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22/02/2026 às 13h20

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2026 e a luta contínua entre a civilização e a barbárie


Lúcio Carril - Sociólogo

Há um debate antigo nas ciências sociais sobre o marco que separou barbárie e civilização. Alguns autores afirmam ser o uso do fogo; outros, a proibição do incesto. Há, ainda, aqueles que consideram a evolução tecnológica, enfatizando não um marco, mas um processo. 

O certo é que vivemos em evolução e involução quando se trata de história. Mas há um processo de desenvolvimento irrefreável, como a tecnologia e os acordos tácitos de civilização, que compreendem normas coletivas de convivência e organização social.

Não é possível aceitar o retorno da barbárie como padrão de convivência ou negação de tudo que foi conquistado pelo processo civilizatório.

As relações sociais e políticas não podem se nortear pela recusa do conhecimento adquirido em milhares de anos, que nos fez chegar aqui com um mínimo de tolerância e respeito à diversidade. A modernidade não é a fase posterior à idade das trevas. Ela é resultado do acúmulo de experiências de vida e da história da humanidade.

É um horror ter chegado ao século XXI com parte da sociedade defendendo a barbárie e dela fazendo seu mote de vida. 

Que inferno é esse que essa peste camusiana está querendo nos meter?

Não acredito em inferno, mas me inspiro na Divina Comédia de Dante para indicar o Sétimo círculo – Vale do Flegetonte àqueles que insistem em nos fazer voltar às trevas.

Estamos começando 2026, século XXI, e há uma forte campanha pelo retorno à barbárie, com hordas de negacionistas combatendo a ciência e ameaçando se impor pela violência. A primeira vítima escolhida é justamente a ciência, essa senhora de meia idade que já sofreu horrores nas mãos da Santa Inquisição.

Eis que surgem agora novos perseguidores, saídos das catacumbas do protestantismo neopentecostal e das masmorras da ignorância.

Nessa reaparição dos corneteiros das trevas o foco é o conhecimento, novamente. Mais além, está sob ameaça a civilização e tudo que o ser humano alcançou na sua existência. Pode não ser muito, mas não podemos abrir mão da nossa história. 

É preciso segurar os bárbaros e devolvê-los ao planeta da sua existência quadrada. Aqui o mundo é redondo e gira.

*Publicado na edição 99 da revista Painel Alagoas




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