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20/11/2020 às 17h05

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Vidas Negras Importam

Todas as Vidas Importam

Zumbi dos Palmares/reprodução

Confesso que acho tremendo absurdo, que em 2020, ainda ter que declarar publicamente que acho abominável ainda existir gente que classifica pessoas pela cor da pele. 

Nunca escolhi conviver com pessoas, dependendo de quanto dinheiro elas tenham, ou de sua etnia. Sempre me aproximei, e deixei a vida me aproximar de gente que tenha educação, civilidade, sensibilidade, humanidade, valores que aprendi e tive exemplos em casa, com minha família. 

E por falar em sensibilidade, também confesso que notícias de atitudes e crimes racistas me entristecem muito, demais. Me sinto tão vítima quanto quem está sofrendo ameaças, violências, atitudes preconceituosas. 

Quando fiz 15 anos, fui passar 6 meses estudando nos Estados Unidos, e lembro da reação das pessoas quando eu fui fazendo amizades na escola, independentemente se eram negros, asiáticos, ou típicos americanos. Até que alguém comentou comigo que era esperado de mim, que me aproximasse de alunos "brancos como eu". Ôxe, sou brasileiro, misturadaço, não consigo praticar esta distinção racial, eu respondia. Para espanto e desaprovação. Minha reação, lá, foi "fazer permanente" no cabelo, na tendência de alguns negros da escola, de quem fiquei amigo. Espanto geral quando voltei pra Maceió, com meu cabelo "Black Power". E a vida seguiu registrando atrocidades e agressões 'gratuitas' como o povo negro. 

Quando George Floyd foi assassinado, asfixiado pelo joelho de policial branco, que manteve sua mão no bolso da calça enquanto interrompia a respiração do jogador de futebol americano. Fazendo pose, desdenhando de todos nós, humanos. Até hoje me emociono quando vejo a cena em alguma matéria. 

Fico pensando como era muito pior na época de Zumbi, com a escravidão escrevendo triste e vergonhoso na história da humanidade. E neste dia 20 de novembro, que marca esta batalha constante e real em dias atuais, com manchete na imprensa "Homem negro morre após ser espancado por segurançs do Carrefour em Porto Alegre". 

Enquanto iniciava este texto, vi o vice-presidente, sob seu retinto tom de graúna no impecável e plastificado  cabelo, dizer em entrevista que "Não há racismo no Brasil, os seguranças agiram contra o cidadão independentemente de sua cor". E piorando "Racismo tem nos Estados Unidos, alí sim. Na época que estudei lá, pessoas de cor andavam no outro lado da calçada", emendou o rosário de absurdos. Pessoas de cor? Todos temos.

Infelizmente, este morto no supermercado  não será o último nesta mortuária estatística. 

Cresci crendo que somos uma única raça, humana, e que ninguém é melhor que ninguém. Pelo contrário, acredito que ninguém é algum sem outro alguém.  Todos precisamos de todos. Agressões, violências, desrespeitos, assassinatos...  são inadmissíveis, imperdoáveis, hediondos. Fico pensando que alguém se achar melhor que outros pela alvura de sua pele, só atesta altíssimo grau de ignorância e péssima educação. Sim, acredito que ninguém nasce racista. Se aprende, e a cegueira provocada pela ignorância não causa vergonha por ser, tanto ignorante quanto racista. 

Acho que o número destes atos vem aumentando porque "as bestas" estão mais corajosas, amparadas por  impunidade jurídica, já que, entre os que investigam, "desembargam" e julgam casos de crimes racistas, não são 100% imparciais. Alguns até nem disfarçam suas decisões. Jornalismo registra tudo, é só pesquisar. Não estou aqui inventando nada. E as denúncias vem registradas em fotos e vídeos, mostrando que, assim como eu, muita gente fica indignada e revoltada, e tenta ajudar, inclusive registrando e compartilhando, denunciando protestando e cobrando. 

Sigo aqui com meu propósito de defender igualdade, ampla, geral, irrestrita, indistintamente. 

Do miserável que vem envergonhando no comando da Fundação Palmares, nem vou falar. Mas garanto que continuo na corrente, mentalizando que ele terá o que merece. Contra as leis da física e do retorno,ninguém pode. Estes, passarão para o lixo da história. 

Assim como não estou inventando quando destaco pessoas negras que são exemplos para o mundo e para a raça humana, seja na música, nos esportes, nas artes cênicas,  na arquitetura,na literatura... seja em que atividade for, pessoas pretas sempre foram destaque. Raramente reconhecidos, mas as histórias estão escritas. 

Vida negras importam! Todas as vidas importam, inclusive as dos animais e do Meio Ambiente!!!


Felipe Camelo por Felipe Camelo

 Jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

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