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Pronação Dolorosa

30.11.2020 às 15:06

Frequentemente chega ao pronto atendimento um pai ansioso, com uma criança no colo, fazendo referência a uma dor e dizendo que o filho não movimenta o cotovelo e antebraço. Em geral, relata ainda que não aconteceu nenhuma queda, só foi um puxãozinho no braço. Nesses casos, uma das possibilidades à diagnóstica é a “Pronação Dolorosa”.

A pronação dolorosa tem como causa um deslocamento da cabeça do rádio na articulação do cotovelo, com repercussão no antebraço, onde o mesmo fica em uma posição pronada (rodado para dentro).

A pronação acontece devido a uma instabilidade decorrente de uma maior elasticidade do ligamento anular ou ao desenvolvimento do rádio proximal incompleto.

Geralmente essa lesão acontece em crianças pequenas com idade de 2 a 3 anos, com uma maior prevalência em meninas.

Normalmente a pronação dolorosa acontece quando a criança é puxada pela mão, antebraço, geralmente em casos casuais, tais como: a criança iria sair correndo e seu responsável puxa o membro superior, ou quando a criança iria cair, ou ao levantar a criança puxando o braço.

Clinicamente, a criança apresenta dor e não vai conseguir movimentar o cotovelo e o antebraço fica em uma posição de pronação. Não se faz necessário o uso de exames complementares para fechar o diagnóstico.

Nesses casos o tratamento é simples, devendo a criança ser encaminhada para um pronto atendimento onde existirá um médico preparado para realizar a manobra de redução, a qual que consiste em realizar um movimento de supinação (mover o antebraço para fora) segurando o cotovelo acometido. Com isso o ligamento volta para o lugar, estabilizando o colo e cabeça radial, melhorando o quadro álgico e retornando o movimento do membro superior acometido de maneira imediata. Normalmente não se faz necessário imobilizar o membro superior da criança. Nem o  uso de medicamentos.

Como prevenção é importante os pais ou cuidadores da criança não puxarem ou levantarem as crianças pelas mãos ou antebraços. Outro fator importante é que a pronação dolorosa não costuma deixar sequelas.

Postado por Dr. Rogério

Concussão cerebral

16.11.2020 às 21:00


A concussão cerebral é caracterizada quando a pessoa apresenta alterações das funções cerebrais após um trauma crânio-encefálico, evoluindo com perda transitória da consciência por alguns segundos ou minutos, podendo, em alguns casos, chegar a 6 horas dependendo da força do impacto na cabeça. 

Na fisiopatologia da concussão cerebral, podemos relatar que acontecem alterações nos neurônios devido a um processo de aceleração e desaceleração do cérebro dentro da calota craniana. Portanto, a concussão cerebral acontece em função de uma força externa direcionada contra o crânio, face e pescoço, resultando na disfunção neurológica rápida e transitória, melhorando em seguida - espontaneamente - e, na maioria dos casos, sem deixar sequelas no cérebro. 

Os sintomas estão relacionados diretamente à força aplicada no trauma, onde pode promover alterações funcionais e ou estruturais. Os principais são: dor de cabeça, náuseas e vômitos, tonturas ou problemas de equilíbrio, visão dupla ou embaraçada, sensibilidade à luz e a ruídos, sensação de atordoamento, sensação de estar mentalmente nebuloso com dificuldade de concentração e de memória.

Atualmente temos o aumento da incidência da concussão cerebral, que acomete tanto crianças como adultos, devido principalmente à prática de esportes de contato, como: futebol, luta marcial, hóquei, futebol americano, entre outros, onde ocorre com certa frequência choque de cabeça com cabeça entre os atletas ou praticantes destes esportes. Vale salientar que a concussão cerebral não ocorre apenas no esporte, temos também os acidentes automobilísticos, motociclístico, ou acidentes domésticos onde pode ocorrer um trauma na cabeça. 

