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A primeira atriz a aparecer nas telas da tv brasileira

Madalena Nicol abriu caminho para atores e diretores de teatro na televisão

30.05.2020 às 13:26
Arquivo SPT

Madalena Nicol foi uma grande atriz de teatro . Em 1951, após a retransmissão do primeiro teleteatro da TVTupi:”A Vida Por um Fio”, os diretores  Cassiano Gabus Mendes e Dermival Costa Lima queriam lançar um grande teatro, com a participação de atores e diretores de teatro. E conseguiram ligação com Madalena Nicol. E ela concordou em montar para a TV Tupi as peças:”Antes do Café” e “A Voz Humana”.

 A presença da atriz no vídeo da emissora deu prestígio e fez com que outros diretores e atores viessem a procurar a televisão. Em 1952 Madalena Nicol transferiu-se para a TV Paulista e criou o Teatro Madalena Nicol, que ficou no ar até meados da década de 50,quando entrou o Teatro Cacilda Becker.

Madalena Nicol tinha grande prestígio e ligação com as emissoras de televisão de Londres, tendo feito diversos trabalhos para a ITC,a BBC,a ABPC. Na década de 60 existia um Serviço Brasileiro na BBC, feito para brasileiros. E nesse programa, ao lado do maestro Radamés Gnattali, Madalena Nicol, com sua voz grave, recitava poesias.Também teve participação em duas conhecidas séries de TV na década de 1960 - Doctor Who (1963) e Breaking Point (1966). Faleceu em São Paulo em 1995( 74 anos).


*Com informações do portal "Museu da TV" e editorias internacionais

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TV Rio Canal 13

23.05.2020 às 11:58

Inicialmente concedido pelo governo federal à Rádio Mauá – emissora oficial do Ministério do Trabalho – o canal 13 do Rio de Janeiro acabou nas mãos dos sócios Paulo Machado de Carvalho e João Batista do Amaral, sendo que este último já era o único dono quando a estação emitiu seus primeiros sinais de teste, em 18/06/55. Sua torre de transmissão foi colocada na Serra da Carioca.

Na inauguração, em 17/07/55, o locutor Luiz Mendes leu em off um texto de Moacyr Arêas e anunciou o início do Congresso Eucarístico Internacional, no Aterro do Flamengo, de onde o apresentador Murillo Neri passaria a comandar a transmissão. A 1ª imagem foi a Cruz de Cristo, símbolo do evento religioso. David Cohen realizou o espetáculo noturno no estúdio, com Anilza Leoni, Sargentelli, Murilo Mello Filho e Léo Batista, entre outros. A TV Rio instalou-se na Avenida Atlântica 4.264, no posto 6 de Copacabana, onde antes funcionava o Cassino Atlântico. Por ter criado na população o hábito de ver televisão, foi carinhosamente apelidada de “A Carioquinha”. A TV Rio compôs seu elenco com artistas da Rádio Mayrink Veiga, em sua maioria. Aos domingos, as famosas lutas de boxe levaram a emissora ao 1° lugar na audiência em 1956, com o programa “TV Rio Ring”. Outro destaque na época era o “Teatro Moinho de Ouro”. No mesmo ano, vindo de uma agência publicitária, ingressou na emissora o jovem Walter Clark que, com suas idéias, em pouco tempo traria um novo conceito de programação à tv brasileira. Numa 2ª feira de 1957, estreou “Noite de Gala” – um programa revolucionário que mesclava música, humor e reportagem, tendo ainda tornado famoso o apresentador Flávio Cavalcanti. A novidade de 1958 ficou por conta de “Preto no Branco” (conhecido em São Paulo no ano seguinte como “Pingo nos ii”), no qual o convidado era entrevistado e ainda se submetia à berlinda pela cavernosa voz em off de Oswaldo Sargentelli. Sucesso na TV Paulista, a “Praça da Alegria” também passou a ser apresentada no Rio a partir de 1959, mesmo ano em que estreou outro recordista de audiência: o musical humorístico “Noites Cariocas”. Como integrante da cadeia das “Emissoras Unidas”, da qual também fazia parte a TV Record, em 1959 a TV Rio ligou-se por microondas com São Paulo – o que lhe permitia transmitir alguns programas e notícias ao vivo diretamente da capital paulista. Léo Batista e Heron Domingues comandaram o principal noticiário do canal 13: “Telejornal Pirelli”.

Em 1962 a emissora viveu o apogeu com sua faixa nobre: 2ª feira: “Noite de Gala”; 3ª – “Show Doçura – Moacyr Franco”; 4ª – “Discoteca do Chacrinha”; 5ª – “Boa Noite Brasil”; 6ª – “Noites Cariocas”; sábado – “O Riso é o Limite” e domingo – “Chico Anysio Show”. Outros cartazes se tornaram companhia constante dos telespectadores da TV Rio: Nelson Rodrigues, Cid Moreira, Hilton Gomes, Luis Jatobá, Leon Eliachar, Antônio Maria, Silveira Sampaio, Don Rossé Cavaca, Sérgio Porto, Jô Soares, João Loredo, Maysa, Darlene Glória, Carlos Imperial, Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Em 1963 a TV Excelsior ofereceu melhores salários para contratar grande parte dos músicos e humoristas da TV Rio, desfalcando o elenco da linha de shows da “carioquinha”.

Por isso, em 1964 a TV Rio passou a investir nas telenovelas, exibindo os capítulos em vídeo-teipe de “Renúncia”, da Record, e alcançando grande êxito com “O Direito de Nascer” – produção da TV Tupi paulista que a Tupi carioca rejeitou.

Em 1965, o canal 13 ainda conseguiu alguma repercussão com “Rio Hit Parade”, com a Orquestra de Severino Araújo e apresentação de Murillo Neri e Adalgisa Colombo. Por ocasião do golpe militar de 1964, promoveu vigílias cívicas e chegou a sair do ar em solidariedade ao presidente João Goulart, o que irritou o governo da ditadura. A desestruturação de sua aliada TV Record, a ausência de artistas de projeção e dirigentes competentes, a saída de Boni e Walter Clark e a competição com a recém inaugurada TV Globo deram início à decadência da TV Rio a partir de 1967.

Em 1968, a emissora foi vendida para a família Machado de Carvalho, da Record, e Murilo Leite, da Bandeirantes. Mas a situação não melhorou.

Em 15/05/71, 50% das ações foram vendidas para o grupo Gerdau e para o grupo da Televisão Difusora de Porto Alegre, pertencente à Ordem dos frades Capuchinhos, representado pelos diretores Walmor Bergesch e José Sallimen Jr e o superintendente Nélson Vaccari. A programação passou a ser basicamente de filmes antigos e enlatados, a audiência caiu vertiginosamente. Naquele ano, a emissora mudou-se para a rua Boulevard 28 de Setembro, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, onde antes funcionava uma padaria. No lugar da antiga sede, foi construído o Rio Palace Hotel. Em 1972 voltou à Zona Sul, instalando-se em 3 andares do Panorama Palace Hotel, em Ipanema. Em 02/06/74, uma nova direção assumiu o canal 13: Carlos Alberto Scorzelli liderava um grupo formado por Zaide Martins, Davi de Sousa e Cyll Farney. Havia a promessa de compra da TV Rio, mas as cláusulas do contrato não foram cumpridas. Assim, no dia 19/09/74, a emissora já tinha novos proprietários: um grupo liderado pelo jornalista João Gualberto Matos de Sá (Alberto Matos), adquiriu as partes de Paulo Machado de Carvalho (46%), Walmor Bergesch (13,5%) e dos frades de Porto Alegre e Sallimen Jr. (40,5%). Ao transmitir ao vivo a luta de boxe entre Cassius Clay e George Foreman, realizada em Kinshasa (Zaire) em 30/10/74, a TV Rio anunciou que estava lançando uma nova rede, chamada SBC – Sistema Brasileiro de Comunicação.

Em seguida, Jorge Feijó e Joaquim Pires Ferreira, do grupo Vitória-Minas, tornaram-se sócios majoritários. Alberto Matos, formando um novo conselho diretor com Sérgio Roberto e Carlos Eduardo Alvarez, retomaria o comando em 02/06/75, cercado de seguranças! Em 1975, o governo exigiu que o grupo da TV Difusora reassumisse a TV Rio, tendo Ramon Backt Van Buggenhout como superintendente. O controle acionário ficou dividido entre Antônio Augusto Amaral de Carvalho, Sallimen Jr, Walmor Bergersch, Frei Cyrillo Mattiello, Frei Antônio Guizzardi, Frei Osébio Borghetti e Frei José Pagno. A RCA confiscou parte do equipamento por falta de pagamento, e com isso a estação chegou a sair do ar em abril de 1976.

Às vésperas de sua extinção, incluindo os salários atrasados dos 147 funcionários, calculava-se que a dívida da TV Rio passava de Cr$70 milhões. A essa altura, dividiam as ações o grupo Record (46%), a Ordem dos Capuchinhos (40,5%) e o grupo gaúcho de Sallimen Jr (13,5%).

Em fevereiro de 1977, a programação foi novamente interrompida. Produtores e apresentadores do próprio canal 13 reuniram Cr$800 mil e conseguiram voltar ao ar em 02/04/77, mas a tentativa durou poucos dias. Em 05/04/77 a TV Rio teve sua cassação decretada pelo presidente Geisel. Às 22h do dia 11/04/77, o ‘Programa Henrique Lauffer’ encerrou as atividades do canal, quando os transmissores foram lacrados.


