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17/09/2021 às 15h37

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Matando 1, Morremos Todos

Reproduções

Consequentemente, os acontecimentos acompanham a velocidade do tempo, e com a internet, as repercussões são instantâneas, praticamente em tempo real. 

Como tenho vivido num ritmo bem + lento que normalmente sempre vivi, estou sentindo o chamado “delay”, quando a imagem não acompanha o áudio, caracterizando atraso. Assim que soube que a empresária Luiza Helena Trajano foi a única brasileira na lista das 100 pessoas + influentes do mundo, assinada pela Times de Nova York, iniciativa de editar matéria, mas a pesquisa foi se aprofundando + do que eu havia imaginado. Quando vi que não daria tempo pra publicar no dia do fato, e vi que o Facebook me mandou 1 “lembrança de 9 anos”, editei postagem pra postar, já que era 5ª-feira, e seria cena #tbt, com única fotografia, de show da Gal Costa que lotou o Gustavo Leite num 16 de setembro, e no texto, desejava que sigamos nos vacinando e nos cuidando para que inclusive os shows possam voltar ao cotidiano. Mas a conexão estava péssima e não consegui. 

Hj acordo com a triste confirmação do assassinato do professor de Artes da Universidade Federal de Alagoas, José Acioli Filho, encontrado morto, em casa, vítima de golpes de ‘arma branca’, 2º notícias na Imprensa. Claro que muitos amigos lamentando e prestando homenagens na Internet, e com essa profunda tristeza, as matérias sobre a presença de Luiza Trajano na Time e o show de Gal ficam para breve, já que hoje, explicitar e confirmar minha indignação com esse lamentável, desumano e violento instinto de matar para contabilizar algum ganho é, pra mim, questão de amor próprio e ao próximo. E sobrevivência também, claro. 

Para ilustrar esse texto, printei diversas reações postadas nas redes sociais, sem me preocupar com as devidas autorizações. 

Porque enquanto esses crimes não forem severamente e exemplarmente punidos, a Existência seguirá empobrecida, pelas prematuras mortes de seres que só agregavam valor à vida. É inconcebível alguém achar que tem o direito de tirar a vida de outro alguém por ganância, maldade, ódio e inveja. Não estou defendendo a pena de morte, principalmente nesse desigual, preconceituoso e injusto Brasil, mas a certeza da impunidade só fortalece essa monstruosa prática. E confesso que horrorizado fiquei com 1 comentário de 1 fulano, também gay e igualmente professor (péssimo, inclusive) que, com sua infeliz opinião, culpou a vítima, por “não ter se cuidado, levando bandido pra casa”. Miserável acha pouco e assassina novamente alguém que já teve sua vida exterminada. Matou a memória de José Acioli Filho. 

Ao mesmo tempo que encaminho minha energia para que Acioli fique em paz, no Caminho da Luz, desejo que a Justiça seja cada vez + célere e implacável com esses que se acham Deus e que tem direito de decidir quem vive e quem morre. Não foram poucos os amigos, conhecidos e até os que eu não sabia da existência, que foram assassinados dessa cruel forma, principalmente por serem homossexuais. Lembrei agora de 1 ocasião que me sentia tão revoltado com tantas mortes por LGBTQIA+fobia que tive 1 sonho absurdo. Assim que acordei lembrei que no pesadelo, eu me tornava 1 “serial-killer” e saia matando os diferentes de mim, principalmente os heterossexuais que se aproximam de gays com a maléfica intenção de matar pra roubar, mas, o que + me impressiona nesses casos, especificamente aqui em Maceió, é o requinte de crueldade. Não é só matar pra roubar, é botar pra fora a besta homofóbica que habita nesses seres que não podem ser classificados como pessoas, muito menos humanas. Claro que esses miseráveis barbarizam em todas as cidades brasileiras, mas aqui na capital alagoana, os + perversos golpes ferem inclusive os que nem conheciam as vítimas. 

Nesse caso do querido Acioli, soube que o assassino utilizou o celular dele para mandar mensagens pelo WhatsApp, avisando que se ausentaria por uns dias e que ninguém se preocupasse. Valei-me, me dói profundamente imaginar a frieza de matar e diante do cadáver, ainda ter controle para provocar desinformações que dificultem a descoberta e a elucidação do crime. Claro que me faz muito mal pensar em que punição seria justa para esses assassinos, me fazendo achar que sou tão perverso quanto eles. Lembrei agora de 1 amigo-irmão que morreu em semelhantes condições e que teve seu corpo fotografado logo após ser jogado num rio. Coração querendo sair aqui pela boca, enquanto insuportável sequência de suspiros o apertam e aceleram os batimentos. Enquanto escrevo, forte chuva provoca ainda + tristeza, melancolia, indignação, revolta e impotência, sentimentos tão dolorosos quanto as facadas que tiraram a vida de alguém que passou a vida se qualificando para melhorar a vida de tantas outras, seu alunos. Faço dessa chuva, lágrimas, desejando que lavem essa perversidade que transforma pessoas em bestas. Triste constatar que somos a única espécie que mata sem ser para comer. Todas as outras, irracionais, têm instinto de preservação e perpetuação de suas respectivas espécies. Já nós, dotados de inteligência e racionalidade, seguimos entristecendo e envergonhando a raça. 

Sim, sou humano e como tal, também me revolto, e como cidadão e jornalista, sigo me posicionando e provocando pensamentos que gerem atitudes. O que não podemos, de forma alguma, é calar, sofrer sem reagir. Não estou defendendo que devemos sair matando também, mas cobrar investigação, elucidação e punição exemplar é o mínimo que a sociedade precisa fazer, se engajar nessa batalha, que afeta não só homossexuais, mas todos somos vítimas dessa desenfreada barbárie. Principalmente nesse momento em que a política vigente estimula todas as fobias, seja contra LGBTQIA+, mulheres, indígenas, negros, pobres, deficientes físicos e mentais… 

Precisamos reagir energicamente. Pela perpetuação da vida, seja humana, animal, vegetal!!!

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Felipe Camelo por Felipe Camelo

 Jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

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