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01/04/2024 às 12h00

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Sozinho ou acompanhado?


Olá,  meu querido leitor, minha querida leitora! Se vocês vêm me acompanhando neste blog, leram minhas dicas de como estimar o valor necessário para complementar a renda a partir do momento em que não mais estiverem trabalhando (artigo “De quanto preciso?”). No artigo de hoje, continuo a sequência interrompida pelo artigo de Páscoa, abordando uma importante questão a se considerar: a decisão entre aplicar seus recursos por conta própria ou por intermédio de produtos existentes no mercado financeiro, sejam fundos de investimentos em geral, sejam os produtos mais adequados a este caso, os chamados planos de previdência complementar.

Vale ressaltar, que apesar de ter incluído o tema no conjunto de textos sobre previdência, ele está presente em toda e qualquer decisão de investimento, como por exemplo guardar recursos para a entrada no apartamento, a troca de automóvel ou a viagem de férias, dentre outros.

Cada alternativa tem suas vantagens e desvantagens, e não há uma regra fixa que impeça você de ora investir por conta própria, ora por meio dos produtos formatados no mercado. Principais pontos a considerar:

(1) Conhecimento técnico: Por conta própria, o esforço para conhecer detalhes dos produtos onde você irá investir é todo seu, o que me parece até razoável quando envolver produtos simples como CDBs e alguns outros produtos de renda fixa. A coisa muda de figura quando envolve mercados de risco, como ações, moedas e outros instrumentos. O número de variáveis a analisar é gigantesco, favorecendo assim a utilização de fundos.

(2) Tempo gasto na administração: Por conta própria, reserve um bom tempo para comprar, vender, receber valores, reinvestir, noves-fora o tempo necessário para estar sempre atualizado e não comprar gato por lebre. Estas são questões que desaparecem ao se investir por meio de fundos, opção que me parece mais adequada para quem trabalha em outras áreas que não o mercado financeiro.

(3) Capital a investir: Para quem quer aplicar por conta própria e dispõe de pouco capital, alguns investimentos tornam-se inviáveis, como imóveis (pelos altos valores unitários) ou ações (pelo risco de concentração do risco em uma única empresa), por exemplo. Por outro lado, mesmo quem dispõe de pouco capital consegue participar de mercados mais caros, pois adquire fração de um grande bolo de recursos, ao aplicar via fundos. 

(4) Custos: Em alguns casos e em mercados que você entenda bem, é possível gastar menos nesta opção, optando investir por conta própria. No caso dos fundos, os gestores são remunerados a partir das taxas que você irá lhes pagar, dentre as quais estão a de administração, a de carregamento, a de sucesso e eventuais penalidades por saques antes do prazo. Há muita desinformação a respeito dessas cobranças, levando muitas vezes a decisões equivocadas, pois o que interessa mesmo no final é quanto irá sobrar no seu bolso!

(5) Risco:  Para uma mesma classe de risco, o pequeno volume de recursos ao investir por conta própria deixará você exposto a riscos que poderiam ser eliminados a partir da diversificação. Imagine, por exemplo, quantos imóveis você conseguiria adquirir com R$ 50 mil para garantir renda de aluguel. Com uma montanha de dinheiro para aplicar, os gestores do fundo ou do plano conseguem diversificar o investimento dos recursos, reduzindo assim o risco. Com R$ 50 mil aplicados em um fundo imobiliário, por exemplo, você terá sua renda de aluguel proveniente de diversos inquilinos e não apenas de um único.

(6) Liquidez: Para uma mesma classe de ativos (imóveis, títulos de renda fixa, ações) a liquidez é semelhante; entretanto, por conta própria você pode mexer a qualquer hora no que acumulou. Se você é mais suscetível a gastar o que acumulou em consumo, por exemplo, este pode ser um fator contra aplicar por conta própria. Especificamente no caso dos planos de previdência, as penalidades impostas pelo gestor ou mesmo a questão tributária desestimulam saques antes dos prazos contratados. De certa forma irá estimulá-lo a formar seu patrimônio.

(7) Transmissão de Patrimônio: Mesmo diante da necessidade de entrar em inventário – às vezes bastante demorado – títulos, ações e imóveis podem ser transmitidos para várias gerações, desde que estas contentem-se em viver da renda por eles proporcionada. Ponto positivo para o investimento por conta própria. Especificamente para o caso dos planos de previdência, e dependendo do tipo de benefício que você escolher ou do contrato que assinar, a renda que irá receber só poderá ser transmitida aos filhos, desde que menores de 21 anos.

Finalizo o artigo de hoje com um importante alerta: mesmo considerando as inúmeras vantagens trazidas pela aplicação de recursos por meio de fundos, tenha em mente que também é necessária uma análise criteriosa sobre suas performances, já que há fundos muito bons, e outros nem tanto... mas este é um tema a ser abordado no futuro. Prometo!

Um grande abraço e até a próxima semana!


Inteligência Financeira por Roberto Zentgraf

Graduado em Engenharia Civil (UFRJ), teve experiência profissional construída marcadamente na área financeira, iniciada na Controladoria do Grupo Exxon Foi professor no Grupo Ibmec lecionando disciplinas da área financeira (Matemática Financeira, Estatística, Finanças Corporativas, Gestão de Portfolios, dentre outras)

Paralelamente a estas atribuições, passou a assinar uma coluna semanal sobre Finanças Pessoais no jornal O Globo, tendo a oportunidade de esclarecer as principais dúvidas dos leitores sobre orçamento pessoal, dívidas, aposentadoria, financiamento imobiliário e investimentos. O sucesso atingido pela coluna proporcionou inúmeras participações em palestras, comentários na mídia escrita e televisiva, além da publicação de outros sete livros tratando o tema.

Após obter a certificação de planejador financeiro (CFP® Certified Financial Planner) associou-se à BR Advisors, grupo especializado em soluções financeiras.


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