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Carta de Recife - Mais um passo na defesa da Mulher

14.01.2019 às 12:34


A décima edição do Fórum Nacional de Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid), realizado em novembro do ano passado, aprovou novas orientações em relação ao enfrentamento à violência doméstica. As sugestões foram sistematizadas na Carta de Recife, confirmadas aprovada pelos juízes presentes ao evento ocorrido na capital pernambucana.

Entre as recomendações apresentadas pelos juízes, estão o uso de tornozeleiras eletrônicas para garantir efetividade no cumprimento das medidas protetivas nos casos de violência doméstica contra a mulher e a articulação junto às polícias civis para adoção de questionário de avaliação de risco. Foram listadas 23 recomendações e propostas, assim como firmados quatro entendimentos, convertidos em Enunciados.

Uma das sugestões encaminhadas pelos juízes ao Fórum foi o de fiscalização do cumprimento dos Enunciados do Fonavid pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na avaliação dos juízes, a atuação do conselho garantiria o cumprimento das recomendações e enunciados definidos nas edições do Fórum, criado em 2009. Ao todo, já foram criados 49 Enunciados.

Na avaliação dos juízes presentes ao encontro, tem havido redução do número de servidores lotados nas varas e juizados de violência, comprometendo o cumprimento da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), e defenderam o acompanhamento do CNJ ao cumprimento das orientações no acolhimento dos di­reitos da mulher.

Outro Enunciado aprovado no Fonavid tem como objetivo proteger a memória da mulher vítima de feminicídio. O juiz presidente do Tribunal de Júri (onde são julgados os crimes dolosos contra a vida) deverá considerar excesso de linguagem os argumentos violentos ofensivos à dignidade da mulher assassinada por questão de gênero que venham a ser usados durante o julgamento, devendo advertir o advogado que utilizar a desqualificação moral da vítima como técnica de defesa durante a sessão. 

Também se aprovou que seja dado foco à análise da eficácia dos programas de reabilitação para homens, previstos na Lei Maria da Penha –  os chamados grupos reflexivos. O Enunciado recomenda a mensuração, para fins estatísticos, da participação de autores de violência doméstica nos grupos reflexivos, bem como a sua efetividade, por meio da análise de seu retorno ou não ao sistema de Justiça.

Esse trabalho ficaria a cargo dos juízes, que verificariam em suas unidades se houve alguma medida protetiva ou ação aberta em relação ao referido autor de violência nos dois anos seguintes à conclusão do grupo reflexivo.

Que todas essas orientações, formalizadas na Carta de Recife, tenham cumprimento na defesa da liberdade, dos direitos e da vida da Mulher no Brasil. Os índices dessa violência ainda continuam a ecoar doloridos em nossa sociedade. Infelizmente.


*Publicado originalmente na edição 24 da revista Painel Alagoas

Postado por Em Pauta

Dezembro Vermelho

17.12.2018 às 12:34


Transformar o 1º de dezembro em Dia Mundial de Luta Contra a Aids foi uma decisão da Assembleia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com apoio da Organização das Nações Unidas – ONU. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/Aids.

A escolha dessa data seguiu critérios próprios das Nações Unidas. No Brasil, a data passou a ser adotada, a partir de 1988, por uma portaria assinada pelo Ministério da Saúde.


O laço vermelho é visto como símbolo de solidariedade e de comprometimento na luta contra a aids e foi criado, em 1991, pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte, de New York, que queriam homenagear amigos e colegas que haviam morrido ou estavam morrendo de aids.
 A cor vermelha foi escolhida por causa de sua ligação ao sangue e à ideia de paixão, afirma Frank Moore, do grupo Visual Aids, inspirado pelo laço amarelo que honrava os soldados americanos na Guerra do Golfo. O símbolo foi usado publicamente, pela primeira vez, pelo ator Jeremy Irons, na cerimônia de entrega do prêmio Tony Awards, em 1991.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que desde o início da epidemia, em 1981, até novembro de 2017, cerca de 35 milhões de pessoas morreram de Aids. Este é quase o número atual de indivíduos que vivem com HIV — as estimativas da OMS dão conta de 36,7 milhões de soropositivos no mundo inteiro.