Como tratamento temos como conduta promover o descanso do atleta ou pessoa lesionada, evitando esforço físico, assim como, o esforço mental até cessarem a sintomatologia, podendo usar analgésico. Deve-se evitar o uso de antiinfmatório para evitar risco de sangramento.

Via de regra, a concussão cerebral não provoca alteração estrutural nas células (neurônios) do cérebro, mais podemos utilizar a tomografia computadorizada do crânio em casos mais graves e para afastar outras patologias.

Na grande maioria dos casos a evolução da concussão cerebral é satisfatória, mas em caso mais grave, pode o paciente evoluir com algumas sequelas como: Epilepsia, dor de cabeça crônica, tonturas frequentes, vertigens ou perda da memória. 

Mito ou Verdade: a pessoa que bateu com a cabeça pode dormir? Não há uma contra- indicação absoluta de que a pessoa não pode dormir, entretanto, ao dormir, o exame físico realizado pelo médico fica prejudicado, uma vez que, o médico, não sabe se a pessoa está dormindo ou com “perda da consciência”. 

Portanto, diante de um trauma em crânio independente da intensidade, se a pessoa apresentar alguns dos sintomas apresentados no texto procure um pronto atendimento mais próximo, para que possa ser examinado por médico. 

Postado por Dr. Rogério

Artrite Séptica

01.11.2020 às 12:00

É uma infecção provocada por microrganismo, normalmente uma bactéria, que invade uma articulação produzindo, inicialmente, uma infecção nas articulações articulares, evoluindo com uma resposta inflamatória pelo sistema imunológica. Resulta na presença de secreção purulenta dentro da articulação.

A incidência da artrite séptica varia muito, podendo variar de 2 a 10 pacientes para cada grupo de 100.000 habitantes/ano. Tem uma taxa de mortalidade ainda elevada, principalmente quando não abordada de maneira adequada e rápida, ou o quando paciente apresenta outra comorbidade associada. Pode acometer qualquer articulação, sendo as principais, as  articulações do joelho e do quadril. Acomete paciente de qualquer idade, entretanto existem dois grupos mais propensos: às crianças/adolescentes e os idosos.

Os sintomas vão depender da articulação envolvida, de uma maneira geral, encontramos: dor que piora aos movimentos da articulação, calor local, podendo ter febre e mal estar geral, a região articular fica avermelhada, apresenta aumento de volume decorrente da presença da secreção purulenta intra-articular, podemos encontrar sinais e/ou sintomas gerais como fraqueza e cefaleia. O início desta sintomatologia pode ser rápido.

Como agentes infecciosos, têm: fungos, parasitas, vírus e principalmente bactérias gram-positivas, em especial os Staphylococcus Aureus. Esses agentes se instalam na membrana sinovial da articulação e se beneficiam de alguns fatores, como: diabetes, imunidade baixa, artrite prévia, infecção em outra parte do corpo como região cutânea, ouvido, garganta, trauma, cirurgia ortopédica prévia como prótese articular.

O diagnóstico é realizado tomando como base a anamnese (relato clinico), o exame físico e alguns exames complementares, como: hemograma, punção articular para colher a secreção para cultura, hemocultura. Pode ser usado também PCR e VHS (são marcadores inflamatórios inespecíficos), entretanto, estes dois últimos exames servem bem para observarmos se a nossa conduta está sendo efetiva, surtindo o efeito esperado, já que no início normalmente os exames estão elevados e, com a nossa terapêutica adotada, seus níveis devem baixar, significando boa resposta com boa evolução do paciente. Exames como ultrassonografia e Ressonância, inicialmente não faz sentido utiliza-los, só em caso especial, quando o quadro clinico não está evoluindo favoravelmente. 

O tratamento deve incluir cirurgia para drenar a secreção e desbridar os tecidos moles necróticos da articulação,deve ser realizada também limpeza exaustiva com solução fisiológica 0,9%, associado a uso de antibióticos específicos e monitorização do paciente.