*Fonte:Almanaque da TV – 50 Anos de Memória e Informação”

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TV Cultura Canal 2 - São Paulo

16.05.2020 às 11:23


Diários Associados (1960-1969)

Em 1958, os Diários Associados recebem do governo a concessão do canal 2 de São Paulo. No dia 20 de setembro de 1960, entra no ar a TV Cultura, com o slogan "um verdadeiro presente de cultura para o povo" e com o logotipo C2 Cultura e uma indiozinha desenhada no centro. A implantação da emissora, para evitar interferências técnicas, fez a TV Tupi mudar do canal 3 VHF para o 4 VHF.

A TV Cultura iniciou suas operações com um estúdio de 30 m² instalado no décimo quinto andar do Edifício Guilherme Guinle, na Rua 7 de Abril, 230, que foi o mesmo estúdio onde a TV Tupi iniciou suas transmissões. Os técnicos e os atores eram da TV Tupi e, além disso, sua antena no alto do Banespa (Edifício Altino Arantes), também era a antiga antena da TV Tupi, pois a mesma já transmitia seu sinal pela Torre Assis Chateaubriand, no bairro do Sumaré. Os Diários Associados colocaram o canal 2 no ar com pouca divulgação, de forma que muitos nem souberam de seu lançamento.

No início das transmissões da TV Cultura, José Duarte Jr. era o seu diretor artístico e comercial da emissora, sendo que depois foi substituído por Mário Fanucchi. Fanucchi foi um dos primeiros "vinheteiros" do Brasil e o inventor do indiozinho da TV Tupi. Na época ainda não existia o video-tape, de forma que a programação da TV Cultura nunca foi a mesma da TV Tupi como muitos imaginam, pois na verdade tinha seus próprios estúdios e profissionais.

Entre os profissionais da TV Cultura estiveram Ney Gonçalves Dias, Fausto Rocha, Xênia Bier, Carlos Spera e Jacinto Figueira Júnior - que criou o Homem do Sapato Branco, primeiro programa popular da TV Cultura.

Em 1963, os Diários Associados formam parceria com o Governo do estado de São Paulo e com o SERTE (Serviços de Educação de Rádio e Televisão), que dariam origem a dez horas de programação educativa na emissora.

Em 28 de abril de 1965, um curto-circuito no 15º andar do Edifício Guilherme Guinle, na Rua 7 de Abril, 230, provocou um incêndio onde era o estúdio da TV Cultura dos Diários Associados. Pouco se salvou deste incêndio, onde inclusive perdeu-se a primeira câmera de TV do Brasil da Rede Tupi (câmera TK-30 de 80 quilos).

Devido ao incêndio, os programas da emissora foram provisoriamente produzidos em um estúdio da TV Tupi no Sumaré. Em 1966 a TV Cultura se instala em um bosque próximo a Freguesia do Ó, ao lado da Lagoa Santa Marina - ambos no bairro de Água Branca. Ali criaram a competição Acqua-Ringue, que era uma luta de boxe que fazia vencedor aquele que jogava o outro na água.

Com a mudança para a nova sede, mais despesas acabaram se acumulando, sendo que o incêndio de abril de 1965 foi o pivô de toda esta situação, colaborando desta forma para a venda da TV Cultura. Assis Chateaubriand decide então vender a TV Cultura para o Governo do Estado de São Paulo e também as suas novas instalações na Água Branca.

Transição Associados-Fundação Padre Anchieta

Em setembro de 1967, o governador de São Paulo, Roberto Costa de Abreu Sodré, cria a Fundação Padre Anchieta (Centro Paulista de Rádio e TV Educativa). Esta fundação era composta por diversos profissionais, faculdades (USP, Unicamp, PUC, Mackenzie, entre outras), sociedades privadas e públicas (ABI, UBE, etc.) e com setenta centavos de cada paulista. A Fundação Padre Anchieta adquire então dos Diários Associados a TV Cultura e a Rádio Cultura.

A TV Cultura torna-se então a segunda emissora de TV educativa do Brasil (a primeira foi a TV Universitária, da Universidade Federal de Pernambuco). A Fundação Padre Anchieta procurou dar um novo nome para a emissora como: TV Escolar, TV Educativa, etc. Como a TV Cultura já tinha uma programação educativa, a Fundação manteve este nome, mesmo porque todos os funcionários da antiga emissora nesta fase de transição foram mantidos, já que seus profissionais lidavam com programas educacionais.

O governo começa então a aterrar a Lagoa Santa Marina na Água Branca, criando ruas, fábricas e prédios a sua volta. É construída então a nova sede da TV Cultura na Rua Carlos Spera, 179 (nome do jornalista da TV Cultura em sua fase nos Diários Associados e também da TV Tupi), e com saídas laterais pela Rua Cenno Sbrighi, 378 e Rua Vladimir Herzog, 74.

Fundação Padre Anchieta (1969)

Após quatro meses de transmissões experimentais que iniciaram no dia 4 de abril, foi reinaugurada a TV Cultura às 19h30 do dia 15 de junho, com a apresentação dos discursos do então governador, Abreu Sodré e do presidente da Fundação Padre Anchieta, José Bonifácio Coutinho Nogueira (que posteriormente veio a fundar a EPTV, rede de quatro emissoras afiliadas à Rede Globo no interior de São Paulo e no Sul de Minas Gerais). Em seguida, foi exibido um clipe mostrando o surgimento da emissora, os planos para o futuro e uma descrição dos programas que passariam a ser apresentados a partir do dia seguinte. Além disso foi exibida uma fita com o Papa Paulo VI dando bênção à TV Cultura.

O primeiro programa a ser exibido pela Cultura foi o documentário Planeta Terra, no dia 16 de junho, às 19h30, que trazia como tema terremotos, vulcões e fenômenos que ocorrem nas profundezas do planeta. Em seguida, às 19h55, foi levado ao ar um boletim meteorológico chamado A Moça do Tempo, apresentado por Albina Mosqueiro. Às 20h iniciava uma série chamada de Curso de Madureza Ginasial (onde Ruth Cardoso, ex-primeira-dama presidencial era uma das professoras que dava aula pela televisão), sendo um dos seus maiores desafios o de provar que uma aula transmitida por televisão poderia ser, ao mesmo tempo, eficiente e agradável. Estiveram entre os primeiros programas da emissora, a peça O Feijão e o Sonho, de Orígenes Lessa; Quem Faz o Quê, sobre profissões; Sonatas de Beethoven, com o pianista Fritz Jank; e O Ator na Arena, com Ziembinski. O primeiro logotipo da TV Cultura em sua fase na Fundação Padre Anchieta foi o seu "bonequinho" - como apelidaram seu símbolo, que inicialmente era acompanhado da assinatura "TV-2 Cultura". O verde desde sua fundação é tido como a cor oficial da instituição.

No dia 28 de fevereiro de 1986 outro incêndio atinge a sede da TV Cultura, na cidade de São Paulo. O fogo destruiu 90% dos equipamentos da emissora, fazendo com que ela ficasse três horas fora do ar. A emissora, com equipamentos emprestados das TVs Globo, Manchete e Bandeirantes, retorna ao ar noticiando o incêndio e cobrindo todo o trabalho dos bombeiros.

Em 22 de agosto de 1992, a emissora inaugurou no bairro do Sumaré a Torre Cultura, que passava a ser usada para emitir os sinais da TV Cultura e da Cultura FM, além das demais emissoras públicas de São Paulo. A nova torre substituiu a antiga utilizada pela emissora desde a década de 1970 no Pico do Jaraguá, que passou a ser utilizada pela Rádio USP FM. Em 1993, foi formada a Rede Cultura de Televisão, via satélite para o Brasil inteiro.

A Rede Pública de Televisão, formada pela união da TVE Brasil com a TV Cultura, foi extinta no dia 2 de Dezembro de 2007, data da inauguração da TV Brasil, a TV pública do Governo Federal. Com isso, São Paulo e outros estados brasileiros passaram a transmitir apenas o sinal da TV Cultura. Depois, muitas emissoras públicas em todo o território nacional deixaram de transmitir a programação da TV Cultura para transmitirem a programação da TV Brasil, gerando o rápido encolhimento da rede desde 2008.

No dia 18 de março de 2015, depois de mais de 20 anos em sinal analógico captado nas parabólicas, a TV Cultura deixou de ter sinal no satélite StarOne C2 analógico, passando a utilizar o StarOne C3 digital.

Em 2015, a emissora passou a enfrentar uma crise financeira, após a comissão de política salarial do Governo do Estado de São Paulo cortar 20% do orçamento repassado à Fundação Padre Anchieta, mantenedora do canal. Devido a isso, em 19 de junho, 80% do quadro de funcionários da emissora (desde cinegrafistas a operadores de áudio), incluindo as rádios da FPA, entraram em greve sob o apoio do Sindicato dos Radialistas de São Paulo, reivindicando um bônus de 50% sobre o salário-base prometido no ano passado e não depositado devido ao veto do governo.Em função da greve, a programação da emissora acabou sendo prejudicada, e programas ao vivo como o Jornal da Cultura tiveram o tempo de duração reduzido e passaram a ir ao ar de maneira precária.Em 24 de junho, os grevistas aceitam a proposta patronal e encerram a greve.

