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21/10/2026 às 19h00

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Rock é de esquerda, direita, centro ou anarquia?



  Afinal, o rock é de esquerda, direita, centro, ou anarquia?

  Em época de eleição, este assunto sempre transborda, tanto nas redes sociais, quanto nas mesas de bar. Em um mundo altamente politizado e polarizado, todos querem expor suas opiniões, mas será que existe uma resposta final?

  Nascido em meados dos anos 1950 nos EUA, e consolidado na década de 1960, o rock funcionou como trilha sonora de movimentos de direitos civis, contestação à Guerra do Vietnã e à quebra de costumes tradicionais. A primeira música considerada "Rock" da história é "Strange Things Happening Everyday" da SISTER ROSETTA THARPE, de 1944, que era uma mulher negra, mas cristã. As raízes do rock vão fundo no blues, no gospel, de origem afrodescendente, mas com influências do panorama político e social estadunidense, afinal era a época de segregação e início da luta pelos direitos civis, (que continua até hoje, por incrível que pareça), nos EUA e no mundo inteiro. ELVIS PRESLEY fez muito sucesso cantando músicas de artistas e autores afrodescendentes, trazendo o rock para os holofotes da música pop, pois afinal era um "típico rapaz branco americano" cantando músicas das minorias, então era até (quase) bem aceito, pela sociedade conservadora da época.

  Os BEATLES se recusaram a tocar para plateias segregadas em 1964, uma ousadia inédita para roqueiros naquela época. Artistas como BOB DYLAN deram voz ao protesto explícito. Nos anos 1970, o punk (com bandas como SEX PISTOLS, RAMONES e THE CLASH) transformou o niilismo e a antipatia ao status quo em manifesto político direto. Hoje se sabe que dentro destas bandas existiam polos políticos opostos, como se viu recentemente com John Lydon apoiando Trump.

  Durante a década de 1980 e o processo de redemocratização aqui no Brasil, o rock nacional e o punk brasileiro (como RATOS DE PORÃO, OS REPLICANTES, CÓLERA e INOCENTES) usaram suas letras para criticar o regime militar, a repressão e os problemas sociais do país.

  Enquanto isso, outras bandas e artistas preferiam fazer músicas engraçadinhas ou "meio românticas", a maioria politicamente incorretas, esbanjando preconceitos como machismo, homofobia, etc... Mas o BRock sempre foi um movimento mais de classe média, de maioria de homens, afinal, na sociedade brasileira conservadora, mulher não deveria ser roqueira. Ainda bem que tivemos várias mulheres lutadoras, de CELLY CAMPELLO a PITTY, passando por RITA LEE, CÁSSIA ELLER, LUCINHA TRUMBULL e outras. Eu tive o privilégio de participar de bandas com mulheres incríveis, como a LORY FINNOCHIARO, baixista, cantora e compositora, (considerada a "Rita Lee gaúcha"), e a super BIBA MEIRA, aclamada como uma das melhores bateristas do Brasil, além da incrível PAULINHA NOZARI, da LUCIENE ADAMI, da LILA VIEIRA e da PATSY CECATO. Todas elas são exemplo de vida e luta, pela inclusão, diversidade, arte e cultura, para mim. Aprendi muito, e até hoje aprendo demais, com elas.

  Atualmente, a briga é ferrenha nas redes sociais. Enquanto artistas como ROGER WATERS e TOM MORELLO, defendem fortemente pautas esquerdistas sociais, outros como Kid Rock e Kanye West são abertamente adeptos da extrema direita fascista, inclusive o West tinha uma linha de camisetas com a suástica para venda no seu site. Mas na maioria, bandas e artistas se colocam mais à esquerda, por motivos óbvios, como a própria existência e a liberdade de fazer sua arte sem censura, além de lutar pela diminuição da desigualdade social.

  No mundo inteiro, protestos e manifestações acontecem atualmente, lutando por pautas progressistas, direitos civis e etc...

  A importância das eleições de 2026 trouxe muitos artistas e bandas, mais para a esquerda, nem tanto pela identificação política específica, mas para lutar contra a ascenção do fascismo ditatorial da extrema direita, que ganhou força surpreendente no Congresso e nos Estados, no primeiro turno. Foi um sinal de alerta. Precisamos lutar pelas pautas progressistas, contra a desigualdade social, o preconceito, o racismo, a xenofobia, o machismo, a homofobia e etc... Por isso, muitos estão expondo seu apoio à LULA, do PT, que na minha opinião, mesmo que vença as eleições, não vai conseguir governar direito um Brasil quase dominado pela extrema direita bolsonarista.

  Eu já me posicionei apoiando LULA, ao lado de: TITÃS, PITTY, EVANDRO MESQUITA, EDGAR SCANDURRA (IRA), GILBERTO GIL, CAETANO VELOSO, CHICO BUARQUE, SAMUEL ROSA (SKANK), NEY MATOGROSSO, BLACK PANTERA, FERNANDA ABREU, FRESNO, CACHORRO GRANDE, MARCELO D2, BNEGÃO, OS REPLICANTES, MARIA BETHANIA, ANNITA, HUMBERTO GESSINGER, MAX e IGGOR CAVALERA, ANDREAS KISSER (SEPULTURA), DEFALLA, CARLINHOS CARNEIRO, ZECA PAGODINHO, KINGJIM, DEAD FISH, LIVING IN THE SHIT, LENINE, IVETE SANGALO, EMICIDA, JOÃO GORDO (RATOS DE PORÃO), TOM MORELLO (RATM), ROGER WATERS (ex-PINK FLOYD fez até um vídeo apoiando LULA), MARISA MONTE, THE STROKES, R.E.M, OLIVER SYKES, CPM 22, EGO KILL TALENT, NX ZERO, SUPERCOMBO, entre muitos outros. Fico feliz de estar do mesmo lado dos meus ídolos.

  Existe uma ala de roqueiros que defendem a ANARQUIA, ou seja, são contra o sistema democrático, o Estado, e não acreditam em eleições. Embora na teoria pareça uma alternativa "inteligente", diferente e atraente, na realidade não funciona, pois vivemos num mundo capitalista injusto, com desigualdades sociais crônicas e gigantescas. A única maneira de garantir o mínimo de direitos civis e trabalhistas, por enquanto, é apoiando governos mais à esquerda, que tenham viés social-democrata. Quem sabe no futuro?

  Concluindo: embora não seja unanimidade, o rock pode, sim, ser considerado mais à esquerda, atualmente.

  LONG LIVE ROCK AND ROLL!

           


Castor Daudt Blog por Castor Daudt

CASTOR DAUDT é gaúcho portoalegrense, jornalista, publicitário, músico, produtor, designer e diretor de arte. Mais conhecido por participar da cultuada banda gaúcha DEFALLA. Atualmente reside em Maceió, mas viaja pelo país, produzindo e participando de shows, eventos, filmagens, gravações e produções em áreas culturais e artísticas.

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