O cenário, porém, poderia ser melhor. Números da OMS mostram que, em 2016, foram identificados 1,8 milhão de novas infecções pelo vírus (um novo caso a cada 17 segundos) e um total de 1 milhão de mortes decorrentes de complicações na Aids.


A meta das Nações Unidas é bastante ambiciosa. Em 2015, a entidade fechou questão na meta 90-90-90, que diz que até 2020 o objetivo é ter:90% de todas as pessoas que têm HIV diagnosticadas e cientes disso; 90% de todas as pessoas que têm HIV diagnosticadas, cientes disso e recebendo tratamento antirretroviral ininterrupto; 90% de todas as pessoas que têm HIV diagnosticadas, cientes disso, recebendo tratamento antirretroviral ininterrupto e com carga viral indetectável.


Em Alagoas, os casos da doença aumentaram por 10 anos consecutivos, informou o Ministério da Saúde no final de novembro deste ano. De acordo com o Boletim Epidemiológico do MS, em 2007 foram contabilizados 18 casos. Mas uma década depois, esse número subiu para 776. O balanço inclui também o ano de 2018, mas até o mês de junho. Durante esse período, foram conhecidos 382.


Ainda conforme o boletim, Alagoas está entre os sete estados brasileiros que apresentaram taxa de detecção de HIV em gestantes, superior à taxa nacional em 2017. São 3,2 casos a cada 1 mil nascidos vivos, deixando o estado na 5ª posição.


O balanço também trouxe dados das capitais. Segundo o levantamento, Maceió ocupa a 5ª posição no ranking, mas é em relação a taxa de detecção de gestantes com HIV notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). No ano passado, a capital alagoana teve 5,7 casos a cada 1 mil nascidos vivos.É possível vencer os números, reduzir os casos, aumentar a atenção do poder público, mobilizar a sociedade como um todo na luta pela prevenção de uma doen­ça que continua fazendo vítimas fatais no Mundo, no Brasil, em nosso estado.


*Publicado originalmente como editorial da edição nº 23 da revista Painel Alagoas

Postado por Em Pauta

Sobre Olívia e Dênis, a condecoração da resistência

18.11.2018 às 11:31

Justa a homenagem do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas à Olívia de Cerqueira. 

A Medalha Dênis Agra traduz exatamente o reconhecimento merecido à luta, à coragem, à ética e a boa escrita de Olívia na resistência profissional e cidadã. 

Não é à toa que ela é referência positiva entre todos nós.

Ontem na solenidade de entrega da Medalha, o tempo foi oportuno para nos lembrar Dênis em Olívia, diante de um cenário triste de jornalistas demitidos em clima de incerteza, num mercado de trabalho fragilizado.

Ali, no palco, recebendo um dos maiores símbolos de resistência da nossa categoria, Olívia mostrou-se solidária, mostrou-se indignada, mostrou-se jornalista, mostrou-se determinada, mostrou-se na trincheira, mostrou-se, de novo, digna da condecoração que recebeu. 

Olívia, no palco, homenageada, emocionada, trouxe a um cenário triste a forca de Dênis Agra. E a sua própria força.

Olívia de Cerqueira, presente, sempre.

Postado por Em Pauta

Rosa, a cor de outubro

15.10.2018 às 18:22
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Em outubro, o Brasil fica cor-de-rosa. A cor, que ilumina monumentos históricos e prédios públicos, enfeita os laços que simbolizam o movimento e aparece com força em campanhas publicitárias serve para promover a conscientização da população sobre o câncer de mama, como uma parte importante das ações do chamado Outubro Rosa. 