No entanto, em 15 de julho, a emissora promoveu cortes em sua folha de pagamento, com a demissão de 53 funcionários que integravam as equipes dos programas Viola, Minha Viola e Provocações, extintos devido ao falecimento dos seus apresentadores. Em razão disso, ex-artistas da emissora gravaram um vídeo intitulado "Eu Quero a Cultura Viva", protestando contra um possível desmonte gradual da grade de programação da emissora que vem ocorrendo a partir da extinção de programas nos últimos anos. Os artistas também promoveram em frente aos estúdios da emissora na Água Branca um ato no dia 10 de agosto, que convocava internautas a assinarem um abaixo-assinado, pressionando o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, além do presidente da FPA, Marcos Mendonça e o conselho curador.

Em 6 de setembro de 2016, a Empresa Brasil de Comunicação não autoriza o canal a exibir os Jogos Paralímpicos de Verão de 2016 por decidir que somente os canais que fazem parte da ABEPEC devem transmitir o evento, sendo a única emissora de rede a TV Brasil. Com o veto, no dia seguinte, o canal passou a fazer campanha nas redes sociais, intitulada #LiberaOSinalEBC. Com a cerimônia de abertura já em execução, o departamento de jornalismo da Cultura negociou com a Rede Globo, detentora dos direitos do evento, e conseguiu autorização, retransmitindo o sinal do International Broadcast Center (IBC).

Em 8 de setembro de 2016, os funcionários da TV Cultura iniciam estado de greve devido aos problemas financeiros do canal e os salários estagnados desde 2013. Enquanto isso, parte da programação foi substituída pela retransmissão de modalidades dos Jogos Paralímpicos, onde após acordo firmado com a TV Brasil, o canal paulista passou a usar o sinal e conteúdo produzido pela TV estatal. Por conta do impasse da greve, em 12 de setembro, o Jornal da Cultura 1ª Edição deixou de ser exibido.

A partir de 21 de setembro de 2016, a TV Cultura passou a ser considerada pela Anatel como uma rede nacional que deve ter o sinal carregado obrigatoriamente pelas operadoras de televisão por assinatura de DTH, ao ser incluída na lista, ao lado da RCI, que tinha até o momento 14 redes consideradas como sendo nacionais.

Sinal digital

A TV Cultura estreou seu sinal digital em São Paulo pelo canal 24 UHF, em 2 de dezembro de 2007, data do início das transmissões de TV digital no Brasil. Em 26 de agosto de 2009, tornou-se a primeira emissora de TV do país a disponibilizar a multiprogramação, com a criação dos canais Univesp TV e Multicultura, que passaram a ocupar as frequências 2.2 e 2.3 do sinal digital da emissora. A emissora também expandiu o seu sinal digital para o interior através da implantação de novas retransmissoras, além de disponibilizar seu sinal no satélite StarOne C3 em substituição ao sinal analógico, desativado em 22 de abril de 2015.

Em 13 de maio de 2015, a emissora alterou o canal virtual do seu sinal digital na Grande São Paulo, passando do 2.1 para o 6.1. Segundo a emissora, a alteração é visando maior atração de audiência e telespectadores, ocupando um canal mais próximo das emissoras mais populares. Tal mudança foi revertida por uma portaria do MCTIC, publicada no Diário Oficial da União em 17 de março de 2017, na qual se estabeleceu que todas as emissoras devem utilizar seus canais virtuais de acordo com a numeração original do canal analógico. O ministério deu prazo de dez dias contando com a data de publicação da portaria para as emissoras efetuam a mudança. A TV Cultura voltou para o canal virtual 2.1 no dia 27 de março.

Transição para o sinal digital

Com base no decreto federal de transição das emissoras de TV brasileiras do sinal analógico para o digital, a TV Cultura, bem como as outras emissoras da Região Metropolitana de São Paulo, cessou suas transmissões pelo canal 02 VHF em 29 de março de 2017, seguindo o cronograma oficial da ANATEL.

Jornalismo

O ex-presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva durante gravação de entrevista para o programa Roda Viva no Palácio do Planalto.

No setor de jornalismo, a TV Cultura exibe o Jornal da Cultura, o talk show Roda Viva, o mais antigo programa de entrevistas da televisão brasileira, a revista eletrônica Matéria de Capa, o "eco-telejornal" Repórter Eco, pioneiro do gênero no país, e o Panorama, programa de entrevistas com especialistas em variados assuntos.

Pela bancada do Jornal da Cultura já passaram âncoras como Carlos Nascimento, Heródoto Barbeiro, Maria Cristina Poli, Joyce Ribeiro, Willian Corrêa, e atualmente o noticiário é conduzido por Karyn Bravo e Ana Paula Couto. E no Roda Viva, vários convidados ilustres já foram entrevistados como Telê Santana, Ayrton Senna, Luiz Carlos Prestes, Hebe Camargo, Fidel Castro, Tom Jobim, Dias Gomes, Herbert José de Sousa, Paulo Freire, Ruth Cardoso , Caetano Veloso, Antônio Carlos Magalhães, Luiz Inácio Lula da Silva, Steve Ballmer, Dom Odilo Scherer, entre outros. Além disso, o programa já foi mediado por vários comunicadores importantes como Rodolpho Gamberini, Lilian Witte Fibe, Marília Gabriela, Paulo Markun, Heródoto Barbeiro, Mario Sergio Conti, Augusto Nunes, Ricardo Lessa, Daniela Lima e desde janeiro de 2020 por Vera Magalhães.

Outros grandes jornalísticos da emissora foram o telejornal A Hora da Notícia (percussor do Jornal da Cultura), dirigido por Vladimir Herzog, e o talk-show Vox Populi, atualmente reprisado nas madrugadas da emissora.

Esportes

Dos programas esportivos, a TV Cultura exibe atualmente o Cartão Verde, e já exibiu o Grandes Momentos do Esporte, entre 1984 e 2012. Também passaram na emissora diversas personalidades da narração esportiva e comentaristas como Juca Kfouri, José Trajano, Jorge Kajuru, Flávio Prado, Nivaldo Prieto, Armando Nogueira, entre outros.

Transmissões esportivas

As copas do mundo de 1974 e 1978 foram a primeira e a segunda Copa do Mundo que a TV Cultura exibiu. Os ícones da narração na época eram Luiz Noriega e Walter Abrahão.

Na copa de 1982, a TV Cultura exibiu os jogos em parceria com a Rede Globo. À época, a Globo ainda não possuía cobertura total na maioria dos estados, e a alternativa era fazer uma "rede de retransmissoras" ligadas a Cultura, e que eram mantidas, em sua maioria, por emissoras educativas, que cobriam boa parte das regiões onde a Globo ainda não era transmitida. Os narradores eram próprios da emissora carioca: Luciano do Valle (partida de abertura, partidas da seleção brasileira, e a final, além de outros países) e Galvão Bueno (partidas dos outros países).

Durante a década de 1990, a TV Cultura chegou a transmitir algumas edições da Liga dos Campeões da UEFA,[carece de fontes] além de transmitir o Campeonato Japonês de Futebol e o Campeonato Alemão de Futebol.Em 2005, a emissora transmitiu outras competições esportivas, como a Copa das Confederações, a Copa São Paulo de Futebol Júnior e a Copa Cultura de Juniores, organizada pela própria emissora. Aos sábados, eram exibidos jogos de voleibol. Em 2006 a emissora paulistana faz o anuncio das transmissões da Primeira Liga. Em 2009, transmite o Campeonato Italiano de Futebol

Em 25 de janeiro de 2017, a TV Cultura exibiu juntamente com várias emissoras do país o "Jogo da Amizade" (Brasil X Colômbia), em prol da Associação Chapecoense de Futebol.

Em 2019, a TV Cultura transmitiu o Torneio Internacional de Futebol Feminino e as finais do Campeonato Paulista de Futebol Feminino de 2019, com uma equipe totalmente feminina, alem de transmitir os jogos da Superliga Masculina de Vôlei e também a Superliga Feminina de Vôlei. Em 6 de março de 2020 fecha acordo com a Liga de Basquete Feminino para transmissão dos jogos da temporada 2020.

Programação infantil

Para o público infanto-juvenil, a TV Cultura e a Rede Globo uniram-se ao Sesame Workshop para produzir a versão brasileira do norte-americano Sesame Street, chamada no Brasil de Vila Sésamo (1972 a 1977). Logo, a TV Cultura passou a ser especialista em programas infantis educativos, como Bambalalão, que foi laureado em vários anos com o prêmio APCA de Melhor Infantil; Rá-Tim-Bum, que também recebeu o Troféu APCA e a medalha de ouro no Festival de Nova York ; X-Tudo ; Revistinha ; Castelo Rá-Tim-Bum, programa infantil de maior sucesso da TV Cultura, que rendeu shows de suas personagens, revistas, jogos e um longa-metragem: Castelo Rá-Tim-Bum, o Filme; Mundo da Lua ; Catavento, que ganhou o prêmio entregue pela televisão estatal japonesa NHK e Cocoricó, programa infantil que usa bonecos como personagens, e é também é um dos maiores sucessos da emissora. O seriado internacional mais assistido pelo público infanto-juvenil foi o Quebra-Cabeça, que também usou bonecos falantes como personagens e teve famílias e amigos dos bonecos.

