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A Dona da Minha Vida

FC

Nessa covídica pandemia, muita coisa mudou na minha vida, e na de todo mundo, claro, apesar de alguns insistirem em negar a necessidade de repensar e se transformar. Evoluir. Por exemplo, sempre fui de ditar o meu tempo. Como vim morar sozinho aos 18, fazia o que queria, na hora que desse vontade, me achando o dono do cronômetro. Engraçado como agora, vivendo meus LXII, tenho seguido o ritmo da ampulheta, + lento, suave, tranquilo. Nada + de seguir girando enlouquecido, numa crescente e desenfreada velocidade. É desnecessária. Sigo trabalhando, principalmente de casa, na maior paz e segurança, e mesmo me mantendo ativo e produtivo, tempo não tem faltado, logo pra mim que corria na certeza de estar uns 10 minutos atrasado. Esse ponto positivo o coronavírus tem, de me dar tempo pra curtir, inclusive o tempo, com tempo. 

Ontem, meu irmão Fábio, me deu umas orquídeas que havia ganho de 1 amiga. Trouxe e colocou aqui embaixo do cajueiro, onde já colocou umas 20 mudas dessa maravilhosa flor. Hoje, foi minha 1ª observação, elas se recuperaram lindamente, já que chegaram abaladas com o calor da rua, vindo pra cá. Senti sorriso abrindo, lembrando de minha mãe Hilza, que hoje, completa XCIV. Sim, ponho em algarismo romano pra te fazer pensar também, atividade mental que me dá prazer, movimentar “Tico&Teco”. 

Pois foi, o rosto e o cheiro de mamãe me vieram na memória, com muita saudade, já que tem quase 1 ano e 1/2 que não chego perto dela, como sempre adoramos ficar. Incrível, papai e ela ficaram casados por quase 60 anos casados, além dos 8 entre namoro e noivado, mamãe foi diagnosticada como vítima do Mal de Alzhaimer na semana em que ele partiu, e desde então, vive acamada, recebendo impecável tratamento, tanto dos profissionais da Saúde que a atendem, mas principalmente pela atenção que recebe ininterruptamente em casa. Com todas as taxas em dia, inclusive peso, se mantém com a pele muito bem hidratada, cabelos periodicamente cortados, assim como as unhas. Ouvir Roberto Carlos é sua + confiável conexão com o mundo real. Com a doença num grau muito leve, mamãe é sempre tranquila, serena em seu silêncio e em sua memória, ou pelo menos no que dr.Alzhaimer a permite lembrar. Mamãe se formou em Direito, assim como papai, e com notas melhores que as dele. Sempre leu muito, e adorava conversar, principalmente com suas amigas da vida toda, as “meninas da praia”, já que frequentemente se encontravam, de preferência, na areia da Pajuçara. 

Mamãe adorava dançar. Ela e papai arrasavam nos salões, fato confirmado por fotos e inúmeros relatos dos amigos. Estou escrevendo no tempo passado dos verbos porque faz muito tempo que essas atividades já não são possíveis pra ela, infelizmente. Mamãe segue muito bem, apesar desse Mal que afeta, não só o paciente, mas também toda a família. Outro dia, me peguei pensando como seria doloroso pra ela, lúcida, diante desse caos que vivemos no mundo e aqui no Brasil, particularmente, infelizmente. Respeitando todos os protocolos de segurança contra o Covid19, evitamos qualquer aproximação dela, tanto que, em 11 de março de 2020, dia do meu aniversário, foi quando cheguei perto dela para interminável sessão de cafunés, cheiros nos floquinhos brancos em sua cabeça e profundas declarações de “eu te amo”, e “nós nos amamos”, bem baixinho ao seu ouvido, com nossos dedos mindinhos agarrados 1 no outro. 

Penso no perigo que posso contamina-la e o ‘custo-benefício’ não vai compensar. Quando vou vê-la, fico distante uns 4 metros de sua cama, que é girada quando chego para que ela fique de frete pra porta do quarto, na esperança de que ela me veja e fique feliz. 

Assim, mesmo de longe, me mantenho dentro dela, como se ainda estivesse sendo gerado, dando cambalhotas em seu ventre. Assim, hoje, minha pauta vai além do aniversário de minha mãe, Hilza da Cunha Camelo Almeida. Na verdade, compartilho com os leitores desse Portal, desejos de amor infinito ao próximo, esse, 1 dos muitos ensinamentos que recebi em casa. Os melhores sentimentos, os + humanos, incondicionalmente. Todos merecemos viver plenos de amor. 

Assim, com vela no maravilhoso e caseiro bolo da querida comadre Maira Lessa,  repito aqui “Feliz aniversário, mamãe”…

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Felipe Camelo por Felipe Camelo

 Jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

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