A série de campanhas de conscientização sobre a doença, que é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres, teve início nos EUA nos anos 1990 como forma de encorajar o público a conhecer melhor esse tipo de câncer, que afetou ao menos 1,67 milhões novos pacientes no mundo todo em 2012.
No Brasil, apenas em 2016, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou 57.960 novos casos, dos quais mais de 14 mil resultaram em morte. 25% dos casos de câncer em mulheres são de mama.
De acordo com dados divulgados pela Rede Feminina de Combate ao Câncer de Alagoas, o estado fechou 2016 com mais de 500 casos de câncer de mama registrados, sendo mais da metade só na capital. Essas estatísticas mostram que anualmente mais de 150 mulheres no estado morrem por conta da doença.
O diagnóstico cedo salva vidas, esse é o objetivo do Outubro Rosa, abraçado pelo mundo inteiro, mas como em um Brasil onde o sistema de saúde público é falho, as pessoas podem se prevenir?
É fato que hoje o poder público já se movimenta no apoio aos movimentos que têm essa bandeira, mas o processo ainda é moroso e não há prioridade na saúde pública para se agilizar os primeiros exames.
Para se ter uma ideia, pelo Sistema Único de Saúde (SUS) até se conseguir fazer um exame de mamografia, se leva semanas, até meses, e para receber o diagnóstico, no mínimo 30 dias. Conseguir uma consulta a partir daí com um mastologista e, mais ainda, entrar na fila para a quimioterapia, caso seja necessário, é mais um prazo absurdo de idas e vindas até ser atendido.
O Outubro Rosa tem servido para pressionar o estado a cumprir o seu papel.
É importante que a sociedade, de uma forma geral, se una a essa luta para que o número de óbitos seja cada vez menor, e para que as pessoas portadoras de câncer, em especial o de mama, já que a campanha se refere a essa tipificação especificamente, tenham a atenção e o tratamento corretos para a cura.Que chegue rosa, a esperança de vida neste mês de outubro.

*Publicado originalmente na edição 21 da Revista Painel Alagoas
Postado por Em Pauta

O voto, livre e soberano?

13.08.2018 às 11:00
Ilustração

 “O Brasil está sonhando com uma ressurreição moral que sabe que não virá. O que faz o padrão moral da política é a regra do jogo, e não a iluminação pelos céus de um mítico “candidato honesto”.


Um levantamento recente feito pelo jornal Estado de São Paulo com base em relatórios da Polícia Federal (PF), obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, mostrou que alguns Estados das Regiões Norte e Nordeste lideram, proporcionalmente, o ranking de crimes eleitorais cometidos entre 2006 e 2016, década que compreende as seis últimas eleições realizadas no País. 

Roraima (12,9), Acre (10,4), Rio Grande do Norte (8,2), Paraíba (7,3), Tocantins (6,6) e Amapá (6,4) foram os Estados que apresentaram o maior número de inquéritos policiais que apuram crimes eleitorais por grupo de 100 mil eleitores. Os dados dos inquéritos informados pela Divisão de Assuntos Sociais e Políticos da PF foram comparados com a quantidade de eleitores registrados em cada um dos Estados. 

E aí se obtém um quadro miserável do voto que se dá numa eleição que se diz democrática, livre e soberana. 

O avanço das redes sociais como vetor de comunicação e o desmantelamento de parte da corrupção política no país podem impulsionar o voto consciente, apostam alguns especialistas sobre as eleições deste ano, confiantes de que esse cenário fará mudanças precisas no perfil dos eleitos. Mero engano? Será que o voto de cabresto, o voto comprado ou o tomado à custa de falsas promessas, ficará, de fato, para trás? 

Não é o que dizem as pesquisas de intenção de voto, embora, aqui e acolá, apareça algum percentual positivo do chamado voto de opinião em político de ficha limpa. Em geral, os números indicam que a reeleição de velhos vícios na política está garantida, ora pela tal coligação partidária que junta votos num mesmo balaio para eleger grupos, ora pela condução dos quase sempre os mesmos candidatos para as majoritárias.

Ou seja, os velhos caciques continuam no topo da escolha de grande parte do eleitorado que declara sua intenção de voto. Há uma estimativa significativa dos que, nessas pesquisas, aparecem como voto nulo, branco ou que não sabem ou não quere se manifestar a respeito dos candidatos. Mas essa é uma parcela que apesar de poder mudar qualquer resultado, não segue unânime. E, como eleição não é uma matemática lógica, quem hoje vota em A, pode mudar a opção para B, a depender do decorrer da campanha. 