Nos dias de hoje, a TV Cultura exibe uma programação diversificada para o público infantil, sendo programas como Quintal da Cultura, TV Cocoricó, além das séries Que Monstro te Mordeu? (produzida em parceria com o SESI São Paulo) e Pedro & Bianca (produzida em parceria com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo), esta última laureada com o Emmy Internacional Kids na categoria "Melhor programa infanto-juvenil" em 2014. São partes da programação também desenhos como Ninguém Merece!, Os Grandes Cavaleiros, Arthur, A Pedra dos Sonhos, Caillou, O Pequeno Urso, Animais do Bosque dos Vintens, Os Sete Monstrinhos, Os Camundongos Aventureiros, Cyberchase, As Aventuras de Babar, As Aventuras de Tintim, Rupert, O Show da Luna, Doug, My Little Pony: A Amizade É Mágica, Minúsculos, Os Chocolix, Pingu, Pequeno Bosque Ilustrado, Porto Papel, Sunny Day, Timothy Vai à Escola, Transformers: Rescue Bots, Vivi Viravento, Viva Pitágoras, Zoboomafoo, Rugrats, entre outros.

Em 30 de março de 2020, depois da Turma da Mônica, a emissora comprou a animação brasileira Irmão do Jorel, que antes era exibido apenas no Cartoon Network.

Em 21 de março de 2016, a emissora levou ao ar a animação Zupt com o Senniha, sendo a primeira TV aberta a dar espaço ao personagem Senninha. Em 2017, a TV Cultura começou a exibir Sésamo, em outubro de 2017 começou a exibir A Turma da Mônica, no mesmo mês a emissora faz diversas estreias como: O Colorido Mundo de Dalton, Mônica Toy, Ciência para Crianças, O Mundo da Gente, Regal Academy, Se Liga na Ciência e Planetorama.

Carnaval

De 2004 a 2006, a TV Cultura exibia os desfiles do grupo de acesso e das campeãs do Carnaval de São Paulo, que depois foram repassados à Band. Em 2012, em uma parceria com o SBT e Rede Globo, a emissora voltará a transmitir os desfiles do acesso, além de passar a reprise do desfile das campeãs.

Em 2014, 2015, 2018 e 2019 a TV Cultura, em parceria com a TV Nova Nordeste transmitiu o Carnaval do Recife no especial Carnaval é Cultura, transmitindo ao vivo para todo o país os shows realizados no Marco Zero da cidade.

Festival Folclórico de Parintins

Desde 2017, a TV Cultura transmite em parceria com a TV A Crítica o Festival Folclórico de Parintins, utilizando links ao vivo do portal A Crítica Play para todo o país com total exclusividade.

Emissoras

De 1980 a 2007, a TV Cultura tornou-se uma forte rede de televisão educativa, sendo que várias emissoras educativas de todo o país passaram a se afiliar com a rede. No ano de 1998, a TVE Brasil do Rio de Janeiro se juntou a TV Cultura e juntas elas formaram a Rede Pública de Televisão, hoje ABEPEC (Associação Brasileira das Emissoras Públicas e Educativas). Em 2007, com a criação da TV Brasil, a parceria com a TV Cultura é desfeita, porém a parceria é retomada dois anos mais tarde. No período de 2008 a 2012, mais da metade das afiliadas da TV Cultura a deixam pela TV Brasil, gerando um rápido encolhimento da rede, quadro revertido entre 2016 e 2019.

Em 2013, com os recentes resultados obtidos pelo IBOPE, que demonstravam uma queda de audiência da RedeTV! e um crescimento de audiência da TV Cultura na média diária de audiência da Grande São Paulo (as emissoras ficaram tecnicamente empatadas no 5º lugar), a emissora começou a buscar novas emissoras pelo Brasil nos mercados onde perdeu afiliadas para a TV Brasil nos últimos anos, promovendo uma reexpansão do seu sinal. Atualmente, a emissora está presente em 2.000 municípios e em 27 estados, seja por meio de emissoras parceiras ou retransmissoras da rede, formando a Rede Cultura e Rede Cultura de Televisão.


*Arquivos Fundação Padre Anchieta e Wikipédia

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TV Paulista - Canal 5 - São Paulo

09.05.2020 às 11:23


O canal 5 de São Paulo foi inaugurado em 14/03/1952. Pertencia inicialmente ao grupo do deputado Ortiz Monteiro. O diretor de teatro italiano Ruggero Jaccobi era então o superintendente da emissora. Com 3 câmeras, a TV Paulista funcionava precariamente num modesto prédio de apartamentos na Rua da Consolação, quase esquina da Av. Paulista. Mas foi assim mesmo que nasceu a 1ª estação concorrente da pioneira Tupi. Vindo do rádio carioca, Antonino Seabra dirigiu um dos primeiros seriados da tv brasileira: “O Invisível”, inspirado no célebre personagem “O Sombra”. Em 1953, Gilberto Martins programou “O Circo do Arrelia” para animar a garotada aos domingos, e a atriz Cacilda Becker foi contratada, impulsionando a produção de teleteatros, que viraram uma especialidade da TV Paulista.

Em 1955, Ortiz vendeu o canal às Organizações Victor Costa, que compreendiam também as Rádios Excelsior e Nacional. No ano seguinte a emissora mudou de endereço, instalando-se em um prédio de 5 andares na Rua das Palmeiras. As emissoras de rádio da OVC que ali funcionavam foram transferidas para a Rua Sebastião Pereira, onde havia um auditório que também foi aproveitado para a realização de programas de tv. Vindo da Tupi, Dermival Costa Lima tornou-se o diretor geral da estação, tendo Cláudio Petraglia como supervisor e Alvaro de Moya na direção do núcleo de dramaturgia. Ainda em 1955, esta equipe foi responsável pelo lançamento do “Teledrama Três Leões”, aos sábados. Em 1957, Manoel da Nóbrega lançou seu famoso humorístico “Praça da Alegria”. Sílvio Santos também despontou na TV Paulista: a estréia do animador foi em meados dos anos 50, apresentando e participando de diversas atrações da emissora.

Em 1963 foi lançado o “Programa Sílvio Santos”, que bateria recorde de permanência no ar, apresentado em diversas emissoras. Sem conseguir competir com a Tupi, a TV Paulista sucumbiu e mudou novamente de dono – e de nome. Repassado ao empresário Roberto Marinho em novembro de 1964, o canal foi reestruturado gradualmente para a implantação da TV Globo paulista.

*Almanaque da TV – 50 Anos de Memória e Informação”

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TV Continental Canal 9 - Rio de Janeiro

03.05.2020 às 12:07
Presidente Juscelino Kubitschek durante a solenidade de inauguração da TV Continental em 30/06/1959


Terceira emissora de TV no Rio de Janeiro. Fruto da perseverança de 3 nordestinos: o deputado Rubens Berardo e seus irmãos Carlos e Murilo. Com a fusão da ORB (Organização Rubens Berardo S.A., dona das rádios Continental e Metropolitana) com a Companhia Cinematográfica Flama, estava dado o passo para a fundação da TV Continental. A emissora se situava na Rua das Laranjeiras, 291, onde antes funcionava a Flama. O estúdio A era então o maior do Brasil, medindo 15m x 28m e com uma piscina que lhe serviria para inúmeras situações cênicas. O veterano Dermival Costa Lima vinha da TV Paulista para organizar a estação. A Continental chegou a ser apelidada de “Recreio dos Bandeirantes”, por ter trazido para sua equipe dezenas de profissionais de São Paulo. A pré-estréia foi no Maracanã, com a transmissão do jogo Brasil 2 x 0 Inglaterra, em 13/05/59.

