30 de agosto de 2026
min. 23º máx. 32º Maceió
chuva rápida
Agora no Painel Brasil cria 58,5 mil postos de trabalho em julho, aponta Caged
19/08/2026 às 21h20

Blogs

O mundo sem freios

AssessorIA

Por Tânia Fusco

Jornalista

Ou a deselegância como norma. O desrespeito como regra. A mentira como estatuto. A IA pode juntar tudo isso num post descarado.

Onde começou? Como começou? Quem começou? Veio primeiro o ovo ou a galinha?

Se foi o ovo, é de serpente, como a que desgraçou o paraíso. Se foi a galinha, veio disfarçada como galo da KFC, estilizado no modo laranja, batizado de Mister Trump, que de mister não tem nem os pelos da púbis.

Pois não é que o galo deu pra desafiar o mundo? Até aqui, sem resistências. Ou com poucas e fracas como aconteceu quando Hitler anexou a Áustria e parte da Tchecoslováquia, em 11 e 13 de março de 1938.

O mundo, dito civilizado, abriu só o modo observação, acreditando (?) assim evitar a guerra. Aquele vacilo deu gás à Alemanha que ligou o modo posso-tudo e invadiu a Polônia, em 1º de setembro de 1939. Sou invencível, acreditou Hitler. Quase foi.

Qualquer dos nascidos no século 20 e com leitura maior do que a de livros pra colorir conhece a história e o que resultou na História do contemporânea.

A História não se repete como farsa. Embora Marx – o que é mais conhecido só como comunista raiz – defendesse que sim. As histórias, que fazem a História, costumam repetir tragédias, nada burlescas.

Mas, enquanto civilizados seguem “observando” Trump e seus filhotes, muitas serpentes, nada amigáveis, desabrocham de ovos bem podres. E com plena permissão para cruzar fronteiras e afrontar adversários, sejam ou não chefes de Estado e representantes de cortes superiores.

Assim faz Javier Milei, presidente da Argentina, que governa no modelo Trump, como se tudo pudesse por licença de seu falecido cachorro, Conan – conselheiro que, acima de Deus, concebe caminhos para suas performances, nada educadas, internas e externas.

Cadê o freio?

Milei não é palhaço. Trump não é louco. Não faltam pinos na cabeça de nenhum deles. Sobra a ambos (e a outros dos deles) propósito, objetivo e método. Embora caricatos, não são caricaturas. São de carne, ossos e ousadia para afrontar limites. Assim, ultrapassá-los – com ou sem bombas, drones e mísseis.

O mundo que planejam não tem nada do que agora – e ainda – experimentamos como: considerar, prezar e honrar.

O mundo que projetam não tem os freios dos organismos internacionais, criados no pós guerra, para impedir barbaridades. Eles têm pretensão de rearranjar acordos de convivência social ao seu bel prazer, à sua força, ao seu mando.

Enquanto civilizados seguem “observando”, Trump e os seus avançam sobre nós. Sem freios.

Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas, oh, não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume

Sem rosa, sem nada

Poema “Rosa de Hiroshima”, de Vinicius de Moraes. Referência às duas bombas atômicas, jogadas sobre o Japão, em agosto de 1945. Arrasaram as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Em segundos, mataram, feriram e mutilaram mais de 200 mil pessoas. O (des)propósito era pôr fim à 2ª Guerra. O poema foi escrito em 1946, como um manifesto pacifista do pós guerra. Foi publicado em 1954 e musicado nos anos 70, do século passado.

Bom relembrar.

*Publicado no Expediente da edição 105 da revista Painel Alagoas


Painel Opinativo por Diversos

Espaço para postagens de opinião e expressão dos internautas

Todos os direitos reservados
- 2009-2026 Press Comunicações S/S
[email protected]