Existem dores que não aparecem em exames, não deixam marcas visíveis e, muitas vezes, permanecem escondidas atrás de uma rotina aparentemente normal.
É justamente por isso que o Setembro Amarelo continua sendo tão necessário.
A campanha de prevenção ao suicídio não deve ser apenas uma sucessão de laços amarelos, postagens nas redes sociais ou mensagens que desaparecem quando setembro termina.
Precisa representar, antes de tudo, uma mudança na maneira como enxergamos o sofrimento do outro.
Nem sempre quem precisa de ajuda consegue pedi-la.
Às vezes, o pedido aparece numa mudança de comportamento, no isolamento, numa frase aparentemente despretensiosa ou naquele silêncio que ninguém percebeu.
Por isso, ouvir importa.
Ouvir sem julgar, sem minimizar a dor e sem oferecer respostas fáceis para problemas que desconhecemos.
Também precisamos abandonar a ideia de que sofrimento emocional é fraqueza.
Procurar ajuda profissional não é sinal de derrota.
Pode ser exatamente o contrário: o primeiro movimento de quem decidiu continuar lutando.
Mas existe igualmente uma responsabilidade coletiva.
Família, amigos, escolas, empresas, governos e serviços de saúde precisam criar ambientes nos quais alguém possa dizer “eu não estou bem” sem sentir vergonha ou medo.
Setembro nos lembra disso.
Mas seria um enorme equívoco lembrarmos apenas durante trinta dias.
Porque a pessoa que hoje parece precisar apenas de uma conversa pode amanhã necessitar de acompanhamento profissional.
E aquela que aparenta estar bem talvez esteja enfrentando silenciosamente a maior batalha de sua vida.
Não precisamos ter todas as respostas.
Às vezes, precisamos simplesmente estar presentes.
Perguntar.
Escutar.
Acolher.
E, quando necessário, ajudar alguém a encontrar ajuda especializada.
Porque nenhuma campanha será maior do que esse princípio elementar:
uma vida pode começar a ser salva no instante em que alguém percebe que não precisa enfrentar tudo sozinho.
No Brasil, o CVV oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Etcetera
por Ricardo Leal
Publicitário, radialista, poeta e escritor. Carioca, radicado em Alagoas desde 2002, trabalhou em diversas campanhas eleitorais no estado. Foi diretor da Organização Arnon de Melo (OAM) e do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP). Atualmente CEO - Press Comunicações, Diretor/Editor - Revista Painel Alagoas e Editor - Coluna Etcetera (impressa e digital)