O locutor Waldir Amaral, habituado ao rádio, foi criticado por sua narração atrasada em relação aos lances. Três das quatro câmeras pifaram durante 20 minutos, dificultando o trabalho do diretor de corte Ibañez Filho, que ainda assim obteve bons resultados. O canal 9 do Rio de Janeiro entrou no ar oficialmente às 19h do dia 30/06/59, com a bênção das instalações e a presença de Juscelino Kubitschek na solenidade. A partir do dia 1° de julho, teve início a programação da semana inaugural. “Um Amigo Em Cada Rua”, slogan de campanha do deputado Rubens Berardo, também foi o título do show de abertura. Com texto de Telmo de Avelar, o espetáculo, que reunia músicas sobre os bairros cariocas, contou com a direção de Haroldo Costa. Entre as atrações, a cantora Marion e o balé aquático do Fluminense, de Eloá Dias, que se apresentou na piscina do estúdio. No dia 2 foi encenado o teleteatro musical “Orfeu do Carnaval”, de Vinícius de Moraes, com Haroldo Costa e Terezinha Amayo. No dia 3, uma festa de gala e humor – “Da Pelada Ao Pelé”, realização de Oswaldo Waddington, com a vedete Nancy Montez (Miss Campeonato) e craques do futebol carioca. O cronista esportivo Mário Filho fez uma aparição especial, enquanto o compositor Lamartine Babo e Manezinho Araújo batiam um papo num cenário que reproduzia o antigo Café Rio Branco, reduto de torcedores de futebol. No sábado, dia 4, foi apresentado o show “OVC na ORB”, produção da Rádio e Televisão Paulista (Organização Victor Costa). A revista “TV Programas” promoveu a atração de domingo, dia 5, intitulada “Melhores Pela Nova” – uma premiação aos nomes de destaque da tv carioca. Na 2ª feira, dia 6, houve o encerramento da semana inaugural: “Esta Noite de Vitória” transmitiu luta livre, judô e boxe, direto do Maracanãzinho. Nos primeiros tempos, destacaram-se na programação “Violão do Bonfá”, com o renomado violonista, “Festa da Mocidade”, com o produtor Carlos Peón, “Dona Jandira Para a Felicidade”, um seriado doméstico com Nicete Bruno e “Estamos em Casa”, programa feminino com Edna Savaget e Heleida Casé. Jô Soares teve seu programa de entrevistas, só que com personagens fictícios. Ainda em 1959, a Continental seria a 1ª televisão brasileira a demonstrar o vídeo-teipe. No jornalismo, destacaram-se Mário Del Rio, o repórter Carlos Pallut e o locutor Heron Domingues. Antonino Seabra produziu alguns dos mais importantes shows. Especializada em musicais, a emissora lançou os programas “Elizeth, a Magnífica” (com Elizeth Cardoso), “Agostinho Espetacular” (com Agostinho dos Santos), “Agnaldo e as Garotas” (com Agnaldo Rayol), “Música de Saudade” (com Vicente Celestino), “Cantinho da Saudade” (com Carlos Galhardo), “Ivon Curi É Assim” (com o próprio) e “Cauby Peixoto”. Foi também através da Continental que a paulista Hebe Camargo estreou na tv carioca, com os programas “Hebe Comanda o Espetáculo” e “O Mundo é das Mulheres”. A teledramaturgia foi outro ponto positivo do canal, que apresentava o “Teatro de Ontem”, “Teledrama Continental”, “Teleteatro das Quartas” e “Isto é Estória”. Integrando o elenco, José Miziara, Nicete Bruno, Leonor Bruno, Paulo Goulart, Dirceu de Matos, Walter Alves, Nestor de Montemar, Jardel Melo, Eugênia Levi, Francisco Milani, Joana Fomm, Terezinha Amayo, Ênio Santos, Telmo de Avelar, Riva Blanche, Miele, Paulo Célio, Airton Cardoso e Roberto Maya, entre outros. O locutor Waldir Amaral narrava os jogos de futebol simultaneamente pelo rádio e pela tv. A menina Mariângela alcançou popularidade apresentando “TV de Brinquedo”, e a criançada também acompanhava as sinistras aventuras de “O Escorpião”, um seriado de sucesso.

Em 1960, a Continental viveu o auge de sua popularidade através do programa “Figura de Francisco José”, com o cantor português, que tornou-se líder absoluto de audiência, indo ao ar aos sábados à noite. O sucesso alcançado no 1° ano acirrou a concorrência, mas a saída de Costalima para a Tupi carioca assinalou o início do declínio vertiginoso da emissora. Ligado ao antigo PTB, Rubens Berardo não era visto com simpatia pelo governo militar. Após o golpe de 64, a emissora já não tinha o fôlego criativo de sua estréia. Nem o slogan “Fique de olho no canal 9” animou os telespectadores. O educador Gilson Amado ainda conseguiu conduzir por muitos anos, a partir de 1962, suas “Mesas Redondas” de caráter instrutivo. Apesar da boa cobertura esportiva, os enlatados estrangeiros passaram a predominar na programação. A falta de anunciantes e investimentos culminou com um final melancólico: despejada do prédio em maio de 1970, a TV Continental seguiu operando de um caminhão de externas.

Em 1971, mudou-se para a rua Boulevard 28 de Setembro, 258, em Vila Isabel, tentando reerguer-se com o nome de ‘TV Guanabara’. Aos trancos e barrancos, resistiu com 2 horas diárias de programação, realizada pela equipe do Instituto de Educação de Alfredina de Paiva e Sousa. Teve a concessão cassada em fevereiro de 1972. Mais tarde, o prédio da estação daria lugar a uma concessionária de automóveis.

*Fonte:“Almanaque da TV – 50 Anos de Memória e Informação”

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Breve histórico do telejornalismo na tv brasileira

15.04.2017 às 23:02

O formato do telejornal que é visto hoje nem sempre foi assim, no inicio ele não tinha a mínima expressão e força. O rádio era a potência da época e era ele quem dava as notícias em primeira mão.

As notícias eram, geralmente, apresentadas como no rádio, lidas por um locutor eram longas e detalhadas, as reportagens exibidas eram narradas de acordo com o acontecimento e em grande parte ao vivo. Isto fez com que grandes programas de rádio virassem sucesso na TV.


A história do telejornalismo brasileiro pode ser confundida com a história da TV, pois o primeiro telejornal a ser vinculado pela televisão brasileira foi “Imagens do Dia” em 19 de setembro de 1950. Nasceu junto com o início da TV Tupi e durou três anos. Algumas notas tinham imagens feitas em filme preto e branco e sem som.


O primeiro jornalista a falar na TV Tupi/SP, Maurício Loureiro Gama, conta que os jornalistas que foram convidados para trabalhar na emissora, em meio ao desespero, procuravam por literaturas sobre o assunto, que na época não existia. O Telejornal, “Imagens do Dia”, durava o tempo que fosse necessário para exibir imagens brutas, ao vivo, de acontecimentos do dia.


A enorme semelhança com o rádio fez com que grandes programas desse meio de comunicação também virassem sucesso na TV, como foi o caso do “Repórter Esso”. Transmitida a sua primeira edição em 1º de abril de 1952, um dos mais famosos telejornais brasileiros, levava o nome de seu patrocinador, a Esso. Ele foi adaptado pela Tupi Rio de um radiojornal de grande sucesso transmitido pela United Press International (UPI), sob a responsabilidade de uma agência de publicidade, que entregava o programa pronto. “A TV Tupi limitava-se a colocá-lo no ar. A agência usava muito mais material internacional, filmes importados da UPI e da CBS (agências fornecedoras de serviços de filmes), do que material nacional” – Armando Nogueira. Com uma expressiva sonoplastia, o apresentador anunciava: “Aqui fala o seu Repórter Esso, testemunha ocular da história”. Esta frase ficou consagrada na voz do gaúcho Heron Domingues, um dos precursores deste noticiário. O “Repórter Esso” ficou no ar, diariamente sempre às oito horas da noite até 31 de dezembro de 1970, época em que os anunciantes passaram a comprar espaço entre os programas em vez de patrocinar o programa como um todo.


Em 1962 foi ao ar o “Jornal de Vanguarda”, idealizado por Fernando Barbosa Lima, que se constitui em outro marco significativo na história do telejornalismo brasileiro. Ele foi inovador por ter instituído a participação de jornalistas, a exemplo de Vilas Boas Corrêa, Newton Carlos e Cid Moreira, em programas televisivos. Na época, Cid Moreira era chamado de “Sombrinha”, porque juntamente com Célio Moreira e Luiz Jatobá, fazia a leitura em off de notícias veiculadas no programa.


O “Jornal de Vanguarda” foi premiado na Espanha como um dos melhores jornais de informação do mundo, contudo ele não conseguiu sobreviver após o golpe de 1964, quando foi retirado do ar. Seu modelo, contudo, foi copiado por várias outras emissoras.


Em 1977, a Globo São Paulo colocou no ar um jornal de serviço: “Bom Dia São Paulo”, que até hoje vai ao ar, às 7h da manhã. Também incorporou novas tecnologias: foi o primeiro a usa a UPJ ( Unidade Portátil de Jornalismo ) com repórteres entrando ao vivo de vários pontos da cidade, transmitindo informações de serviço como tempo, trânsito, movimentação da cidade, aeroporto, etc. São características que permanecem até hoje. O sucesso deu origem ao “Bom Dia Brasil”, em 1983, que vai ao ar logo após o “Bom Dia” de cada praça, com o noticiário político gerado em Brasília.


A partir de 1983 com a decadência da Ditadura e a abertura da imprensa, os telejornais foram ganhando força e reforço tecnológico, a TV já superara no país a audiência do rádio e se consolidava.


Iniciava-se o período nas grandes coberturas jornalísticas na TV principalmente pelas facilidades da comunicação via satélite, a TV Globo com sua hegemonia e liderança na audiência torna-se a pioneira em telejornalismo, trazendo linguagem própria e criando um padrão para os seus telejornais e apresentando mais de 3 horas de telejornalismo diariamente.


A história do jornalismo brasileiro destaca também o “TJ Brasil”, lançado em 04 de setembro de 1988, no Sistema Brasileiro de Televisão – SBT. Também se inspirou no formato americano ao inovar com a emblemática figura do âncora Bóris Casoy, que saiu do jornal impresso e logo se acertou com a TV, conquistando seu espaço e seu público.


