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21/03/2022 às 14h40

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Pandemia afeta mais mulheres, aponta estudo


Uma pesquisa publicada início deste mês na revista científica "The Lancet" apontou que, na pandemia da covid-19, mulheres foram mais afetadas do que os homens em pelo menos quatro aspectos: desemprego, trabalho não remunerado, educação e violência de gênero.
"Mostramos evidências de disparidades de gênero nos aspectos de saúde, sociais e econômicos, com as mulheres sendo afetadas desproporcionalmente em várias dimensões", dizem os autores do es­tudo, que é liderado por uma bra­sileira, Luísa Flor, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
O estudo fornece a primeira evidência global abrangente sobre disparidades de gênero para uma ampla gama de indicadores de saúde, sociais e econômicos durante a pandemia. As evidências sugerem ainda que a Covid-19 tendeu a exacerbar as disparidades sociais e econômicas existentes anteriormente, em vez de criar novas desigualdades
Em todas as regiões, as mu­lheres relataram taxas mais altas de perda de emprego do que os homens desde o início da pandemia, embora essa tendência tenha diminuído ao longo do tempo.
A perda de renda também ocorreu globalmente – foi relatada por 58% dos entrevistados, com taxas gerais semelhantes para homens e mulheres (embora as diferenças de gênero variassem entre as regiões).
“Grupos étnicos minoritários, imigrantes e mulheres em situação de pobreza provavelmente estão entre os mais severamente afetados pela pandemia. Além disso, as normas sociais de gênero em muitos países atribuem responsabilidades domésticas e de cui­dado aos filhos preferencialmente às mulheres e reduzem seu tempo e capacidade de se envolver em trabalho remunerado”, com­pletou a pesquisadora brasileira.
Mulheres em todas as regiões foram mais propensas do que os homens a relatar que precisaram abrir mão de um emprego remunerado para cuidar de outras pessoas. A disparidade aumentou ao longo do tempo. Em março de 2020, a cada 1 homem no mundo que disse ter precisado abrir mão do emprego para cuidar de alguém, esse número para as mulheres era 1,8. Em setembro de 2021, a disparidade aumentou para 2,4.
Essa diferença entre os sexos ocorreu em todo o mundo, mas de forma menos significante no Norte da África e no Oriente Médio.
As maiores diferenças de gênero foram observadas em países de alta renda: as mulheres foram 1,1 vez mais propensas a relatar que tiveram que cuidar de outras pessoas. Na Europa Central, na Europa Oriental na Ásia Central, as mulheres tiveram 1,22 vez mais chance de relatar aumento no trabalho doméstico.
Com relação à educação, os en­trevistados, geralmente pais, relataram que, em todo o mundo, 6% dos alunos abandonaram a escola durante a pandemia. (O dado não incluiu faltas devido ao fechamento de escolas). As maiores diferen­ças de gênero foram observadas na Europa Central, Europa Ori­en­tal e Ásia Central – onde quatro ve­zes mais mulheres do que homens abandonaram a educação.
Sobre a percepção do aumento da violência, no geral, 54% das mulheres e 44% dos homens relataram achar que a violência de gê­nero aumentou em sua comunidade durante a pandemia. As ta­xas mais altas foram relatadas por mulheres na América Latina e no Ca­ribe (62%), países de alta ren­da (60%) e na África Subsaariana (57%).

Conclusão: quanto mais avançamos nessa pandemia, mais as desigualdades são exacerbadas. 

Publicado originalmente como editorial na edição 56 da revista Painel Alagoas


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