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15/01/2024 às 07h00

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Poupando com o IPTU


Com o início do ano, além dos planos e promessas, chegam também algumas contas adicionais que, apesar de refletirem despesas para todo o ano, são cobradas logo no seu início. Refiro-me principalmente ao carnê do IPTU, ao IPVA e ao material, matrícula e anuidade escolares.

Sendo um imposto municipal, datas de vencimento, opções de parcelamento e descontos dados pelo pagamento à vista variam de prefeitura para prefeitura; em alguns casos os carnês já chegaram, em outros não. De qualquer forma, minha primeira recomendação para você, meu caro leitor, minha cara leitora, é que consulte o site de sua prefeitura, pois quase sempre há a opção de baixar os boletos para pagamento, além de conseguir a informação oficial para a liquidação do imposto. Que fique claro também, que a maior vantagem seria não termos que pagar mais este imposto, mas infelizmente ele é obrigatório e não opte por simplesmente esquecê-lo: é encrenca certa!

No caso específico de Maceió, você poderá quitá-lo em 10 parcelas mensais, mas, optando pela cota única (à vista, portanto!), receberá um desconto de 15% sobre a soma das 10 parcelas. Fica então a pergunta: vale a pena aceitar o desconto oferecido pela Prefeitura?

Raciocine comigo: a taxa cobrada pela Prefeitura para financiar o imposto é de 3,81%ao mês. Percebo duas situações distintas:

(1) Você tem o dinheiro para a cota única: você levará vantagens no financiamento do imposto se conseguir aplicá-lo a taxas superiores a esta (por exemplo, se aplicasse a 5% ao mês, você teria um lucrinho, tomando emprestado da Prefeitura a 3,81% e aplicando a 5%). Infelizmente, na atual conjuntura do mercado, não há aplicações financeiras que ofereçam tal rentabilidade. Também não julgo adequado você se aventurar em bolsa, para tentar obter taxas maiores. Lembre-se, para pagamentos certos, não conte com ganhos incertos. Conclusão: se este é o seu caso, pague o IPTU à vista, atentando para a data de vencimento, que no caso de Maceió é 31 de janeiro.

(2) Você não tem o dinheiro para a cota única: você levará vantagens ao solicitar um empréstimo para quitar o imposto à vista, se conseguir obter uma taxa menor que os 3,81% cobrados pela Prefeitura. Fora o empréstimo com familiares ou amigos (com grande risco de perder a amizade ou brigar em família!), em uma rápida pesquisa no site do Banco Central vi que há opções para crédito pessoal não-consignado a taxas mais baratas, quer em financeiras, quer em grandes bancos. Vejo dois problemas neste caso: o primeiro é conseguir a aprovação do empréstimo em prazo hábil para liquidar o imposto em cota única; o segundo é a cobrança de outras taxas e IOF não incluídos nas taxas oferecidas pelas instituições, o que na prática acaba por aumentar o custo do empréstimo. Tudo isso e mais a grande possibilidade de você acabar se enrolando com a dívida bancária, minha sugestão é que parcele o IPTU, pagando nas datas estipuladas no carnê (evite a multa pelo atraso, é puro desperdício)!

Nesta altura, você deve estar se perguntando: “E qual a vantagem financeira comentada no título do artigo?” Bem, esta engenharia financeira é apenas para os que têm o dinheiro para a cota única. Entenda como fazê-la através da estória a seguir.

O IPTU de João e José (que moram em Maceió!!) é de R$1.000, em 10 parcelas de R$100 ou em cota única no valor de R$850. Vencem sempre no final do mês e, no banco onde têm conta, um fundo de renda fixa remunera a 0,8% ao mês. João decidiu pagar o IPTU a prazo e assim aplicou em 31/01 os R$ 850, correspondentes ao valor da cota única do IPTU. Ele também irá pagar as cotas de R$100 a cada final de mês, começando em 31/01. Em 30/11, sua aplicação financeira exibirá um saldo de R$920,50.

José, por outro lado, pegou os R$850 que tinha guardado e pagou o IPTU em cota única; ao mesmo tempo, em 31/01 depositou no fundo de renda fixa os R$100 referentes à primeira cota, em 28/02 mais R$100 referentes à segunda, e assim sucessivamente, até 31/10, vencimento da última cota. Em 30/11 sua aplicação financeira exibirá um saldo de R$1.045,07, uma diferença a seu favor de R$ 124,57, quando comparado ao saldo de João... nada mal, não? E isso para um IPTU de R$ 1.000, imagine para valores maiores!! E aí, após esta pequena estória, quem você preferirá imitar, João ou José?

Um grande abraço e até a próxima semana!

Observação: Todas as simulações feitas neste artigo basearam-se nos dados para a Prefeitura de Maceió, mas você poderá simular os resultados para outras prefeituras por meio da Calculadora do Cidadão no site do Banco Central (https://www.bcb.gov.br/meubc/calculadoradocidadao). Veja o passo a passo: (1) Para calcular a taxa de juros de sua prefeitura use a opção “Financiamento com prestações fixas”: como geralmente a primeira cota e a cota única vencem na mesma data, o “Número de meses” deverá ser a quantidade de parcelas diminuída de um (nesta simulação 9), o “Valor da prestação” será o valor da parcela do IPTU (nesta simulação usei R$ 100) e o “Valor financiado”, o valor à vista do imposto subtraído da primeira parcela (nesta simulação usei R$ 750). Deixando o campo “Taxa de juros mensal” em branco, pressione “Calcular” para obter a taxa; (2) Para calcular o valor acumulado caso opte por aplicar o valor do imposto à vista (o que foi feito pelo nosso amigo João), use a opção “Valor futuro de capital”, e preencha “Número de meses”, “Taxa de juros mensal” e “Capital atual” (nesta simulação usei 10, 0,8% e R$ 850, respectivamente); deixe “Valor obtido ao final” em branco e pressione “Calcular” para chegar à resposta; (3) Para calcular o valor acumulado caso opte por pagar o imposto à vista e aplicar as parcelas (o que foi feito pelo nosso amigo José), use a opção “Aplicação com depósitos regulares”, e preencha “Número de meses”, “Taxa de juros mensal” e “Valor do depósito regular” (nesta simulação usei 10, 0,8% e R$ 100, respectivamente); deixe “Valor obtido ao final” em branco e pressione “Calcular” para chegar à resposta. 


Inteligência Financeira por Roberto Zentgraf

Graduado em Engenharia Civil (UFRJ), teve experiência profissional construída marcadamente na área financeira, iniciada na Controladoria do Grupo Exxon Foi professor no Grupo Ibmec lecionando disciplinas da área financeira (Matemática Financeira, Estatística, Finanças Corporativas, Gestão de Portfolios, dentre outras)

Paralelamente a estas atribuições, passou a assinar uma coluna semanal sobre Finanças Pessoais no jornal O Globo, tendo a oportunidade de esclarecer as principais dúvidas dos leitores sobre orçamento pessoal, dívidas, aposentadoria, financiamento imobiliário e investimentos. O sucesso atingido pela coluna proporcionou inúmeras participações em palestras, comentários na mídia escrita e televisiva, além da publicação de outros sete livros tratando o tema.

Após obter a certificação de planejador financeiro (CFP® Certified Financial Planner) associou-se à BR Advisors, grupo especializado em soluções financeiras.


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