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04/09/2026 às 12h40

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Supremo Desrespeito à Nação

Independente do motivo que tenha despertado o gargalhar coletivo , o clima de crise instaurado no STF exigiria um outro tipo de postura dos ministros da Casa

Brenno Carvalho


Há fotografias que registram um instante. Outras acabam simbolizando uma época. A imagem de Brenno Carvalho, de O Globo, mostrando ministros do Supremo Tribunal Federal em descontração e gargalhadas ao final da sessão de quarta-feira talvez pertença à segunda categoria.

É preciso fazer uma ressalva indispensável: eles não estavam rindo da crise. Segundo relatos publicados pela imprensa, as gargalhadas surgiram de uma brincadeira feita por Flávio Dino durante uma conversa sobre o julgamento daquele dia. André Mendonça já havia deixado o local e Cármen Lúcia participara remotamente.

Mas o problema da fotografia não está na origem do riso. Está no momento do riso.

O Supremo atravessa uma crise de credibilidade de enorme gravidade. Revelações envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes provocaram questionamentos que precisam ser esclarecidos, enquanto o próprio presidente da Corte, Edson Fachin, reconhece a gravidade do momento institucional.

E então surge aquela fotografia.

Alexandre de Moraes gargalha. Gilmar Mendes também ri. Cristiano Zanin sorri. Fachin aparece de costas. Para milhões de brasileiros, pouco importa qual foi a piada: a imagem transmitida é a de uma Corte aparentemente indiferente à tempestade que acontece do lado de fora.

Pode ser injusto julgar pessoas por uma fração de segundo congelada por uma câmera. Mas ministros do Supremo não são cidadãos comuns dentro daquele prédio. Representam uma das instituições mais poderosas da República.

Em momentos de crise, forma também é conteúdo. Liturgia, sobriedade e percepção pública importam.

Não por acaso, a repercussão foi devastadora. Monitoramento de mais de 86 mil comentários públicos encontrou forte associação da fotografia a sentimentos de deboche, escárnio e impunidade — e as críticas se dirigiram predominantemente à própria instituição, não apenas a um ministro.

O Supremo exige respeito às suas decisões — e deve exigir.

Mas respeito institucional não pode funcionar em mão única.

Quando parcela expressiva da sociedade cobra explicações e recebe como imagem daquele momento gargalhadas vindas do mais alto tribunal do país, instala-se uma sensação profundamente corrosiva: a de que Brasília vive uma realidade e o cidadão, outra.

Talvez tenha sido apenas uma piada, mas, naquele momento, aquela gargalhada coletiva soou como um tapa na cara da Nação.


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