Dólar com. 5.1652
IBovespa 0.58
17 de agosto de 2022
min. 23º máx. 32º Maceió
chuva rápida
Agora no Painel Câmara aprova reajuste linear de 4% para todos os servidores públicos municipais
26/04/2022 às 20h37

Blogs

N'outro Tempo

Autorretratos

“Tempo é a duração dos fatos, é o que determina os momentos, os períodos, as épocas, as horas, os dias, as semanas, os séculos, etc. A palavra tempo pode ter vários significados diferentes, dependendo do contexto em que é empregada”.

Hoje cedo fui novamente ao Centro Integrado de Segurança Pública de Porto de Pedras e consegui o Boletim de Ocorrência denunciando o crime que estou sendo vítima, quando na noite da última 5a-feira, hacker invadiu meu @felipecamelo e está vendendo eletrodomésticos como se fosse eu, velho golpe que ainda faz incautos depositarem pagamentos pelos objetos comprados e nunca terão os produtos e muito menos o dinheiro de volta. Infelizmente não consegui mandar o B.O. para o Instagram nem pr’o Facebook, denunciando formalmente o ‘hackeamento’. Vou tentar + tarde novamente.

Como o prefeito Henrique Vilela está em Brasília, não tive pauta hoje e aproveitei para ‘dar 1 jeito’ na casa, e pensar na postagem deste 26 de abril. Morando aqui desde dezembro, longe do movimento social, cultural e mundano da capital, venho pondo em prática o desejo de “sair da zona de conforto”, a qual estava bem ambientado, quando me observei com certa inveja das pessoas que eu via voltando a pé, imagino que pra casa, com saquinho de pão, garantindo o acompanhamento da sopa, do café com leite e da manteiga, para depois, sentar pra ver tv com a família, conversar, relaxar com jogos de tabuleiro ou cartas.

Enquanto isso, depois do dia todo trabalhando na redação dos jornais, ainda iria cobrir eventos, diversos, muitos. Sempre com horários rigidamente cronometrados. Tinha a nítida sensação de estar sempre atrasado uns 15 minutos e que só eu precisava correr. Como já publiquei anteriormente, teve noite na qual estive em 6 festas, incluindo lançamento literário, 2 aniversários, lançamento de coleção de lingerie, até casamento. E consegui. Cheguei esgotado em casa, mas com farto material para minha coluna.

Quando pensava nisso, desejava estar em Porto de Pedras, berço de minha família materna e ontem passe a grande maioria de minhas férias no casarão de 1860. Cresci vindo pra cá e depois de ter morado em fervilhantes metrópoles, sabia que vir para cá seria tudo que eu precisava, desejava, merecia, principalmente perto de completar 60 anos apesar da impressão de já ter vivido uns 80, de tanto que já fiz e produzi.


De tanto pensar nisso, crendo ser capaz, a existência me trouxe pra cá. E aqui, venho me orientando por ritmo bem + lento, deixando a vida me levar, literalmente.

Aproveitei, peguei a bicicleta, pedalei 15 uns minutos e cortei cabelo, cavanhaque e bigode. E alguns fios enormes que insistem em se destacar nas minhas sobrancelhas. Em casa, pensando sobre que publicar no blog, encontrei 1 autorretrato que registrei no início do isolamento provocado pela covídica pandemia. Não sai nem pra cortar o cabelo.

Tomei susto, quando pensei na diferença do que estou hoje, com os pelos bem aparados, verdadeiro oposto do que me vi na tal foto. E assim, encontrei o tema de hoje, o tempo. Mas vou muito além da definição que encontrei no Google, que coloquei no início. Lembrei que sempre conversei muito com meus pais, e 1 dia, disse pra mamãe que achava que deveríamos nascer velhos pra viver com a sabedoria da experiência e morrer inocentes, criança. Loucura!!!

 “Meu filho, Deus está certo por nos fazer envelhecer, para irmos nos estragando com o tempo, pra irmos desapegando da matéria, desenvolvendo outros valores”. Sempre sábia dona Hilza.

Como jornalista, meu formato e linguagem, era de coluna social, que, ao longo de 30 anos, desconsiderei a tradicional fórmula de só publicar ricos, famosos e poderosos. Claro que estes também foram notícia, mas as minorias também. Publiquei empregados domésticos, cozinheiras, garçons, travestis, garis… sim, gente produtiva. Além dos representantes da burguesia na qual nasci e cresci.

Como colunista, festas badaladas, consumo de caros objetos, viagens, alto luxo. Mas paralelamente, sempre reconheci e me identifiquei com trabalhadores, afinal, sempre tive consciência de também sou, afinal, frequentando os lugares que sempre frequentei, minha identificação com a classe operária me manteve os pés no chão. Tanto que tenho amor, equilíbrio, harmonia, fé, humildade e compaixão tatuadas em mim. E com o passar do tempo, estes valores foram se tornando + fortes.

Aqui em Porto de Pedras, quero + é ir a pé pra onde preciso ir, calçando sandálias. Outro dia, precisei ir de mototáxi até Porto da Rua e quando desci da motocicleta, observei que estava com a roupa que estava em casa. Confesso que me senti liberto, isso sim é luxo, não ter que trocar de roupa para sair de casa. Esse descompromisso, essa desobrigação, é maravilhoso. Claro que, se vou ao palácio do governo acompanhando o prefeito ou vou a algum compromisso formal, escolho 1 ‘beca bacana’, mas nada como antes da pandemia, quando eu tinha 1 guarda-roupa enorme com trocentas opções. Doei uns 60% do que tinha, inclusive relógios, gravatas, sapatos e paletós.

Sinto que as mudanças que o tempo tem feito em mim vão muito além da aparência. Hábitos e costumes também estão me transformando. Aqui, ao andar pela cidade, é bom dia, boa tarde, boa noite, como vai, como vão, bom te ver… e isso faz incrível diferença na energia, no astral. E na vida, claro, fatalmente. Até minha respiração está + profunda.

 Agora mesmo, com este hackeamento que me vitima no Instagram, fiz tudo que precisei fazer para resolver e recuperar minha página, mas não estou deixando este lamentável fato me tire a tranquilidade. Esta sabedoria, o tempo me trouxe. + novo, iria tentar resolver logo, correndo, me atropelando. 

Hoje, fiz tudo que tinha que fazer, agora é com a existência, no tempo dela. E só dá certo na hora certa. Como agora, acabei de observar que estou escrevendo d+, e que vou parar. Textão, por + interessante que seja, chega a hora que é preciso dar tempo ao tempo, e está no tempo de dar comida pra Lili e Zazá e comer também, já que aqui em Porto de Pedras, se não tiver compromisso, umas 8 já estou indo pr’o quarto. Eu que sempre fui notívago, estou adorando acordar cedo, caminhar na praia, comer e trabalhar. E seguir o ritmo daqui, parando ao 1/2 dia, fazer a sesta depois do almoço, e retomar às 2 da tarde. Pra ilustrar este texto, eu em 2020 e hoje, sem a preocupação de me manter jovem. 

Quero sim, me manter feliz, inclusive idoso. Já que é melhor envelhecer que morrer cedo. Viva o tempo e no tempo, com sabedoria, principalmente. 



Felipe Camelo por Felipe Camelo

 Jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

Todos os direitos reservados
- 2009-2022 Press Comunicações S/S
Tel: (82) 3313-7566
[email protected]