A Artrite séptica compromete, como já descrito, pacientes jovens, assim como os idosos, e se não tratada de maneira adequada provoca alteração irreversível articular, assim como pode levar o paciente a óbito.

Portanto, em caso suspeita, procure um médico de sua confiança ou vá a um pronto atendimento, para que as medidas sejam tomadas de maneira mais rápida possível.

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Postado por Dr. Rogério

Dor do crescimento

19.10.2020 às 12:00

A dor do crescimento é caracterizada por dores esporádicas, presentes normalmente no período noturno e nos membros inferiores, principalmente joelho e pernas, podendo em alguns também comprometer a coxa. Segundo a Sociedade Brasileira de pediatria, a dor do crescimento trata-se de uma condição benigna, de evolução crônica e de curso autolimitado, acometendo 10% a 20% das crianças. 

A dor pode surgir em todo o período de crescimento, até os 18 anos de idade, mas é mais comum nas crianças em idade escolar, principalmente na faixa entre 5 e 10 anos.

As causas das dores do crescimento ainda são desconhecidas, existindo algumas teorias, chegando a se pensar até em causas psicológicas.

O diagnóstico é realizado pela clínica, apresentada pelo paciente dor em face anterior da coxa, perna, panturrilhas e atrás do joelho, bilateral em até 80% dos casos, acomete ambos os sexos em idade de 5 a 10 anos, podendo ter início aos 3 anos de idade. Sem relação com trauma significativo, apesar de alguns pais referirem que no dia anterior a criança teve uma carga física/brincadeira elevada. O período mais frequente de aparecimento é o noturno, durante a madrugada, e na manhã seguinte a criança encontra-se sem queixas de dor. Ao exame físico, a criança não apresenta nenhuma alteração significativa no sistema osteomuscular. Não se faz necessário o uso de exames de imagem como a radiografia ou outros exames na dor do crescimento, e quando se usa é porque se está pensando em outras patologias como neoplasias entre outras.

É importante salientar que o diagnóstico da dor do crescimento deve ser de exclusão, ou seja, você deve afastar outras patologias como pioartrite, osteomielite, artrite, neoplasias entre outras.

Deve-se ter uma conversa sincera com os pais para afastar alguma causa emocional.

O tratamento é sintomático, dependendo da intensidade da dor, pode ser usado desde massagens, passando por analgésico (dipirona, paracetamol) e anti-inflamatório.

Lembrando, estas dores são benignas, autolimitadas, ou seja, vai passar sem nenhuma necessidade de tratamento específico.

O importante é ter o acompanhamento de um ortopedista confiável, para acolher a criança e a família realizando uma anamnese adequada e exame físico detalhadopara afastar outras patologias.

Postado por Dr. Rogério

Torcicolo

05.10.2020 às 06:00

Existem alguns tipos de torcicolo, entre eles, temos o torcicolo congênito, que é quando a criança nasce com uma contratura do músculo na região cervical (pescoço), alterações da coluna cervical entre a primeira e segunda vertebra cervical. Entretanto, falaremos aqui da forma mais frequente de torcicolo no nosso dia a dia. 

Torcicolo é caracterizado por uma dor na região cervical (pescoço), normalmente decorrente de uma contratura muscular ou espasmo muscular, associada à dor, a qual apresenta também limitação dos movimentos. Na maioria das vezes, o músculo comprometido no torcicolo é o esternocleidomastoideo. 

Frequentemente o torcicolo é decorrente de uma má postura ao dormir, ou ao realizar uma atividade laboral ou recreativa, como utilizar o computador, o celular, tensões emocionais e movimento brusco, entre outras. 

Como sintomatologia o paciente pode apresentar principalmente dor de leve a severa intensidade na região do pescoço, a cabeça normalmente fica virada para um lado, enquanto o mento (queixo) fica voltado para o outro lado, dificuldade/limitação dos movimentos da cabeça, rigidez na topografia de um dos músculos esternocleidomastoideos . O torcicolo pode perdurar durante 3 a 5 dias. 

