Dólar com. 5.2944
IBovespa 1.59
23 de setembro de 2021
min. 24º máx. 31º Maceió
chuva rápida
Agora no Painel Caixa paga hoje auxílio emergencial a nascidos em março
08/09/2021 às 18h05

Blogs

Medicina + Arte = Bem-Estar

Reprodução

Depois de 2 semestres de Física, vi que não era o que realmente queria, e encarei o 2* vestibular, mas depois do 1* semestre de Meteorologia, vi que ainda não era o que eu queria. Fiz teste vocacional e passei no 3* vestibular e iniciei Comunicação Social, tudo na Ufal. Pensam que a vida me acalmou? Não! Acabei transferindo o curso pr’o Rio de Janeiro e finalmente me formei em Jornalismo. Antes de tentar conseguir trabalho, 1 grande amiga se ofereceu pra ajudar. Era Zezé Motta, que iniciava Kananga do Japão na TV Manchete, e conseguiu estágio com ninguém menos que Tizuka Yamasaki. Nunca havia nem pensado em trabalhar em novelas, mas encarei o desafio e com poucos meses estagiando, fui contratado pela emissora de Adolfo Bloch. Jayme Monjardim era o diretor geral, que começaria A História de Ana Raio & Zé Trovão, e me convidou pra ser seu assistente. Viajamos durante 1 ano, morando em vários estados e muitas cidades, sem nenhuma cena de estúdio. Tudo era gravado em locações externas. Experiência igual, impossível. Além do trabalho, aproveitava pra fotografar paisagens, bastidores, o elenco em momentos de descontração, cenas da novela… aproveitando a linguagem cinematográfica de Jayme, de quem fiquei amigo. Emendamos noutro folhetim, A Idade da Loba, incluindo + viagens e cenas externas. Ainda fiz O Campeão, e seguia registrando tudo que me chamava atenção. Por + prazer que eu sentisse, minha família me fazia muita falta, e com a velhice de meus pais, optei por voltar pra Maceió. 

Depois de tantas novelas, a terra natal me trouxe de volta. Foi quando Jayme voltou pra Globo para dirigir Terra Nostra e seu telefonema convidando pra seguir com ele me deixou orgulhoso e feliz, mas preferi aqui ficar, trabalhar com jornalismo e focar, literalmente, em fotografia. Convites para registrar festas e eventos não faltavam, principalmente pela linguagem que eu vinha imprimindo, fugindo de poses, registrando movimentos e imagens fora do convencional. Eu não parava, nem de fotografar nem de ser contratado. Era loucura minha agenda. Tudo fluía, principalmente por conhecer todo mundo, e circulando entre os convidados, saía registrando tudo e todos. Em 7 de setembro de 1999, ainda sem carro, deixei meus pais em nossa casa na Barra de São Miguel e rumei pra casa de dona Solange da Costa, no outro extremo da cidade, no litoral norte. Confesso que não peguei nenhuma dose de bebida, mas, como conhecia todo mundo, entre 1 foto e outra, bicava nos copos dos amigos, e como não tinha noção de quanto eu tinha ingerido de álcool, peguei o carro para ir fotografar outra festa. Resultado, acabei colidindo com 1 ônibus, frente com frente. Numa ambulância, acabei no hospital que hoje é o Veredas. Foram muitos dias em coma, inclusive parada cardíaca. Lembro de mim levitando, e me vendo morto. Sensação de pavor total com minha própria morte, enquanto vozes diziam pr’eu me acalmar, que ainda não era minha hora, que eu ainda “daria muito trabalho”. Não lembro de rostos mas recordo das vozes, serenas e carinhosas. 

Fui me tranquilizando e hoje, 22 anos depois, estou aqui, justamente hoje, 8 de setembro, tendo acabado de chegar exatamente do Hospital Veredas, onde fui entregar oficialmente 1 fotografia minha, que integra sua galeria de arte, iniciativa do meu amigo Edgar Antunes, diretor-presidente e idealizador do projeto que reúne obras de 50 artistas, que vai além de exposição. Incrível calendário e 1 igualmente maravilhoso livro, que será apresentado em outubro próximo. Vocês não imaginam minha emoção na manhã dessa 4a-feira, numa rápida cerimônia que respeitou todos os códigos de segurança contra essa covídica pandemia. Rigorosa agenda evita aglomeração, respeitando rígidos horários para registrar cada artista com suas obras devidamente colocadas nas paredes do edifício. Pequeno grupo de colaboradores representou Edgar e d+ diretores, devidamente representados por Cláudio Maia, Bruno Lyra, Valmir Santos, Ana Paula de Almeida, o publicitário Luiz Dantas, dr. Edércio Galindo e Nildo Lopes, cinegrafista da equipe de Luiz Dantas, que vem registrando em fotos e videos, que serão editados como documentário desse incrível projeto que comprova que, além da medicina, da qualificação profissional dos colaboradores e da alta tecnologia hospitalar, o bem estar dos pacientes e de todos que frequentam o Veredas se aliam e fazem diferença. Emocionado assisti depoimento de meu querido amigo Edgar Antunes, reforçando gratidão por eu ter aceito o convite para integrar tão seleta e rica pinacoteca. 

Me confesso absurdamente emocionado por essas lembranças todas, que passaram por minha memória enquanto estive no hospital, fazendo a simbólica entrega de minha fotografia, que nada + é que gotas de chuva num capô de 1 automóvel. Chuva que simboliza fertilidade, vida que brota e segue. Claro que não deixaria de registrar aqui no Portal Painel esse momento, confirmando que a exposição não é apenas e exclusivamente para os que frequentam o Hospital Veredas, que foi repaginado e ampliado, inclusive com lindo jardim, tudo com assinatura do escritório do arquiteto Lúcio Moura. Pode ser aprazível passeio, além de inusitado, visitar o Veredas, conferir sua Galeria de Arte e passar deliciosos momentos admirando e contemplando sua área verde. Agradeço também a todos da família de Edgar, que me acarinham com delicada amizade, sua bem amada Jacqueline e seus filhos Filipe, Rodrigo e Jacqueline Filha, por me brindarem com delicada amizade. Também Edgar e Karine (filhos do 1* casamento de Edgar). 

Agora pensem numa pessoa emocionada e feliz. Sim, euzinho. Por eternizar ainda + meu laço com o Hospital Veredas, pela chance de me manter presente mesmo sem estar sempre lá, na certeza que minha fotografia pode estar servindo como alimento espiritual aos que estão lá em busca de vida. Afinal, Arte e Cultura nos elevam. 

Fica aqui a dica. Vale visita a Galeria de Arte Veredas. 

Galeria de Fotos


Felipe Camelo por Felipe Camelo

 Jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

Todos os direitos reservados
- 2009-2021 Press Comunicações S/S
Tel: (82) 3313-7566
[email protected]