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07/10/2026 às 19h20

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Sincronicidade na Cidade

Corais: o excelente álbum da cultuada banda alagoana "Living in the Shit", que voltou à ativa após 30 anos, está sendo muito bem recebido por público e crítica


CASTOR DAUDT BLOG

SINCRONICIDADE NA CIDADE

  CORAIS: o excelente álbum da cultuada banda alagoana LIVING IN THE SHIT, que voltou à ativa após 30 anos, está sendo muito bem recebido por público e crítica, mas como, e porque, aconteceu este retorno inusitado, em Maceió?

  Para entendermos melhor, vamos voltar ao final dos anos 90, quando vim morar em Maceió. Logo que cheguei, os primeiros músicos alagoanos que conheci foram os caras da banda LIVING IN THE SHIT, os irmãos, Eduardo e Marcelo Quintella (guitarra e voz), o baterista Juninho (Sonic Jr), o baixista Glauber, e foi uma identificação imediata. Além deles conhecerem o trabalho, na época, da minha ex-banda, o DEFALLA, ainda eram nossos fãs, e faziam um som que seguia a mesma linha, de misturar estilos e tendências musicais, e o mais importante: despontavam na vanguarda do Movimento MANGUE BEAT, que tinha o CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI como expoentes máximos.

  O ambiente era de insatisfação social, (como hoje) o país vivia o impeachment do Collor, e Maceió ainda era, em muitos aspectos, uma cidade não muito desenvolvida na área cultural e de shows, mesmo com fortes tradições regionais. Faltava alguém para colocar todos estes elementos num caldeirão sonoro, e foi o que o LITS fez.

  Imediatamente ficamos amigos, e até fui a Recife, com eles, para vivenciar a efervescente cena do Mangue Beat, que reunia várias bandas e artistas nordestinos: o pessoal da banda EDDIE, o MUNDO LIVRE, OTTO, MESTRE AMBRÓSIO, e obviamente o CHICO SCIENCE, que até nos acompanhou na peregrinação por bares, pubs, festivais e ginásios, onde aconteciam vários shows ao mesmo tempo. Uma movimentação realmente excepcional e instigante.

  Eles tinham acabado de lançar o seu primeiro disco, CHÁ MAGIOLÓGICO, mas já estavam com muito material novo, para um segundo disco. Entre participações em shows, e parcerias, eu acabei produzindo a demo QUENTURA, que é considerada um clássico da música alternativa alagoana, junto com a demo posterior CATENGOLOGROOVE. Infelizmente, a banda não chegou a registrar oficialmente este material, e logo se transformou, mudando o nome para BOMBALÁ, com a saída do cantor e compositor, Marcelo Quintella, que foi morar nos EUA.

  O irmão do Marcelo, o guitarrista Eduardo Quintella continuou a trabalhar a banda com o novo nome e fez vários outros projetos, até encerrar (quase) definitivamente as atividades. O tempo passou, mas o público local nunca esqueceu o LIVING IN THE SHIT, pelo contrário, a banda começou a criar uma aura de "cult" e de boas lembranças para todos.

  Pulamos quase 30 anos, e em Fevereiro de 2025, o vocalista Marcelo decidiu vir visitar a família em Maceió, e combinou com o irmão Eduardo, uns ensaios para fazer um show, só para marcar o reencontro. Mas a química dos irmãos é tão explosiva, que imediatamente, estes ensaios geraram uma  grande quantidade de músicas novas e releituras das antigas, o que tornou inevitável e urgente, a produção e gravação de um novo disco. O vocalista Marcelo tomou à frente do projeto e organizou tudo, entre idas e vindas entre Maceió e EUA.

  As músicas das antigas demos tomaram nova forma, e fizeram a ponte entre a sonoridade antiga e a atual, abrindo espaço para novas composições, que soam perfeitas, como um complemento ideal para toda esta trajetória. Uma SINCRONICIDADE inesperada. Os acordes se encaixavam, as letras e a voz do Marcelo faziam o contraponto aos riffs inspirados de guitarra do irmão Eduardo. A batida soava universal, unindo ritmos regionais, tribais, e estrangeiros, numa salada sonora deliciosa, que só o LITS consegue criar. A magia havia retornado.

  Enquanto isso, eu estava dando um tempo nas viagens e projetos que faço pelo Sul e Sudeste, me dedicando a outros projetos, aqui mesmo em Maceió. Um dia, na metade de 2025, recebo uma mensagem pelo whatsapp, do Marcelo, dizendo que este projeto estava acontecendo, que já estavam com o material ensaiado, as músicas novas quase prontas, mas queria um produtor musical para juntar tudo no conceito do novo disco que se chamaria CORAIS. Obviamente eu embarquei de cabeça, como produtor, até porque era um resgate daquelas demos que ficaram soltas no tempo, e mereciam ser trazidas ao público.

  As gravações aconteceram no Tropical Audio Estúdio, do Joaquim Prado, que é um dos melhores estúdios do Estado, com os melhores equipamentos e instrumentos, além da competetência do dono na captação, facilitando demais o trabalho de pós-produção. A mixagem foi feita em Chicago, por Greg Norman, no estudio Electrical Audio, e a masterização por Matthew J. Barnhart.

  Importantes artistas participaram do disco, somando seus talentos ao trabalho: Wado, Fábio Trummer, LoreB, Jurandir Bozo, Wilson Santos, Carlos PXT, Siqueira Lima, o antigo baixista GlauberX, e até dei um jeito de botar uma participação inusitada do EduK (DEFALLA), além da minha própria, cantando uns backing vocals. Enfim, uma mistura deliciosa, que soa rica e diversificada. Não vou entrar nos detalhes de cada faixa, porque acredito que vale a pena ser surpreendido na audição deste discaço, e afinal, a ficha técnica já está ali disponível. Só posso comentar que é inacreditável que se passaram 30 anos entre algumas músicas, pois o trabalho, como um todo, parece coerente e bem resolvido, mesmo dentro da diversidade genial do LITS.

  O disco saiu pelo selo Underground Signal, de NY, já está disponível em todos os streamings, e, em breve nos formatos CD e Vinil. O lançamento oficial acontece no dia 26 de Novembro de 2026, em Maceió, no Rex Jazz Bar, (depois em Aracajú), com a parceria dos pernambucanos da BANDA EDDIE, expoente do Mangue Beat, que também está lançando novo álbum. O guitarrista Eduardo Quintella não poderá participar, mas a nova formação da banda está impecável. Obviamente estarei lá para fazer uma participação muito especial nesta função incrível. Até lá!

  Long Live Rock and Roll! 


Castor Daudt Blog por Castor Daudt

CASTOR DAUDT é gaúcho portoalegrense, jornalista, publicitário, músico, produtor, designer e diretor de arte. Mais conhecido por participar da cultuada banda gaúcha DEFALLA. Atualmente reside em Maceió, mas viaja pelo país, produzindo e participando de shows, eventos, filmagens, gravações e produções em áreas culturais e artísticas.

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