O tratamento do torcicolo na urgência é realizado através do uso de um colar cervical associado a uso de anti-inflamatório, analgésico e miorrelaxante.  Recomenda-se realizar calor local e encaminhamento para fisioterapia. 

DICAS: 

1.Posição correta para dormir. 

A – Decúbito Lateral (de lado) com o travesseiro que preencha a distância entre a cabeça e a cama (não muito alto e nem muito baixo), flexão do joelho com uma almofada entre eles. 

B – Decúbito Dorsal (barriga para cima) com flexão dos joelhos, a almofada abaixo deles (joelhos) e um travesseiro com adaptação para sua cabeça manter a coluna cervical em posição anatomo-fisiológica com a região do dorso. 

2.Atividade para alongamento da musculatura do pescoço, em especial realizá-las no local de trabalho, ou antes, e após atividade física. 

3.Mantenha sempre um equilíbrio muscular generalizado mediante técnicas e, ou, procedimentos realizados, como pilates. 

4.Evite Ganho de Peso Corporal. 

5.Procure um ortopedista para afastar outras hipóteses diagnósticas como um tumor ou alteração da tireóide.

Postado por Dr. Rogério

Colágeno e seu papel no sistema musculo esquelético

21.09.2020 às 12:00


O colágeno é uma proteína que o próprio organismo produz, portanto, naturalmente encontrada em nosso organismo.

O colágeno é encontrado em várias estruturas do nosso corpo, exercendo uma função primordial, por se tratar de uma proteína de importância fundamental na constituição da matriz extracelular do tecido conjuntivo.

O colágeno é produzido dentro da célula em pequenas quantidades e exportado para fora da célula onde sofrerá ação de enzimas polimerizantes,  obtendo seu formato em hélice-tripla.

O colágeno é a classe mais abundante de proteínas do organismo humano, representando cerca de 30% de sua proteína total.

Alguns elementos prejudicam a renovação celular e aceleram o processo de envelhecimento: cigarro, estresse, exposição ao sol, falta de sono, má hidratação e alimentação desequilibrada.

Existem vários tipos de colágenos, variando do colágeno tipo I que aparece nos tendões, e na cartilagem fibrosa entre outras estruturas, o  tipo II presente na cartilagem hialina, na cartilagem elástica e nos discos intervertebrais, além dos tipos III, IV, V,VI,VII, VIII,IX, X, XI e XII. Cada um, encontrado em tecidos específicos do corpo e realizando uma função importante.

Vamos falar mais um pouco do colágeno tipo II, uma vez que, seu déficit causará problemas nas articulações como alterações nas cartilagens articulares levando a Osteoartrose. 

O colágeno tipo II atua na reposição do colágeno perdido nas articulações e no combate ao processo inflamatório, assim como, contribui para ossos mais resistentes e músculos mais firmes.

Uma articulação com uma cartilagem saudável proporciona mais movimentos e bem-estar, proporcionando maior mobilidade, flexibilidade e conforto aos movimentos com ganho de qualidade de vida e melhora nas realizações das atividades diárias. 

Quando tomar o colágeno tipo II? Isto vai depender de alguns fatores como: alimentação desequilibrada, trauma nas cartilagens, idade do paciente, sedentarismo, pratica desportiva, entre outros fatores detectados pelo seu médico ou pela sua nutricionista. Caso sinta dor ou incômodo nas articulações, principalmente nas articulações que suporta carga como quadril e principalmente o joelho procure seu médico.

O importante é sabermos que todos nós envelhecemos, por isso devemos envelhecer visando uma melhor qualidade de vida possível. E com relação ao sistema musculo esquelético, ao perceber atrito aos movimentos de alguma articulação procure seu ortopedista.