Em 1990 começam a surgir o conceito de jornalismo local, com os jornais locais que tinham boa parte de suas notícias reaproveitadas nos telejornais de rede das emissoras, também nasce o conceito de jornalismo investigativo e policial. O primeiro do gênero policial foi o “Aqui Agora”, inicialmente na TV Tupi em 1960, porém com um formato mais ameno e com destino incerto que durou poucos meses foi resgatado em 1991 pelo SBT, apresentado por Ivo Morganti e Patrícia Godoy, era o telejornal que mostrava a vida como ela é com uma linguagem forte e sensacionalista que foi marcada principalmente pelo repórter Gil Gomes. O “Aqui Agora”, permaneceu no ar por sete anos de 1991 até 1997.


Dentro da história do telejornalismo brasileiro, o “Jornal Nacional”, da Rede Globo e líder de audiência há mais de 30 anos, pode ser considerado um ícone na televisão. Criado na época pelo diretor da Central Globo de Jornalismo, Armando Nogueira, estreou em 1º de setembro de 1969,  tornou-se referência da imprensa nacional. Foi o primeiro a apresentar reportagens em cores, reportagens internacionais via satélite no instante em que os fatos ocorriam. Inovador, ele criou, por exemplo, o desfecho com um simples “boa noite”, deixando no ar a esperança e boas expectativas para o próximo dia. Hoje o cumprimento – pronunciado pelo casal William Bonner e Fátima Bernardes – é considerado uma das principais marcas do Jornal Nacional.


O telejornalismo brasileiro, desde seu início, tomou seu espaço frente ao rádio. Vimos, então, seu crescimento e disseminação nas diversas emissoras que foram surgindo ao longo dos anos.


A força da imagem, da informação visual, dá ao telejornalismo uma credibilidade muito grande frente ao público. Nesse sentido, o telejornal é visto como um espelho da realidade. Isso pode ser comprovado quando alguém lê alguma notícia no jornal escrito, ou ouve pelo rádio e logo após liga a televisão para confirmar os fatos.



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Os primórdios da propaganda na televisão brasileira

12.12.2016 às 12:12
Reprodução

A propaganda é uma atividade humana que já existe desde a Grécia antiga. O termo se originou (acredite se quiser!) de “Sacra congregatio christiano nomini propaganda” (Sagrada Congregação Católica Romana para a Propagação da Fé), o departamento da Igreja Católica para divulgação do Catolicismo em vários países, com os missionários.

As primeiras técnicas de propaganda foram criadas no início do século XX, pelo jornalista Walter Lippman e pelo psicólogo Edward Bernays (sobrinho de Freud).

A propaganda é uma ferramenta de persuasão muito forte, influenciando extremamente a opinião das pessoas, sendo também muito usada durante guerras. Na Primeira Guerra Mundial, por exemplo, Lippman e Bernays foram contratados pelo presidente dos Estados Unidos para influenciar a opinião pública a favor do país. Bernays utilizava termos como “mente coletiva” e “consenso fabricado”.

Com o desenvolvimento da tecnologia, surgiram os primeiros aparelhos de televisão e, com eles, as propagandas voltadas aos telespectadores, os comerciais de TV.

A primeira emissora brasileira, a TV Tupi, foi inaugurada em 1950, na cidade de São Paulo, tendo sido idealizada por Assis Chateaubriant. Vale lembrar que, no mesmo ano, os EUA já implantavam a tecnlogia de televisões em cores.

Por se tratar de uma área nova, sentia-se muita falta de profissionais experientes. As agências McCann Erikson e J.W. Thompson criaram o “know-how”, a fim de criar, redirigir e produzir programas e comerciais. Nessa época,surgiram as “garotas demonstradoras”, ou “garotas propaganda”, que anunciavam produtos.

Em 1951, fundou-se, também em São Paulo, a primeira Escola Superior de Propaganda, visto que a área começava a prosperar.
A empresa também estava evoluindo muito, principalmente indústrias automobilísticas e de eletrodomésticos, com marcas como Volkswagen, Ford, Jeep, Chevrolet, GE e Walita, que necessitavam de pessoas criativas para valorizar sua empresa e seu marketing, e vencer a forte concorrência.

A propaganda na televisão brasileira iniciou-se em 1951, com comerciais de 30 segundos custando 120 cruzeiros, sendo que os primeiros a serem veiculados foram os da Casa Clô e das Persianas Columbia.
Vale lembrar que, nessa época, o Brasil ainda não produzia aparelhos de TV, o que tornava-os acessíveis somente a pessoas com alto poder aquisitivo.


Chateaubriand era um homem determinado e de muita visão.Começou a vender espaço publicitário de televisão para empresas grandes, como Sul América Seguros, Antarctica e Moinho Santista. Também foi o criador do primeiro departamento de propaganda de um jornal no Brasil, e conduziu a campanha para a construção do MASP – Museu de Artes de São Paulo.

Comparando os comerciais antigo e atual, percebe-se uma diferença gritante, desde a embalagem à identidade visual.
No mais antigo, o produto era destinado a todos os públicos (“Toddy contém tudo o que os homens, mulheres e crianças necessitam para ter novas forças”), e não apenas aos jovens e crianças, como se vê hoje em dia. Faz-se, também, uma relação do jovem a esportes radicais, a fim de vender a idéia de um produto saudável e que dá energia para quem o ingere.
Os comerciais de hoje contam com muito maior poder de persuasão, e com identidades visuais muito mais marcantes.








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"Ao vivo e em cores" - As primeiras transmissões em cores da tv brasileira

10.07.2016 às 13:38
Em 19 de fevereiro de 1972 a TV Difusora de Porto Alegre – RS, entrou para a história quando fez a primeira transmissão de TV em cores do Brasil. O evento transmitido foi a Festa da Uva realizada em Caxias do Sul, RS

A TV em cores no Brasil foi introduzida após a opção por um dos vários sistemas de transmissão da informação de cor. Os Estados Unidos desenvolveram um sistema chamado NTSC. O sistema americano foi desenvolvido e instalado rapidamente no país de origem e passou a partir daí a ser proposto para outros países, inclusive o Brasil.

A França procurou desenvolver um sistema próprio, chamado Secam. O sistema Secam se beneficiou por ser um desenvolvimento posterior ao NTSC e pôde corrigir alguns defeitos que este apresentou. A Alemanha, por sua vez, desenvolveu um sistema chamado PAL, igual ao sistema americano, exceto por um detalhe. Esse sistema corrigiu uma deficiência do sistema NTSC, evitando que desvios de cor ocorressem no processo de transmissão e recepção.

As cores derivavam e quando isso ocorria os resultados para o telespectador podiam ser realmente muito desagradáveis, especialmente para cores fáceis de reconhecer, como cor da pele humana. Pode-se aceitar uma paisagem um pouco mais azulada, mas dificilmente se aceita uma cor verde ou azul. O sistema PAL explorava uma espécie da barganha: as variações de fase ocorridas no processo de transmissão e recepção, que resultavam em variação de cor no NTSC, no sistema PAL, só implicavam redução de saturação e a cor era preservada.

O efeito de cores absurdas como a pele verde já mencionada e outros efeitos desagradáveis eram evitados. Tolera-se muito mais uma redução na saturação do que uma mudança de cor. O sistema Secam também não apresenta esse fenômeno de deriva das cores, mas é um sistema tecnologicamente muito complexo. Essas questões foram estudadas no Brasil sob contrato pelo Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel), órgão competente para assumir esse tipo de decisão, com a Escola Politécnica, em 1965.

Na área da eletrônica, foi o primeiro contrato de prestação de serviços que se firmou na Escola. O relatório do grupo encarregado do trabalho foi aprovado e a recomendação pelo sistema PAL foi, finalmente, decisão do Contel. Implantou-se esse sistema em todo o Brasil. Nesse caso, houve um conflito de interesses. A França tinha um interesse político na adoção do sistema Secam.

Para os americanos, a adoção do NTSC no Brasil permitiria a exportação de aparelhos televisores prontos, sem nenhuma modificação para uso. Os alemães poderiam explorar as patentes do PAL. Entretanto, na negociação da comissão contratada pelo Contel na Escola Politécnica, os proprietários das patentes relacionadas com sistema PAL abriram mão de todos os seus direitos sobre essas patentes.

O Brasil finalmente pôde adotar esse sistema sem nenhuma despesa adicional em função da propriedade industrial das patentes envolvidas. Havia uma outra pequena diferença no sistema PAL adotado no Brasil, decorrente do fato de ele usar seus parâmetros dimensionados para uma rede de distribuição de energia elétrica em 50 Hz. Como os televisores deveriam funcionar no Brasil numa rede de 60 Hz, alguns parâmetros tiveram de ser modificados, o que foi feito pela mesma comissão, dando origem à versão PAL-M.

Dessa maneira, instalou-se uma barreira não alfandegária para televisores importados, seja dos Estados Unidos, seja da Europa, aproveitada pela indústria brasileira, que rapidamente se tornou a única fornecedora no mercado nacional. O mercado era realmente muito grande o que propiciou o desenvolvimento de indústrias, muitas de capital nacional, e a geração de grande número de empregos.

Em 1970, aconteceu a primeira transmissão de TV em cores no Brasil (Copa do Mundo do México) , pela EMBRATEL, em caráter experimental e fechado, para um público seleto, iniciando uma nova divisão social entre os que podiam trocar seu velho aparelho pelo colorido e os que tiveram que manter a relíquia em preto-e-branco.

