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17/12/2018 às 15h22

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A origem do Natal


*Frei Betto

Até o século III, celebrava-se o nascimento de Jesus a 6 de janeiro. A comemoração no dia 25 de dezembro teve origem entre os séculos II e III, quando teólogos pretenderam determinar a data do nascimento de Jesus, não indicada nos Evangelhos. 

João Batista teria sido concebido no equinócio de outono e nascido no solstício de verão. De acordo com Lucas 1, 26, Jesus teria sido concebido seis meses antes de João, ou seja, no equinócio da primavera no hemisfério Norte (25 de março). Portanto, teria nascido a 25 de dezembro, quando no Oriente o sol retorna a seu movimento de ascensão no dia em que, outrora, havia festas em homenagem à ressurreição das divindades solares. 

A segunda hipótese, mais provável, faz do Natal a versão cristã da festa pagã do “deus sol invencível” (= natale solis invictus), introduzida no ano 274 pelo imperador Aureliano e fixada no solstício do inverno europeu, a 25 de dezembro. 

Para o prólogo do Evangelho de João, Cristo é “a luz do mundo”. Assim, a fé cristã resgata a comemoração pagã ao reforçar, nas primeiras comunidades da Igreja, a convicção de que celebravam a festa do verdadeiro sol. 

O Natal cristão herda o espírito de justiça e reconciliação do sistema sabático e do ano jubilar judaicos, nos quais as dívidas eram perdoadas, os escravos libertados, as terras equitativamente redistribuídas. 

A troca de presentes está associada aos reis magos que, segundo o Evangelho de Mateus, levaram ao menino Jesus ouro (presente dado aos reis), incenso (para os sacerdotes) e mirra (aos profetas). 

Mateus escreve apenas “magos”, sem precisar quantos. Deduz-se serem três, devido aos presentes ofertados. Também não diz que eram reis. Talvez astrólogos, pois seguiram a estrela, embora não haja nenhuma evidência de que de fato existiram. Tudo indica ter sido criação literária de Mateus, para simbolizar Jesus adorado por todos os povos. 

No século III, passaram a ser chamados de reis, como forma de confirmar a profecia contida no Salmo 72, versículo 11: “Todos os reis se prostrarão diante dele”. E no século IX ganharam nomes e procedência: Melchior, rei da Pérsia; Gaspar, rei da Índia; e Baltazar, rei da Arábia.Hoje, há consenso entre os estudiosos da Bíblia que “Jesus, o nazareno” (João 18, 5) teria nascido em Nazaré, aldeia da Galileia. O nascimento em Belém, na Judeia, descrito pelos evangelistas Mateus e Lucas, teria sido um recurso literário para comprovar a profecia de Miqueias (5,1) de que o Messias nasceria na cidade de Davi.

* é um frade dominicano, escritor brasileiro, autor de 60 livros no Brasil e no exterior


*Publicado originalmente na edição 23 da revista Painel Alagoas


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