Dora Nunes de Milão
Desfiles ao ar livre encantaram o público e ganharam força na semana da moda em Milão, tornando a moda mais acessível e integrada ao espaço urbano.
A Semana de Moda de Milão (Milan Fashion Week – MFW) - de 25 de fevereiro a 3 de março - foi marcada por desfiles que integraram a moda com a arquitetura histórica da cidade e ofereceu um espetáculo de criatividade e inovação com grifes famosas apresentando suas coleções para o outono/inverno 25/26, apresentando suas coleções em locais emblemáticos e ao ar livre. O evento de grande importância para a indústria da moda, reuniu designers, modelos, celebridades e entusiastas do mundo inteiro. Durante essa edição, foram realizados aproximadamente 153 eventos, incluindo 53 desfiles.
Entre os destaques, Dolce & Gabbana e Luisa Spagnoli optaram por desfiles ao ar livre proporcionaram uma experiência única aos espectadores. Essa escolha refletiu uma tendência crescente na moda de aproximar as coleções do público e de explorar o cenário urbano como parte da narrativa estética de cada marca.
Dolce & Gabbana surpreendeu ao transformar as ruas de Milão em uma extensão de sua passarela, criando uma atmosfera que remetia aos mercados de moda urbana de Londres. A coleção trouxe uma fusão entre o sportswear contemporâneo e o glamour vintage, destacando vestidos de coquetel brilhantes, casacos estruturados e alfaiataria refinada. Peças em veludo, renda e couro apareceram em tons profundos de vinho, azul e dourado, evocando a opulência da moda italiana com um toque moderno.
A marca apresentou sua coleção na Via Montenapoleone, uma das ruas mais icônicas da cidade, dentro do glamouroso Quadrilátero da Moda de Milão, conhecido por abrigar diversas grifes de luxo. A transformação desta via em passarela reforçou a conexão entre a moda e o urbano, permitindo que os espectadores vivenciassem a coleção em um cenário autêntico e sofisticado. As apresentações ao ar livre destacaram a tendência de aproximar a moda do público e de utilizar a cidade como parte integrante das apresentações, criando experiências mais imersivas e acessíveis.
A escolha do espaço urbano como palco foi uma decisão estratégica da marca para reforçar a conexão entre tradição e inovação, além de permitir que a coleção interagisse de maneira autêntica com a cidade e seus habitantes. A apresentação contou com modelos que caminhavam entre os espectadores, trazendo uma atmosfera de acessibilidade e dinamismo que contrastava com os tradicionais desfiles fechados.
Luisa Spagnoli, por sua vez, seguiu uma linha mais clássica, mas igualmente impactante. Seu desfile aconteceu em um dos locais mais icônicos de Milão, onde a elegância da capital da moda serviu de pano de fundo para uma coleção que exaltava a sofisticação feminina. O desfile na Piazza degli Affari harmonizou a elegância da coleção com a atmosfera milanesa.
A escolha deste local permitiu uma interação direta entre as peças apresentadas e o ambiente cosmopolita de Milão, ressaltando a versatilidade das criações da marca. Com inspiração na mulher moderna e independente, a marca apresentou peças que equilibravam cortes estruturados com tecidos fluidos, como lã, cashmere e seda.
Vestidos midi com cintura marcada, capas volumosas e conjuntos de alfaiataria dominaram a coleção, em uma paleta que variava entre tons neutros e cores vibrantes como vermelho e esmeralda. O desfile aconteceu em meio ao movimento natural da cidade, criando um diálogo entre moda e cotidiano. A proximidade com o público permitiu que os detalhes das peças fossem apreciados de perto, reforçando a identidade artesanal e a atenção aos acabamentos impecáveis que caracterizam a marca.

A Semana de Moda de Milão deste ano destacou-se também pelo retorno à opulência e ao uso de peles sintéticas, com diversas marcas apostando em peças exuberantes que misturavam referências clássicas com releituras contemporâneas. Essa abordagem também refletiu uma preocupação crescente da indústria em criar experiências imersivas que valorizem tanto a estética das coleções quanto a intensa participação com o público.
A decisão de Dolce & Gabbana e Luisa Spagnoli de levar suas coleções para as ruas de Milão não foi apenas um gesto estético, mas também uma declaração sobre o futuro da moda e sua relação com o mundo ao redor. Ao transformar a cidade em um palco vivo, essas marcas proporcionaram um espetáculo único que misturou arte, história e tend°encias inovativas.
O primeiro grande evento de moda do ano estabeleceu um novo patamar para os desfiles, mostrando que a moda não se limita às passarelas tradicionais, mas pode se expandir para além delas, interagindo com a arquitetura, o movimento e a vida urbanos, proporcionando uma experiência única aos espectadores.
O setor de moda italiano engloba segmentos como óculos, joias e produtos de beleza, registrou um faturamento de pouco menos de 96 bilhões de euros em 2024, representando uma queda de 5,3% em relação a 2023. Para enfrentar os desafios econômicos e a crise de emprego no setor, o governo italiano destinou mais de 110 milhões de euros em 2024 e 2025, visando apoiar a indústria e promover a recuperação econômica. Em suma, MFW 2025 destacou-se não apenas pelas inovações e tendências apresentadas nas passarelas, mas também pelo impacto econômico significativo.
Brasil na MFW Summer Edition 25 - Durante a edição verão 2025, ocorrida em setembro, diversas marcas brasileiras destacaram-se ao participar de eventos paralelos que enfatizaram a moda sustentável e a inovação. Entre as principais iniciativas, o AWAKE (Awake Mode) reuniu 20 designers brasileiros comprometidos com práticas socialmente responsáveis. Este evento ocorreu entre os dias 18 e 20 de setembro na Terrazza Martini, em paralelo à Semana de Moda de Milão.
Além disso, no dia 20 de setembro, o Museo Nazionale Scienza e Tecnologia Leonardo da Vinci sediou a terceira edição do "Beyond the Claim", um evento de moda sustentável que contou com a participação de quatro marcas brasileiras: Camila Machado, Las Gringas, Natural Cotton Color e Val Valadares.
Essas marcas destacaram-se por seu compromisso com a sustentabilidade, práticas que respeitam o meio ambiente, valorização do trabalho artesanal e geração de impacto social positivo. Todas são lideradas por mulheres empreendedoras, representando a força do segmento no Brasil.
A participação dessas marcas em eventos internacionais como o AWAKE e o "Beyond the Claim" reforça a presença e a relevância da moda brasileira no cenário global, especialmente no que tange à sustentabilidade e à inovação.

* Publicado originalmente na edição 89 da revista Painel Alagoas
Painel fashion
por Redação
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