Em 1971 o governo baixou uma lei determinando o corte da concessão das emissoras que não transmitirem uma porcentagem mínima de programas em cores. O sistema oficial passa a ser o PAL-M, que é uma mistura do padrão M do sistema NTSC e das cores do sistema PAL Europeu. O Objetivo era criar uma indústria totalmente nacional com seu sistema próprio.

Em 19 de fevereiro de 1972 a TV Difusora de Porto Alegre – RS, entrou para a história quando fez a primeira transmissão de TV em cores do Brasil. A emissora  transmitiu a Festa da Uva realizada em Caxias do Sul, evento bienal gaúcho, em celebração à colheita das vitivinícolas do Estado.

O primeiro teste público de transmissão de imagens coloridas pela televisão mostrou neste dia o desfile de carros alegóricos da Festa da Uva. Em 31 de março de 1972, inaugura-se oficialmente a televisão em cores no Brasil.



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Transmissões de futebol internacional eram "raridades" nas telas da tv brasileira

03.07.2016 às 15:07
O lendário time do Ajax , campeão da Copa dos Campeões em 1973

Com a "exportação maciça" de craques brasileiros para o exterior, com a diversificação da programação de novos canais de tv a cabo especializados e intensa divulgação na mídia, o cardápio de transmissões de futebol internacional tornou-se vasto e variável, mas nem sempre foi assim...


Em tempos de cardápio variado de futebol internacional na televisão brasileira nos canais fechados especializados em esportes, sem falar no que rola fora da tela e nas inúmeras opções de streaming pela internet, vale lembrar de um tempo em que esse papel de trazer o jogo de além das fronteiras brasileiras era feito (ou não era feito, em alguns casos) pela TV aberta.  Um jogo das Eliminatórias europeias ou uma final da Liga dos Campeões tinha que abrir espaço na grade de programação entre uma atração infantil e uma reprise de novela.

Nos anos 70, por exemplo, mesmo o futebol nacional era mostrado com parcimônia, na maioria das vezes em videotapes no começo da madrugada, horas depois de realizadas as partidas, ou mesmo nas manhãs seguintes. O que vinha de fora então era mais raro ainda de ser exibido, mas nem sempre por empecilhos técnicos. Alguns casos são anedóticos.

Em maio de 1973, época da final da Copa dos Campeões, o jornal O Globo publicou, logo abaixo de sua matéria sobre a decisão, uma nota que hoje parece inacreditável: “Brasil, Colômbia, Peru e México são os países latino-americanos que receberão a imagem da decisão de hoje, em Belgrado, entre Ajax e Juventus. Entretanto, os torcedores brasileiros não assistirão ao jogo, pois nenhuma televisão nacional solicitou à Embratel a transmissão da partida”.

Pois é: para as emissoras daqui, não havia nenhum interesse por parte do público em acompanhar futebol estrangeiro, especialmente onde não houvesse brasileiro em campo – o que era então o caso de praticamente todo o resto do mundo pré-globalização.  Se hoje em dia os canais abertos e fechados disputam a tapa os direitos de transmissão dos torneios europeus com propostas fabulosas, houve um tempo em que o sinal esteve disponível sem necessidade de grandes aportes financeiros e foi oferecido para todas as estações, mas nenhuma delas achou que valeria a pena.

A grande explosão da atração pelo futebol internacional no Brasil se dá no começo dos anos 80, num contexto de êxodo em massa de craques daqui, especialmente para os clubes europeus, e que acabou se estendendo não só para a liga italiana – onde a maioria destes astros atuavam – como também para outros campeonatos de clubes e de seleções. O público fazia questão de acompanhar os grandes craques mesmo que eles não desfilassem mais semanalmente em nossos gramados.

Além das transmissões “obrigatórias” de Copas do Mundo, Jogos Olímpicos, Copas América, amistosos da Seleção Brasileira, partidas de clubes brasileiros contra adversários internacionais e da Taça Independência, organizada aqui pela CBD em 1972 e que contou com ampla cobertura televisiva, confira o que mais a TV aberta brasileira e de alcance mais ou menos nacional já mostrou, até o começo da popularização dos canais pagos, em meados dos anos 90.

Eurocopa

O torneio europeu de seleções teve três edições transmitidas (quase sempre) ao vivo pela TV Globo: a de 1980, na Itália, vencida pelos alemães ocidentais; a de 1988, na Alemanha Ocidental, conquistada pela Holanda de Gullit e Van Basten; e a de 1992, na Suécia, quando a Dinamarca surpreendeu e levou a taça.

Na primeira edição, a emissora levou ao ar todos os jogos da Azzurra dona da casa (sendo que a partida contra a Inglaterra foi transmitida em compacto noturno) e três partidas da campeã Alemanha, contra Holanda e Tchecoslováquia na primeira fase e contra a Bélgica na decisão. Os horários variavam entre 12h45 e 15h30 de Brasília.

Em 1988, foram nove os jogos transmitidos, todos eles ao vivo: Alemanha x Itália, Dinamarca x Espanha, Itália x Espanha e Alemanha x Espanha pelo Grupo A; Inglaterra x Irlanda e Irlanda x Holanda pelo Grupo B; mais as duas semifinais (a épica vitória holandesa de virada sobre a Alemanha em Hamburgo e o triunfo de uma forte URSS sobre a Itália), além da grande decisão (que teve narração de Galvão Bueno). Desta vez, as partidas eram exibidas às 10h30 e 15h15 de Brasília.

Na última vez em que transmitiu o torneio, a Globo mostrou apenas seis partidas, sendo quatro pela primeira fase, uma semifinal (a dramática vitória da Dinamarca nos pênaltis sobre a Holanda) e a decisão, com o triunfo dinamarquês sobre a Alemanha.

Em 1996, a Bandeirantes – que já vinha exibindo as Eliminatórias do torneio há alguns anos – assumiu a transmissão exclusiva e quase integral dos jogos da fase final, mostrando o caminho que levou a Alemanha ao tricampeonato em gramados ingleses.

Copas europeias de clubes

Em 1977, no domingo anterior à decisão da Copa dos Campeões entre Liverpool e Borussia Mönchengladbach, o Jornal do Brasil chegou a anunciar que a TV Globo transmitiria a partida ao vivo. Mas na data exata não há sinal de exibição na grade global, nem sequer menção do fato na matéria do jornal O Globo sobre a final.

Sendo assim, a primazia das transmissões de copas europeias (ou pelo menos de suas decisões) no Brasil cabe, surpreendentemente, a Silvio Santos (!), que, em maio de 1979, exibiu em sua TV Studio (depois TVS, atual SBT), às 19h30 de Brasília e em meio a uma grade preenchida majoritariamente por desenhos animados, o videotape da partida entre Nottingham Forest e Malmö, realizada mais cedo naquele mesmo dia.

Somente em 1984 – um ano inacreditável, para os padrões atuais, da TV Globo em termos de transmissões futebolísticas, como veremos – a emissora do Jardim Botânico enfim transmitiu sua primeira final de Copa dos Campeões, quando mostrou ao vivo, a partir das 15h de Brasília, a derrota nos pênaltis da Roma de Falcão e Cerezo para o Liverpool no campo “neutro” do Estádio Olímpico da capital italiana.

Dez anos depois da desistência global quanto à transmissão de Liverpool x Borussia Mönchengladbach, a nanica emissora carioca TV Copacabana (depois rebatizada TV Corcovado) chegou a anunciar nos jornais que mostraria ao vivo a final daquele ano, entre Porto e Bayern de Munique. Mas também ficou na promessa. A final europeia só voltaria à televisão brasileira no ano seguinte, quando a Globo iniciou uma certa tradição em exibir as finais.

Entre 1988 e 1995, foram vistas ao vivo na tela da emissora carioca todas as finais da Copa dos Campeões do período, mais as decisões da Recopa europeia em 1989, 1991, 1992 e 1993 e os jogos de ida e volta que decidiram o título da Copa da Uefa em 1991, 1992 a 1993.

Eliminatórias da Copa do Mundo

Além dos jogos do Brasil, as emissoras também já mostraram várias partidas de outras seleções válidas pela fase de classificação dos Mundiais. Em fevereiro de 1974, Espanha e Iugoslávia decidiram, com um jogo extra em Frankfurt, a vaga do Grupo 7 europeu, cujo vencedor já estava definido no sorteio como o primeiro adversário do Brasil na fase de grupos da Copa do Mundo da Alemanha Ocidental.

As TVs Globo e Tupi exibiram a partida ao vivo e em cores (a última inclusive reexibiu o jogo em compacto no fim da noite). Para a transmissão, a Globo destacou sua dupla “titular” da época, com os mestres Geraldo José de Almeida (“olha lá, olha lá, olha lá!”) na narração e João Saldanha nos comentários.

Porém, a grande oferta mesmo só veio nas Eliminatórias da Copa de 82. A Globo, já com Luciano do Valle na narração e Ciro José nos comentários, mostrou jogos bem interessantes, como Itália x Dinamarca, Itália x Iugoslávia, Holanda x França, Bélgica x França e URSS x Tchecoslováquia.

Galvão Bueno, na época narrador da Bandeirantes, comandou a transmissão da emissora paulista para um histórico Peru x Uruguai, quando a equipe treinada pelo brasileiro Tim acabou com as chances da Celeste de ir ao Mundial. Ao lado de Galvão, Márcio Guedes fazia os comentários e José Roberto Tedesco era o repórter de campo.

