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27/08/2026 às 17h00

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Despreparo e desrespeito nas sabatinas do JN

Tralli e Renata achacam sabatinados . Terão essa mesma postura com os favoritos nas pesquisas?

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Arrogantes e prepotentes, Cesar Tralli e Renata Vasconcelos adotam uma postura de debater com os candidatos ao invés de sabatiná-los, como é a proposta original da atração dentro do JN

As sabatinas promovidas pelo Jornal Nacional com os candidatos à Presidência da República cumprem uma função importante no processo eleitoral.

É uma oportunidade para que milhões de brasileiros conheçam propostas, confrontem posições e observem como aqueles que pretendem governar o país respondem a perguntas difíceis.

Perguntas difíceis, aliás, são indispensáveis.

O que não deveria ser indispensável é transformar uma entrevista em duelo.

Nas sabatinas realizadas até agora, César Tralli e Renata Vasconcellos têm adotado uma postura que, em determinados momentos, ultrapassa aquilo que se espera de entrevistadores rigorosos e aproxima-se perigosamente do protagonismo.

Interrupções sucessivas, contestações durante as respostas, insistências acompanhadas de um tom por vezes excessivamente incisivo e tentativas de estabelecer réplicas e tréplicas acabam produzindo uma dinâmica mais próxima de um debate.

Mas há uma diferença elementar.

O candidato foi ao estúdio para ser sabatinado pelos jornalistas, não para disputar um debate com eles.

Isso não significa que o entrevistador deva ser passivo.

Muito pelo contrário.

Se o candidato não responde, cabe insistir.

Se apresenta uma afirmação objetivamente incorreta, cabe confrontá-la.

Se tenta fugir do assunto, cabe trazê-lo novamente à pergunta.

Se contradiz uma declaração anterior, cabe apontar a contradição.

O problema começa quando o confronto necessário parece transformar-se numa disputa sobre quem terá a última palavra.

Nesse momento, o entrevistador deixa de funcionar apenas como representante das dúvidas do público e passa a ocupar espaço demais na própria entrevista.

Seu papel é muito mais importante: perguntar aquilo que o eleitor gostaria de perguntar e exigir respostas suficientemente claras para que esse mesmo eleitor possa formar sua própria opinião.

Quem deve julgar a resposta é o público.

Quando um candidato responde mal, deixa isso evidente.

Quando tergiversa, o eleitor percebe.

Quando mente, cabe ao jornalismo checar e demonstrar.

Quando não possui resposta, o silêncio ou a evasiva podem ser mais reveladores do que cinco interrupções do entrevistador.

Existe também uma questão de equilíbrio.

O mesmo rigor precisa ser aplicado a todos.

A mesma disposição para interromper.

O mesmo tempo para responder.

A mesma cobrança diante de evasivas.

A mesma tolerância — ou intolerância — para explicações mais longas.

Porque numa eleição presidencial até a percepção de tratamento desigual pode comprometer aquilo que uma sabatina jornalística possui de mais valioso: credibilidade.



Etcetera por Ricardo Leal

Publicitário, radialista, poeta e escritor. Carioca, radicado em Alagoas desde 2002, trabalhou em diversas campanhas eleitorais no estado. Foi diretor da Organização Arnon de Melo (OAM) e do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP). Atualmente  CEO - Press Comunicações, Diretor/Editor - Revista Painel Alagoas e  Editor - Coluna Etcetera (impressa e digital)

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