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20/05/2024 às 07h40

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Mico dos grandes


Mico dos grandes

Identificado o perfil – conservador, moderado ou agressivo – conforme tratei na semana passada, o passo seguinte será conhecer os produtos que o mercado oferece para que vocês, queridos leitores e leitoras, cheguem à festa com o traje adequado... Já imaginou, vocês vestidos a rigor em uma festa à fantasia? Ou o contrário, o que acredito ser ainda pior? Mico dos grandes, que quando sai das festas para visitar os investimentos, poderá deixá-los em situações inusitadas como, por exemplo, levá-los às tormentas de uma bolsa, quando na verdade vocês gostam mesmo é da calma de uma caminhada, ou, inversamente, colocá-los em frente à TV de headfone, quando o que vocês querem mesmo é o calafrio de uma operação com opções! Conclusão: a felicidade neste caso será procurar o(s) tipo(s) de aplicação ajustado(s) ao seu perfil de investidor, não se importando com as bravatas do seu vizinho... Será que o perfil dele é igual ao seu? 

Assim, considerando apenas as aplicações financeiras, em geral, classifico-as em três amplas categorias de investimento: (1) em juros; (2) em lucros; (3) outros. Vejamos alguns detalhes...

(1) Investimento em juros: os principais produtos nesta categoria são: a Poupança, os CDBs, as aplicações a prazo fixo e os títulos, públicos – como aqueles que são negociados no Tesouro Direto – ou privados, como as debêntures, emitidas por empresas que necessitam recursos, mas não desejam  nem sócios, nem o crédito bancário. Também entram aí os fundos que adquirem ativos desta categoria, como os fundos de renda fixa ou fundos DI. Comum a todos estes casos é o fato de remunerarem em um percentual fixo (aplicações pré-fixadas) ou parcialmente fixos (pós-fixadas) sobre os saldos depositados, sem, contudo, depender dos resultados obtidos pelo captador dos recursos. Engana-se, entretanto, quem acredite que não exista risco neste tipo de investimento, sendo o principal o risco de crédito, que consiste na possibilidade do agente que recebeu os recursos (bancos, empresa ou governo) não honrar seus compromissos, o popular calote. Felizmente, para os produtos mais populares oferecidos nos bancos (Poupança, CDB, LCI, LCA os principais) há o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) que protege os investidores contra este risco, atualmente limitado a R$ 250 mil por instituição e R$ 1 milhão por investidor. Exemplificando, caso Maria tenha R$ 200 mil aplicados no Banco A e o banco “quebre”, o FGC garantirá que ela não perca os recursos que investiu. Títulos públicos e outros títulos privados não contam com tal proteção, assim também como os fundos de renda fixa, já que quem investe por meio destes, participa de uma carteira com diversos títulos, de tal forma que a inadimplência de um emissor (o Banco A do exemplo), ainda que interfira na rentabilidade do fundo, não o levará à bancarrota.

(2) Investimento em lucros: os principais instrumentos da categoria são as ações das empresas, além, obviamente, dos fundos que as adquirem, os fundos de ações e, algumas categorias de fundos multimercados. Ao aplicar o seu dinheiro nas ações da Petrobrás, por exemplo, você ganhará algo se, em função dos lucros obtidos pela empresa, ela vier a lhe pagar dividendos e/ou também se, pelas expectativas quantos aos lucros futuros, as ações vierem a se valorizar. Mas observe: diferentemente do investimento em juros, neste caso, nada estará garantido! O principal risco deste tipo de investimento, correspondente à flutuação nos preços, é o chamado risco de mercado, mas engana-se (aqui também) quem acredita que este tipo de risco só ocorra com as ações, pois até mesmo títulos de renda fixa pré-fixados enfrentam oscilações em seus preços em função das condições de mercado, ainda que de menor magnitude que as oscilações observadas nas ações (e talvez não percebidas por investidores que não venham a vender estes títulos antes do vencimento... assunto para o futuro, prometo!).

(3) Outros investimentos: englobam o resto, indo desde moedas estrangeiras até participações diversas nos mais diferentes empreendimentos, tais como imóveis e shopping-centers (via fundos imobiliários), mercados de arte, créditos de terceiros, fazendas de avestruz, moedas virtuais e muitos outros. Na grande maioria das vezes tais investimentos são intermediados por instituições financeiras, e obviamente, nenhuma garantia de rentabilidade ou liquidez pode ser dada neste segmento. Se vocês, leitores atentos já identificaram, aqui o risco é o de mercado, na veia. Pessoalmente acho a relação custo (do aprendizado) benefício (do resultado) muito desfavorável para me aventurar nestes novos mercados, razão pela qual, prefiro calibrar o risco que suporto com as duas primeiras categorias; mas isso é assunto para uma outra coluna!

Um grande abraço e até a próxima semana!


Inteligência Financeira por Roberto Zentgraf

Graduado em Engenharia Civil (UFRJ), teve experiência profissional construída marcadamente na área financeira, iniciada na Controladoria do Grupo Exxon Foi professor no Grupo Ibmec lecionando disciplinas da área financeira (Matemática Financeira, Estatística, Finanças Corporativas, Gestão de Portfolios, dentre outras)

Paralelamente a estas atribuições, passou a assinar uma coluna semanal sobre Finanças Pessoais no jornal O Globo, tendo a oportunidade de esclarecer as principais dúvidas dos leitores sobre orçamento pessoal, dívidas, aposentadoria, financiamento imobiliário e investimentos. O sucesso atingido pela coluna proporcionou inúmeras participações em palestras, comentários na mídia escrita e televisiva, além da publicação de outros sete livros tratando o tema.

Após obter a certificação de planejador financeiro (CFP® Certified Financial Planner) associou-se à BR Advisors, grupo especializado em soluções financeiras.


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