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01/06/2021 às 23h24

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A Vida como o Sol

Num profundo suspiro, me lembro que hoje é o 1* dia do último mês do 1ºsemestre do 2021, o que comprova o que sempre digo, repetindo Osho, “seja feliz aqui e agora”, e complemento, o daqui há pouco pode não existir. Já já, 2022. 

Quando cheguei aos 60, como eu, recentemente, percebi a velocidade com que tudo aconteceu. É incrível.  E com o alcance interplanetário dos meios de comunicação, parece que o cronômetro disparou geral. Ainda mais agora, isolado em casa há mais de ano, tempo não tem faltado, inclusive para pensar no tempo. Nesses meses todos, com milhares de pessoas morrendo mundo afora, vítimas do pandêmico Coronavírus, muitas lembranças de muita gente, conhecidas, amigos sem proximidade, outros bem chegados, parentes, e até os que não conheci, todas essas mortes tem me deixado bem triste. Me sensibilizo pelas famílias, e principalmente pelos que estão, literalmente, dando a vida para salvar outras, são os profissionais das várias áreas envolvidas na linha de frente do combate ao Covid19. 

Como jornalista, é impossível não me informar, e todos os fatos me interessam. Principalmente porque tudo é interligado. Como não me indignar, por exemplo, com a brutal ação da Polícia Militar de Pernambuco no último sábado, deixando também 2 cidadãos com tiros nos olhos. Irônica simbologia, já que cegar a população é a proposta do Estado. Num momento como esse, com a Ciência garantindo que é preciso haver distanciamento social para estancar a contaminação, é impossível dizer “eita, eu não sabia”, principalmente porque a Imprensa transmite tudo em tempo real, em todos os meios de comunicação, que são muitos, muitas mídias. Então me digam, como pode alguém participar de festas, festões e festinhas, se arriscando e pondo as vidas de muitas outras pessoas em risco e achando que está tudo bem? Fico horrorizado vendo postagens de batizados, aniversários, e outras reuniões sociais. Mesmo que só estejam os mais próximos familiares, há perigo e o risco não compensa. O custo-benefício é altíssimo, impagável. No noticiário, aglomerações de “sem-máscaras” não faltam, sejam em cidades pequenas ou em grandes capitais. É assustador o número de pessoas que negam o vírus como se fossem imunes ao contágio. 

Impossível também não comentar o péssimo desempenho do governo federal, que segue agravando as consequências do negacionismo. Como ficar calado diante da irresponsável ideia de trazer para o Brasil essa maldita copa de futebol, que vai promover inúmeras transmissões do vírus, que só reforça e confirma a macabra intenção de promover contaminação “de rebanho”, que vitima muito mais gente que os fiéis seguidores/eleitores. Mesmo que não tenha público nos jogos, terá aglomeração nas ruas, nos lugares onde haja televisão, e todos os movimentos típicos de competições esportivas. Classifico hediondo esse indiscutível crime contra a humanidade através das vidas de milhares de brasileiros. Não é hora de arriscar a vida com a desculpa de celebrá-la. As variantes do vírus são tão perigosas que  infectam até quem está se cuidando. É implacável. Os números de mortes não param de crescer, principalmente pela lenta vacinação coordenada pelo Ministério da Saúde. 

E muitas lembranças me vieram hoje quando soube do falecimento de Jovino Omena, querido da vida toda, cuja família é amiga da minha por gerações.  Educado, culto, inteligente, elegante, discreto, sempre foi. Além de ser casado com Izinha Baltar Omena, com quem tenho também laços familiares. A tristeza, ainda mais dolorosa pela impossibilidade de participar presencialmente de velórios e sepultamentos, momentos de carinho e conforto entre os enlutados. 

Na nome de Jovino e de todos que partiram, esse pôr do sol que fiz hoje, aqui da laje de casa. Ele que se põe aqui e nasce do outro lado. É o ir e vir da Vida. 

Que Jovino siga no Caminho da Luz, assim como todos os que partiram nessa pandemia. 


Felipe Camelo por Felipe Camelo

 Jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

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