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10/09/2021 às 15h22

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11 de setembro...

... 20 anos

Foto Steve Ludlum/The New York Times/reprodução

Meu Deus, cada texto que escrevo, coração acelera, principalmente e inclusive por constatar, e confirmar, como a ampulheta virou cronômetro e acelera a passagem do tempo.

 Em 11 de março completei meu ano LXI, consequentemente, já estou vivendo meus 62, mas creio que, por tantos e intensos acontecimentos e experiências, tenho a impressão de já ter bem + de 70. Tenho a felicidade de manter ativa minha memória e todas as lembranças seguem vivas, como se o tempo não estivesse passando. 

Em 1977, aos 15 anos, meus pais me colocaram no programa de intercâmbio Youth For Understanding, quando passei 6 meses morando com a família Dumbowski, em Saint Louis, no Missouri, e com autorização de meus pais registrada em cartório aqui em Maceió, pude ir conhecer Nova York. Lembro do nervosismo embarcando sozinho para a maior cidade de mundo, e também do meu espanto quando ouvi alguém falando português numa poltrona num avião da Pan Am, atrás de mim. 

Claro que me virei e o espanto foi ainda maior quando vi que era Pelé, que, na época, jogava no Cosmos e voltava pra “Big Apple” após jogo na bela cidade numa margem da confluência dos rios Mississippi e Missouri. Claro que puxei conversa dizendo que lembrava quando ele havia estado aqui em Maceió para inaugurar o estádio com seu nome, e que eu havia ida com meu pai, que era diretor do Detran. Pelé foi surpreendentemente atencioso comigo pedindo para o assessor que estava ao seu lado, trocasse de lugar comigo. Imaginam, 1 alagoano de 15 anos tendo total atenção do rei mundial do futebol, nos Estados Unidos?!?!? E não parou ai. Quando peguei 1 agenda pra pedir autógrafo, ganhei bem + que sua assinatura. Pelé viu no crachá pendurado no meu pescoço que meu nome é Luiz Almeida, já que lá, se usa o 1º nome e o último sobrenome, e ganhei inimaginável presente. Ele passou minha agenda já autografada para o assessor que estava na cadeira da frente e pediu para que o americano anotasse seus números para que eu ligasse e fosse assistir 1 treino do time no estádio que ficava em New Jersey. Sem crer, no dia seguinte, liguei, e até hoje é difícil acreditar que ele mandou limousine me buscar e fui encontrá-lo. Inimaginável acreditar que vivi esse dia. Infelizmente não havia celular nem câmera digital e as fotos que fiz com 1 Olimpus se estragassem com o tempo. Mas na memória, todas as emoções como se fossem de ontem. 

No dia seguinte ao treino, quando fui tratado como “amigo do rei”, fui conhecer a estátua da Liberdade e as inacreditáveis torres gêmeas. Lembro que senti vertigem olhando da calçada o World Trade Center, e de como me senti insignificante diante da grandiosidade daquela construção. Claro que na hora, comparei com nosso Edifício Brêda, o prédio + alto de Maceió, apesar de não haver a menor chance de comparação. A mesma vertigem senti quando cheguei ao mirante na cobertura de 1 das 2 torres e olhei pra baixo. De lá, transatlânticos pareciam barquinhos de papel e, sem duvida, foi a + marcante visão de Nova York, e que nunca + saiu da minha cabeça. Vida seguiu, e muitos arranha-céus eu conheci, mas como aqueles, nenhum. 

Muitos anos depois, num 11 de setembro, estou no Spa Engenho do Corpo, no Hotel Salinas em Maragogi, tomando café da manhã, depois de pesagem e antes da maratona matinal de exercícios, quando vi na TV, que 1 avião havia se chocado com 1 das torres. Corri pr’o meu apartamento e vi ao vivo quando outro avião também havia atingido o símbolo da grandiosidade norte-americana. Lembro que achei que a torre desabando, vindo ao chão, era efeito tecnológico. Não consegui entender nem crer o que meus olhos registravam. Aquela imagem nunca saiu de minha mente. Parecia mentira. Até hoje me emociono. Assim como não consigo entender como alguém pode cometer, propositadamente, absurdo como aquele. Claaaaaro que não fui correr na praia, seguindo o programa de Angeli Soares, Dayse Gama, Telma Toledo e do personal Seroca. Não teve hidroginástica que me tirasse da frente da televisão. Mesmo com todas as informações sobre o radicalismo daqueles terroristas, impossível entender a mentalidade da organização fundamentalista islâmica al-Qaeda, responsável pelo monstruoso atentado, num absurdo grau de ignorância e desumanidade. 

Nada está acima do valor da vida, seja ela qual for, vegetal, animal, humana. Por + que eu leia, pesquise, estude, não consigo captar a insana fúria desses radicais. Sem querer comparar, já comparando e guardando as devidas proporções, a essência humana de preservar a vida deve prevalecer. Sempre. Aqui no Brasil que vivemos ultimamente, temo que, se não dermos basta nessa onda se violentos atentados contra a vida e a dignidade da população brasileira, tenho vivido preocupado com a barbárie que pode estar se aproximando de nossa realidade. Menosprezar a educação e facilitar o acesso às armas pode fatalmente estar nos levando por esse caminho que dificilmente terá volta, colocando o Brasil na trilha de + mortes, como temos vivido, inclusive agressões aos diferentes, desrespeitando a natureza individual de cada ser. Ninguém é melhor que ninguém. E como penso, ninguém é alguém sem outro alguém, todos precisamos de todos, para continuarmos sendo o país + feliz do mundo. Com certeza, teremos muito trabalho para reverter esse danoso e triste quadro de destruição, inclusive do Meio Ambiente, do qual precisamos para sobrevivermos. Radicalização não rima com evolução. 

Tenho tanta, que Cláudia Fanti tatuou Fé em mim, além se Humanidade, Amor, Harmonia, Equilíbrio e Compaixão. Sempre que vejo minha pele, reforço desejo de que esses sentimentos se espalhem mundo afora, tornando a vida igual para todos. Que assim seja!!!

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Felipe Camelo por Felipe Camelo

 Jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

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