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24/01/2020 às 12h20

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Recuo presidencial não afasta o "odor" de crise


Bolsonaro recuou da ideia de mudança no ministério de Sérgio Moro, mas o "odor" da crise entre os dois deve permanecer no ar, principalmente quando entrarem  em pauta assuntos polêmicos como delação premiada, juiz de garantia e ,certamente, investigações da PF envolvendo filhos e aliados dos filhos do presidente. Confira os bastidores da quase colisão entre Bolsonaro e o mais popular de seus ministros.


Sem convite

Poucas horas antes da reunião do dia 22 em Brasília, com 27 secretários de segurança, Bolsonaro havia despachado com Sérgio Moro e não o convidou para o encontro. Na pauta apresentada pelos secretários ao presidente a  sugestão de desmembrar o Ministério da Segurança  e Justiça, o que certamente escantearia Moro à Justiça, diminuindo potencialmente sua area de atuação e poder dentro do governo. Em entrevista após a reunião, Bolsonaro confirmou que a proposta entraria em estudo - "É lógico que o Moro deve ser contra, mas é estudado com os demais ministros."- afirmou o presidente.


Sem a pasta...

Quem esteve próximo de Moro nas  horas seguintes a reunião de Bolsonaro com os secretários de segurança, afirma que se a ideia de desmembrar o ministério fosse adiante Moro sairia do governo. Ficar à frente da Segurança foi uma das condições para aceitar o convite de ser ministro. Sem a pasta sob seu comando...


Pauta "de ocasião"

Segundo informações de bastidores palacianos, a sugestão dos secretários na reunião teria sido ideia do próprio presidente, para justificar o desmembramento da pasta e o consequente enfraquecimento do ministro. Bolsonaro não teria gostado da repercussão da entrevista de Moro ao programa Roda Viva (Tv Cultura), na última segunda-feira (20). O ministro demonstrou estar mais politizado e, apesar das provocações constantes dos entrevistadores, em nenhum momento afirmou ter contrariedades com o presidente, porém não se esquivou de demonstrar diferenças de pensamentos sobre assuntos importantes como delações premiadas, juiz de garantias e liberdade de imprensa. Foi surpreendentemente evasivo sobre seu futuro na política o que, para observadores políticos, pode significar uma construção de imagem junto a futuros eleitores.


 Aviso

O posicionamento de Bolsonaro pode ter sido um aviso para Moro "desacelerar" em sua eventual vontade de se lançar a algum cargo político. O presidente sabe que hoje Moro é um dos poucos (ou o único) nomes que, em termos de popularidade, tem condição de confrontá-lo em 2022.


Segurança familiar

Outra justificativa para tal posicionamento, seria a segurança da própria família presidencial. Com a mudança, Moro perderia  o controle sobre a Polícia Federal e outros órgãos com poder de investigar os filhos do presidente, milícias, políticos etc. Parece não ter sido à toa que Moro mudou de ideia sobre a federalização do caso Marielle Franco. O ministro pode ter dado um recado a Bolsonaro de que não pensa em meter a "mão nesse vespeiro."


Clima pesado

Em recente entrevista a Tales Faria (portal UOL), Gustavo Bebbiano, ex-ministro de Bolsonaro, afirmou que o presidente "tem medo de Moro e quer destruí-lo". Para Bebbiano, Moro é um importante freio no uso político da Polícia Federal o que segundo ele "irrita o Jair" e concluiu: "sem o Moro, as chances da PF ser utilizada como ferramenta de opressão contra os desafetos serão grandes. Isso poderá gerar um clima muito pesado no país.”


Painel Político por Redação

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