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29/03/2021 às 18h52

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Vamos Sobreviver ???!?!?!?!?!?

Que esta bússola nos Norteie

FC

Comprovadamente o mundo é redondo e não para de dar voltas. Cada ciclo que se encerra, outro se inicia. 

No último dia 11, completei meu 59º de vida, consequentemente, no dia seguinte, comecei meu ano LX, apesar de muita gente não concordar com este meu cálculo matemático. 

Mas enfim, neste pandêmico isolamento social, muitos pensamentos e reflexões. Outro dia, e estava lembrando que iniciei o curso de Física na Ufal, mas em pouco tempo, saquei que não era exatamente o que eu queria. Passei em  Meteorologia, mas ainda não era a minha. Num teste vocacional, Comunicação surgiu como luz, e lá fui eu para o 3º vestibular, passei, mas nos 1ºs meses, surgiu a ideia e a chance de ir estudar no Rio de Janeiro. Transferi o curso e na semana que me formei, minha amada amiga Zezé Motta conseguiu estágio para mim, com ninguém menos que Tizuka Yamasaki em Kananga do Japão, na TV Manchete, como seu assistente de direção, apesar de nunca ter feito nem pensado em fazer novela. 

Lá, conheci Jayme Monjardim, todo poderoso da emissora, ele que me convidou para ser seu assistente. Entre várias produções, fiz "A história de Ana Raio e Zé Trovão", produção que passou 1 ano viajando por todos os estados do centro, sudeste e sul do Brasil. Neste ano, estive no Rio, onde morava, por 2 finais de semana. 1 ano viajando, e paralelo ao trabalho como assistente, fotografava cenas das novelas, bastidores, cenas urbanas nas cidades por onde passávamos. 

Observei que meus pais estavam envelhecendo e eu morando longe. E depois de uns 20 anos, resolvi voltar para Maceió exatamente quando Jayme voltou para a Globo para dirigir Terra Nostra, mas decidido pelo retorno, não aceitei seu convite para este novo trabalho , arrumei a mudança e com cachorro e tudo, e cheguei em casa de volta. 

Muitos eventos, muitos reencontros, e até então, nenhum trabalho. Quando num almoço do amigo e colunista Bráulio Pugliesi, minha prima Isadora Normande sugeriu que eu editasse 1 coluna social, "diferente das outras". E assim foi. Fui trabalhar na Tribuna de Alagoas, que, depois de alguns anos, faliu, devendo 6 meses de salário. 

Foi quando criamos 1 cooperativa, arrendamos o espólio do jornal, e criamos a Tribuna Independente, onde trabalhei por uns 10 anos, eu acho, até que, com a morte de Bráulio, fui convidado para publicar minha coluna na Gazeta de Alagoas, onde estive por quase 11 anos. Diariamente, depois de trabalhar na redação, eu ia cobrir os eventos para os quais havia sido convidado, chegando ao recorde de ir a 6 festas numa noite. Sim, eu disse SEIS. Lembro que cheguei esgotado em casa, exausto. Mas realizado e feliz.

Até que o jornal deixou de ser diário e demitiu uns 70 profissionais, e eu entre eles. Foi quando descobrimos que a OAM nunca havia depositado o FGTS dos demitidos, nem nossos direitos trabalhistas. E até hoje, este problema não foi resolvido. Vergonha para 1 empresa com a história da Gazeta, décadas nas bancas e nos lares.

Neste tempo, demitido, recebi honroso e carinhoso convite de Eliane Aquino e seu marido Ricardo Leal para editar coluna na revista Painel Alagoas, e blog no Portal do Grupo Press Comunicação, o qual sempre foi atualizado diariamente, num outro formato jornalístico, e não como 'coluna social'. Venho escrevendo os + diversos e variados assuntos, abordando tudo que esteja acontecendo e que tenha me chamado atenção. 

Como 'colunista social', festas, festinhas, festões não faltavam e fotografar pessoas era meu foco principal, assim como reunir pessoas conhecidas e famosas com anônimos, era meu diferencial, eu que nunca valorizei pessoas por causa de seu 'status' ou conta bancária. Identifiquei alguém como pessoa interessante e produtiva, lá estaria ela na coluna. Publiquei gari, cozinheira, ao lado de grandes e poderosos empresários, locomotivas, artistas...  Verdadeira mistura de liquidificador. Claro que recebi críticas, mas certo do que eu fazia, seguia. 

