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03/09/2021 às 18h55

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História e Memória Vivas

Pelos 48 anos do assassinato de Manoel Lisboa de Moura

Reprodução

Com profundo suspiro, pesquiso aqui sobre Manoel Lisboa de Moura, alagoano vítima do pior capítulo da História do Brasil e que será homenageado amanhã aqui em Maceió. 

Lembrei quando vi sua imagem pintada num muro na ladeira da antiga rodoviária, junto com outros “grandes alagoanos”, como indica o mural, e me chamou atenção por ele dar nome a rua onde moro. Ao lado dele, Hermeto Pascoal, Djavan, Pontes de Miranda… Ontem, vi num grupo de jornalistas do qual faço parte no WhatsApp, postagem da querida e competente profissional da Imprensa Lenilda Luna, cujo texto reproduzo abaixo.   

*Alagoano assassinado pela Ditadura Militar será homenageado no sábado.

Manoel Lisboa era estudante de Medicina da Ufal e foi morto no dia 4 de setembro de 1973 por torturadores do Estado

No próximo sábado (4), completa-se 48 anos do assassinato do militante comunista e estudante de Medicina da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Manoel Lisboa de Moura. Para marcar a data e celebrar a memória dele, militantes do Partido Comunista Revolucionário (PCR), da Unidade Popular (UP) e da União da Juventude e Rebelião (UJR) vão realizar um ato relâmpago no calçadão do Centro, às 10h30, em frente ao antigo bar do Chopp.

Segundo reportagem publicada no jornal A Verdade, o fundador do PCR foi morto no Doi-Codi do IV Exército em Recife (PE), após 15 dias de 'violentas e bárbaras torturas dos agentes da ditadura militar'. Na época, Manoel estava com 29 anos e, segundo testemunhos prestados pelos companheiros que foram presos com ele, nunca revelou nenhuma informação aos torturadores. O corpo dele desapareceu durante décadas. Apenas em 2003, depois da intervenção da Comissão Nacional da Verdade, os restos mortais foram exumados em São Paulo, onde Manoel estava enterrado como indigente, e foi providenciado o traslado para o nordeste.

A urna funerária foi recebida com homenagens primeiro em Recife, onde fica a sede do Centro Cultural Manoel Lisboa. Depois, os restos mortais foram trazidos para Maceió, onde aconteceu o sepultamento. Finalmente, a mãe de Manoel Lisboa, Iracilda Lisboa Moura, pode velar o corpo do filho. Na vigília, estiveram também presentes o então governador de Alagoas, Ronaldo Lessa, e o então secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda. Muitos militantes também vieram prestar homenagem à memória de Manoel Lisboa.

O lema do movimento Ditadura Nunca Mais é 'Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça''. Os organizadores do ato relâmpago ressaltam a importância de reconhecer o legado dos heróis que lutaram contra a Ditadura Militar, para que as novas gerações possam valorizar os sacrifícios que foram feitos para garantir a democracia e a livre organização política dos trabalhadores e trabalhadoras”. 

Filho de Iracilda Lisboa de Moura e do oficial da Marinha Augusto de Moura Castro, desde cedo, Manoel desenvolveu formação político-ideológica através de livros, e adolescente inquieto, fundou o grêmio no Liceu Alagoano. Foi diretor da União Estadual dos Estudantes Secundaristas, aos 16 anos.

Como universitário, fundou a Juventude Comunista do PCB, e também o Centro de Cultura Popular da União Nacional dos Estudantes, inclusive com a participação de estivadores. Cursava Medicina na Universidade Federal de Alagoas em 1964, quando aconteceu o golpe militar que cassou direitos e liberdades. Foi morar em Recife e seguiu na 'luta armada revolucionária', e em 1966, com o atentado contra o ditador/general Costa e Silva, em Recife, optou pela clandestinidade. Acabou sendo preso novamente e torturado, tendo sido transferido para o DOPS e depois para o inominável DOI-CODI, ambos em São Paulo. 

2* a Comissão da Verdade, “Foi torturado por 2 meses. Fotos das vítimas, reveladas pelo Instituto Médico Legal de São Paulo, mostram cortes, feridas causadas por tiros, e dedos, umbigo, testículos e pênis mutilados”. Obviamente, muitos nebulosos mistérios envolvem sua morte, enquanto relatório do Ministério da Aeronáutica diz que ele foi morto em tiroteio contra a polícia, negando tortura e assassinato. 

Confesso profunda tristeza e revolta diante das ameaças que o Brasil vem sofrendo, vítima deste desgoverno miliciano, corrupto e fascista que conseguiu ser democraticamente eleito, e que desde então, nos envergonha diante do mundo. E diante de nós mesmos, brasileiros. Confesso também que, como jornalista, creio na veracidade da história e dos inegáveis fatos que confirmam que muitos brasileiros foram barbaramente torturados e assassinados por não aceitarem o jugo ditatorial do longo período em que não houve democracia nem liberdade. Anos de escuridão e ignorância, que não voltarão. 

Que pessoas como Manoel Lisboa de Moura continuem sendo reverenciados, respeitados e homenageados, como neste ato às 10h30 da manhã de amanhã no calçadão do comércio, em frente ao antigo Bar do Chopp. 

É impossível entender e concordar com os seguidores e eleitores desse ser, no mínimo, ignorante e desumano, numa falácia que mistura cristianismo, miséria, desemprego, inflação, armas e coletivo surto contra a verdade. 

Eu? Sigo na defesa da vida, seja ela qual for. É inclusive cafona apoiar essa quadrilha familiciana que quer transformar nosso produtivo, feliz, divertido e amoroso povo em escravo de milicianos profissionais e violentos. 

Viva Manoel Lisboa de Moura, cujo ideal segue ativo!!!


Felipe Camelo por Felipe Camelo

 Jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

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