DICAS:

1-Alimentação equilibrada

2 - Hidratação adequada 3 - Uma boa noite de sono

4 - Atividade Física

5 - Quando necessária, suplementação com colágeno e vitaminas

6 - Diminuir estresse

 7 - Manter seu peso corporal proporcional a sua altura equilibrado

8 - Procure um especialista de sua confiança

 9 - Viva com alegria e disposição a cada ano que você se torna mais experiente


Postado por Dr. Rogério

Osteomielite em Crianças

05.09.2020 às 16:00

A osteomielite é definida como uma infecção no tecido ósseo. Pode comprometer qualquer osso do corpo da criança, entretanto é mais comum na região do joelho, sendo o local de predileção o terço proximal da tíbia por possuir uma circulação sanguínea mais lenta e com vasos sinuosos, pode comprometer também o fêmur e o úmero. Existem vários tipos de osteomielite, falaremos da Osteomielite  Hematogênica  Aguda.

A Osteomielite Hematogênica Aguda é provocada por microrganismos variados que penetram no tecido ósseo através da corrente sanguínea.

As principais causas de Osteomielite Hemtogênica Aguda podem ser: amigdalites, otite média, pielonefrite, abrasões, impetigo, queimaduras, fraturas e feridas.

O agente patogênico encontrado na grande maioria das osteomielites são os Staphylococcus Aureus.

Os principais sintomas são: Dor na região comprometida, em especial na região do joelho, mas podendo ocorrer em qualquer parte do corpo; Calor local; Edema e Eritema local; pode ter Calafrios; Fraqueza; Mal estar geral; Claudicação a andar se comprometer os membros inferiores. Os sintomas podem variar muito de paciente para paciente a depender da idade da criança e da imunidade.

No exame laboratorial podemos encontrar no hemograma um aumento no número dos leucócitos (leucocitose) à custa do aumento dos neutrófilos (neutrofilia). Outros exames realizados podem ser o PCR (Proteína C Reativa) e a VHS (Velocidade Hemosedimentação) que são marcadores inespecíficos de processo inflamatório.

A radiografia só mostra alterações ósseas da osteomielite no tecido ósseo depois de 15 dias, não sendo um bom exame para o diagnóstico na fase aguda. Em casos especiais podem ser usados também a cintilografia óssea, a ressonância magnética, a ultrassonografia e a punção óssea.

Entretanto para o diagnóstico da Osteomielite Hematogênica na fase aguda é feito através de uma boa anamnese, um bom exame físico e os exames laboratoriais para complementar.

Como diagnóstico diferencial da Osteomielite podemos citar os tumores, como, osteossarcoma e sarcoma de ewing, assim como, também os processos inflamatórios como, periostite, artrite, febre reumática.

Com relação ao tratamento, basicamente se resume ao uso de antibioticoterapia, inicialmente venoso e depois oral por um longo período e a cirurgia para drenagem do abcesso intraósseo com o objetivo de não permitir a cronificação da doença óssea, pois nesta fase pode acontecer necrose (morte) do tecido ósseo.

Dicas para Prevenção:

1.  Cuidar adequadamente das inflamações e infecções, tais como:  amigdalites, otites, entre outras.

2.  Manter vigília com o estado geral da criança.

3.  Em casos suspeitos procure um médico pediatra ou ortopedista.

4.  É importante sempre manter uma imunidade adequada através de uma boa alimentação.

5.  Periodicamente realize check-up com o médico de sua criança e de sua confiança.

6.  Manter a calma sempre diante de qualquer advento que comprometa a saúde de sua criança.


Postado por Dr. Rogério

Osteocondrite de Sever

30.08.2020 às 06:00


Crianças e adolescentes entre 9 a 14 anos, têm chegado ao meu consultório relatando dor em região do calcanhar, sem relação com um trauma significativo.  Normalmente essa sintomatologia nos leva a pensar em Osteocondrite de Sever, ou Apófisite do calcâneo.

A Osteocondrite de Sever é definida como um processo inflamatório, que acomete a placa de crescimento do osso calcâneo próximo à inserção do tendão de aquiles em criança, na sua fase de crescimento.

