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18/11/2020 às 16h56

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Velas Telas - 2ª noite

Arte em Movimento - Velas Telas

Umas 19h30 de ontem, cheguei para registrar, assistir e aplaudir a abertura do Arte em Movimento - Velas Telas, que movimenta a ponta da Ponta Verde até a próxima 6ª-feira, cujo dia 20 de novembro é marcado como Dia da Consciência Negra, celebrando desde 2003, promovendo reflexão sobre a inserção do negro na sociedade. 

Quando cheguei, Mirna Porto Maia já coordenava umas 100 pessoas, nas várias atividades envolvidas no projeto patrocinado pelo Magazine Luiza através de Lei de Incentivo à Cultura da Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo,apoio cultural Aloo Telecom, execução da Ponto de Produção. As 12 jangadas já estavam ancoradas, enfileiradas diante do farol vermelho e branco. A lua nova se 'despedia na Pajuçara', e a maré já baixava, até chegar ao 0º, quando seria iniciada a incrível projeção mapeada, com técnicos da Núcleo Zero e seus arrojados equipamentos. 

Enquanto bailarinos estudantes da Escola Técnica de Artes da Ufal ensaiavam  performance de Bicho da Seda (obra assinada por Delson Uchôa, e direção de David Farias), cadeiras eram dispostas na areia, com o devido distanciamento. E enquanto o público chegava, tinha a temperatura medida, e a constante observação do uso obrigatório de máscaras. Torres com álcool em gel, disponíveis, além de tótem com serviço de gravação explicando o projeto para deficientes auditivos, e rampa para facilitar o acesso, inclusive de cadeirantes e afins. Inclusão como solução. 

Quando a maré chegou ao ponto 0, com as jangadas n

sobre a areia, às 23h20 o espetáculo começou. Obras de Alex Barbosa, Mestra Irinéia do Muquém, Mestres José Paulino e José Zumba (membros da família Zumba  estavam emocionados). 

E por falar em emoção, nesta 2ª noite, este sentimento não será menor, com obras de Agélio Novaes, que é talentoso em várias linguagens, mas se destacou com suas colagens, sem utilizar nenhuma imagem pronta em fotografia. A luz e a transparência que Agélio consegue no papel, são únicas, inigualáveis. Num trabalho autoral, abusa do realismo e do surrealismo, criando e recriando cenas urbanas arquivadas na memória e no coração, e traduz com papel, cola e muita arte, sem falar na dedicação e na paciência.  Em suas esculturas em papier machê, personagens parecem que 'saíram' das colagens.Literalmente inconfundível. 

Na sequência, Dalton Costa, goiano que se tornou alagoano por opção e amor, por sua arte e por sua bem amada, a também artista plástica, galerista e colecionadora de Arte Popular, Maria Amélia Vieira. Tanto nas esculturas quanto na pinturas, técnicas variadas que interagem, inclusive com madeiras nobres, peças de demolição que agregam valor aos trabalhos. Suas andanças e pesquisas pelo Nordeste rendem as melhores reações, de crítica e de público. Não precisa ser estudioso no assunto para identificar suas peças. 

Eva Le Campion será a 3ª que terá algumas de suas inspiradas obras, projetadas na alvas velas, enormes telas. Impressionante é pouco para definir seus trabalho, seja em pintura, ou moldando cerâmica. Seu talento é genético, honrando a veia artística de sua mãe e seu tio, Zezé & Pierre Chalita, casou-se com o igualmente incrível, Delson Uchôa, e assim, nada mais natural que Eva viva e respire arte desde o berço. Conciliando rotina e disciplina, imprime diversas características autorais, como utilizar papelões, caixas, toalhas, carpetes...  Nestes mais de 30 anos de carreira, prêmios e reconhecimentos, inclusive pelos trabalhos humanitários e sociais que desenvolve, sem alarde, resultando em sensíveis obras

Encerrando esta 2ª noite, a igualmente dotada Lu Azul, e sua explosiva profusão de formas e cores, certamente provocará ininterruptos "Ah!"s e "Oh!"s, tanto em quem estiver presencialmente ali na praia, quanto em quem vai  estar em casa, assistindo pelo YouTube. Sua arte é vibrante, exagerada, sem ser agressivo, ou demais. pelo contrário. Equilíbrio e harmonia definem, seu ser e sua arte, devidamente representadas pelas inúmeras forças geométricas , marcadas por fortes traços e pinceladas. Se em telas, vestidos, objetos... Lu causa, imagino a força nas velas das jangadas. Lu, que vai muito além do azul. 

Literalmente emocionante, imperdível. É fácil e rápido, se inscrever no canal do Velas Telas. Difícil vai ser não ficar aguardando as próximas noites. 

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Felipe Camelo por Felipe Camelo

 Jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

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