O fato é que a realidade aponta para a ainda existência do voto manipulado. E como reagir a ele? Qual candidatura tem o discurso limpo para mobilizar e estrutura suficiente para manter essa mobilização durante toda a campanha? Analistas políticos avisam que o tom é a honestidade, que o eleitor quer votar em político honesto. Será? As intenções de voto não têm feito essa distinção de forma clara e o que aparece são currais eleitorais em voga.

É possível se mudar essa situação, mas a curto prazo não parece mais ser viável, mesmo assim, é preciso que algumas instituições, como o Ministério Público e Polícia Federal, se mantenham vigilantes contra os crimes eleitorais, e que a imprensa cumpra seu papel de mostrar quem é quem nessa eleição, de forma tão honesta quanto se especula que esse é o desejo do voto do eleitor brasileiro.

É como diz o próprio Estadão: “O Brasil está sonhando com uma ressurreição moral que sabe que não virá. O que faz o padrão moral da política é a regra do jogo, e não a iluminação pelos céus de um mítico “candidato honesto”. 

Ou virá?


*Editorial da edição 19 da Revista Painel Alagoas 

Postado por Em Pauta

Assédio moral no Santa Rosa. Quem toma providências?

21.06.2018 às 12:45


Como um Colégio como o Santa Rosa, aqui em Maceió, tradicional, com tantas boas referências, pode acobertar que um professor abuse moralmente de uma aluna? Pode ser conivente, apoiar, e até expor outras alunas numa apuração de faz de conta para se colocar conivente com uma situação tão grave como é o bullyng? 

Estou estarrecida.

Minha neta, adolescente, aluna desse colégio há três anos, está sofrendo assédio moral praticado por um professor há cerca de 24 meses.

Semana passada, de forma debochada, sarcástica, como testemunharam colegas da minha neta, o tal professor disse à classe que ela tirou zero na prova dele. Com um agravante, a minha neta não estava em sala de aula.

É fato que ele leu a nota de todos, mas só a dela ele fez chacota.

Chacota com quem não estava em sala de aula, chacota que incentivou outros adolescentes a tratarem dessa mesma forma a minha neta, por alguns dias seguidos.

Ressalto: as crianças não têm culpa, a culpa é do professor que as estimulou a essa prática desrespeitosa.

A culpa é da escola que não protege seus alunos de profissionais dessa laia.

Fui à direção e apresentei, por escrito, a denúncia, com degravações dos áudios recebidos pela minha neta sobre a forma como o professor se comportou a alardear que ela tirou zero na prova dele. Não questiono a nota, isso é outra história, questiono, tão somente, a forma antiética e afrontosa do professor.

Solicitei duas coisas da direção: pedido de desculpas, do colégio ou do professor (achando que minha neta poderia ter se equivocado durante todo esse tempo, que ele pediria desculpas pelo fato de ter lido em público a nota dela, e se esforçaria para que o mal-entendido fosse desfeito), e que ela não estudasse mais aquela disciplina com ele.

A direção me garantiu as duas coisas.

O pedido de desculpas era hoje. Não houve, ao contrário. 

O professor foi à sala de aula, acompanhado da coordenadora, e disse que não deveria ter lido as notas em classe, que isso não tornaria a acontecer, mas que isso é uma “coisa boba”. Tipo, por que fazer uma confusão por isso???  Nem ele, nem a direção, falaram o nome da minha neta, se dirigiram a ela. Ou seja, não houve o pedido público de desculpas, do mesmo tamanho que foi a chacota feita com a nota dela, por ele.

Na sala da direção, o referido professor, como se estivesse cumprindo uma tarefa árdua, pediu desculpas a ela. Minha neta não o desculpou, porque não era esse tipo de desculpas que ela esperava. Não ali, na frente  apenas de duas professoras e da mãe dela. E, arrogante, agressivo, o professor ainda disse à mãe minha neta que ela “terá que provar” que ele abusa moralmente da filha dela.

O Colégio? Ah, nos disse que fez a parte dele (????????)