Clinicamente devemos suspeitar da Osteocondrites de Sever, quando a criança queixa-se de dor na região do calcanha, principalmente durante ou após práticas desportivas sem um trauma significativo naquele momento.

Ao exame físico, geralmente não encontramos com frequência edema, hematoma no local, e sim uma dor à palpação, dor localizada, puntiforme e profunda de início gradual, insidioso, que melhora ao repouso. Em alguns pacientes, podemos encontrar calor local e dificuldade para andar.

Radiograficamente podemos não evidenciar nenhuma alteração na fase inicial, ou podemos encontrar esclerose e fragmentação na epífise do calcâneo.

Normalmente, a Osteocondrites de Sever está relacionada à sobrecarga de atividades físicas com micro traumas no local, uso de calçados inadequados ou desconfortáveis para a pratica do esporte pela criança associado à tração exercida pelo tendão de aquiles.

O tratamento consiste inicialmente de repouso da prática esportiva, sobretudo aquela que provoque impacto no calcâneo, imobilização na fase aguda com quadro álgico acrescido de aplicação de gelo, e uso de medicamentos analgésico e anti-inflamatório. Podem ser usadas também palmilhas para o retropé e uso de calçados com dispositivo adequado para amortecer impacto. A criança poderá também ser encaminhada para a fisioterapia e afastar-se temporariamente das práticas desportivas durante o tratamento, normalmente o quadro evolui satisfatoriamente e quando passar a dor, a criança poderá retornar as suas atividades.

DICAS:

1. Evite atividades em excesso nas crianças em fase de crescimento.

2. Manter repouso para recuperação do organismo entre uma atividade e outra.

3. Em crianças menores, as atividades devem ser lúdicas e não em caráter competitivo.

4. Uso de calçados confortáveis e especifico para cada tipo de atividade exercida.

Postado por Dr. Rogério

Pé torto

24.08.2020 às 09:27


Qual a sensação de ser mãe, de gerar uma vida? Para a maioria das mulheres é um sonho, uma alegria, um desejo de “ser mãe”.

Qual a sensação que se instala no íntimo da mãe quando, durante a realização de uma ultrassonografia gestacional morfológica, vem um diagnóstico de que seu bebê nascerá com os pés tortos? 

Pois bem, hoje falaremos sobre esta patologia, “Pé Torto Congênito”, e sobre o tratamento que realizamos pela Técnica de Ponseti.

O pé torto congênito é definido quando encontramos, durante o exame físico do recém-nascido, quatro deformidades no pé: Equino, Varo, Cavo e Adução. É uma das patologias mais frequentes ao nascimento. O pé torto congênito pode ser uma deformidade isolada ou estar associada com outras alterações, patologias como artrogripose, mielomeningocele, paralisia cerebral, síndrome congênita do Zika.

O pé torto congênito ao exame físico pode apresentar-se flexível, o qual provavelmente iremos classificá-lo de postural. O rígido, classificaremos como pé torto congênito idiopático, sem causa desconhecida, e em pé torto congênito teratológico ou teratogênico, neurológico e sindrômico, quando vem associado a uma outra patologia. Entretanto, vale salientar que a etiologia do pé torto congênito continua desconhecida existindo várias hipóteses.

A incidência do pé torto congênito varia de região para região, entre outros fatores, podendo ser maior ou menor de local para local.  De uma maneira geral varia de 1 a 2 pacientes por 1.000 nascidos vivos, entretanto, a autores que relatam como descritos no SOS RESIDÊNCIA EM ORTOPEDIA PEDIÁTRICA – USP, FMUSP uma incidência de 1 a 4 para cada 1.000 nascidos vivos. Existe um acometimento bilateral em torno de 50 % dos casos e, quando unilateral, o lado direito tem uma incidência um pouco maior. O sexo masculino é o mais acometido numa proporção de 2:1 quando comparado com o feminino.