Como, desde pequeno, sou muito emotivo, nesta pandemia, minha 'piscianica'  sensibilidade tem me deixado bem triste, principalmente por confirmar como os seres humanos jã não são tão humanos assim. Principalmente agora, com este governo "conservador de direita", negacionista em relação ao coronavírus, constatar muita gente circulando sem máscara, promovendo e participando de absurdas, monstruosas e criminosas aglomerações, tem dias que fico tão mal que não consigo nem escrever, muito menos pensar numa pauta interessante. 

Sempre senti muito prazer em trabalhar, minhas atualizações eram religiosamente diárias. Para deixar de postar, era preciso ser algo bem grave, como tem sido, fato pelo qual me desculpo aqui com vocês, caríssimos internautas. 

Como consequência da falta de eventos sociais, matérias tomaram lugar do estilo "coluna social", e tenho postado opiniões, artigos, crônicas, comentários e críticas, inclusive ao desumano e coletivo comportamento de grande parte da sociedade. Ainda ontem, vi na TV que umas 200 festas tinham sido interrompidas pela polícia do Rio de Janeiro e pasmem, umas 300 no estado de São Paulo. Com a comprovada mortalidade do Covid19, e a ampla cobertura da imprensa, inadmissível dizer "Eita, eu não sabia". Impossível mesmo. Pessoas que se sentem superiores aos outros, se negam ao uso de máscara e chegam ao cúmulo de agredir quem solicita que se respeite as normas de segurança sanitária para controlar a transmissão deste fatal vírus. 

Mesmo que interessantes pautas se apresentem, não tenho conseguido escrever nada. Não acho que eu esteja com depressão, mas fingir que nada disso está acontecendo e provocando milhares de mortes e muito sofrimento, eu não consigo. Confesso que não tenho conseguido inclusive, nem me fotografar sem máscara. Não acho respeitoso para com os milhares de profissionais da saúde que vem se arriscando, e aos seus familiares, no combate diário ao Coronavírus. 

Outro dia, foi celebrado o Dia da Água, elemento fundamental para nossa sobrevivência. Com certeza, seria pauta. No último dia 25, meus pais completariam 60 anos de casados, outro tema para mim , mas nem assim consegui. 

Como já estou "fora do ar" por uns 10 dias sem postar, fico me cobrando produzir, principalmente por respeito aos leitores. E esta 'culpa' tem me incomodado muito, e por causa dela, aqui estou eu, escrevendo este texto que nem sei se é crônica, artigo, desabafo, procurando me manter coerente, principalmente comigo mesmo. 

Com minha mãe permanentemente acamada aos 93 anos, vítima do Mal de Alzheimer, tenho me cuidado, me isolado mesmo em minha casa em Guaxuma,  onde escrevo agora, ouvindo grilos, sapos e cigarras, e quando, pela janela vi o céu, peguei o celular, subi na laje e registrei este por do sol. Na cena, inclui esta 'bússola' que ficava no alto da casa de minha avó Afra, na rua Pedro Monteiro, e que fiz questão que viesse aqui pr'a minha, simbolicamente, me indicando o Norte, na intenção de ir sempre pra frente e pra cima. No sentido de evolução, mesmo. 

Então, aproveito para reforçar, fiquem em casa e se tiverem que sair, usem máscaras, de preferência 1 sobre outra, para garantir a total segurança, sua e dos outros. Mantenha permanente limpeza das mãos com água e sabão, ou com álcool em gel, e distanciamento social. Sem estes cuidados, impossível sobreviver. 

E garanto que vou seguir me esforçando para continuar produtivo, atualizado e antenado com o que acontece aqui em Guaxuma, em Maceió, no Brasil e no mundo. Repito minhas desculpas com vocês, internautas, e com meus editores, que me entendem e nunca me cobraram 'produção industrial'. 

Vou arriscar "até amanhã", na tentativa de me concentrar, escrever e compartilhar com vocês o que tem me chamado atenção neste sombrios tempos, na esperança de que tudo isso vai passar e que dias melhores virão. Só depende de nós. 


Felipe Camelo por Felipe Camelo

 Jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

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