Minha neta está deprimida, se sentindo desrespeitada, vítima de uma pessoa que não tem ética para ensinar, em um colégio onde não se sente protegida e hoje, aos prantos, mais uma vez humilhada pelo descompromisso da direção, perdeu duas provas. Não tinha condições psicológicas de fazê-las.

Há quase dois anos que ela carrega, em lágrimas silenciosas ou momentos depressivos, todo o sofrimento causado pelo assédio moral que vem sendo vítima dele. Só na semana, motivada pela humilhação de ter uma nota ruim dita em voz alta, com ares de satisfação pessoal e deboche por quem a bradava.

Eu disse a minha neta que nota ruim a gente recupera, caráter, é mais difícil, sobretudo por quem, certamente, já nasceu sem ele.

A dor da minha neta, é a minha dor, mas também a dor de outros alunos que se sentem perseguidos por esse mesmo professor, nesse mesmo colégio que acha que isso é “apenas coisa de adolescente”. Uma das diretoras chegou a insinuar para mim que as colegas da minha neta “podem ter mentido”. 

Entre o professor adulto e as crianças alunas dele, eu fico com elas. 

Vamos cuidar de minha menina com todo acompanhamento psicológico que ela precisar, vamos monitorar de mais perto a sua vida escolar, vamos à Justiça e até ao MPE, se for preciso, para defender seu direito de ser respeitada como adolescente, aluna, mulher e cidadã.

Que Deus continue abençoando minha neta e que a faça tirar, dessa lição dolorida, mais forças para enfrentar as injustiças da vida, com garra, coragem, e muita humildade no coração. Enquanto viver, estarei ao seu lado.

Postado por Em Pauta

Temer acaba com impressão do Diário Oficial da União

O mais antigo jornal em circulação no Brasil deixou de ser impresso na última sexta-feira, 1.

03.12.2017 às 12:37
Reprodução

Circulando no país desde a época do Brasil Império, em 1º de outubro de 1862, o Diário Oficial da União (DOU) agora passa a estar disponível apenas em versão online.

Foi D. João, príncipe regente de Portugal, que determinou a criação da então chamada Imprensa Régia, com o objetivo de registrar publicamente os atos do Império na colonização de parte da América.

As primeiras máquinas tipográficas vieram da Europa, enviada de Portugal.

Desde a criação do DOU, por meio da lei  Imperial Nº 1.177, sancionada em 9 de setembro de 1862, o governo brasileiro, através de uma deliberação do Marquês de Olinda, passou a divulgar os atos legais através do Diário Oficial.

As edições registraram importantes mudanças no país, desde a Lei Áurea, que trouxe o fim da escravidão, em 1888, a Proclamação da República.

A Constituição e o Ato Institucional número 5, também foram registrados e promulgados em publicação no jornal.

Publicado quase que diariamente, em três edições, o jornal traz informações como leis sancionadas, decretos do presidente da República, Contratos, editais, portarias ministeriais, nomeações, exonerações e licitações.

 Com o advento da internet, o jornal ganhou a versão online em 1997.

A justificativa para o fim da impressão foi o custo financeiro: em torno de R$ 2,5 milhões/ano.

Postado por Em Pauta

"É fogo-amigo”? Todo cuidado é pouco!

05.11.2017 às 11:23
Reprodução

Como jornalista, eu já tive acesso a muitas informações de bastidores vindas do chamado “fogo-amigo” que se estabelece nos espaços de poder. São pessoas que, de um modo ou de outro, têm seus interesses contrariados e acreditam que a reação externa na mídia vale mais do que a disputa travada internamente.

Ou seja, é o vale-tudo no poder e pelo poder, de forma antiética e, muitas vezes, até criminosa, a depender do que está em jogo.

Nem sempre a causa é nobre e na maioria das vezes é mais para prejudicar “alguém”, do que mesmo em defesa da coletividade, quando se trata de questão pública.

Portanto, toda cautela é preciso quando nos chega a informação através do “off”.

Faz-se necessário, primeiro, analisar se o assunto é de interesse jornalístico, investigar o que foi passado e avaliar quem passou e porque passou, para não correr o risco de publicar tão somente os “ranços” e os “interesses pessoais” que, em geral, turbinam as tais informações chegadas de dentro dos casulos.