O diagnóstico é clinico, ou seja, ao examinar o recém-nascido logo após o parto encontramos as deformidades. Entretanto com o avanço do estudo ultrassonográfico, podemos obter o diagnóstico de pé torto congênito pré-natal. Não se faz necessária radiografia dos pés para fechar o diagnóstico, a radiografia serve para estudarmos o ângulo de Kite, que é a angulação formada entre o osso tálus e o calcâneo tanto na incidência AP como no perfil. Enfatizo que o diagnóstico do Pé Torto Congênito é clinico, realizado através do exame físico.

Com relação à fisiopatologia encontramos uma alteração nas moléculas de colágenos presentes em tendão, músculos, ossos, que compromete principalmente as estruturas póstero-mediais do pé, promovendo as deformidades. Normalmente encontramos uma atrofia da panturrilha do membro comprometido e o pé também é um pouco menor quando comparado com o pé normal. Com relação à parte óssea vale ressaltar que acontece uma luxação dos ossos navicular, calcâneo e cuboide em relação ao tálus.

Historicamente o tratamento do Pé Torto Congênito passou por várias mudanças de métodos, alternando entre tratamento conservador e o cirúrgico extenso ( onde foi verificado que o resultado trazia mais complicações, rigidez, dor e recidiva no pé tratado).

Atualmente a Técnica de Ponseti para o tratamento do Pé Torto Congênito tem revolucionado mundialmente, com ótimos resultados, desde que sejam observadas e respeitadas todas as etapas do método.

O Método de Ponseti é simples, indolor quando aplicado corretamente. Este tratamento permite correção em nossa experiência de 80 a 90% dos casos de pés tortos. Consiste resumidamente em manipulação seriada semanalmente do pé torto e confecção de aparelho gessado inquino-podálico no total de 5 a 8 semanas nos pé tortos idiopáticos, seguido de alongamento percutâneo do tendão de aquiles com mais 21 dias de aparelho gessado e depois uso de órtese de Dennis Brown que inicialmente será usada por 23 horas/dia durante 3 meses e depois 14 horas/dia até  os 4 anos de idade.

O objetivo do tratamento é que o pé torto congênito adquira a posição plantígrada, fique flexível e indolor.

O tratamento cirúrgico fica resguardado para os pés mais graves, entretanto saliento que mesmo optando pelo tratamento cirúrgico, é importante iniciar colocando o aparelho gessado com troca semanal.

Com o tratamento bem-sucedido conseguimos proporcionar um bem psico-socioeconômico para a criança, sua família e a sociedade. 

O Pé Torto é uma causa de SAÚDE PÚBLICA e tem que ser encarado desta maneira, pois modifica não só o pé, mas a vida da criança.

Dicas:

  1. Realizar o diagnóstico clinico precoce.

  2. Iniciar precocemente o tratamento pela técnica de poseti.

  3. Seguir a risca o passo a passo da técnica, para isto um ortopedista experiente, familiarizado com a técnica.

  1. Perseverança por partes dos pais no uso da órtese

Postado por Dr. Rogério

Distensão muscular

17.08.2020 às 06:00


 A distensão muscular acontece quando ocorre lesão de fibras musculares de um determinado músculo, o qual que foi submetido a uma sobrecarga num determinado exercício associado à lesão de pequenos vasos que irrigam estas fibras. 

O corpo humano responde a esta lesão com uma resposta inflamatória, mandando células sanguíneas para o local, provocando edema, dor, calor, originando um hematoma. Portanto, temos como sinais e sintomas da distensão muscular, dor intensa localizada, fraqueza muscular, dificuldade para se locomover, espasmos musculares, entre outros, a depender da gravidade da lesão. 

Outra característica é com relação à localização da lesão: quando acontece nas fibras no meio do ventre muscular, podemos chamar de estiramento muscular, ficando a distensão muscular para a lesão que acomete a junção músculo-tendínea próximo a uma articulação. 

