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13/05/2019 às 11h17

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A área de humanas está ameaçada no Brasil?

Na última semana de abril, o ministro da Educação Abraham Weintraub anunciou sua intenção de tirar recursos das faculdades públicas de Filosofia e Sociologia. A sua proposta foi avalizada pelo presidente Jair Bolsonaro que, em suas redes sociais, descaracterizou essas duas áreas como possíveis geradoras de renda e emprego no país.

De acordo com ele, o objetivo é "focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como veterinária, engenharia e medicina”. 

Há quem diga que essa medida é inconstitucional, mas não é a legalidade ou não dela que chama a atenção. É o seu propósito e a sua finalidade. E questionamentos que partem do princípio de onde o ministro e o presidente se respaldam para retirar o investimento de cursos que se tornaram importantes para o conhecimento de milhões de brasileiros ao longo dos tempos. 

Onde está o bom senso das iniciativas de gestão a partir de estatísticas analisadas e debatidas amplamente? 

A questão da educação no país não pode ser laboratório político e nem está no front da esquerdaXdireita, ou vice-versa. É pelo conhecimento – e quanto mais, melhor – que podemos formar cidadanias na construção de uma Nação justa e igualitária. 

É inaceitável que haja recuo no avanço da educação.

O ex-presidente Fernando Henri­que Cardoso, sociólogo, rebateu a ideia: “Quer reduzir gastos com filosofia e ciências sociais, como se por aí se resolvesse o que de fato conta para o povo: renda e emprego. Até quando?”. 

O Brasil já andou muito na área do conhecimento e não cabe mais no todo, a explicação murcha do presidente Bolsonaro para deixar de investir em cursos como Filosofia e Sociologia: “Para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”. 

Não queremos o mínimo, já passamos por esse caminho e provamos que através do conhecimento em todos os níveis, somos bons, somos melhores, somos capazes de fazer transformações e ampliar a igualdade social. Das lutas travadas e vencidas contra o preconceito, caminhamos à frente na certeza de aprender mais e mais.

Ainda bem que em quatro meses, o presidente Bolsonaro já mostrou que acaba retrocedendo mais do que avançando nas besteiras anunciadas. Aguardamos que haja mais uma volta nessa pretensa e descabida medida.

Segundo o Censo da Educação Superior, as universidades públicas brasileiras oferecem ao todo 72 cursos de ciências sociais, com 10.035 alunos matriculados, e 38 de filosofia, com 4.094 matrículas.

*Publicado originalmente como Editorial da edição 28 da revista Painel Alagoas


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