CASTOR DAUDT BLOG
INFINITAS VOLTAS
Por que bandas e artistas costumam encerrar suas carreiras, e depois voltam atrás, retornando em turnês triunfantes, lotando shows e lançando discos, filmes, documentários? É uma estratégia de marketing, ou um movimento natural e orgânico?
Acredito que não exista uma resposta simples. Talvez isso tenha começado de maneira natural, mas logo os empresários notaram que "fingir uma parada" e depois encenar um retorno funcionava muito bem. O pessoal do KISS faz isso constantemente, há décadas, e ninguém acredita mais nestas paradas. OZZY OSBOURNE fez trocentas "turnês de despedida", antes de voltar com o BLACK SABBATH e excursionar até o seu falecimento, em 2025. O YES e o JETHRO TULL seguem a mesma linha, vêm e vão, embora o YES esteja com uma formação fixa bem sólida nos últimos anos.
Temos recentemente o caso do OASIS, em que os irmãos Gallagher criaram uma rixa "meio imaginária" na mídia e redes sociais, e depois voltaram abraçados nos palcos numa turnê multimilionária. Dizem as más línguas, que o divórcio do Noel Gallagher foi caríssimo, e por isso decidiu voltar com o OASIS, mesmo com sua carreira solo caminhando muito bem, assim como a do seu irmão Liam (claro que o OASIS vende muito mais ingressos).
São vários fatores nesta questão: primeiro, geralmente carreiras solo não juntam tanto público, nem dão tanto retorno financeiro, como a banda original, daí é uma questão de dinheiro, pura e simples; segundo, com o passar do tempo, as brigas e rixas vão ficando para trás, possibilitando a reunião com mais amadurecimento das partes; terceiro, às vezes a banda só precisava de um descanso da rotina de turnês desgastantes, como foi o caso do THE POLICE; quarto, a nostalgia dos fãs contagia as novas gerações, então é comum você encontrar pais, filhos, e até netos reunidos para assistirem a grandes shows.
Eu sempre comento o caso da ótima banda escocesa TEENAGE FANCLUB (nome ruim, som excelente), que NUNCA "acabou", e por isso, talvez foi sendo meio esquecida e deixada de lado no showbizz. Acredito que se eles criassem brigas, escândalos, ou acabassem com a banda, com certeza lotariam estádios numa eventual volta. O som deles é bem similar ao OASIS, e eu pessoalmente até os prefiro. Os JESUS & MARY CHAIN anunciaram uma volta, recentemente, mesmo com problemas similares ao OASIS, de irmãos briguentos. Afinal, os boletos não param de chegar.
Tenho experiência pessoal com isso. Minha banda, o DEFALLA, já acabou e voltou, com tantas formações diferentes, que, sinceramente, perdi a conta. Mas a volta mais "natural" foi em 2011, quando o grande empresário, produtor e radialista gaúcho, Lelê Bortholacci, apostou que os fãs queriam rever a formação clássica do DEFALLA, comigo na guitarra, Flu no baixo e a Biba Meira na bateria, além do vocalista EduK. E acertou em cheio.
Esta reunião até rendeu um disco muito legal: MONSTRO (2016 / Deck Discos), e vários shows pelo país. Foi uma função bem tranquila porque nós estávamos com saudades, uns dos outros, e obviamente, de tocar juntos. Mas a correria das viagens e turnês acabaram complicando de novo. Atualmente, o EduK reformou o DEFALLA, sem mim, nem a Biba, nem o Flu, mas promete novas músicas e shows até o final do ano.
Por coincidência e sincronicidade, a cultuada banda alagoana LIVING IN THE SHIT está voltando, naturalmente, após quase 30 anos, e lançando um disco simplesmente sensacional: CORAIS. Sou suspeito para falar porque trabalhei como produtor musical neste álbum, mas realmente ficou muito bom. Eventualmente faremos uma matéria especial aqui e na revista impressa do PAINEL, porque a turnê de lançamento começa em novembro deste ano, 2026.
Falando nisso, o SKANK acabou, (por enquanto), mas Samuel Rosa continua a fazer shows em carreira solo. Eventualmente haverá uma "volta" do SKANK, pode anotar. Já, os TITÃS acabaram de fazer uma turnê de reunião muito bem sucedida. É um ciclo eterno, enquanto dura.
Enfim, a verdade é que, se existe demanda, o artista ou banda, provavelmente vai voltar, sim, porque com os streamings, a renda de venda de CDs e discos caiu muito, e a solução é fazer turnês e vender ingressos caros (o que é outro assunto polêmico para mais adiante).
Long Live Rock and Roll!
Castor Daudt Blog
por Castor Daudt
CASTOR DAUDT é gaúcho portoalegrense, jornalista, publicitário, músico, produtor, designer e diretor de arte. Mais conhecido por participar da cultuada banda gaúcha DEFALLA. Atualmente reside em Maceió, mas viaja pelo país, produzindo e participando de shows, eventos, filmagens, gravações e produções em áreas culturais e artísticas.