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"Tele Catch" - No ringue/picadeiro, memoráveis "performances circenses"

14.06.2016 às 05:21

Criado na extinta TV Excelsior Canal 2 do Rio de Janeiro, o "Tele Catch" era dedicado a exibição de combates de luta-livre que tinham como ponto forte performances de encenação teatral

Com a extinção do Palácio de Alumínio (uma cúpula de alumínio dedicada à exibição de combates corpo a corpo), um dos protagonistas da rede de lojas Imperatriz das Sedas (cuja sede era vizinha ao palácio montado no terreno do extinto tesouro nacional - doado aos comerciários) e um dos sócios da empresa, "Sr Rafick", resolveu promover um programa de lutas livres (via televisão) e cuja modalidade era o Tele-catch. Durante os anos 60 alcançou o auge do sucesso, criando vários heróis, como Ted Boy Marino, Tigre Paraguaio, Verdugo( que lutava fantasiado e usava máscara) Rasputin ( o barba vermelha) e outros.

Inicialmente chamado Telecatch Vulcan devido a uma ligação com a casa da borracha dos Cassini (Esportes Náuticos) e Imperatriz das Sedas (dos sócios César Murane e Rafick), a TV Excelsior televisou dos anos de 1965 a 1966.

Antes do embate começar, os lutadores (alguns fantasiados) eram pomposamente chamados ao ringue pelo mestre de cerimônia. Passavam por um corredor no meio do público. Enquanto o "bonzinho" era aplaudido e recebia carinhos, o vilão recebia sonora vaia e levava, de quebra, alguns sopapos dos mais entusiasmados.

Os telespectadores mais ingênuos, que formavam uma enorme legião, acreditavam piamente que as lutas eram pra valer! Enquanto os outros se divertiam e torciam normalmente, esses ficavam genuinamente revoltados com as "maldades" (golpes baixos) que os feiosos "maus" faziam contra os "bonzinhos" (geralmente simpáticos e bem-apessoados). E o pior: o juiz, "vendido" fingia nada ver. Mas era só uma questão de tempo. Decorridos alguns minutos de "massacre", chegava a hora do êxtase quando o herói (todo "arrebentado") reagia e dava uma "surra" memorável no lutador "sujo". Era o máximo (acreditasse ou não)! Uma alegria total! O Bem vencia (quase) sempre o Mal!

Em 1967 o "Tele Catch Montilla"(mudou de nome em função de mudança do patrocinador) passou a ser exibido pela TV Globo Canal 4 do Rio de Janeiro.


*Na foto(de 1966) o "malvado" Rasputin castiga e puxa pelos cabelos o "herói" Ted Boy Marino

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Os bastidores da primeira telenovela diária da televisão brasileira

09.06.2016 às 21:13

 Adaptada de um folhetim argentino por Dulce Santucci e dirigida por Tito de Miglio, estreava em julho de 1963, na TV Excelsior Canal 9(SP),”2-5499 Ocupado”

“Perdoe-me, foi engano!”
Larry desliga o telefone mas apaixona-se pela voz que acabara de ouvir do outro lado da linha.Sem saber que a ligação caiu,por engano,num presídio feminino e que a voz que tanto o atraiu era de uma telefonista presidiária, Larry(Tarcísio Meira)toma coragem e volta a ligar para o mesmo número a fim de ouvir novamente a voz de Gloria(Gloria Menezes)que,também envolvida, faz de tudo para esconder a sua condição.
 
Adaptada de um folhetim argentino por Dulce Santucci e dirigida por Tito de Miglio estreava em julho de 1963, na TV Excelsior Canal 9(SP) ,no horário das 19 horas ,2-5499 Ocupado,a primeira telenovela diária da televisão brasileira.Criava-se nesse instante o que viria a ser o maior "fenômeno de massa " do Brasil.
 
Apesar de sua curta permanência no ar(pouco mais de dois meses)o folhetim agradou tanto o patrocinador(Colgate-Palmolive)que a direção da Excelsior resolveu importar novos textos da Argentina.
 
A trama(comparada as atuais)era simples:elenco pequeno, curta duração(media de 50 a 60 capítulos),sempre focada em crises amorosas de um casal central e sem enredos paralelos.Entretanto isso era uma novidade em termos de veiculação.Até então os dramalhões importados eram exibidos apenas de duas a três vezes por semana.
 
O recém criado vídeo tape também contribuiria, de forma fundamental, para uma melhor qualidade e acabamento nas produções, intensificando inclusive a captação de imagens externas o que antes quase não acontecia.
 
Com significativos avanços tecnológicos e sensibilidade dos diretores de TV a telenovela diária mudaria radicalmente os hábitos dos nossos telespectadores que passaram a ficar presos na frente da telinha todas as noites em determinado horário.
 
Em pouco tempo a telenovela diária modificaria definitivamente a grade das principais emissoras da época.A TV Tupi(SP)já lançaria no início de 1964 Alma Cigana, no horário das 20 horas e, curiosamente,emissoras com menos recursos técnicos também se lançaram na produção de folhetins diários ao vivo, pois ainda não tinham equipamento de vídeo tape suficiente para tal empreitada,como a TV Paulista Canal 5(adquirida posteriormente pela Rede Globo) e a TV Cultura Canal 2(nessa época um segundo canal paulista dos Diários Associados).
 
Isso foi só o inicio da metamorfose nos hábitos da população.Anos depois a produção de nossas novelas deixaria de sofrer influência dos dramalhões importados(principalmente os argentinos e cubanos) e se transformaria num produto “made in Brazil” sendo exportado para os quatro cantos do Planeta,mas isso é uma outra história e fica para ser contada numa próxima oportunidade.


RL(Atualizado e republicado)

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Era uma vez ... na TV por Redação

Histórias e curiosidades sobre o passado da TV brasileira

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