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Téo Vilela — o estadista das manhãs serenas

Divulgação/PSDB


Por João Aderbal*

Médico*


O amigo e grande jornalista Pedro Oliveira escreveu, com a precisão de quem conhece o peso do tempo na vida pública, que Teotônio Vilela Filho é um nome que transcende a política alagoana. Não por estrépito, mas por permanência; não pelo ruído das disputas, mas pela solidez dos gestos. Ex-senador da República e ex-governador de Alagoas, sua trajetória confunde-se com a de um gestor moderno, pragmático e ético, capaz de unir eficiência administrativa com diálogo político — mantendo a integridade como método, nunca como ornamento.

Quando o 29 de janeiro se anuncia, é como se o apito da Boa Sorte ecoasse na lembrança, soprando votos de bonança ao filho ilustre. Nascido em 1951, em Maceió, mas com o coração plantado em Viçosa, herdou do velho Teotônio — o Menestrel das Alagoas — mais do que o nome: herdou a disciplina da conciliação, o senso democrático e o gosto pela política entendida como missão, essa arte tantas vezes árdua, tantas vezes necessária.

Sua estreia não foi tímida. Entrou pela porta larga do Senado, gesto raro que apenas a confiança popular legitima. O sertão o abraçou, Alagoas o escolheu — e ele soube retribuir com seriedade. De temperamento discreto, às vezes confundido com reserva — ou, na ternura franca dos amigos, “chato com classe” —, cumpriu três mandatos de senador, presidiu o PSDB nacional e alcançou a vice-presidência do Senado. Sempre com o mesmo traço: serenidade como arquitetura, técnica como forma civilizada de governar.

Eleito governador em 2006 e reeleito em 2010, conduziu o Estado entre 2007 e 2015. Preferiu o alicerce ao enfeite. Governou sem fogos de artifício, cuidando do que sustenta. Sua gestão deixou marcas nítidas e duráveis: prioridade à educação, combate persistente à pobreza, obras estruturantes de infraestrutura e parcerias público-privadas que reorganizaram o horizonte do Estado. Houve ainda a busca por estabilidade administrativa e ajuste fiscal — escolhas difíceis num território atravessado por desigualdades antigas, mas indispensáveis para que o futuro tivesse chão.

Ao longo de toda a carreira, Téo Vilela manteve um estilo raro: autoridade e diálogo, técnica e sensibilidade caminhando juntos. A autoridade, nele, nunca precisou do grito; o diálogo jamais foi fraqueza. Por isso, mesmo discreta, sua presença pública carrega a reverência natural reservada aos que ultrapassam o calendário eleitoral e passam a integrar o destino do Estado que serviram.

Diferente de tantos que fazem da política um projeto pessoal interminável, soube a hora de sair. Retirou-se sem alarde, sem escândalos, preservando o bem mais escasso da vida pública brasileira: a credibilidade. Num tempo em que reputações se dissolvem ao primeiro vento, a credibilidade é riqueza moral — talvez a mais rara.

Hoje, pode-se avistá-lo nas caminhadas pela orla, sem guarda-costas, de alma desarmada, apenas a brisa como companhia. Um homem que escreveu, com paciência e competência, um capítulo sólido da história de Alagoas — e que permanece como medida de sobriedade, um refúgio simbólico em tempos de excesso.

Ao fim de sua reflexão, Pedro Oliveira lança a pergunta que muitos formulam em silêncio: não seria a hora de Téo Vilela voltar? A indagação é legítima; nasce do respeito e de uma espécie de saudade cívica que certas figuras inspiram quando atravessam o tempo sem se desgastar.

Pessoalmente, penso que não. E digo isso não por negar sua importância, mas exatamente por reconhecê-la. A posição que ocupa hoje talvez seja a mais acertada — e a mais difícil: a de quem soube sair no momento certo. Num país onde quase ninguém abandona o palco, permanecer fora dele, com dignidade intacta, é também uma forma elevada de serviço público.

Há trajetórias que ganham ainda mais valor quando não se prolongam artificialmente. Téo Vilela construiu, governou, estabilizou, deixou bases. E ao retirar-se sem ressentimento, preservou algo raríssimo: o respeito quase unânime. Sua presença, agora, é pedagógica. Lembra que o poder é passagem, não morada; instrumento, não destino.

Talvez, mais do que voltar, Teotônio Vilela Filho já tenha cumprido plenamente a sua missão. E nesse cumprimento sereno — sem ruído, sem ambição tardia, sem necessidade de aplausos — reside uma parte essencial de sua grandeza. Em tempos de barulho, sua ausência é uma lição.


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