Em quase 38 anos de jornalismo, aprendi a diferenciar o que nos dizem os “bons observadores” e os “urubus de plantão” na política e em outros setores da vida pública, especificamente.

Então, quando vejo hoje na imprensa a falta de cuidado na publicação bancada pelo “fogo-amigo”, lastimo primeiro pelo jornalismo e, depois, pelos os que convivem com esse tipo de gente ao redor.

A dica de hoje é para a atenção ao que nos chega pelo submundo da informação.

Todo cuidado é pouco, para não contaminar o jornalismo.

Postado por Em Pauta

O que significa mesmo ser “jornalista”?

29.10.2017 às 12:22
Duda Rangel

Vamos saber de Duda Rangel o que é esse "estado" de graça que toma pra si nossas vidas

Hoje é domingo e vamos relaxar na pauta.

Tipo, definir com humor e exatidão o que significa ser jornalista, em texto de Duda Rangel.

Ah, para acompanhar a leitura, sugiro uma caneca de café.  

“Ser jornalista é vida sem meio-termo. É ter diploma de bipolaridade. Ou não ter diploma. É amor e é dor. Entusiasmo e apatia no mesmo dia. É querer salvar o mundo sabendo que essa merda não tem mais jeito, não. É ter muitas ideias para o futuro e não ter a menor ideia do futuro. É bater e é apanhar. É ser seguramente inseguro. É ter ora uma vontade louca de viajar o planeta ora de ficar quietinho no seu canto. É ir do Inferno ao Céu numa única pauta. É odiar Matemática, mas encher a matéria de números. É querer fazer tanta coisa e ter uma preguiça danada. É ser livre sem ser livre. É se achar mesmo quando se está perdido. É ter porra nenhuma para celebrar e, ainda assim, ir ao bar. Um brinde à porra nenhuma! É fazer graça da desgraça. É dormir cheio de aflição e acordar cheio de excitação. Ser jornalista é ser tudo isso e não ser. Eis a confusão” (Duda Rangel).

Quem nunca??!

Em tempo: A propósito sobre ser jornalista, minha solidariedade a Davi Soares e à equipe da TV Gazeta, alvos de agressões em plena atividade profissional na semana que passou. 

Postado por Em Pauta

A ética, a fonte e o jornalismo

15.10.2017 às 14:33


Uma boa fonte no jornalismo é hoje privilégio de poucos.

Refiro-me a fontes que desejam, na informação correta, combater irregularidades, desigualdades, impunidades, soberbas e tramas de toda espécie.

 A leitura de alguns muitos escritos jornalísticos me leva a pensar, nesses últimos tempos, que interesses escusos têm sido levados mais a sérios nos espaços de divulgação, em Alagoas e no país de uma forma geral, do que a versão correta dos fatos.

Não há contraponto. É o jornalismo de uma única via.

 E é aí que me preocupa: quem está nessa direção? O faro apurado do profissional? Será? Ou alguma “fonte” que lhe dite “fatos” para favorecer uns, e desfavorecer outros? É especulação em cima de indicadores ou é um cenário forjado para atender a algum objetivo específico? E questiono: cadê o profissionalismo nessa questão?

No jornalismo político, em especial, o que mais tem é fonte pirata, aquela que aparece para inserir na informação séria, a desinformação. Como o profissional pode distinguir a fonte do bem da fonte do mal?

É fácil, vai mais do caráter do que mesmo da maturidade do jornalista.

E lendo nesta manhã o Código de Ética  dos Jornalistas, indago: serve pra que mesmo???!!!

Temo imensamente pelo “day after” do jornalismo brasileiro.

Em tempo, artigo 4º, capítulo II da Conduta Profissional do Jornalista: "O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação". 

Postado por Em Pauta


Em Pauta por Eliane Aquino

Jornalista, com formação em Direito, já passou por redações de várias empresas de Comunicação em Alagoas e em outros estados brasileiros, onde ocupou cargos de repórter à editora geral e funções públicas; especializou-se (no batente) em jornalismo político e tem prestado assessoria e consultoria na área de comunicação.É editora geral da revista Painel Alagoas.

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