A curiosidade ficou mais uma vez por conta de Silvio Santos e sua TVS, que transmitiu nada menos que os confrontos entre México, EUA e Canadá pela fase inicial das Eliminatórias da Concacaf, ao vivo, em videotape ou compactos, entre outubro e novembro de 1980.

Amistosos internacionais

Em alguns casos, a cobertura das seleções estrangeiras não ficou restrita às fases eliminatórias e finais dos grandes torneios. Alguns grandes confrontos amistosos entre forças do futebol internacional também deram o ar da graça na telinha por aqui.

Os futuros adversários do Brasil em Copas do Mundo, por exemplo, puderam ser observados várias vezes em seus jogos preparatórios pela Globo (Suécia x Alemanha Oriental em abril de 1978; Escócia contra Espanha e Inglaterra em fevereiro e maio de 1982, respectivamente; Suécia x País de Gales em abril de 1990) e Bandeirantes (Espanha x Polônia com VT completo em março de 1986).

Campeonato Italiano

Para quem se acostumou, a partir do fim dos anos 80, a acompanhar o calcio nas manhãs e tardes de domingo na Bandeirantes, com os comentários de Silvio Lancelotti dentro do Show do Esporte, pode ser surreal imaginar que a TV Globo já transmitiu uma temporada inteira da Série A italiana. Mas realmente aconteceu, e justamente uma das mais espetaculares daquela década, a de 1984-85, que consagrou o Verona como surpreendente campeão.

A emissora carioca transmitiu, sempre nas manhãs de domingo, uma partida de 28 das 30 rodadas da liga da bota – incluindo as três últimas do campeão Verona, contra Como, Atalanta (o jogo do título) e Avellino. As exceções foram o fim de semana de abertura e o dia 21 de abril, quando o horário dos jogos coincidiu com o do GP de Portugal de Fórmula 1 – a primeira vitória de Ayrton Senna na categoria.

E a coisa era feita no capricho: nos domingos em que não havia rodada, devido aos jogos da Azzurra, a Globo levava ao ar o Panorama do Campeonato, um programa curto, de cinco minutos de duração, com um balanço da competição até ali.

Um pouco antes disso, nas últimas rodadas da temporada 1982/83, a Bandeirantes chegou a exibir os jogos da Roma de Falcão, que se sagraria campeã. Na equipe de transmissão, um jovem jornalista chamado Antero Greco fazia sua estreia como comentarista de televisão, ao lado dos já veteranos Edgard de Mello Filho e Pedro Luiz Paoliello.

Campeonato Espanhol

Antes de incorporar definitivamente La Liga às suas tardes, no começo dos anos 90, a Bandeirantes transmitiu, lá em junho de 1983, a decisão da Copa do Rei entre Real Madrid e Barcelona. O Superclássico também foi mostrado ao vivo uma única vez na tela da TV Manchete, em abril de 1989.

Outras ligas

Lembram quando dissemos aí em cima que 1984 foi um ano inacreditável – para os padrões atuais – em termos de transmissões futebolísticas na Globo? Pois bem: além de mostrar pela primeira vez em sua história uma final de Copa dos Campeões e cobrir toda uma temporada do Campeonato Italiano, a emissora carioca exibiu ao vivo, na manhã de sábado, 19 de maio, nada menos que a final da FA Cup, entre Everton e Watford, direto de Wembley. Talvez o principal fator de atração fosse o fato de o então emergente clube londrino ter o astro pop Elton John como presidente.

Além dessa única experiência global, o futebol inglês na TV aberta brasileira também foi mostrado por pouco tempo na Bandeirantes nas noites de sábado e em compactos exibidos pela TV Educativa (TVE) nas noites de domingo, junto com os gols da rodada da Série A italiana. Em ambas as emissoras, durante outubro de 1991 – antes da Premier League, portanto. E pelo visto não teve grande repercussão, já que durou apenas aquele mês. A TVE substituiu a liga da terra da Rainha por VTs de partidas do Campeonato Alemão.

Quem também transmitiu a Bundesliga foi a TV Cultura paulista, com comentários de Gerd Wenzel nas manhãs de domingo, a partir da mesma época até por volta de 1995. A emissora também mostrou em 1993 e 1994 o Campeonato Japonês, passando a bola da J-League para a TV Manchete no ano seguinte. Outra liga europeia que teve esporádicas aparições em canal aberto brasileiro do período foi o Campeonato Português, do qual a Bandeirantes chegou a mostrar alguns jogos aos domingos, dentro do Show do Esporte.


Outros torneios internacionais

Em maio de 1976, a Globo transmitiu o Torneio Bicentenário da Independência dos EUA, que reuniu Brasil, Itália, Inglaterra e um combinado da liga norte-americana (NASL). E não ficou só nos jogos da Seleção Brasileira, à época dirigida por Osvaldo Brandão: exibiu ao vivo e na íntegra os confrontos da Azzurra contra a equipe da NASL e o English Team. Por fim, dez anos depois, a Bandeirantes mostrou ao vivo para todo o país a decisão do Mundial Interclubes (ou Copa Intercontinental, como preferir), entre River Plate e Steaua Bucareste, em Tóquio.



* Texto extraído daqui 

Postado por Era uma vez ... na TV

Sua Excelência, o "Video Tape"

27.06.2016 às 02:50


Em 1956 dois cientistas a serviço da Ampex,Charles Ginsberg e Ray Dolby, revolucionaram o modo de fazer televisão com o invento do "videoteipe". Até aquela data a televisão no Brasil e no mundo era feita ao vivo. Com video tape criou-se a oportunidade de se editar os erros e as gafes tão comuns na programação . As produções  passariam a ter um melhor acabamento.

Mas não foi fácil chegar ao invento. A dificuldade estava em armazenar muito mais informações que o áudio. Se fosse utilizado o mesmo processo de gravação do som, haveria a necessidade de 35,5 metros de fita para armazenar informações de 01 segundo de imagem, e para 01 hora, 127.800 metros de fita, sem contar é lógico que a fita teria de passar na cabeça magnética a uma velocidade de mais ou menos 130 quilômetros por hora.

O que foi feito então? Manteve-se a mesma velocidade de fita que do gravador de som, ou seja, 38 centímetros por segundo (15 polegadas por segundo), mas para que a gravação ganhasse maior velocidade fizeram também com que a cabeça magnética também girasse.

Resumindo, o videoteipe inventado era assim: a fita teria de ser de 05 centímetros ou 02 polegadas de largura, tendo uma velocidade de 38 centímetros ou 15 polegadas por segundo, passando por um conjunto em forma cilíndrica de 04 cabeças dispostas a 90 graus cada uma que tanto gravavam quanto reproduziam e giravam a 240 rotações por segundo, e recebeu o nome de Quadruplex devido as cabeças se encontrarem em forma de quadrante.

O videoteipe foi usado pela primeira vez no Brasil em 1958, com a apresentação de "O Duelo", de Guimarães Rosa, pelo programa "TV de Vanguarda", da TV Tupi de São Paulo. O equipamento era utilizado de forma precária pois não havia possibilidade da edição (montagem). Walter George Durst, responsável pelo programa, dispunha de uma fita de apenas uma hora de duração e por isso as cenas tiveram de ser exaustivamente ensaiadas e cronometradas. Quando a fita terminou, ainda faltavam as cenas finais, que foram feitas "ao vivo" após a exibição da parte gravada.

Foi em 1959, na TV Continental do Rio de Janeiro , canal 9, que a "engenhoca" de Ginsberg e Dolby  estreou na televisão brasileira, com todos os recursos técnicos que o equipamento proporcionava. A emissora carioca cobriu  uma festa no Copacabana Palace. A primeira cena foi um close no relógio do repórter Carlos Pallut, marcando 15h. A matéria foi ao ar num programa  apresentado por Riva Blanche, Pallut e dirigido por Haroldo Costa  às 21h. Foi surpreendente! O diretor da emissora, Demirval Costa Lima, gritou  de emoção no estúdio quando assistiu à cena do relógio.

Muitos dizem que a primeira grande utilização oficial do videotape foi na inauguração de Brasília, onde a Record gravou através da TV Alvorada uma fita e mandou-a o mais rápido possível para São Paulo, sendo que a noite, depois do primeiro grande link aéreo que a Tupi havia inventado, a mesma exibiu um resumo de suas atividades. 

Uma inovadora e fantástica utilização do VT  em 1961 ocorreu no programa Chico Anysio Show, da TV Rio, Canal 13, onde Chico contracenava com ele mesmo, fazendo diversos papéis. Segundo o próprio Chico a fita era cortada com gilete e colada com durex para "forjar" as cenas. Também em 1961 as novelas entraram na era do vt com "Gabriela, Cravo e Canela", exibida pela da TV Tupi, Canal 6 do Rio de Janeiro, totalmente gravada.

A revolução era percebida em todas as áreas de produção; a reportagem poderia ir ao ar, sem precisar levar o filme para ser revelado em laboratório, os erros eram consertados antes da exibição. Nas transmissões esportivas  surgia também o recurso do "replay" . Já era possível ver novamente um gol, ver se o jogador estava impedido, enfim o video tape era uma explosão de novidade tecnologica que mudaria para sempre a maneira de se pensar e fazer televisão.

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Era uma vez ... na TV por Redação

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