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18/03/2024 às 07h20

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De quanto preciso?


Dando sequência ao que conversamos no artigo da semana passada (As aparências enganam), a primeira etapa da estratégia para que você, caro leitor, cara leitora, possa se proteger financeiramente na fase em que não mais estiver na ativa é realizar uma estimativa de quanto precisará de complemento de renda para a manutenção do padrão de conforto a que está acostumado ou a que deseja ter no futuro.

Vale aqui usar o bom-senso, ou seja, não imaginar que se vivemos hoje com um padrão de R$ 5.000 mensais durante nossa fase ativa, conseguiremos dobrá-lo ou, inversamente, reduzi-lo quando entrarmos na fase do descanso. O mais razoável é estimarmos que precisaremos de renda aproximadamente idêntica ao nosso último salário (ou qualquer outro rendimento) enquanto ativos pois, mesmo que economizemos em itens que antes eram relevantes em nosso orçamento – refeições no ambiente de trabalho ou programas de atualização profissional, por exemplo – possivelmente arcaremos com custos adicionais em planos de saúde, lazer e outros. Mas esta não é uma regra fixa. E não custa lembrar que a decisão de formar um colchão de segurança para o futuro passará necessariamente por uma restrição no consumo presente... não há mágica!

Também é importante salientar que o planejamento para a aposentadoria deve estar desvinculado de outros planos que estejam em mente, como ajudar na compra do apartamento do filho que irá se casar ou realizar a viagem há tanto tempo tão sonhada, por exemplo. O roteiro que apresento a seguir foi simulado para um personagem que consegue R$ 15.000 de renda bruta mensal, mas pode ser ajustado para se adaptar a sua específica realidade. Vamos lá?  

1) Renda bruta total durante a fase ativa: Corresponderá à soma dos valores brutos recebidos antes de quaisquer descontos. Nosso personagem, o Renato, recebe um salário bruto de R$ 13 mil, complementados por R$ 2 mil referentes ao aluguel de imóvel de sua propriedade, não entrando aí as taxas associadas a este imóvel, que são reembolsadas por fora.

2) Renda bruta disponível: Corresponderá ao valor citado no item anterior abatido dos descontos que irão desaparecer na fase de aposentadoria, como por exemplo, as contribuições para o INSS e/ou entidades profissionais.  Renato é descontado em R$ 900 mensais, apenas para o INSS. Sua renda bruta disponível é, portanto, de R$ 14.100 mensais. Caso participasse de um fundo de pensão e contribuísse mensalmente, também deveria ter este valor abatido. Não incluo os descontos do imposto de renda por dois principais motivos: o primeiro é porque ao se aposentar, sua renda também sofrerá a incidência do IR, o segundo é porque, a maioria dos planos de previdência vendidos pelos bancos e seguradoras, informa valores em termos brutos. Importante notar que este é o total de recursos que Renato dispõe hoje para tocar a sua vida.

3) Renda bruta para a manutenção do padrão quando inativo: Corresponderá ao valor citado no item anterior diminuído das despesas que irão desaparecer. Importantíssimo ser muito criterioso neste caso: o custo da educação dos filhos é quase certo que venha a desaparecer, já a redução do valor do plano de saúde – por não mais assumir o filho como dependente – nem tanto, já que em função da idade, o custo aumenta. Conservador, Renato prefere abater apenas a despesa de R$ 3.000 mensais com a educação do filho, o que faz com que sua renda bruta para manter seu padrão quando parar de trabalhar fique em R$11.100.  

4) Complemento de renda a se conseguir: Corresponderá ao valor citado no item anterior diminuído de todas as receitas futuras que estejam de certa forma garantidas, tais como o benefício do INSS e dos fundos de pensão que participe, dos aluguéis que receba e outras receitas. Nas condições atuais, e assumindo que continue a manter o imóvel de sua propriedade alugado, Renato terá R$ 7.786 correspondentes ao teto do INSS acrescidos dos R$ 2.000 de aluguel. Precisará, portanto, complementar sua renda em R$ 1.314.

O passo a passo apresentado foi meramente sugestivo, tendo por finalidade fazer uma estimativa do valor que Renato irá precisar. Relembrando que para obter o complemento desejado ele precisará reduzir seu consumo atual para guardar dinheiro para o futuro – portanto um sacrifício – nunca é demais ser cuidadoso nesta análise.

Finalizando, outro ponto também importante a considerar é a possibilidade de, ao longo de sua carreira, promoções, aumentos por méritos ou mesmo mudanças de emprego, Renato ter um aumento de renda, e, por conseguinte, aumentar o seu padrão de vida. A melhor sugestão para este caso é que ele periodicamente refaça seu planejamento de forma a sempre preservá-lo.

Um grande abraço e até a próxima semana!


Inteligência Financeira por Roberto Zentgraf

Graduado em Engenharia Civil (UFRJ), teve experiência profissional construída marcadamente na área financeira, iniciada na Controladoria do Grupo Exxon Foi professor no Grupo Ibmec lecionando disciplinas da área financeira (Matemática Financeira, Estatística, Finanças Corporativas, Gestão de Portfolios, dentre outras)

Paralelamente a estas atribuições, passou a assinar uma coluna semanal sobre Finanças Pessoais no jornal O Globo, tendo a oportunidade de esclarecer as principais dúvidas dos leitores sobre orçamento pessoal, dívidas, aposentadoria, financiamento imobiliário e investimentos. O sucesso atingido pela coluna proporcionou inúmeras participações em palestras, comentários na mídia escrita e televisiva, além da publicação de outros sete livros tratando o tema.

Após obter a certificação de planejador financeiro (CFP® Certified Financial Planner) associou-se à BR Advisors, grupo especializado em soluções financeiras.


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