Se você tem a sensação de que a sua empresa está trabalhando mais, vendendo no mesmo ritmo ou até um pouco melhor, mas o resultado financeiro simplesmente não acompanha esse esforço, existe um fator que precisa ser encarado com mais seriedade: o aumento dos custos operacionais, especialmente no setor de serviços, vem pressionando margens de forma contínua e silenciosa..
Quando a gente olha os indicadores oficiais de inflação divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, parece que está tudo sob controle. Um número médio, um índice nacional, uma sensação de normalidade. Mas quem vive a rotina de uma empresa de serviços sabe que a inflação real é outra.
O custo real do negócio não sobe de forma uniforme. Ele aparece no reajuste do aluguel acima da média, na renovação de contratos de tecnologia, no aumento dos benefícios para manter pessoas qualificadas, nos encargos trabalhistas, no custo de energia, nos serviços terceirizados e, principalmente, na soma de pequenas ineficiências que vão sendo absorvidas pela rotina sem nenhum tipo de mensuração clara.
E aí eu te pergunto: quando foi a última vez que você parou para recalcular, de verdade, quanto custa manter a sua empresa aberta hoje?
A grande questão é que, na maioria das empresas, o custo não é visualmente evidente. Ele mora na estrutura. Mora nas pessoas. Mora no tempo improdutivo. Mora no retrabalho. Mora nos contratos recorrentes que foram assinados em outro contexto e nunca mais revisados. Mora na agenda mal organizada, na equipe sobrecarregada, na falta de padronização e na ausência de indicadores mínimos para acompanhar produtividade.
E, nesse ambiente, surge uma armadilha bastante comum: o empresário passa a enxergar apenas o faturamento como sinal de desempenho. Se o volume de vendas se mantém, a sensação é de estabilidade. Se cresce, surge a impressão de que o negócio está saudável.
O problema é que crescimento de receita não significa, necessariamente, crescimento de resultado. Quando os custos sobem em ritmo semelhante ou superior ao faturamento, a empresa apenas movimenta mais dinheiro, mas entrega menos margem.
E tudo isso vai sendo engolido pela rotina...
Você vai repassando um ou outro aumento. Vai segurando preço para não perder cliente. Vai tentando compensar no volume. Vai se esforçando para vender mais. Só que ninguém te contou que vender mais, com custo mal controlado, não melhora lucro. Só acelera o problema.
Agora te faço mais uma pergunta: hoje, você sabe com precisão quanto custa manter a sua empresa funcionando todos os meses?
Não quanto custava no início do ano. Não quanto você imagina que custa. Quanto custa agora, de fato.
A maioria dos empresários que eu atendo responde com uma estimativa. Um “mais ou menos”. Um “acho que está bom”. E isso, num cenário de aumento contínuo de custos, é extremamente perigoso.
Porque a inflação por setor não é igual para todo mundo. O setor de serviços, em especial, sente muito mais rápido o impacto de mão de obra, encargos, tecnologia e estrutura. E quando esses custos sobem, eles não avisam. Eles simplesmente aparecem no fim do mês, no extrato bancário, no cartão da empresa, no saldo que não fecha com a expectativa.
Na verdade, na verdade, o problema não é a inflação, é a empresa não estar preparada para conviver com ela.
O aumento de custo, a inflação, faz parte da dinâmica econômica do mercado, ontem, hoje e sempre. Mas a empresa deve estar sempre preparada para acompanhar, interpretar e reagir a esse aumento com agilidade e transformar isso em decisão.
Sem um acompanhamento estruturado dos custos fixos e variáveis, sem indicadores simples de margem, sem análise recorrente de produtividade e sem revisão periódica da estrutura, o gestor perde a capacidade de enxergar o impacto real de cada decisão no resultado.
E se você acha que isso é só uma discussão contábil, deixa eu te dizer outra coisa: Quando você não acompanha corretamente seus custos e não entende o impacto deles na sua margem, você passa a tomar decisões no escuro.
Contrata sem saber se a nova folha cabe na margem, investe sem entender o prazo de retorno, expande sem avaliar se o capital de giro suporta o novo volume de operação e mantém contratos pouco eficientes porque não enxerga o custo total que eles representam no conjunto da empresa.
Se você quer proteger o seu negócio num cenário em que custos continuam pressionando e o mercado continua competitivo, o caminho não é vender desesperadamente mais. É entender profundamente o que está ficando mais caro dentro da sua própria empresa, revisar processos, redesenhar rotinas, renegociar contratos e, principalmente, ajustar sua precificação com base em números reais.
Não existe gestão financeira madura sem leitura constante de custo.
E não existe lucro sustentável quando a empresa cresce ignorando a própria estrutura.
Se quiser continuar crescendo, contratando, investindo e fortalecendo sua empresa, vai precisar de algo simples, mas poderoso: enxergar seus custos antes que eles engulam sua margem.
Porque, no fim das contas, não é a inflação que quebra uma empresa.
É a falta de gestão sobre ela.
Negócios & Economia
por Antonio Siqueira
Antonio Siqueira é alagoano, natural de Água Branca. Graduado em Administração de Empresas (UNIT) com especialização em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria, possui formação técnica em Gestão da Qualidade e em Gestão de Ativos e Investimentos para Empreendedores.
Atuando com gestão financeira há mais de10 anos, seu objetivo como Consultor é elevar os resultados financeiros a um patamar de excelência para empresas que buscam não apenas sobreviver, mas prosperar em ambientes desafiadores.