Temos como principal causa de distensão muscular, um esforço físico excessivo para realizar contração muscular, como acontece nos jogadores de futebol, além de um movimento brusco de forma aguda, que pode acontecer até em uma caminhada. Entretanto, a distensão muscular pode acontecer de forma crônica, como acontece no esforço físico repetitivo, fadiga muscular, ocasionado por material inadequado para a realização da atividade física. Para cada tipo de atividade física, existe um material de proteção especifico. E, por fim, pode ser causada à pratica de atividade em terrenos irregulares, inadequados para a pratica de certos esportes.  

Qualquer músculo poderá sofrer distensão muscular, entretanto, os músculos mais longos com células fusiformes e bi articulares (músculos que passam por duas articulações) são mais propensos, como: músculo quadríceps, músculos isquio-tibiais, músculo adutor da coxa, músculos gastrocnêmios (panturrilha na perna). 

O diagnóstico da distensão muscular é realizado através de uma boa anamnese, exame físico, testes ou manobras especiais específicas para cada grupo muscular, exames complementares principalmente a ultrassonografia e ressonância nuclear magnética. 

Podemos classificar a distensão muscular de uma maneira geral em: 

Grau I – É uma lesão que compromete menos de 5% do músculo, apresenta edema e desconforto. 

Grau II – É uma lesão que 5 a 50 % do músculo, pode apresentar perda de função, espaço chamado de gap no musculo e equimose. Via de regra necessita de 2 a 3 semanas para cicatrização da lesão. 

Grau III – É uma lesão maior que 50% do músculo, podendo apresentar ruptura completa, dor intensa e hematoma extenso, perda da função muscular. Necessita de 4 a 6 semanas para cicatrização da lesão, entretanto a total reabilitação para volta as atividades pode levar 3 a 4 meses. 

É importante entendermos as fases de resposta do organismo à lesão muscular, que se inicia com a ruptura e necrose das miofibrilas, segundo, a fase de reparo em que ocorre a fagocitose do tecido necrótico e terceiro, a fase de remodelação que compreende a fase de maturação das miofibrilas regeneradas resultando ao retorno da capacidade funcional da musculatura. 

Com relação ao tratamento na fase aguda, além de restringir as atividades físicas, utilizamos o método PRICE (P = proteção, R = repouso, I = “Ice” gelo, C = compressão, E = elevação). Podemos também fazer uso de anti-inflamatório não hormonal por curtos período, além de analgésicos. Na fase pós-aguda, onde já existe uma melhora clínica do paciente, já pode ser introduzido treinamento isométrico, depois o treinamento isotônico, exercícios isocinéticos com carga mínima. O importante é que estes exercícios sejam realizados sem dor.  

O Tratamento Cirúrgico fica resguardado para as lesões graves de Grau III, que não estão respondendo positivamente ao tratamento conservador. 

É importante que nesta fase de reabilitação, o paciente seja acompanhado por um ortopedista e um fisioterapeuta de sua confiança. 

Dicas para prevenir distensões musculares: 

  1. Realizar rotineiramente fortalecimento muscular. 
  2. Treinamentos de flexibilidade, alongamentos. 
  3. Postura correta na pratica das atividades físicas. 
  4. Calçados adequados para a realização dos exercícios. 
  5. Hidratação adequada. 
  6. Alimentação adequada, balanceada. 
  7. Evitar excesso de atividades físicas sem um repouso adequado. 
  8. Adequar a atividade física a sua idade, sexo, constituição corporal. 
  9. Estudar o espaço, terreno onde você irá praticar a atividade física. 
Postado por Dr. Rogério


Dr. Rogério por Dr. Rogério Barboza

Rogério Barboza da Silva é alagoano, médico ortopedista. É preceptor de  residência médica em ortopedia e traumatologia do Hospital Veredas. Coordena a Liga Acadêmica de Ortopedia e Traumatologia (LAORTT/UNIT) e o Núcleo de Assistência do Pé Torto(NAPTC). É Professor Especialista do  curso de medicina da UNIT/AL.

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