07 de novembro de 2026
min. 23º máx. 32º Maceió
chuva rápida
Agora no Painel IBGE confirma crescimento de 3,4% da economia em 2024
06/11/2026 às 19h20

Blogs

Por que o rock não é mais popular e mainstream?

Divulgação



 O rock continua existindo e insistindo, mas perdeu o posto de hegemonia cultural e comercial mundial, que ocupou no século XX, transformando-se de música pop de massa em um gênero de nicho, focado em catálogo, e grandes turnês nostálgicas.

  No Brasil, o fenômeno é ainda mais acentuado: com exceção de breves janelas (como o auge do chamado BRock nos anos 1980), o rock nunca foi a base hegemônica da indústria fonográfica nacional, que sempre foi dominada por ritmos locais como samba, MPB, sertanejo e, mais recentemente, o funk e o trap.

  Por que?

  Primeiro, houve a perda do papel de contestação. O rock até já foi a voz da rebeldia juvenil, mas esse espaço foi ocupado por gêneros urbanos como o rap, o trap e o funk, que hoje traduzem melhor as dores e a realidade das ruas. Isso aliado à ascensão da produção individual, afinal, montar uma banda de rock exige tempo, espaço, vários integrantes e custos altos com equipamentos. Em contrapartida, gêneros modernos permitem que um artista crie faixas completas sozinho no computador (o som "de quarto") com grande facilidade.

  Houve também uma mudança de gerações e rótulos. Para muitos jovens de hoje, o rock soa como "música de geração passada" ou de "pais", perdendo a força de renovação cíclica entre o público mais novo.

  Outra importante mudança aconteceu no mercado e no consumo, com as plataformas de streaming, redes sociais e a indústria do entretenimento favorecendo singles rápidos, produções pasteurizadas e artistas solo fáceis de moldar para a cultura pop. No Brasil, a dominância de estilos como sertanejo e funk também reduziu drasticamente o espaço do rock no rádio e na TV. Hoje em dia existe um verdadeiro monopólio do "agro-sertanejo", que não deixa espaço para quase mais nada.

  Críticos e artistas — como apontado por nomes do meio como Pitty — apontam que o próprio meio do rock às vezes se tornou hermético e resistente a novas linguagens, embora figuras como Badauí argumentem que a união entre as bandas continua forte nos festivais.

  Nas décadas de 1970 e 1980, o rock e suas vertentes dominavam mais de 60% do Top 100 da Billboard. Hoje, o gênero raramente figura nas primeiras posições globais do streaming ou das paradas semanais, superado com folga pelo Pop, Hip-Hop, Reggaeton e Trap.

  Levantamentos históricos do mercado fonográfico brasileiro apontam que, mesmo nos períodos de maior força (como entre 1965 e 1979), os discos de rock representavam no máximo 4 dos 50 álbuns mais vendidos do país. A fase em que o rock nacional virou música pop de massa durou apenas quatro anos (de 1985 a 1989).

  No Spotify e em outras plataformas, o topo das paradas de rock é dominado por clássicos de décadas atrás (como Bohemian Rhapsody do Queen, ultrapassando bilhões de streams), enquanto novas bandas enfrentam imensa dificuldade de furar a bolha e atingir o grande público jovem.

  Embora festivais como o Rock in Rio levem multidões, a curadoria e a escalação de atrações há muito tempo não se limitam ao gênero, provando que o festival virou um evento pop/diversificado e não um termômetro exclusivo de consumo de rock.

  Sempre bom lembrar da fragmentação, pois o rock se dividiu em dezenas de nichos estanques (metal extremo, indie, progressivo, punk, stoner, etc), diluindo sua força coesa enquanto o pop e o urbano contemporâneo unificaram a linguagem global das redes sociais (TikTok, Reels).

  E finalmente, o "efeito nostalgia" (Classic Rock), onde o público e o mercado passaram a consumir o rock como patrimônio histórico. As pessoas querem ver as bandas que têm 40 ou 50 anos de estrada em estádios (como Iron Maiden, Metallica ou Paul McCartney), mas consomem pouca música nova do gênero.

  Concluindo, embora o rock não seja mais o "carro-chefe" da indústria do entretenimento, ainda mantém muito da sua sua força e do seu prestígio, e, por sorte, temos ainda o privilégio de assistir a shows incríveis e curtir discos surpreendentes, como os 2 últimos álbuns dos Rolling Stones, que não devem nada à sua fase de ouro nos anos 60/70.

  Vamos aproveitar enquanto pudermos!

  LONG LIVE ROCK AND ROLL!

           


Castor Daudt Blog por Castor Daudt

CASTOR DAUDT é gaúcho portoalegrense, jornalista, publicitário, músico, produtor, designer e diretor de arte. Mais conhecido por participar da cultuada banda gaúcha DEFALLA. Atualmente reside em Maceió, mas viaja pelo país, produzindo e participando de shows, eventos, filmagens, gravações e produções em áreas culturais e artísticas.

Todos os direitos reservados
- 2009-2026 Press Comunicações S/S
[email protected]