Dólar com. 5.1993
IBovespa -0.87
25 de julho de 2021
min. 21º máx. 29º Maceió
chuva rápida
Agora no Painel Prefeitura antecipa segunda dose da Astrazeneca das aplicações programadas até dia 31
03/05/2021 às 18h07

Blogs

Artesão da Natureza...

... Designer Ebanista

fotos - Acervo pessoal - reproduções

E no último sábado, 1º de maio, é celebrado no Brasil e em vários países o Dia do Trabalho, ou Dia do Trabalhador. 

Claro que pensei em marcar a data com postagem aqui no blog, sobre esse tão importante tema, mas minha porção "trabalhador do lar" se impôs e passei o dia, literalmente, cuidando da casa, incluindo lavar louça e roupas, varrer e passar pano com produtos de limpeza no piso... o que me ocupou e cansou, e a ideia de escrever e postar sobre trabalho, naturalmente não rolou. 

Engraçado, passei o fim de semana pensando nisso, em trabalho, em  trabalhador, e no trabalho que não me deixou festejar o Dia do Trabalho, e entre os pensamentos, o que escrever, como escrever, que pontos abordar... enfim, a 'não postagem' me ocupou a cabeça desde o dia 1º. Outras pautas chamaram minha atenção nesses últimos dias, mas não quero deixar de explicitar aqui minha total admiração por quem trabalha e produz, de verdade. 

Tanto meu pai quanto minha mãe se graduaram em Direito, e ele nunca escondeu que gostaria que eu fosse também advogado, mas mamãe sempre me disse para pensar no trabalho que me daria prazer, acima de qualquer outro.  2º ela, "quem trabalha com prazer não economiza, não faz menos, já que não se deve contabilizar o que te deixa feliz, produtivo". Na incerteza, entrei no curso de Física e depois Meteorologia, mas foi a Comunicação que me arrebatou, depois de teste vocacional. Me formei e confesso que sou muito feliz e realizado como jornalista. Como fotógrafo também, claro. Mas escrever, compartilhar pensamentos e opiniões me fazem sentir útil para toda a sociedade. Sociedade no mais amplo sentido da palavra. Minha sociedade inclui os mais bem sucedidos empresários, aos executores dos trabalhos mais simples. Acho que todos se complementam, e fazem da humanidade, o conjunto de todos, movimentando a cadeia produtiva e consumidora. Se todos tivermos trabalho, teremos renda,para girar a roda da economia, gerando ainda mais postos de trabalho, e consequentemente, mais renda e mais consumo. 

Nestes anos todos editando e publicando colunas sociais, espaço e destaque para pessoas produtivas, independente de classe social ou extrato bancário. Já publiquei garis, empregadas domésticas, guardas de trânsito, servidores públicos, artistas, professores... além de poderosos, famosos e endinheirados. Claro que enfrentei críticas, mas nunca me deixei controlar. Acho que na vida, todos precisamos de todos, e ninguém é melhor que ninguém. Nem pior. 

E nesse fim de semana pensando no assunto, professores me ocuparam o pensamento, já que afirmo, confirmo e reafirmo que eles são a mais importante das categorias, no sentido que são eles quem ensinam, qualificam e graduam todas as outras, e creio mesmo que quem ensina deveria ter os melhores salários, para que continuem investindo em conhecimentos, que serão, consequentemente, transmitidos aos alunos, movimentando a roda da vida. 

Mas quando acordei hoje, me veio na mente 1 trabalhador que também é empreendedor, e artista. Inclusive autodidata, já que se descobriu fazedor de arte ainda criança, e foi se desenvolvendo por conta própria.

Adeildo Gomes dos Santos nasceu entre 11 irmãos, e cresceu observando o trabalho do pai carpinteiro, que utilizava 'peças de mangue' para construir jangadas e outros objetos. Pela sobrevivência, profissionalizou-se como mestre de obras, quando conheceu o fotógrafo, pesquisador e professor Celso Brandão, e encantou-se com sua coleção de obras de artistas da cultura popular, como seu Fernando Rodrigues dos Santos. Coincidentemente, acabou contratado para reformar umas casas antigas na Ilha do Ferro, berço de muitos artistas, e observando a produção deles foi desenvolvendo suas próprias obras, "sem copiar ninguém", me confirma ele, que desde cedo ganhou Nen como apelido dado pelo pai. 

Em 2019, Conheci Nen pessoalmente, integrando a seleção de artistas para o projeto de Mirna Porto Maia, "Natal na Avenida da Paz", e entre os talentosérrimos criadores, a árvore de Nen ganhou luz própria, emocionando todo mundo com seus galhos retorcidos. Eu principalmente, me tornei fã dele, que vive num incansável trabalho de recolher galhos, raízes e troncos que encontra na praia e no mangue do litoral norte de Maceió. E garante, nunca arrancou um galho, todos eles estavam na areia, ou mesmo no mar da Barra de Santo Antônio. . E Nen enche sua jangada com esse material cem por cento reciclável, transformando o "lixo da natureza" em cadeiras, bancos, mesas, luminárias, cabideiros, esculturas, objetos de decoração. 

Com a valorização que, merecidamente, a arte popular vem tendo, as obras de Nem já foram expostas em museus, como o Theo Brandão, por exemplo, e provocam admiração nos projetos de badalados arquitetos, como Rodrigo Fagá. Além do 'design' inusitado, original e exclusivo, há incrível atenção ao conceito anatômico, e garanto que suas peças são comprovadamente confortáveis.  E se harmonizam muito bem  com outras peças modernas na ambientação de qualquer espaço. Sem falar no charme de ter peças únicas, totalmente artesanais, com a assinatura de Nen, que, com certeza, ainda vai mais longe, com reconhecimento e consumo. E preservando a Natureza. 

Ah! Para saber mais sobre ele, no Instagram, acesse   @_artseb

Galeria de Fotos


Felipe Camelo por Felipe Camelo

 Jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

Todos os direitos reservados
- 2009-2021 Press Comunicações S/S
Tel: (82) 3313-7566
[email protected]