais e artísticas.